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  • SNIEAB 16:14 on 26/04/2018 Permalink | Responder
    Tags: Bispa Marinez Bassotto, , ieab, Primeira bispa da América do Sul, Revdo. Luiz Coelho, Sagração Episcopal   

    Um novo amanhecer para a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, ao celebrar sua primeira bispa 

    No último sábado, 21 de abril de 2018, muitos brasileiros e brasileiras celebraram a vida de Tiradentes, um dos mártires da Inconfidência Mineira. Para os anglicanos e anglicanas da Amazônia, entretanto, o dia foi muito mais simbólico, pois significava um novo começo para a maior diocese brasileira em área territorial.

    A quadra poliesportiva da Catedral de Santa Maria estava lotada com pessoas de toda a diocese, visitantes de outras partes do país e também do mundo, de modo a dar testemunho da sagração da Revma. Bispa Marinez Bassotto, a primeira bispa anglicana da América do Sul, chamada a liderar essa diocese pelos anos vindouros. Havia tantas pessoas que a Catedral não tinha como acomodá-las no santuário. A cerimônia teve de ocorrer na quadra.


    A liturgia foi preenchida com costumes locais, incluindo danças caboclas na apresentação do Evangelho, oferendas de frutas e vegetais locais e um conjunto de galhetas, cálices e patenas em cerâmica marajoara. A chuva – tão comum na Amazônia – também se fez presente, com diversas rajadas acontecendo durante o ofício. Felizmente, a quadra era coberta, então ninguém se molhou!

    Presidiu a cerimônia o Revmo. Bispo Francisco de Assis da Silva, Diocesano de Santa Maria (Sul-Ocidental) e Primaz da IEAB. A Revma. Bispa Linda Nicholls , Diocesana de Huron (Igreja Anglicana do Canadá) foi a pregadora. As dioceses da Amazônia e Huron têm um processo de companheirismo longo e duradouro. Também estava lá a Revma. Bispa Griselda Delgado del Carpio, diocesana de Cuba (Igreja Episcopal). As bispas Marinez e Griselda são duas de três bispas latino-americanas na tradição anglicana. A primeira, Revma. Nerva Cot Aguilera, serviu como sufragânea de Cuba e foi chamada à eternidade em 2010. Diversos outros clérigos e clérigas das três ordens, bem como leigos e leigas, serviram em uma diversidade de papéis litúrgicos.

    Marinez é casada com Paulo e tem duas filhas: Luísa e Laura. Antes de haver sido eleita bispa, serviu paróquias na grande Porto Alegre, incluindo aí sua longa experiência como Deã da Catedral da Santíssima Trindade. Também participou de diversas comissões nacionais, como a Comissão Nacional de Liturgia e a Comissão Nacional de Diaconia. Também tem servido como Custódia do Livro de Oração Comum. Agora, ela é chamada a ser pastora e mãe em Deus de uma diocese no outro lado do país. É uma grande mudança para ela e sua família. Todas as orações são bem vindas.

    “Um telhado de vidro de 33 anos foi esfacelado”, mencionou a Revda. Carmen Etel Alves Gomes, primeira mulher ordenada no Brasil, em 1985. Em 1984, a IEAB havia realizado mudanças canônicas permitindo a ordenação de mulheres às três ordens desde então. Entretanto, apesar de haverem sido ordenadas tantas mulheres ao diaconato e presbiterado (sacerdócio), nenhuma ainda havia sido eleita e sagrada bispa. A sagração da bispa Marinez demonstra que, também para a IEAB, de fato “não há homem ou mulher, pois somos um em Cristo Jesus”.

    Rev. Luiz Coelho

     
  • SNIEAB 12:18 on 17/04/2018 Permalink | Responder
    Tags: , ieab, LGBT   

    ENCONTRO NACIONAL LGBT da IEAB 

    Uma oportunidade de partilha pastoral, cuidado mútuo, estudo bíblico, oração e teologia libertadora!

