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  • SNIEAB 9:53 on 16/02/2012 Permalink | Responder
    Tags: Cracolândia e Igrejas, direitos humanos, , Religião e drogas   

    Descida ao Hades da Cracolândia 

    Carta Aberta ao Povo de Deus.

    A graça e a paz de nosso Senhor Jesus Cristo estejam com todos vocês e com todas vocês!

    A sociedade Brasileira continua chocada com as cenas registradas no centro velho de São Paulo na região conhecida como Cracolândia, onde dezenas de jovens e adultos, homens e mulheres, jazem uma situação permanente de morte; esse cruel cenário contrasta profundamente com a natureza do ser humano na visão cristã que é a de imagem e semelhança de Deus. Diante desse quadro a IEAB é chamada a se pronunciar, por meio da sua Comissão de Direitos humanos, no intuito de inquietar as consciências adormecidas pela propaganda e pelo consumo desenfreado das mensagens midiáticas que tudo transformam em mercadoria a começar pela alma humana.

    Esta Carta dirige-se especialmente ao Povo de Deus congregado na Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB) e a todas as igrejas irmãs de caminhada ecumênica.

    O fato social da drogadição

    O fenômeno do tráfico e do consumo de drogas é um dado marcante na economia mundial. Tanto em países ricos quanto em países periféricos do sistema internacional, esse comércio da morte prospera cada vez mais. Os aparelhos repressivos e preventivos do Estado não são capazes de atingir a essência do problema, uma vez que, em sua grande maioria, estão presos ao modelo que consagra o ter como único paradigma para a existência humana.

    Os Estados Unidos são, por exemplo, ao mesmo tempo adversário teórico do tráfico de drogas e o maior consumidor do planeta. Utiliza a sua política externa para difundir os seus “valores” políticos culturais e religiosos, enquanto divulgam, de modo sistemático os anti-valores do egoísmo e da propriedade privada sem fim social, do preconceito, do racismo, do sexismo, do compromisso sem limites com um modelo econômico de privatização dos bens mais necessários para uma vida digna.

    Os aparelhos repressivos cumprem seu papel como aparelhos ideológicos do Estado, mas conseguem apenas enxugar o gelo de um problema com razões múltiplas e complexas, derivadas, da própria natureza econômica do sistema capitalista. O tráfico e o consumo de drogas originam-se, portanto de uma mesma fonte, qual seja o caráter de um sistema excludente concentrador de rendas e fundado no egoísmo radical.

    O monstro da drogadição atinge com seus atraentes tentáculos os diversos aspectos da vida social. Afeta as famílias, as escolas, as igrejas, os laços afetivos e todos os demais ambientes comunitários.

    A questão das drogas está hoje também vinculada à plenitude da hegemonia da indústria cultural, caracterizada como o principal veículo gerador de alienação.  Nesse contexto, a mídia produz e reproduz a imagem de um ser humano quebrado (cf. Albert Camus), unidimensional (cf. Marcuse e Habermas), integrado (cf. Umberto Eco), lobo do homem (cf. Hobbes).

    O Fracasso da Repressão

    As políticas repressivas contra o tráfico e contra o consumo de drogas revelam-se fracassadas. O Estado gasta milhões de reais em ações repressivas pontuais geralmente mal planejadas e deformadas pela corrupção que envolve, inclusive, alguns setores da própria polícia em todos os níveis.

    As ações policiais são transformadas em verdadeiros espetáculos veiculados por programas de grande audiência na televisão. O fato sociológico do crime também se tornou uma mercadoria altamente cotada no mercado das emoções dos consumidores de mídia. Servem igualmente como plataforma de propaganda para alguns candidatos, no período eleitoral.

    Passadas as campanhas e as blitzen, tudo volta ao normal, ou seja, as cracolândias retomam seu movimento cotidiano, a polícia prende um ou outro traficante, a imprensa divulga o surgimento de novas drogas mais letais e as vozes do senso comum aplaudem essas novidades porque matam mais depressa os viciados. Nos carnavais, os chefões do tráfico são exaltados e aplaudidos como os mecenas da cultura popular…

    Atuação da Sociedade Civil

    Diante desse quadro as organizações da Sociedade Civil executam ações de caráter preventivo e paliativo. Os resultados são palpáveis, em muitos casos, porem insuficientes para abalar o sistema de morte, em suas estruturas fundamentais. Carecem de mais recursos, humanos e materiais. Muitos de seus responsáveis consideram ser do Estado a principal responsabilidade para o enfrentamento do problema e aí acabam por omitir-se.

    Atuação das Igrejas

    Por sua vez, as igrejas cristãs desempenham, em sua maioria, o seu papel de geradoras de significados e de sentidos sobre esse trágico fenômeno. As opiniões de seus líderes variam entre o idealismo e o realismo. De um lado, remam contra a maré ao defenderem a possibilidade de um mundo sem drogas. De outro, são realistas ao afirmarem, de forma corajosa e persistente, que só será possível vencer as Raízes do vício por meio de políticas que revertam o atual sistema de anti-valores vigentes em nossa sociedade.

