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  • SNIEAB 10:54 on 30/11/2018 Permalink | Responder
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    ANGLICANOS SEM FRONTEIRAS NO CORAÇÃO DA AMAZÔNIA 

    Iuri Lima[1]

    Indé se pia pura[2]

    Ao pensar em Amazônia, muitos brasileiros não imaginam que exista no coração da maior floresta tropical do mundo, na confluência do Rio Negro com o Rio Solimões, uma grande metrópole que figura como a maior e mais populosa do norte, sendo a sétima cidade mais populosa do Brasil, e contando com o sétimo maior Produto Interno Bruto nacional por conta de sua Zona Franca que concentra um grande parque industrial. Manaus é uma cidade com grande riqueza concentrada nas mãos do empresariado nacional e estrangeiro conjugado com um cenário de grande desigualdade social que não favorece os nativos da região, condenando de modo veemente a invisibilidade e a indigência sua população indígena e cabocla amazônica. A título de informação, Manaus é a capital com maior diversidade indígena urbana do Brasil, são 34 etnias, vivendo em 51 bairros da cidade, que falam 19 línguas, segundo o levantamento feito em 2015 pela Coordenação dos Povos Indígenas de Manaus e Entorno (COPIME).


    É neste chão amazonense sagrado e sofredor que faz parte do território da Diocese Anglicana da Amazônia, que até então concentrava sua presença e ação pastoral no vizinho estado do Pará, que ocorreu a primeira visita pastoral da Bispa Marinez Bassotto junto com o Deão da Catedral Santa Maria, Reverendo Cláudio Miranda, nos dias 23 e 24 de novembro, na cidade de Manaus, com o intuito de animar e reativar a presença missionária anglicana na região e dialogar com a realidade indígena, através de suas organizações sociais. Toda a visita ocorreu num clima de amor serviço que foi ao encontro dos mais vulneráveis. Na manhã do dia 23, a convite do professor Iuri Lima, docente de Ensino Religioso, como parte do projeto de diálogo inter confessional, ocorreu no auditório do Colégio Brasileiro Pedro Silvestre, uma palestra proferida pela Bispa Marinez, a um público de mais de 200 estudantes, onde se refletiu sobre o Ethos Anglicano e a Diversidade Religiosa no contexto Amazônico. Em seguida, foi visitado o primeiro centro de medicina indígena do Brasil, “Bahserikowi’i”, que é organizado por indígenas do Alto Rio Negro; na oportunidade se conheceu o regime de economia solidária que esta instituição desenvolve junto aos povos indígenas da região, de modo especial com as mulheres indígenas do Alto Rio Negro, além de se dialogar com o Kumú (especialista em medicina indígena), Sr. Ovídio Tukano.


    No período da tarde deste mesmo dia, a expressão do teólogo espanhol José Antonio Pagola que enunciava que o Deus anunciado por Jesus Cristo é o “Deus dos que não têm nada” ressoou com uma grande concretude nas visitas a periferia manauara nas residências das mulheres indígenas associadas da Associação das Mulheres Indígenas do Alto Rio Negro (AMARN). Acompanhados pelo Prof. Gilson Dias e pelas coordenadoras da AMARN, a Sra. Madalena Tukano e Joana Desano, a Bispa Marinez junto com o Reverendo Cláudio visitaram algumas famílias chefiada por mulheres indígenas, cujo principal fonte de sustento é o artesanato. Foram momentos de escuta afetiva que passavam desde os dramas pessoais até relatos de violência contra mulher. Houve inclusive uma pequena aula de tecer cestaria de palha dada a bispa por uma associada. Mas, também houveram momentos de muita emoção, como numa casa a beira de um esgoto a céu aberto habitada somente por mulheres tukano, em que a dona de casa e artesã Sra. Juscelinda Tukano, relatou os dramas e desafios de chefiar uma família que vivia unicamente pela Providência Divina e por sua luta diária no trabalho com o artesanato.  O dia finalizou com uma cena muito forte e evangélica, a pedido da Sra. Madalena, a comitiva foi visitar seu pai que se encontra muito doente por problemas cardíacos e que recentemente chegou do Alto Rio Negro, ele por muitos anos foi o kumú que cuidava da saúde espiritual de sua comunidade, e recebeu com muito carinho a oração em favor de sua saúde proferida pela Bispa Marinez, um encontro entre dois curadores de vida tal como o ministério de Jesus que tratava a vida como esse “mínimo que é o máximo dom de Deus”, como gostava de proferir Dom Oscar Romero em suas homílias.