    25 a 27 de Maio de 2018 em Brasília/DF

    Hospedagem e alimentação gratuitas!

    Informações sobre o evento em: enlgbtieab@gmail.com

     
  • SNIEAB 12:17 on 13/04/2018 Permalink | Responder
    Tags: Cartaz, Confelider 2018, ieab, Sínodo 2018   

    CARTAZ DA CONFELIDER E SÍNODO GERAL 2018 

    O Conselho Executivo do Sínodo acolheu a proposta de cartaz para a divulgação da Confelider e Sínodo Geral 2018. A proposta de cartaz foi elaborada e encaminhada pelo Grupo Executivo da Confelider Nacional para ser usada por toda a IEAB.

    Saiba mais sobre a CONFELIDER e sobre o SÍNODO GERAL 2018 no site oficial da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil: http://ieab.org.br/   Veja como procurar:


     
  • SNIEAB 16:07 on 16/03/2018 Permalink | Responder
    Tags: , ieab   

    FAMA – Seminário Internacional Ecumênico 

    O Seminário Internacional Ecumênico “Água como Bem Comum: Desafios para os Povos da América Latina e Caribe”, que acontecerá neste  sábado (17/03) em Brasília, como parte da programação auto-gestionada do FAMA. O Seminário é liderado pela Christian Aid, com apoio da Aliança ACT, e contará com participantes de 8 países diferentes: Argentina, Brasil, Bolívia, Colômbia, Cuba, Guatemala, El Salvador e Equador  e 15 organizações que se juntarão para compartilhar desafios e planejar ações conjuntas. O evento deverá ter transmissão ao vivo, e será utilizado o Twitter para compartilhar o conteúdo.

    Você pode fazer o download do aquivo em PDF  da programação:  PT_programacao_seminario_CA

     
  • SNIEAB 16:58 on 08/03/2018 Permalink | Responder
    Tags: , Bispas, , , , ieab, , Mulheres Bispas, Mulheres no Episcopado, Reverenda Marinez Bassotto   

    Convite de Sagração Episcopal – Diocese Anglicana da Amazônia 

     
  • SNIEAB 17:48 on 06/03/2018 Permalink | Responder
    Tags: , ieab,   

    Material da SOUC 2018 já está disponível 

    Irmãos e irmãs,

    Informamos que o material da Semana de Oração pela Unidade Cristã de 2018 já está disponível.
    É importante motivarmos grupos, comunidades para solicitarem o material pelo e-mail: conic@conic.org.br
     
  • SNIEAB 9:33 on 21/12/2017 Permalink | Responder
    Tags: Clérigas, ieab, , Postulantes   

    Carta das Clérigas e Postulantes da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil 

    Porto Alegre, 12 de dezembro de 2017.

    Retiro de Clérigas e Postulantes da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB).

    À Câmara dos Bispos da IEAB

    Ao Conselho Executivo da IEAB

    Ao Clero da IEAB

    Ao Povo da IEAB

    “Eu lhes asseguro que onde quer que o evangelho for anunciado, em todo o mundo, também o que ela fez será contado para que ninguém se esqueça dela.” Mc 14: 9

    Saudações em Cristo!

    Nós, mulheres ordenadas e postulantes às Sagradas Ordens da IEAB, reunidas em Retiro, nos dias 11 e 12 de dezembro de 2017, nas dependências do Seminário Teológico Egmont Machado Krischke – SETEK, em Porto Alegre/Rio Grande do Sul, com o objetivo de partilhar e compartilhar nossas vidas e ministérios na perspectiva da oração, em benefício mútuo e em prol do Reino de Deus e da IEAB, igreja à qual servimos e amamos, vimos, por meio deste documento, declarar que as muitas histórias e experiências de vidas partilhadas evidenciaram que as reverendas têm exercido seus ministérios com muita eficácia e total dedicação. Essa ação tem ocorrido nas bases, nas esferas do serviço, mas com pouca presença nos espaços decisórios da Igreja, o que tem contribuído para uma situação de violação da equidade de gênero na IEAB.

