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  • SNIEAB 11:07 on 08/03/2010 Permalink | Responder
    Tags: ecumenismo, ,   

    De Mulher pra Mulher: mensagem ecumênica para o 08 de Março 

    Declaração das Mulheres Ecumênicas 2010

    Nós, representantes das Igrejas-membro do CONIC (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil), reunidas nos dias 27 e 28 de fevereiro de 2010, em São Paulo, desafiadas pelo tema da Campanha da Fraternidade Ecumênica 2010, ECONOMIA e VIDA, e pelo lema “Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro” (Mateus 6.24), refletimos sobre nossas ações no cotidiano e a busca de novas atitudes a fim de transformar o modelo atual das relações humanas. Sendo assim, propomos:

    1. Valorizar e estimular o potencial e a importância da liderança das mulheres nas igrejas e na sociedade;
    2. Capacitar pessoas na sociedade e nas igrejas a se libertarem do racismo, do sexismo, do classismo e a abandonarem as práticas discriminatórias;
    3. Tornar conhecidas as perspectivas e ações das mulheres em esforços de luta pela justiça, paz e integridade da criação;
    4. Capacitar as mulheres a se oporem às estruturas opressoras que existem no nosso país;
    5. Educar as pessoas à construção de novas relações de gênero nas igrejas;
    6. Integrar teólogas na Comissão Ecumênica Teológica do CONIC;
    7. Incentivar e promover ações conjuntas na superação da violência contra as mulheres;
    8. Viabilizar recursos, nos orçamentos das igrejas-membro, em prol de trabalhos relacionados à questão de gênero;

    Com alegria participamos da construção deste novo momento da Ação Ecumênica de Mulheres. Reconhecemos nossas conquistas desde a Década Ecumênica de Solidariedade das Igrejas para as Mulheres (1988), e reafirmamos nosso compromisso ecumênico na busca da igualdade de gênero.

    Confia a Deus as tuas obras, e os teus desígnios serão estabelecidos.
    (Provérbios 16.3)

    -

    Rev. Cônego Francisco de Assis da Silva

    Secretário Geral da IEAB

     
  • SNIEAB 23:18 on 26/02/2010 Permalink | Responder
    Tags: ecumenismo, , sbb   

    Secretário Geral e bispo da DASP visitam Sociedade Bíblica do Brasil 

    Acompanhado pelo bispo da diocese Anglicana de São Paulo, D. Roger Bird, o Secretário Geral da IEAB atendeu ao convite da Sociedade Bíblica do Brasil – SBB para uma visita oficial, na última quarta-feira, 24 de fevereiro. Ambos foram recebidos pelo Diretor de Comunicação Social, Erni Seilbert, e pelo Coordenador de Projetos Especiais, Ageu Pinto. Após uma animada conversação sobre o trabalho da SBB, girando em torno da história da Sociedade e de como ela se transformou numa das maiores distribuidoras de Bíblia do Mundo, o bispo Roger e o Secretário Geral partilharam de um almoço com os dois diretores e visitaram o parque gráfico, verificando todo o complexo processo de produção das Bíblias. Um parque gráfico que é capaz de produzir em média mais de uma Bíblia por segundo.

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    O Pr. Erni destacou que a principal missão da Sociedade é atender a demanda das Igrejas na divulgação da Bíblia e que mais que o fator econômico, o mais importante é ver a interação ecumênica em torno da Palavra de Deus.

    A SBB expressou sua gratidão à IEAB pelo fato de ter tido entre seus Presidentes a saudosa contribuição do Rev. Rodolfo Garcia. Os dois diretores reafirmaram a disposição da Sociedade em oferecer programas especiais sobre Ciências Bíblicas, destinados a capacitar lideranças das Igrejas e estudantes de Teologia bem como uma política de apoio a alunos de instituições teológicas com planos especiais de aquisição de Bíblias de Estudo e outras publicações ligadas ao campo da Ciência Bíblica.