    A última parte da visita pastoral ocorreu na manhã do dia seguinte na sede administrativa da Associação de Mulheres Indígenas do Alto Rio Negro, por sinal esta entidade tem mais de 32 anos de caminhada e foi a primeira do pais a lutar pelos direitos das mulheres indígenas. Foi um momento aberto que contou com a presença das associadas e da comunidade, regado pela língua tukana e pela língua portuguesa, seja nas brincadeiras e cantos entoados pelos curumins (crianças) ou nos momentos de terna escuta respeitosa, que transparecia a missiva evocada na carta pastoral do último Concilio Diocesano em Belém ocorrido em agosto que aconselhava “…acolher a diversidade expressa nos muitos jeitos e muitas faces deste Cristo no qual cremos…”. Num primeiro momento, houve o depoimento de uma das fundadoras da AMARN, Sra. Deolinda Desano, que partilhou um pouco dos anos de luta e defesa das mulheres indígenas sublinhando que a associação é um porto seguro para muitas delas se encontrarem e fortalecerem sua cultura. Sendo seguida pelas falas da coordenação da entidade que pontuou os trabalhos na área da economia solidária através da confecção de artesanato e na educação de crianças indígenas na língua tukana. Somado a isso, por parte dos visitantes, o Reverendo Cláudio Miranda, expos o histórico de tentativas de implantação de uma comunidade anglicana e que isto se liga a uma opção preferencial pelos mais pobres, de modo especial pelos povos originários da Amazônia, enfatizando que “Deus é insistente, e Ele espera uma resposta…”, uma resposta afetiva e efetiva de apoio a resistência dos povos desta região. Por fim, a Bispa Marinez Bassotto, finalizou este momento de diálogo, dando uma acentuação especial na importância de fazer da Igreja ser um lugar em que se viva relações horizontais, recordando as visitas as casas em que as lideranças são das mulheres e sua valiosa contribuição na preservação de sua família e de sua cultura. A Bispa Marinez arrematou que “agora é o Kairós, é o tempo propício de recomeço da Igreja Anglicana aqui… Uma proclamação de inclusão e de respeito…”, se colocando desse modo para somar a outras iniciativas tanto da associação quanto de pessoas que seja de outras igrejas num testemunho cristão de respeito e partilha nessa região.


    Por fim, ocorreu um gesto simbólico muito forte e significativo, entoado por um hino cristológico em tukano, são CONSAGRADOS PELO POVO E PARA O POVO! A Bispa Marinez Bassotto e Reverendo Claudio recebem das mãos do povo indígena o sinal da autoridade do serviço: a estola. Uma “nova unção” Diaconal, Presbiteral e Episcopal. A tamanha ternura desse gesto somente enfatiza a vocação missionária e a disposição de colocar no coração da oração de toda a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, esta humilde presença anglicana que ressoa como mensagem que Deus nos ama sem fronteiras e nos envia a sermos testemunhas de que um outro mundo é possível bem no coração da Amazônia.




    [1] Cristão Leigo Anglicano e Docente da SEDUC-AM.

    [2] Ditado na Lingua Nheengatú da Etnia Desano do Alto Rio Negro cuja tradução significa “Você vem e já estar dentro de meu coração”. Estas palavras foram proferidas como boas vindas a Bispa Marinez Bassotto e ao Reverendo Cláudio Miranda por alunos de escola pública de Manaus.

     
  • SNIEAB 16:21 on 22/08/2018 Permalink | Responder
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    Carta Pastoral da Bispa Marinez Bassotto ao povo da Diocese Anglicana da Amazônia 

    Carta Pastoral à 13ª reunião do Concílio da Diocese Anglicana da Amazônia, reunida na Catedral de Santa Maria, em Belém/PA, de 17 a 19 de agosto de 2018. AD.


    Muitas faces, muitos jeitos um só Cristo.

    “Ora, vocês são o corpo de Cristo e são membros dele, cada qual a sua maneira”

    (1º Coríntios 12:27)

    Ao Povo de Deus na Diocese Anglicana da Amazônia no ano de 2018 AD.