    Diante dessa realidade, entendemos ser necessário e urgente fazer à IEAB as seguintes recomendações:

    1. Equidade de gênero nas composições das representações: que as comissões da Igreja sejam formadas de maneira equânime – 50% sexo masculino e 50% sexo feminino – e que essa recomendação seja submetida ao Sínodo que ocorrerá em Brasília, de 30 de maio a 03 de junho de 2018;

    2. Publicidade nas decisões: que na agenda provincial, os critérios de escolha e indicações para representações da igreja, em eventos nacionais e internacionais, sejam sempre públicos e disponibilizados no http://sn.ieab.org.br, com base nos critérios de visibilidade e transparência que devem reger os atos da IEAB;

    3. Formação: que seja implementado/adotado um programa de formação continuada que possibilite ao clero da igreja, de modo equânime, o acesso a cursos de extensão, acadêmicos ou não, e pós-graduação lato e stricto sensu, que sirvam como ferramenta para atualização do conhecimento e aperfeiçoamento da prática ministerial.

    4. Maior participação de lideranças femininas: que ocorra maior valorização das capacidades e potencialidades ministeriais e acadêmicas das mulheres clérigas, postulantes e leigas; que elas também tenham a oportunidade de realizar intercâmbios, sejam convidadas para proferir sermões, ministrar cursos, atuar como assessoras em eventos na igreja, realizar partilhas, enfim, atuar de modo a edificar a igreja e serem por ela edificadas;

    5. Saúde: que haja maior apoio às reverendas tanto na dimensão emocional-pastoral quanto médica e que as possíveis debilidades – comum a homens e mulheres e decorrentes do dia a dia pastoral – não lhes sejam imputadas como fragilidade ou fraqueza. Entendemos ser necessário cuidar de quem cuida a fim de que a igreja se mantenha, também, sadia;

    6. Enfrentamento à misoginia: que não seja admitido, em hipótese alguma, que a vida íntima de nossas irmãs reverendas e leigas sejam questionadas e expostas, sobretudo, quando tal atitude for uma clara tentativa de descredenciá-las e desqualifica-las para impedi-las de ocupar qualquer cargo na estrutura orgânica da IEAB, sob pena de nos manifestarmos pública e juridicamente contra tais fatos, que afetam diretamente a nossa dignidade enquanto mulheres;

    7. Atenção à agenda Feminista: que A IEAB não se cale, mas exerça profeticamente o anuncio de um novo tempo a partir da denúncia da perda de direito das mulheres em nossa sociedade, principalmente no que tange à violência de gênero que, de muitos modos, mata mulheres e meninas, e desrespeita sistematicamente seus corpos e suas almas, a exemplo do que ocorreu com a aprovação do texto principal do Projeto de Emenda Constitucional – PEC 181, clara violação dos direitos humanos e perda de direitos uma vez que a lei em vigência no Brasil permite o aborto legal em caso de estupro, de risco de morte da gestante e no caso de gravidez de feto anencéfalo. Assim, importa-nos que a IEAB assuma o aprofundamento das discussões de Gênero, por entendermos ser uma questão estruturante para a desconstrução dessas culturas.

    8. Enfrentamento à violência de gênero contra as mulheres: que a Casa Noeli dos Santos, único equipamento de nossa IEAB, da Rede de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres em todo o Brasil, seja apoiada de forma mais efetiva – tanto pastoral quanto financeiramente – pela IEAB e que suas ações sejam amplamente divulgadas para que possam seguir sendo exemplos de nosso compromisso com o Evangelho de Jesus Cristo, que promove vida plena a todas as pessoas.

    Certas de que seremos ouvidas pela igreja da qual somos parte, e à qual dedicamos nossas vidas e onde exercemos nossos ministérios, aguardaremos e acompanharemos os passos da IEAB na busca urgente de caminhos que viabilizem os pleitos aqui apresentados.