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    Um outro ponto explorado durante o encontro foi a possibilidade de publicar-se uma edição da Bíblia na Linguagem de Hoje que venha atender à necessidade das Igrejas e Capelanias das confissões cristãs que tenham os livros deutero-canônicos como parte de seu lecionário devocional.

    O Secretário Geral e o bispo Roger ficaram de formalizar através do bispo Primaz um convite para que em nosso Sínodo a SBB tenha a oportunidade de partilhar momento celebrativo junto com outros irmão e irmãs ecumênicos que estarão partilhando das celebrações de 120 anos da nossa Igreja.

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    Rev. Cônego Francisco de Assis da Silva

    Secretário Geral da IEAB

     
  • SNIEAB 10:16 on 18/02/2010 Permalink | Responder
    Tags: , ecumenismo,   

    Campanha da Fraternidade Ecumênica é oficialmente aberta 

    Em eventos simultâneos em todo o país, as Igrejas do CONIC iniciaram oficialmente a Campanha da Fraternidade Ecumênica 2010. Esta é a terceira Campanha de caráter ecumênico e tem como lema Economia e Vida, baseado na afirmação de Jesus de que não se pode servir a Deus e ao dinheiro.

    Em Brasilia, o inicio da CFE2010 reuniu os Presidentes das Igrejas do CONIC e as Comissões de trabalho da Campanha em três eventos distintos. Um delicioso almoço oferecido pela comunidade da IECLB , uma coletiva de imprensa muito concorrida e uma celebração ecumênica no Santuário Dom Bosco.

    A imprensa deu ampla cobertura ao evento e na coletiva de imprensa, à qual compareceram dezenove meios de comunicação, os representantes das Igrejas tiveram a oportunidade de apresentar a Campanha e responder perguntas em torno do tema.

    Um tema polêmico, como todos reconhecem, mas pertinente para a atual conjuntura brasileira e internacional que necessitam redirecionamento de valores na relação entre Economia e Vida. O Rev. Luiz Alberto, Secretário executivo do CONIC e seu Presidente, Pastor Carlos Moller, fizeram uma apresentação dos objetivos da Campanha e destacaram o papel daquelas pessoas que contribuíram decisivamente para ela se tornar uma realidade.

    A celebração ecumênica, realizada no Santuário Dom Bosco contou com uma participação das lideranças das Igrejas diante de um templo praticamente cheio. Foram lidas mensagens do Papa Bento XVI e do Conselho Mundial de Igrejas saudando as Igrejas e reafirmando a necessidade de colocar a economia a serviço da Vida.

    A IEAB se fez representar provincialmente nos eventos de Brasilia através do Bispo Primaz, D. Maurício, do Secretário Geral, Rev. Francisco. A Revda. Tatiane Ribeiro apoiou o trabalho de organização da coletiva de imprensa e articulou a presença e participação jovem nos eventos.

    Mais fotos dos eventos do dia de ontem podem ser vistas a seguir:

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    Rev. Cônego Francisco de Assis da Silva

    Secretário Geral da IEAB

     
  • SNIEAB 9:35 on 21/01/2010 Permalink | Responder
    Tags: , ecumenismo, intolerância, religiosa   

    Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa 

    O CONIC- Conselho Nacional de Igrejas Cristãs emitiu nota a respeito do Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa que é celebrado nesta data no Brasil. Trata-se de uma oportunidade para as Igrejas e a sociedade brasileira refletiram em quanto ainda precisamos caminhar na superação do preconceito e da intolerância contra expressões religiosas. A Secretaria Especial de Direitos Humanos lidera hoje em Brasília um conjunto de eventos alusivos à data. Lideranças religiosas estarão discutindo estratégias de aprofundamento de uma consciência mais cidadã e mais respeitosa com relação aos diversos grupos religiosos que tem presença organizada no Brasil.

