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  • SNIEAB 16:25 on 07/11/2009 Permalink | Responder
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    IEAB se manifesta sobre Provisão do Vaticano 

    O anúncio feito em 20 de outubro pelo Vaticano, de criar uma provisão constitucional especial para acolher anglicanos descontentes com a ordenação feminina e de pessoas homoafetivas, certamente representa um novo e inesperado patamar nas relações entre a Comunhão Anglicana e a Igreja Católica Apostólica Romana.

    Ao longo de 40 anos, as duas Comunhões mantiveram um franco e profícuo diálogo desde a iniciativa do Papa Paulo VI e do Arcebispo Michael Ramsey de quebrar séculos de silêncio entre as duas partes. Viviam-se os ventos resultantes do Concílio Vaticano II, como uma era de avanço no diálogo e superação de indiferenças. Esse processo continuou ao longo das últimas décadas com a produção de documentos e a criação, em nível de Províncias (como a do Brasil), de comissões nacionais de diálogo anglicano-católico romano.

    Damos graças a Deus por todo o trabalho construído em meio a muitas dificuldades, mas igualmente de mútuo respeito. Para isso contribuiu a capacidade de nos enxergarmos como irmãos que confessam o mesmo Cristo e a mesma fé credal, sempre buscado construir uma compreensão comum em torno de suas identidades teológicas. Neste espírito se produziram os documentos Autoridade na Igreja I (1976), Autoridade na Igreja II (1981), Comunhão Eclesial (1990), Vida em Cristo: Moral, Comunhão e a Igreja (1993), O Dom da Autoridade (1998), Maria: Graça e esperança em Cristo (2004) e Crescer Juntos na Unidade e Missão (2007).

    Todas estas Declarações, e as ações conjuntas decorrentes delas, apontavam na direção de que cada vez mais nos aproximávamos do ideal da unidade que tanto Cristo desejou. Somos hoje parte de inúmeros organismos ecumênicos e nos aceitamos reciprocamente no Batismo – conforme Declaração Conjunta assinada no Brasil em 2007.

    Ao dizermos que a iniciativa do Vaticano define um novo e inesperado patamar no diálogo bilateral, queremos afirmar que ela não tem direta relação com o processo acumulado ao longo dos últimos 40 anos, indicado acima, mas representa uma iniciativa unilateral, que certamente merecerá uma análise mais profunda. Indicativamente, enumeramos aqui dois elementos que merecem cuidadosa atenção:

    1. Os mais recentes documentos oficiais da Igreja Católica Romana têm reafirmado sucessivamente, não a sua identidade apenas como Igreja universal, mas sua singularidade como sinal verdadeiro e original da presença de Cristo entre os povos. Isso implica em uma auto-compreensão de exclusividade eclesiológica e organizacional que dificulta o avanço do diálogo entre as duas Igrejas;

    2. O substrato teológico para a iniciativa do Vaticano se baseia na compreensão de que a unidade da Igreja se dá tendo como referência o postulado do ministério petrino. Tal postulado necessita ser compreendido na conjugação entre sua dimensão teológica e a realidade histórica da sé de Roma e até esse momento não é ponto pacífico no diálogo anglicano-católico romano.
    Evidente que estas questões precisam ser confrontadas com honestidade e amplo diálogo que, sempre, de nossa parte, marcaram comprometida e respeitosa atitude.

    Expressamos nossa preocupação com a iniciativa desencadeada por Roma, levando em conta aspectos como seu método e conteúdo.

    Lamentamos que nenhuma instância oficial da Comunhão Anglicana tenha participado do processo de construção da provisão anunciada pelo Vaticano. Inclusive, para surpresa de muitos, a própria Congregação para a Unidade dos Cristãos não participou do processo interno, em Roma, sequer para o anúncio da iniciativa.

    Um assunto conduzido assim, privadamente e sob a coordenação da Congregação para Doutrina e Fé, ou seja, tratado no nível especificamente doutrinal e sem nenhuma relação com a sua dimensão ecumênica exigiria, no mínimo, a transparência que seria de se esperar entre duas Igrejas que dialogam ecumenicamente.