    Que a Ruah Divina sopre sobre a Igreja os ventos de justiça, paz, justiça e misericórdia e nos sustente em nossas lidas cotidianas.

    Em Cristo!

    Revd. Carmem Etel Alves Gomes

    Revd. Dilce Regina Paiva de Oliveira

    Revd. Meriglei Borges Simin

    Revd. Marinez Santos Bassotto

    Revd. Magda Cristina Guedes Pereira

    Revd. Inamar Corrêa de Souza

    Revd. Lílian Pereira da Costa Linhares

    Revd. Lucia Borges

    Revd. Lilian Conceição da Silva Pessoa de Lira

    Revd. Lucia Dal Pont Sirtoli

    Revd. Tatiana Ribeiro

    Revd. Selma Rosa

    Revd. Marinez Oliveira

    Revd. Elaine Nascimento

    Revd. Elineide Ferreira Oliveira

    Revd. Claudia Prates

    Revd. Maytee de La Paz

    Revd. Bianca Daebs

    Post. Volnice Almeida

    Post. Carmen Suzana Gonçalves Bayon

    Nivia Ivette Núñez de la Paz – teóloga

    PARA DOWNLOAD: Carta Clérigas e Postulantes IEAB

     
  • SNIEAB 8:52 on 12/12/2017 Permalink | Responder
    Tags: Câmara Episcopal, ieab,   

    Nota de Repúdio da Câmara Episcopal da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil contra a violência policial dirigida às Universidades 

    Santa Maria, 11 de Dezembro de  2017

    E o efeito da justiça será paz, e a operação da justiça, repouso e segurança para sempre. Isaías 32:17

    Uma das instituições que tem sido alvo de um perigoso processo de intimidação na conjuntura brasileira deste governo ilegítimo é a Universidade.

    Por um lado se percebe a sistemática construção de um desmonte orçamentário que compromete indubitavelmente a execução orçamentária de programas de pesquisa e, inclusive a manutenção de serviços básicos nas instituições de ensino superior.

    Além disso, tem sido visível a remoção por critérios políticos de quadros dirigentes que se opõem a este desmonte, em um processo que só encontra similaridade com idênticos processos utilizados no período da ditadura militar.

    Por último, o próprio poder judiciário e a Polícia Federal, sob a justificativa de combate à corrupção, promove espetáculos cinematográficos de condução coercitiva de dirigentes de Universidade sem nenhuma justificativa plausível, em meio a processos investigatórios correndo dentro de uma absoluta normalidade processual.

    Este último episódio ocorrido com dirigentes da UFMG nos preocupa porque há pouco tempo tivemos o cometimento de suicídio de reitor de uma universidade no estado de Santa Catarina devido ao abuso de autoridade cometido pela Polícia Federal em situação de investigação e sem a devida formação de culpa comprovada contra o acusado.

    Nos preocupa a sistemática adoção de práticas que ferem o Estado democrático de Direito que redundam em coerção e quebra do princípio da autonomia das Universidades, que se aplicadas indiscriminadamente criam o precedente para que outras instituições venham ser alvo de de perseguição dos aparelhos investigativos do Estado.

    Pautamos nosso protesto pela defesa dos princípios da racionalidade, impessoalidade, ampla defesa e estrita obediência à garantia da integridade física e psicológica de todas as pessoas, inclusive aquelas que sejam alvos de investigação sem que a formação da culpa esteja materialmente e legalmente concluída.

    O Estado de Direito pressupõe instituições sólidas, livres e onde a justiça seja praticada e aplicada com o predomínio da objetividade, clareza e materialidade. Quando a justiça depender mais de performance midiática de seus agentes estamos toda a sociedade em sério risco.