    A nota do CONIC, assinada pelo Secretário Geral, Rev. Luiz Alberto Barbosa, esta reproduzida abaixo:

    “Pois vá e faça a mesma coisa” Lc 10,37

    Caros Irmãos e Irmãs, mais uma vez estamos celebrando o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, 21 de janeiro. Trata-se de uma iniciativa do Governo Federal, e esta data deve ser celebrada anualmente em todo o território nacional, fazendo parte do Calendário Cívico da União. Como Igrejas Cristãs somos também chamados a refletir internamente como andam as nossas ações em relação ao próximo, principalmente em relação àqueles que não professam as mesmas crenças que nós, seja dentro do âmbito do Cristianismo, no exercício do diálogo ecumênico, assim como na relação com os nossos irmãos e irmãos de outras religiões, no diálogo inter-religioso.

    O exercício da caridade, da tolerância, do respeito ao diferente não é fácil, principalmente quando envolve elementos do sagrado. Muitas vezes a razão humana é ofuscada por uma névoa de intolerância fundamentada em princípios religiosos capazes de levar às maiores atrocidades contra o próximo. Como Cristãos somos chamados a estar sempre alertas, olhando sempre com o olhar misericordioso de Jesus, que na Parábola do Bom Samaritano (Lc 10, 25-37) nos ensina na prática a lição da tolerância e do amor fraterno.

    A Virtude da Tolerância deve ser vista dentro do contexto da aceitação e compreensão das diferenças, sempre dentro de um ambiente de respeito e diálogo. Usar o nome de Deus para perseguir, humilhar, agredir ou mesmo matar o próximo é algo inconcebível, e com certeza condenado, por qualquer religião. Na palavra Tolerância encontra-se contido o sentido pleno de humanidade, igualdade de oportunidades e condições e livre pensar e crer. Voltaire, grande iluminista, já foi sábio ao afirmar em sua obra: “Tratado sobre a Tolerância” de que “Não é preciso uma grande arte, uma eloqüência menos rebuscada, para provar que os cristãos devem tolerar-se uns aos outros. Vou mais longe: afirmo que é preciso considerar todos os homens como nossos irmãos. O quê? O turco, meu irmão? O chinês? O judeu? O siamês? Sim, certamente; porventura não somos filhos do mesmo Pai, criaturas do mesmo Deus?” (Tratado, p. 125).

    Tolerar, todavia, não significa compactuar com tudo, ou seja, com comportamentos que infrinjam a ordem jurídica, ética ou moral de uma sociedade. O conceito de liberdade religiosa, neste contexto, estará sempre cerceado pelos direitos e deveres individuais e coletivos impostos pelo ordenamento legal de um País, que deve proteger a liberdade religiosa, e ao mesmo tempo vigiar para que nenhum cidadão seja vitima de intolerância ou discriminação no exercício de suas crenças. Como perspicazmente coloca André Comte-Sponville, filósofo francês, nascido em 1952: “a simplicidade é a virtude dos sábios e a sabedoria dos santos, assim a tolerância é sabedoria e virtude para aqueles que – todos nós – não são nem uma coisa nem outra. Pequena virtude, mas necessária. Pequena sabedoria, mas acessível”.

    Essa pequena sabedoria foi exercida com grandeza pelo Samaritano da parábola contada por Jesus. Judeus e Samaritanos não se toleravam, tinham rivalidades, tensões, divergências na prática e no pensar religioso. Todavia, é um samaritano que, ao ver um judeu caído à margem da estrada necessitando de ajuda, consegue passar por cima de todas as diferenças religiosas e culturais, e presta ajuda solidária, exercitando assim a grande virtude da tolerância, do respeito e do amor fraterno. O exemplo do Samaritano se torna um mandamento de Cristo para todos nós: “Pois vá e faça a mesma coisa” Lc 10,37

    O Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa serve para nos mostrar que ainda estamos muito distantes do cumprimento deste mandamento de Cristo. A próxima Campanha da Fraternidade Ecumênica, que se inicia no dia 17 de fevereiro, é mais um momento em que, como Igrejas, podemos dar o testemunho de que conseguimos trabalhar em conjunto, no exercício prático da tolerância fraterna, na busca de um mundo melhor e solidário para todos.