    Que a graça e a paz de Deus Pai, Mãe, a força libertadora de nosso Senhor Jesus Cristo, e a inspiração transformadora da Ruáh Divina, Espírito Santo de amor estejam com vocês!

    Sob a inspiração do tema e do lema conciliar: “Muitas faces, muitos jeitos, um só Cristo”, e “Ora, vocês são o corpo de Cristo e são membros dele, cada qual a sua maneira” (1ª Co 12.27) queremos partilhar a nossa Carta Pastoral. O Concílio é sempre uma oportunidade de partilha, avaliação, renovação e tomada de novos rumos para    a vida da Igreja diocesana. Este ano tem sido, para mim, um ano de adaptações,  tempo de aprendizado, de escuta e de profundas mudanças na minha vida pessoal e familiar.

    Assim como para mim, também para a vida da Diocese Anglicana da Amazônia é tempo de novidade, estamos iniciando uma nova caminhada, experenciando como diocese e como IEAB os significados do ministério episcopal feminino e nos “experimentando” mutuamente. É, portanto, tempo de expectativa, mas principalmente tempo de caminhada e de oração. Neste concílio, meu primeiro como Mãe e Pastora do rebanho que Deus me confiou, que são vocês, quero com fé, amor e alegria no coração desafiá-los em primeiro lugar, a refletir e compreender os muitos jeitos de Cristo expressos nas muitas faces daquelas pessoas que caminham conosco, chama- los(as) a conjuntamente renovarmos nossa fidelidade à missão de Deus no mundo / Missio Dei e a redobrarmos a disposição e a coragem para participar ativamente nesta missão.

    A Igreja, que somos nós, tem de ser fiel ao Evangelho, anunciando o amor transformador de Deus em Cristo. Por isso nesse Concilio, somos chamados(as) a fortalecer a Igreja, a refletir sobre nossa responsabilidade como discípulos e discípulas de Cristo para com a missão e o crescimento desta Igreja e sua presença transformadora na realidade em que vivemos. A centralidade da missão para a existência da Igreja e sua ação no mundo nunca pode deixar de ser enfatizada. Das mais variadas tradições Cristãs vem a mensagem clara de que a Igreja é missionária em sua essência. Ela existe para dar testemunho das Boas Novas do Reino. A dimensão missionária é parte da própria natureza da Igreja, é parte essencial da vida da Igreja, é sua razão de ser. Por isso desejamos que este Concílio seja um momento de renovação do Povo de Deus no compromisso com o Senhor e o seu Reino e possa ajudar-nos a dar novos passos em direção a vivência desta fé missionária no poder do Espírito Santo.

    Missão e Evangelização caminham unidas, tomar consciência de que a Missão é de Deus, acolher a diversidade expressa nos muitos jeitos e muitas faces deste Cristo no qual cremos, e acolher com alegria a ação renovadora e transformadora do Espírito Santo são os meios eficazes para tornar efetiva a ação evangelizadora da Igreja. Tudo isso precisa acontecer a partir de nossas paróquias/Missões/Pontos Missionários. A redescoberta do Reino de Deus como Boas Novas que anunciamos é a chave para a renovação da missão e assim, também para a evangelização que contempla a mensagem da salvação pessoal, mas também do serviço, da compaixão e da transformação social como o próprio Cristo fez.

    O segundo desafio que proponho é o de que compreendamos que precisamos ser mais do que apenas uma “instituição”, precisamos ser COMUNIDADE. Precisamos tomar consciência de que somos CORPO, membros do corpo do próprio Cristo, que fazemos parte deste corpo do jeito que somos, e que essa ligação intrínseca com Cristo nos compromete com a sua missão. E isto significa que somos chamados(as) a desencadear em nossas comunidades uma expansão da nossa presença missionária, em fidelidade ao chamado apostólico de testemunhar a fé, a justiça, a paz e o amor onde a nossa sociedade vive a violência, a injustiça, o medo, a exclusão e a dor. Fazer missão e evangelizar não significa fazer “prosélitos(as)”. O proselitismo é apenas uma forma de fazer as pessoas sentarem nos bancos das igrejas. Cristo nos envia a palmilharmos os caminhos de nosso mundo como um sinal de sua presença redentora. Cristo nos chama para mudarmos a vida, pois o Reino de Deus está chegando. Nossa missão é um consagrar-nos à vontade de Deus. Jesus Cristo, encarnação plena de Deus em nosso mundo, é o princípio e o fim de nossa ação na sociedade, princípio e modelo da missão ( Jo 20.21-22). É em nome de Cristo e na força do Espírito Santo que somos enviados(as) (Jo 17.16-22).