    Dom Francisco de Assis da Silva, Diocese Sul Ocidental – Primaz da IEAB

    Dom Naudal Alves Gomes, Diocese de Curitiba

    Dom Mauricio Andrade, Diocese de Brasília

    Dom João Câncio Peixoto, Diocese do Recife

    Dom Eduardo Grillo, Diocese do Rio de Janeiro

    Dom Clovis Erly Rodrigues, Emérito

    Dom Almir dos Santos, Emérito

    Dom Celso Franco, Emérito

    Dom Jubal Pereira Neves, Emérito

    Dom Orlando Santos, Emérito

    Dom Filadelfo Oliveira Neto, Emérito

    Dom Saulo Barros, Emérito

     
  • SNIEAB 17:13 on 24/11/2017 Permalink | Responder
    Tags: ieab, Missão Ecumênica   

    Missão Ecumênica 2017: Marabá e Redenção 

    Representei a IEAB e a Comissão de Incidências Públicas na Missão Ecumênica em Marabá e em Redenção, sul do Pará, entre os dias oito e onze de novembro deste ano. Havia participado da primeira delas que aconteceu em dois mil e quinze, no cone sul matogrossense, nas cidades de Campo Grande e Dourados, em solidariedade ao Povo Guarani Kaiowá e ao CIMI (Conselho Indigenista Missionário) que era alvo de uma CPI estadual.

    A Comissão Pastoral da Terra (CPT) entendeu ser necessária também a solidariedade ecumênica aos acampados e assentados da região sul do Pará que enfrentam uma série de mandados de reintegrações de posse, e cujas vidas estão à mercê de pistoleiros e de policiais.

    É uma das regiões mais violentas do país. Ali ocorreram chacinas como as de Eldorado dos Carajás e Pau D’Arco que vitimaram muitos trabalhadores e trabalhadoras rurais sem terra.

    A Missão Ecumênica organizada pelo Fórum Ecumênico Brasil, Processo de Articulação e Diálogo Internacional, CEBI CESE, CONIC, KOINONIA, CPT, Comitê Brasileiro de Defensores e Defensoras de DH, Diocese de Marabá, Diocese de Conceição do Araguaia contou com a presença de representantes das Igrejas Presbiteriana Unida, Aliança Batista, Luterana, Católica Roma e Anglicana. Também houve representatividade das religiões de Matriz Africana, na pessoa de um Ogam (sacerdote) de Candomblé.

    Na manhã do dia oito de novembro nos reunimos na casa de encontros da Diocese Católica Romana de Marabá para uma celebração de abertura.  Os quatro elementos da natureza (a terra, a água, o fogo e o ar), o indígena, o negro, o camponês sem terra, a Bíblia, a resistência e a solidariedade deram vazão a uma rica liturgia motivadora e comprometedora… Na sequência todos e todas se apresentaram dizendo o nome, a organização, o movimento, a pastoral ou a igreja que estava representando. Militantes da CPT, do MST e de outras organizações que atuam na região contextualizaram a realidade local onde predomina a concentração de terras, a grilagem, a extração mineral em grande escala, a exploração da mão-de-obra, uma considerável presença de acampados e assentados, algumas  aldeias indígenas, pistolagem, policiais a serviço dos poderosos, chacinas, assassinatos de lideranças camponesas, ameaças de morte e muita impunidade…

    Após o almoço nos deslocamos de Marabá para Redenção. Foram seis ou sete horas de viagem em um micro-ônibus. Fomos diretamente para a Câmara Municipal onde aconteceria um ato político/religioso com a presença dos missionários ecumênicos, o Bispo Católico Romano de Conceição do Araguaia, padres e leigos ligados à CPT, outras organizações e movimentos, parentes das vítimas de Pau D’Arco e outras pessoas que fazem parte da Igreja Católica local.

    Na manhã do dia nove de novembro um novo deslocamento agora para o Acampamento Jane Júlia da Liga Camponesa dos Pobres, onde ocorreu a chacina de Pau D’Arco.