    Rev. Luiz Alberto Barbosa

    Secretário Geral do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil – CONIC

    Desde o Sínodo de 2003, a IEAB criou em nível provincial uma Comissão de Diálogo Inter-religioso como um claro compromisso de ajudar a construir novos parâmetros de respeito à diversidade religiosa e ao mesmo tempo como um canal de diálogo e busca de ações conjuntas.

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    Rev. Cônego Francisco de Assis da Silva

    Secretário Geral da IEAB

     
  • SNIEAB 13:46 on 19/01/2010 Permalink | Responder
    Tags: , ecumenismo, igrejas   

    Material para a Semana de Oração pela Unidade já está publicado 

    Sob o tema “Vocês são testemunhas dessas coisas” (Lc 24:48) a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos já está com seus materiais e recursos litúrgicos à disposição das Igrejas. Este ano, a Semana transcorrerá de 16 a 23 de maio, exatamente na semana que antecede a Festa de Pentecostes.

    O ano de 2010 é particularmente muito importante para a caminhada ecumênica, pois é o ano do Centenário da Conferência de Edinburgh, considerada o fator determinante para o avanço do Ecumenismo em nível mundial, com todas as implicações que gerou, culminando quatro décadas depois na criação do Conselho Mundial de Igrejas.

    No Brasil, a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos ocorre este ano imediatamente após à Campanha da Fraternidade Ecumênica, a terceira do gênero ao longo da história do ecumenismo em nosso país.

    Como nos anos anteriores, o CONIC estará colocando à disposição das Igrejas o folheto da SOUC que este ano teve a contribuição da Conferência de Bispos da Escócia em sintonia com o Conselho Mundial de Igrejas e o Conselho Pontifício para a Unidade dos Cristãos. A Comissão de Liturgia do CONIC fez a adaptação dos textos para a realidade brasileira.

    A IEAB sempre esteve – em nível provincial, diocesano e local – envolvida com a SOUC e o anglicanismo como um todo está comprometido, desde as origens, não apenas com a Semana de Oração como com todo o movimento ecumênico internacional.
    O material da Semana de Oração Pela Unidade dos Cristãos já está à venda nas Edições CNBB e pode ser adquirido pelo telefone: ( 61) 2103- 8383.

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    Rev. Cônego Francisco de Assis da Silva

    Secretário Geral da IEAB

     
  • SNIEAB 14:35 on 15/01/2010 Permalink | Responder
    Tags: ecumenismo,   

    IEAB envia mensagem de pesar por Zilda Arns 

    O Bispo Primaz da IEAB enviou à CNBB, à Pastoral da Criança e aos organismos ecumênicos brasileiros votos de pesar pelo falecimento de Zilda Arns, vítima do terremoto que se abateu sobre o Haiti, na terça-feira passada. O teor da nota é o seguinte:

    “Eu sou o bom pastor.
    E o bom pastor dá a vida pelas ovelhas”
    São João 10,11

    Nesta semana o Brasil acordou órfão, a morte de Zilda Arns abala a todas as pessoas que tem sede de justiça e sonha com um mundo novo.

    Zilda Arns foi uma boa pastora no meio de milhares e milhares de crianças no Brasil, ela viveu para alimentar vidas, para ensinar a multiplicar pães, e trazer alegria a muitos pequeninos.

    Zilda Arns foi uma mulher profetiza, não se acomodando com o que alcançava, mas sempre buscando servir na missão de promover a vida. No Brasil sua obra atende mais de 1,9 milhão de gestantes e crianças, suas soluções simples, baratas e eficazes cruzaram a fronteira do Brasil servindo de exemplo para países pobres da América Latina e África.