    Se a provisão fosse destinada às pessoas que já saíram da Comunhão Anglicana por razões de divergência teológica, certamente isso seria entendido como acolhimento pastoral a quem já não seria pastoralmente mais de nossa responsabilidade. Mas, na medida que se destina a pessoas e comunidades que ainda estão dentro da Comunhão, mesmo que em dissenso, a provisão representa um problema ético de interferência em assuntos internos de outra Igreja irmã.

    Esperamos, com muita honestidade, que essa interferência não venha se constituir em empecilho para o futuro de nosso diálogo e que possamos em tempo conhecer o teor da referida provisão – que ainda não é pública – e aplicar, quando possível, o princípio do respeito à autonomia interna de nossas Igrejas. A conversa que haverá entre o Arcebispo de Cantuária e o Papa Bento XVI nos próximos dias, em Roma, poderá apontar contornos mais claros para essa iniciativa. Aguardaremos essa conversa que representará o primeiro diálogo face a face entre os representantes máximos das duas Igrejas.

    Em nosso contexto no Brasil, temos recebido e acolhido clérigos oriundos da Igreja Católica Romana, e temos acolhido essas pessoas como irmãos que desejam responder a sua vocação e chamado na missão, que é de Deus. A Igreja Episcopal Anglicana do Brasil mantém um Cânone específico para esse acolhimento e reconhecemos as Ordens Sagradas de cada um, sem nenhum novo processo de ordenação.

    Esperamos que esse assunto seja discutido com muita autenticidade dentro das instâncias de diálogo internacionais e locais de nossas duas Igrejas, e restaurando-se o teor do processo já trilhado, na busca de se superar mal entendidos e retomar o caminho da busca da Unidade tão desejada por Cristo e sonhada por todos nós!

    Brasília, 04 de novembro de 2009
    William Temple (1881-1944)

    -

    Revmo. Dom Maurício Andrade

    Bispo Primaz da IEAB

     
  • SNIEAB 17:11 on 20/10/2009 Permalink | Responder
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    Vaticano publica provisão especial para acolher anglicanos descontentes 

    Em uma inesperada decisão, a Igreja Católica Romana tornou público hoje uma provisão especial do Papa para acolher anglicanos em dissenso com sua Igreja por razões de ordenação de mulheres e de pessoas homoafetivas.
    A provisão especial permitirá que anglicanos entrem em plena comunhão com Roma mantidas particularidades da tradição e teologia anglicanas, incluído o estado matrimonial dos clérigos – exceto os bispos.
    Em entrevista coletiva, o Arcebispo de Cantuária declarou não entender esse provisão de Roma como uma ingerência nos assuntos internos da Comunhão Anglicana.
    Em uma declaração conjunta com o Arcebispo católico Romano de Westminster, Rowan Williams enfatizou que essa medida representou a superação de muitas incertezas para anglicanos e católicos romanos, tornando-se uma solução para um anseio de grupos anglicanos que vinham solicitando a Roma a aceitação como membros em plena comunhão.
    A grande interrogação em torno da medida é se essa provisão se destina aos anglicanos que abandonaram a comunhão da Igreja por razões de dissenso ou se vale também para os anglicanos que, embora ainda dentro da Igreja, desejarem aderir a Roma sob essa provisão.
    De qualquer modo, essa inesperada ação da Sé de Roma representará um questionamento a respeito da longa caminhada de diálogo ecumênico entre anglicanos e católicos romanos que existe há mais de 40 anos.
    Já começam a se construir muitas teses de apoio e de questionamento a partir de teólogos dos dois lados. Certamente essa é uma medida que terá seus impactos no futuro das relações entre as duas Igrejas.
    -
    Rev. Cônego Francisco de Assis da Silva
    Secretário-Geral da IEAB

    Em uma inesperada decisão, a Igreja Católica Romana tornou público hoje uma provisão especial do Papa para acolher anglicanos em dissenso com sua Igreja por razões de ordenação de mulheres e de pessoas homoafetivas.

    A provisão especial permitirá que anglicanos entrem em plena comunhão com Roma mantidas particularidades da tradição e teologia anglicanas, incluído o estado matrimonial dos clérigos – exceto os bispos.