    Foi necessário que o próprio Deus se fizesse “carne”, “gente” como nós, e assim vivesse uma vida de perfeito serviço e entrega para nos dar o exemplo e nos mostrar que o nosso papel como Igreja Evangelizadora e Missionária é sermos acolhedores(as) e servidores(as). A missão e evangelização devem ser entendidas como serviço as outras pessoas, jamais como conquista e dominação, assim sendo, uma Igreja Missionária deve acolher o diferente / as diferenças com admiração e respeito, pois nele / nelas o Deus de Jesus se faz presente. E deve ir ao encontro das pessoas nos diversos níveis, lugares e circunstâncias, pois também hoje, Cristo revela-se na história e nos espaços concretos da vida humana.

    A partir destes dois desafios (a compreensão dos muitos jeitos de Cristo expressos nas muitas faces daquelas pessoas que caminham conosco e a consciência de que somos parte do Corpo do próprio Cristo), e tendo como foco a missão e evangelização, quero chama-los(as) a engajarem-se no que hoje a Comunhão Anglicana denomina Discipulado Intencional. O discipulado é uma experiência ativa com o reino de Deus, um caminho de fé que revela a presença de Cristo entre nós. Os primeiros discípulos deixaram as redes, pai, mãe, os companheiros(as) de trabalho, casa, família, amigos e amigas, para acompanharem Jesus. As pessoas que se colocaram aos pés de Jesus foram por ele chamadas de família, experimentaram a comunhão física com o Filho encarnado e amado de Deus e se tornaram a extensão de seu próprio corpo, de seu agir no mundo. Mas isso exigiu um deslocamento, um movimento visível, que incluiu gestos, ações, ensinamentos e práticas em comunhão com Jesus.

    O discipulado do qual nos fala a Comunhão Anglicana, é intencional – ou seja – é opção, escolha consciente, e acontece também através da comunhão estreita com Jesus Cristo. Não mais uma comunhão física, direta, mas experimentada pela fé e pela participação no corpo de Cristo (que é a Igreja). Uma comunhão que, assim como ocorria anteriormente à morte e ressurreição de Jesus, inclui gestos, práticas, ações, ensinamentos que se articulam através da vivência da Palavra, da prática da Diaconia, do testemunho público e de cidadania, da vivência comunitária, da formação e da graça vivida nos sacramentos. O corpo de Cristo é o lugar visível onde o chamado de Jesus ecoa e o discipulado expressa-se e toma forma de rede que salva vidas. Assim como no tempo de Jesus, o discipulado hoje exige um rompimento com a sociedade cheia de preconceitos, intolerâncias, discriminações e violências. Esse discipulado abre nossas vidas, amplia nossos horizontes, alarga nossa visão, transforma nosso coração – porque o próprio Cristo vem morar e ter comunhão conosco. No batismo, acontece o chamado de Jesus e, a partir dele, a comunhão com o Corpo de Cristo.

    Queridos irmãos e irmãs, hoje, agora, neste Concílio, e a partir dele – como Igreja Diocesana – nós estamos sendo convocados e convocadas a assumirmos nosso discipulado intencional, sendo novamente chamados e chamadas a tomar parte na família de Cristo, a encontrar nosso lugar no Corpo de Cristo, desafiados e desafiadas a assumir de fato o compromisso de inclusão e acolhimento dos muitos jeitos e muitas faces que expressam a diversidade contida no próprio Cristo. Tudo isso nos desacomoda, por vezes até nos desagrada… Não é fácil assumir a Missão segundo os critérios de Cristo – e não segundo os nossos critérios. Mas o Espírito de Deus está sobre nós, e Ele é o nosso fôlego e a nossa coragem. Desde os primeiros tempos do cristianismo o Espírito de Deus capacitou a Igreja, mas mais do que isso – desacomodou a Igreja. E é por isso que ouvir a voz do Espírito não é fácil… e não está sendo hoje, mas desde o princípio aquelas pessoas que temiam foram encorajadas; aquelas que se escondiam foram descobertas (quiseram se mostrar); aquelas que não acreditavam foram convertidas, as que se sentiam intimidadas foram impulsionadas, as que não entendiam foram esclarecidas, e todas, sem exceção, foram transformadas.