    Ao nos despedir desta mulher rogamos a Deus que seu exemplo seja semente de transformação de vidas e nos encaminhe a vivermos a expressão da solidariedade engajada na luta pela justiça.

    Descansa hoje em paz, e seja tua morada no Paraíso de Deus.

    Que o amor de Deus nos una.

    +Maurício

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    Revmo. Dom Maurício Andrade

    Bispo Primaz da IEAB

     
  • SNIEAB 23:19 on 04/12/2009 Permalink | Responder
    Tags: , ecumenismo,   

    DIACONIA realiza Assembléia eletiva 

    Com a presença de delegados das onze Igrejas fundadoras da entidade, encerrou-se nesta sexta-feira a Assembléia eletiva de DIACONIA. A hospitalidade nordestina se fez sentir em todos os momentos, com uma logística impecável.

    Fundada em 1967, a entidade tem atuação marcante na região Nordeste, especialmente nos estados de Pernambuco – onde fica a sua sede – Ceará e Rio Grande do Norte. A IEAB é sócia fundadora da entidade e se fez representar nesta Assembléia por dois delegados: A Revda. Magda Guedes e o Sr. Carlos José Machado. O Secretário Geral, Rev. Cônego Francisco Silva esteve presente na qualidade de convidado.

    diaconia dezembro 2009

    Reunidos em um aprazível Hotel Fazenda, no município de Camarajibe, os delegados e delegadas à Assembléia (foto)  aprovaram o Relatório Trienal do Conselho Diretor e referendaram o Plano Estratégico para o próximo Triênio. No espaço concedido aos convidados CESE, CLAI, Koinonia e a IEAB, reafirmaram seu compromisso de apoiar DIACONIA e reconheceram o importante papel que ela desempenha na região. Com 42 anos de existência, a entidade é hoje um dos maiores parceiros de empreendimentos na área do Semi-Árido nordestino e das conurbações das capitais e centros urbanos dos estados onde atua.

    O processo eleitoral do novo Conselho Diretor foi concluido na tarde desta sexta-feira. Os delegados enviados pela IEAB foram eleitos para o Conselho Diretor ( Revda. Magda Pereira) e Conselho Fiscal (Carlos José Machado). O novo Presidente da entidade é o Bispo Emérito Paulo Ayres de Mattos, da Igreja Metodista. A Assembléia foi encerrada com a cerimônia de posse dos novos Conselheiros. Em sua locução como Presidente empossado, o Bispo Paulo Ayres agradeceu aos Conselheiros que encerraram seus mandatos e reafirmou o compromisso de continuar o testemunho deles na gestão da entidade e no fortalecimento do papel de DIACONIA na região.

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    Rev. Cônego Francisco de Assis da Silva

    Secretário Geral da IEAB

     
  • SNIEAB 16:25 on 07/11/2009 Permalink | Responder
    Tags: , ecumenismo, ,   

    IEAB se manifesta sobre Provisão do Vaticano 

    O anúncio feito em 20 de outubro pelo Vaticano, de criar uma provisão constitucional especial para acolher anglicanos descontentes com a ordenação feminina e de pessoas homoafetivas, certamente representa um novo e inesperado patamar nas relações entre a Comunhão Anglicana e a Igreja Católica Apostólica Romana.

    Ao longo de 40 anos, as duas Comunhões mantiveram um franco e profícuo diálogo desde a iniciativa do Papa Paulo VI e do Arcebispo Michael Ramsey de quebrar séculos de silêncio entre as duas partes. Viviam-se os ventos resultantes do Concílio Vaticano II, como uma era de avanço no diálogo e superação de indiferenças. Esse processo continuou ao longo das últimas décadas com a produção de documentos e a criação, em nível de Províncias (como a do Brasil), de comissões nacionais de diálogo anglicano-católico romano.