    O que fazer

    O clamor das vítimas do narcotráfico, (dos viciados e suas famílias, e dos vários atores que interagem com esse problema) sobe aos céus. Em resposta, faz-se ouvir a voz de Deus que nos criou a sua imagem e semelhança. E que nos pergunta: “o que fizeste do teu irmão”. Mais do que nunca, cabe as igrejas colocarem em prática a sua missão profética, ao exigirem uma atuação urgente e eficaz da sociedade e das autoridades diante dessa situação caótica.

    Para tanto se faz necessário e urgente organizar debates e preparar estudos sobre o tema das drogas com o objetivo de diagnosticar corretamente o problema e de definir estratégias mais adequadas para o seu enfrentamento.

    A contribuição mais específica das igrejas é a de apresentar diante desse trágico panorama, a pessoa de Jesus Cristo como nosso único Salvador e Libertador. Com a sua morte e com a sua ressurreição Jesus quis demonstrar o seu amor pela humanidade e apresentou a possibilidade concreta de um mundo de justiça e de paz livre do pecado e de toda violência.

    Ser Cristão nesse início de século XXI significa, entre outros desafios, denunciar toda e qualquer estrutura que reduza o ser humano a condição de puro objeto. Uma dessas estruturas geradoras de morte é o gigantesco aparelho multifacético das drogas. Diante desse verdadeiro Leviatã, não pode existir omissão nem passividade.

    REFERENCIAS CONCLUSIVAS

    A cracolândia é uma referencia microscópica de um sistema intrinsecamente mau que faz da pessoa humana um reles instrumento de compra e de venda. Suas causas mais profundas devem ser buscadas de forma constante e perseverante e devem ser atacadas corajosa e urgentemente.

    São Paulo, 16 de fevereiro de 2012.

    Membros da Comissão de Nacional de Direitos Humanos da IEAB

    Dom Naudal Gomes, Sr. Dermi Azevedo, Sra. Ruth Barros, Reverendo Eraldo Carvalho e Sr. José Barbosa da Silva

    Autoria

    Sr. Dermi Azevêdo membro da Diocese Anglicana da Amazônia, jornalista e militante em Direitos Humanos



     
  • SNIEAB 10:55 on 29/11/2011 Permalink | Responder
    Tags: direitos humanos, diversidade religiosa,   

    IEAB no Comitê da Diversidade Religiosa da Secretaria Nacional de Direitos Humanos 

    No próximo dia  30 de novembro, em Brasília, ocorrerá  a instalação do  “Comitê da Diversidade Religiosa” da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República,  pela Ministra Chefe de Estado da Secretaria de Direitos Humanos, Sra. Maria do Rosário.

    O Comitê  irá ter a contribuição da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, IEAB juntamente com organismos ecumênicos e interreligiosos tais como CONIC, CLAI, KOINONIA, URI, CENACORA, Candoblé, entre outros. O Bispo Primaz, Dom Maurício Andrade, irá representar a IEAB nesse importante momento da vida nacional.

    Que possamos todos prestigiar o evento e divulgar junto as redes inter-religiosas e de direitos humanos.

    Dia e Local:

    “COMITÊ DA DIVERSIDADE RELIGIOSA – SDH/PR”

    30.11 (QUARTA) – das 9:30 às 12/00 h

    Edifício Sede da Secretaria de Direitos Humanos/PR – Ed. Parque Cidade Corporate“ Torre A – 10 andar – Auditório

     
  • SNIEAB 20:28 on 14/12/2010 Permalink | Responder
    Tags: desmond tutu, direitos humanos, , presidente,   

    Bispo Primaz representa Arcebispo Desmond Tutu no recebimento do Premio Nacional de Direitos Humanos 2010 

    Ao chegar em sua 16 edição, o prêmio Direitos Humanos consolida-se como a mais alta condecoração concedida pela Presidência da República a pessoas e entidades que têm destacada atuação na defesa, na promoção e na reparação dos Direitos Humanos.

    Neste ano, a premiação ganhou um significado especial por tratar do encerramento de uma gestão em que foram inúmeros os avanços, e porque se abre as perspectiva de muito mais.

    A cerimônia ocorreu hoje no Palácio do Planalto, 13 de dezembro, tradicionalmente em homenagem às comemorações da promulgação da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

    Como reconhecimento de seus trabalhos, os premiados receberam um certificado assinado pelo Presidente, além de uma obra de arte. Neste ano, a escultura, “Maternidade”do artista plástico Elifas Andreato, foi escolhida para simbolizar os Direitos Humanos.

    Na categoria Livre, o Arcebispo Desmond Tutu foi premiado por representar um símbolo na luta dos Direitos Humanos na África do Sul, especialmente pela sua proposta de uma sociedade que incluía os direitos civis iguais para todas as pessoas, sua firme posição contra o apartheid, e pela sua missão na Presidência da Comissão de Reconciliação e Verdade, que se ocupou em promover a integração racial na África do Sul.

    Pela impossibilidade da presença de Desmond Tutu a Presidência da Republica convidou o Primaz do Brasil, Dom Mauricio Andrade para receber das mãos do Presidente Lula o Prêmio Nacional de Direitos Humanos 2010.

    -

    Rev. Tatiana Ribeiro

    Diocese Anglicana de Brasília

     
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