    Durante o trajeto uma parada na “Curva do S”, junto ao monumento dos sem terra que tombaram em Eldorado dos Carajás.

    Uma sobrevivente do massacre, militante do MST, fez um breve relato do que aconteceu naquele fatídico dia em que dezenove camponeses sem terra foram assassinados por policiais militares. A comoção se fez presente quando o nome de cada uma das vitimas ia sendo lembrado.

    Em Pau D’Arco fomos acolhidos sob uma cobertura de folhas de buriti por famílias acampadas no local. São quase trezentas famílias que ocupam uma extensa área que já poderia ter sido negociada pelo INCRA, antes mesmo da chacina. Os acampados falaram da dura realidade que enfrentam no dia-a-dia: o medo de novos assassinatos, a impunidade dos assassinos, a insegurança por causa da reintegração de posse em andamento… Porém, expressaram o quanto são resistentes na luta por um pedaço de chão.

    O momento marcante da visita foi junto ao local onde aconteceu a chacina. Um lugar de difícil acesso, em meio a um matagal. Um dos sobreviventes fez um relato do que aconteceu naquele dia. “Nós estávamos em uma área que entendíamos segura. Chovia bastante, vários homens e uma única mulher, a Jane Julia. Estávamos sob a proteção de uma lona preta. Eis que de repetente um grupo de policiais militares e civis de Redenção se aproximou e começou a atirar com armas de grosso calibre. Alguns conseguiram escapar porque perceberam o perigo e correram para o mato. De longe ouvíamos os tiros e os gritos das pessoas que eram executadas. Também ouvíamos os policiais que gritavam muito e xingavam os sem terra”.

    Perfurações de balas nas cabeças e em órgãos vitais provaram que foram execuções à queima roupa. Tais provas só foram possíveis porque coube à Polícia Federal periciar os corpos, examinar o local e levar adiante as investigações.

    Sob algumas árvores, onde estavam os acampados, um par de botinas, um farolete quebrado, restos de roupas, escovas de dente e outros pertences das vítimas…

    Novamente a comoção tomou conta de todos e de todas, e não poderia ser diferente, haja vista a violência desmedida contra os pobres camponeses sem terra.

    Durante a tarde uma audiência na Defensoria Pública do Estado do Pará com dois jovens defensores públicos que acompanham o caso de Pau D’Arco.  Foram eles que intermediaram a vinda de um delegado e equipe especializada da Polícia Federal.

    Por solicitação da Defensoria os policiais envolvidos na chacina foram transferidos para Belém, e dos dezessete acusados, quinze continuam presos e devem ir a júri popular. “É preciso, disseram os Defensores, chegar aos mandantes. Não é tarefa das mais fáceis”.

    Manifestaram certa preocupação quanto à celeridade das investigações, dos julgamentos e das condenações dos réus. Poucos Defensores e uma demanda enorme de questões. Retirada da equipe da Polícia Federal por ordens superiores. Demora na tramitação dos processos.

    Bem de manhã, no dia dez, tomamos o caminho de volta a Marabá. Como era previsto, passamos pelo Acampamento Hugo Chávez, do MST.

    Mais de trezentas famílias ocupam desde dois mil e quatorze uma extensa área de terra que no passado havia sido um imenso castanhal. Sendo de domínio público foi concedido o direito de exploração comercial a um poderoso latifundiário da região. Em não havendo titulação da terra, apenas concessão de exploração, a mesma não poderia ser comercializada (vendida a outras pessoas). O castanhal desapareceu, e a área acabou sendo sucessivamente vendida a vários latifundiários.

    O Acampamento está bem estruturado. Escola fundamental do campo, galpões, horta comunitária e uma produção diferenciada de alimentos orgânicos como o arroz, o feijão, o milho, a mandioca, a abóbora, o açaí…

    Fomos acolhidos em um dos galpões por crianças, adolescentes, jovens, adultos e pessoas já em idade avançada. Como é de praxe em acampamentos do MST, uma mística bem elaborada deu conteúdo àquele momento tão importante de solidariedade e de comprometimento com a luta pela terra.