    Damos graças a Deus por todo o trabalho construído em meio a muitas dificuldades, mas igualmente de mútuo respeito. Para isso contribuiu a capacidade de nos enxergarmos como irmãos que confessam o mesmo Cristo e a mesma fé credal, sempre buscado construir uma compreensão comum em torno de suas identidades teológicas. Neste espírito se produziram os documentos Autoridade na Igreja I (1976), Autoridade na Igreja II (1981), Comunhão Eclesial (1990), Vida em Cristo: Moral, Comunhão e a Igreja (1993), O Dom da Autoridade (1998), Maria: Graça e esperança em Cristo (2004) e Crescer Juntos na Unidade e Missão (2007).

    Todas estas Declarações, e as ações conjuntas decorrentes delas, apontavam na direção de que cada vez mais nos aproximávamos do ideal da unidade que tanto Cristo desejou. Somos hoje parte de inúmeros organismos ecumênicos e nos aceitamos reciprocamente no Batismo – conforme Declaração Conjunta assinada no Brasil em 2007.

    Ao dizermos que a iniciativa do Vaticano define um novo e inesperado patamar no diálogo bilateral, queremos afirmar que ela não tem direta relação com o processo acumulado ao longo dos últimos 40 anos, indicado acima, mas representa uma iniciativa unilateral, que certamente merecerá uma análise mais profunda. Indicativamente, enumeramos aqui dois elementos que merecem cuidadosa atenção:

    1. Os mais recentes documentos oficiais da Igreja Católica Romana têm reafirmado sucessivamente, não a sua identidade apenas como Igreja universal, mas sua singularidade como sinal verdadeiro e original da presença de Cristo entre os povos. Isso implica em uma auto-compreensão de exclusividade eclesiológica e organizacional que dificulta o avanço do diálogo entre as duas Igrejas;

    2. O substrato teológico para a iniciativa do Vaticano se baseia na compreensão de que a unidade da Igreja se dá tendo como referência o postulado do ministério petrino. Tal postulado necessita ser compreendido na conjugação entre sua dimensão teológica e a realidade histórica da sé de Roma e até esse momento não é ponto pacífico no diálogo anglicano-católico romano.
    Evidente que estas questões precisam ser confrontadas com honestidade e amplo diálogo que, sempre, de nossa parte, marcaram comprometida e respeitosa atitude.

    Expressamos nossa preocupação com a iniciativa desencadeada por Roma, levando em conta aspectos como seu método e conteúdo.

    Lamentamos que nenhuma instância oficial da Comunhão Anglicana tenha participado do processo de construção da provisão anunciada pelo Vaticano. Inclusive, para surpresa de muitos, a própria Congregação para a Unidade dos Cristãos não participou do processo interno, em Roma, sequer para o anúncio da iniciativa.

    Um assunto conduzido assim, privadamente e sob a coordenação da Congregação para Doutrina e Fé, ou seja, tratado no nível especificamente doutrinal e sem nenhuma relação com a sua dimensão ecumênica exigiria, no mínimo, a transparência que seria de se esperar entre duas Igrejas que dialogam ecumenicamente.

    Se a provisão fosse destinada às pessoas que já saíram da Comunhão Anglicana por razões de divergência teológica, certamente isso seria entendido como acolhimento pastoral a quem já não seria pastoralmente mais de nossa responsabilidade. Mas, na medida que se destina a pessoas e comunidades que ainda estão dentro da Comunhão, mesmo que em dissenso, a provisão representa um problema ético de interferência em assuntos internos de outra Igreja irmã.

    Esperamos, com muita honestidade, que essa interferência não venha se constituir em empecilho para o futuro de nosso diálogo e que possamos em tempo conhecer o teor da referida provisão – que ainda não é pública – e aplicar, quando possível, o princípio do respeito à autonomia interna de nossas Igrejas. A conversa que haverá entre o Arcebispo de Cantuária e o Papa Bento XVI nos próximos dias, em Roma, poderá apontar contornos mais claros para essa iniciativa. Aguardaremos essa conversa que representará o primeiro diálogo face a face entre os representantes máximos das duas Igrejas.