    Em entrevista coletiva, o Arcebispo de Cantuária declarou não entender esse provisão de Roma como uma ingerência nos assuntos internos da Comunhão Anglicana.

    Em uma declaração conjunta com o Arcebispo católico Romano de Westminster, Rowan Williams enfatizou que essa medida representou a superação de muitas incertezas para anglicanos e católicos romanos, tornando-se uma solução para um anseio de grupos anglicanos que vinham solicitando a Roma a aceitação como membros em plena comunhão.

    A grande interrogação em torno da medida é se essa provisão se destina aos anglicanos que abandonaram a comunhão da Igreja por razões de dissenso ou se vale também para os anglicanos que, embora ainda dentro da Igreja, desejarem aderir a Roma sob essa provisão.

    De qualquer modo, essa inesperada ação da Sé de Roma representará um questionamento a respeito da longa caminhada de diálogo ecumênico entre anglicanos e católicos romanos que existe há mais de 40 anos.

    Já começam a se construir muitas teses de apoio e de questionamento a partir de teólogos dos dois lados. Certamente essa é uma medida que terá seus impactos no futuro das relações entre as duas Igrejas.

    -

    Rev. Cônego Francisco de Assis da Silva

    Secretário-Geral da IEAB

     
    • Yamil Dutra 15:00 on 21/10/2009 Permalink | Responder

      A igreja de Roma passaria a ter dois tipos de padres, casados e solteiros. Isso seria revolucionário e tornaria, aos pouco, a questão do celibato um assunto ainda mais explosivo na igreja de Roma. Somado este aspecto à introdução da teologia, tradição e outras particularidades anglicanas no seio da igreja de Roma, as duas Igrejas estariam cada vez menos diferenciadas e sobrariam as questões (de tensa discussão dentro da igreja de Roma e de absoluta aceitação no mundo civil) da ordenação feminina e da homoafetividade para serem solucionadas, o que permitiria, no futuro, uma potencial reunificação das duas Igrejas. Fica bem claro qual a orientação vitoriosa nestes últimos séculos: a Anglicana.

      • Valdir A. C. 13:02 on 03/11/2009 Permalink | Responder

        Paz e Bem! Ouso postar aqui porque o assunto diz respeito a Igreja Católica Apostólica Romana!
        Ao Sr. Yamil imponho dois questionamentos:
        1- Os que poderão entrar em plena comunhão com a Santa Sé serão, exatamente, aqueles que não aceitam os absurdos defendidos pelo Sr. dentro do Anglicanismo. Não serão anglicanos dentro do catolicismo e sim católicos com um rito, digamos, anglicano (livre daquilo que contraria a Sã Doutrina), como os Melquitas, Ambrosianos, Orientais… etc.
        2- Em hipótese alguma os defensores de tais abusos absurdos encontrarão apoio ou comunhão na Igreja Católica em qualquer tempo. Nem em sonho!!!

        Em Jesus, com Maria… Sempre!

    • Silvio 22:15 on 25/10/2009 Permalink | Responder

      Dentro da Igreja Católica Romana já existem padres casados. São aqueles dos ritos orientais. Tal como acontecerá com os anglicanos que voltarem para a Igreja de Roma, lá também os bispos tem que ser celibatários. De outro lado, concordo que está na hora de Roma rever o celibato obrigatório. Certamente se hoje ela abrisse uma janela para tal, aumentaria sobremaneira o número de sacerdotes ativos, com o retorno dos mesmos ao seio eclesial, hoje afastados.

    • Pe. Antônio Ramalho Neto 0:28 on 31/10/2009 Permalink | Responder

      Creio que esse foi um grande avanço para a união das Igreja Romana e Anglicana , uma teria que fazer uma proposta e assim fazendo como fez a Igreja Romana esperamos nossos irmãos anglicanos de braços abertos. Bem Vindos.

    • Rodrigo 23:48 on 24/03/2011 Permalink | Responder

      Bom pra IEAB rever algumas posturas tímidas que tinha em tempos recentes com grupos que supostamente se dizem “fiéis à sã doutrina”, que, o que fazem na verdade é contra-atacar o desafio que o evangelho de Jesus fazia ao evangelho imperial, assimilando a retórica do evangelho cristão à racionalidade do evangelho imperial romano…

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