    O hino do MST, o “grito de guerra” dos sem terrinha e dos sem terra, os relatos dos acampados e as manifestações de solidariedade dos visitantes de lugares tão distantes e diversos ecoaram como um sinal de resistência e de esperança frente ao mandado de reintegração de posse. Ocupar, resistir e produzir…

    O almoço preparado com produtos orgânicos produzidos pelos próprios acampados foi servido lá pelas quatorze horas, e em seguida rumamos para Marabá.

    À noite, antes do jantar de confraternização dos que compuseram a Missão Ecumênica e membros da CPT local, uma avaliação das nossas muitas atividades nestes dias de Missão. O que vimos e o que ouvimos dos acampados e assentados, os encaminhamentos que precisam ser feitos para que a Missão produza algum resultado benéfico para a luta dessa gente que anseia por um pedaço de chão.

    À CPT do Pará, lideranças religiosas próximas e defensores dos Direitos Humanos coube a responsabilidade de acompanhamento das questões que dizem respeito às reintegrações de posse, as ameaças de morte que pesam sobre camponeses (as), Advogados e outras pessoas e sobre as investigações da chacina do Pau D’Arco.

    À CESE, ao CONIC, KOINONIA e outras organizações da Missão Ecumênica o encaminhamento de denúncias junto às organizações internacionais que são solidárias para com a luta dos camponeses(as) sem terra do Brasil.

    Quanto a nós, IEAB, que a nossa solidariedade para com os que lutam por um pedaço de chão, por soberania alimentar, por dignidade, justiça e paz se intensifique ainda mais.  Que informemos às Igrejas que fazem parte da Comunhão Anglicana, particularmente aquelas com as quais mantemos uma maior aproximação, a triste realidade fundiária brasileira que favorece a concentração de terras nas mãos de umas poucas famílias e de grupos econômicos nacionais e internacionais.

    Em Cristo,

    Rev. Luiz Carlos Gabas

    Cascavel, novembro de 2017.

     
  • SNIEAB 11:08 on 27/09/2017 Permalink | Responder
    Tags: , , ieab   

    Primavera para a Vida 2017 

    “Quero ver o direito brotar como fonte, e correr a justiça qual riacho que não seca”. – Am 5, 24

    “O poder público e as empresas estão trabalhando para mandar essa riqueza para fora do país. E para a gente, nada. Para a gente só fica a tragédia”. (Douglas Krenak-liderança Krenak- aldeia indígena, onde o Rio Doce foi também atingido pela lama da Samarco)

    Queridas irmãs e irmãos!

    Com a chegada da Primavera, a CESE renova o seu compromisso ecumênico como serviço das igrejas de apoio à luta por direitos no Brasil. No próximo dia 30 de setembro, estará lançando sua Campanha Primavera para a Vida 2017 com o tema: “Mineração Aqui Não: O clamor dos povos e da terra ferida”. Com este tema queremos trazer a discussão do modelo mineral no Brasil, e como ele produz injustiças sociais e ambientais.

    Preparamos um material que irá ajudar a refletir sobre o tema:

    1) Carta explicativa sobre a escolha do tema  – para download: Sobre a escolha do tema

    2) O material com reflexões que poderão ser utilizados nos estudos bíblicos e encontros das igrejas - para download:  Vida Bíblia e Mineração e O ouro dessa terra é bom

    3) Lista de vídeos – para download: Sugestões de videos

    4) Proposta de liturgia – para download: Liturgia – versão final

    5)  Vídeo: Pai Nosso dos Mártires – assista aqui

    Esperamos que vocês se animem a refletir sobre este tema na sua igreja, no seu grupo e que a primavera seja propícia para reafirmar o nosso compromisso com a nossa oikoumene!


    Sônia Mota

    Diretora Executiva – CESE

     
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