    Em nosso contexto no Brasil, temos recebido e acolhido clérigos oriundos da Igreja Católica Romana, e temos acolhido essas pessoas como irmãos que desejam responder a sua vocação e chamado na missão, que é de Deus. A Igreja Episcopal Anglicana do Brasil mantém um Cânone específico para esse acolhimento e reconhecemos as Ordens Sagradas de cada um, sem nenhum novo processo de ordenação.

    Esperamos que esse assunto seja discutido com muita autenticidade dentro das instâncias de diálogo internacionais e locais de nossas duas Igrejas, e restaurando-se o teor do processo já trilhado, na busca de se superar mal entendidos e retomar o caminho da busca da Unidade tão desejada por Cristo e sonhada por todos nós!

    Brasília, 04 de novembro de 2009
    William Temple (1881-1944)

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    Revmo. Dom Maurício Andrade

    Bispo Primaz da IEAB

     
  • SNIEAB 17:11 on 20/10/2009 Permalink | Responder
    Tags: , ecumenismo,   

    Vaticano publica provisão especial para acolher anglicanos descontentes 

    Em uma inesperada decisão, a Igreja Católica Romana tornou público hoje uma provisão especial do Papa para acolher anglicanos em dissenso com sua Igreja por razões de ordenação de mulheres e de pessoas homoafetivas.
    A provisão especial permitirá que anglicanos entrem em plena comunhão com Roma mantidas particularidades da tradição e teologia anglicanas, incluído o estado matrimonial dos clérigos – exceto os bispos.
    Em entrevista coletiva, o Arcebispo de Cantuária declarou não entender esse provisão de Roma como uma ingerência nos assuntos internos da Comunhão Anglicana.
    Em uma declaração conjunta com o Arcebispo católico Romano de Westminster, Rowan Williams enfatizou que essa medida representou a superação de muitas incertezas para anglicanos e católicos romanos, tornando-se uma solução para um anseio de grupos anglicanos que vinham solicitando a Roma a aceitação como membros em plena comunhão.
    A grande interrogação em torno da medida é se essa provisão se destina aos anglicanos que abandonaram a comunhão da Igreja por razões de dissenso ou se vale também para os anglicanos que, embora ainda dentro da Igreja, desejarem aderir a Roma sob essa provisão.
    De qualquer modo, essa inesperada ação da Sé de Roma representará um questionamento a respeito da longa caminhada de diálogo ecumênico entre anglicanos e católicos romanos que existe há mais de 40 anos.
    Já começam a se construir muitas teses de apoio e de questionamento a partir de teólogos dos dois lados. Certamente essa é uma medida que terá seus impactos no futuro das relações entre as duas Igrejas.
    -
    Rev. Cônego Francisco de Assis da Silva
    Secretário-Geral da IEAB

    Em uma inesperada decisão, a Igreja Católica Romana tornou público hoje uma provisão especial do Papa para acolher anglicanos em dissenso com sua Igreja por razões de ordenação de mulheres e de pessoas homoafetivas.

    A provisão especial permitirá que anglicanos entrem em plena comunhão com Roma mantidas particularidades da tradição e teologia anglicanas, incluído o estado matrimonial dos clérigos – exceto os bispos.

    Em entrevista coletiva, o Arcebispo de Cantuária declarou não entender esse provisão de Roma como uma ingerência nos assuntos internos da Comunhão Anglicana.

    Em uma declaração conjunta com o Arcebispo católico Romano de Westminster, Rowan Williams enfatizou que essa medida representou a superação de muitas incertezas para anglicanos e católicos romanos, tornando-se uma solução para um anseio de grupos anglicanos que vinham solicitando a Roma a aceitação como membros em plena comunhão.

    A grande interrogação em torno da medida é se essa provisão se destina aos anglicanos que abandonaram a comunhão da Igreja por razões de dissenso ou se vale também para os anglicanos que, embora ainda dentro da Igreja, desejarem aderir a Roma sob essa provisão.

    De qualquer modo, essa inesperada ação da Sé de Roma representará um questionamento a respeito da longa caminhada de diálogo ecumênico entre anglicanos e católicos romanos que existe há mais de 40 anos.

    Já começam a se construir muitas teses de apoio e de questionamento a partir de teólogos dos dois lados. Certamente essa é uma medida que terá seus impactos no futuro das relações entre as duas Igrejas.

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    Rev. Cônego Francisco de Assis da Silva

    Secretário-Geral da IEAB

     
    • Yamil Dutra 15:00 on 21/10/2009 Permalink | Responder

      A igreja de Roma passaria a ter dois tipos de padres, casados e solteiros. Isso seria revolucionário e tornaria, aos pouco, a questão do celibato um assunto ainda mais explosivo na igreja de Roma. Somado este aspecto à introdução da teologia, tradição e outras particularidades anglicanas no seio da igreja de Roma, as duas Igrejas estariam cada vez menos diferenciadas e sobrariam as questões (de tensa discussão dentro da igreja de Roma e de absoluta aceitação no mundo civil) da ordenação feminina e da homoafetividade para serem solucionadas, o que permitiria, no futuro, uma potencial reunificação das duas Igrejas. Fica bem claro qual a orientação vitoriosa nestes últimos séculos: a Anglicana.

      • Valdir A. C. 13:02 on 03/11/2009 Permalink | Responder

        Paz e Bem! Ouso postar aqui porque o assunto diz respeito a Igreja Católica Apostólica Romana!
        Ao Sr. Yamil imponho dois questionamentos:
        1- Os que poderão entrar em plena comunhão com a Santa Sé serão, exatamente, aqueles que não aceitam os absurdos defendidos pelo Sr. dentro do Anglicanismo. Não serão anglicanos dentro do catolicismo e sim católicos com um rito, digamos, anglicano (livre daquilo que contraria a Sã Doutrina), como os Melquitas, Ambrosianos, Orientais… etc.
        2- Em hipótese alguma os defensores de tais abusos absurdos encontrarão apoio ou comunhão na Igreja Católica em qualquer tempo. Nem em sonho!!!

        Em Jesus, com Maria… Sempre!

    • Silvio 22:15 on 25/10/2009 Permalink | Responder

      Dentro da Igreja Católica Romana já existem padres casados. São aqueles dos ritos orientais. Tal como acontecerá com os anglicanos que voltarem para a Igreja de Roma, lá também os bispos tem que ser celibatários. De outro lado, concordo que está na hora de Roma rever o celibato obrigatório. Certamente se hoje ela abrisse uma janela para tal, aumentaria sobremaneira o número de sacerdotes ativos, com o retorno dos mesmos ao seio eclesial, hoje afastados.

    • Pe. Antônio Ramalho Neto 0:28 on 31/10/2009 Permalink | Responder

      Creio que esse foi um grande avanço para a união das Igreja Romana e Anglicana , uma teria que fazer uma proposta e assim fazendo como fez a Igreja Romana esperamos nossos irmãos anglicanos de braços abertos. Bem Vindos.

    • Rodrigo 23:48 on 24/03/2011 Permalink | Responder

      Bom pra IEAB rever algumas posturas tímidas que tinha em tempos recentes com grupos que supostamente se dizem “fiéis à sã doutrina”, que, o que fazem na verdade é contra-atacar o desafio que o evangelho de Jesus fazia ao evangelho imperial, assimilando a retórica do evangelho cristão à racionalidade do evangelho imperial romano…

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