    Eu acredito na ação do Espírito Santo e sei que a partir dela tudo na vida da Igreja Primitiva mudou: as portas trancadas se abriram, as línguas caladas se soltaram, a Igreja amedrontada e escondida saiu para pregar em praça pública. Portanto sei que desde os primórdios do cristianismo a Igreja sempre foi e é marcada por transformação e compromisso – e estou segura de que estes dias de Concílio certamente mostrarão isso, porque Espírito Santo de Deus não restringiu a sua ação apenas aos tempos antigos, não estava somente sobre os nossos(as) antepassados(as), Ele hoje está sobre nós, está dentro de nós, Ele está conosco e é Ruáh, vento renovador, fogo transformador que impulsiona, encoraja e compromete.

    Que esse novo tempo que estamos inaugurando nos anime a renovar a devoção em nossas Paróquias/Missões/Pontos Missionários, a renovar nosso compromisso com o Corpo de Cristo (que é a Igreja), renovar a vivência de nossa fé em comunidade, renovar nossa ação na sociedade, renovar nossas esperanças, de modo que nossa adoração e ministérios sejam expressão de um Discipulado Intencional e compromissado.

    Como Diocese temos grandes desafios, mas onde há desafios há oportunidades. Nossas comunidades precisam ser verdadeiros centros da missão. Portanto, oremos e peçamos a Deus que transforme as vidas humanas por sua profunda e poderosa ação, começando pelas nossas. Que tenhamos a coragem de aceitar o chamado do discipulado, o chamado para ser Corpo de Cristo, para ser Igreja Missionária e desta forma sintamos fluir em nós e a través de nós a maravilhosa e poderosa vontade de Deus. Que assim seja!

    Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

    + Marinez Bassotto

    Belém, 17 de agosto de 2018. AD.

     
  • SNIEAB 16:14 on 26/04/2018 Permalink | Responder
    Tags: , daa, , Primeira bispa da América do Sul, Revdo. Luiz Coelho, Sagração Episcopal   

    Um novo amanhecer para a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, ao celebrar sua primeira bispa 

    No último sábado, 21 de abril de 2018, muitos brasileiros e brasileiras celebraram a vida de Tiradentes, um dos mártires da Inconfidência Mineira. Para os anglicanos e anglicanas da Amazônia, entretanto, o dia foi muito mais simbólico, pois significava um novo começo para a maior diocese brasileira em área territorial.

    A quadra poliesportiva da Catedral de Santa Maria estava lotada com pessoas de toda a diocese, visitantes de outras partes do país e também do mundo, de modo a dar testemunho da sagração da Revma. Bispa Marinez Bassotto, a primeira bispa anglicana da América do Sul, chamada a liderar essa diocese pelos anos vindouros. Havia tantas pessoas que a Catedral não tinha como acomodá-las no santuário. A cerimônia teve de ocorrer na quadra.


    A liturgia foi preenchida com costumes locais, incluindo danças caboclas na apresentação do Evangelho, oferendas de frutas e vegetais locais e um conjunto de galhetas, cálices e patenas em cerâmica marajoara. A chuva – tão comum na Amazônia – também se fez presente, com diversas rajadas acontecendo durante o ofício. Felizmente, a quadra era coberta, então ninguém se molhou!

    Presidiu a cerimônia o Revmo. Bispo Francisco de Assis da Silva, Diocesano de Santa Maria (Sul-Ocidental) e Primaz da IEAB. A Revma. Bispa Linda Nicholls , Diocesana de Huron (Igreja Anglicana do Canadá) foi a pregadora. As dioceses da Amazônia e Huron têm um processo de companheirismo longo e duradouro. Também estava lá a Revma. Bispa Griselda Delgado del Carpio, diocesana de Cuba (Igreja Episcopal). As bispas Marinez e Griselda são duas de três bispas latino-americanas na tradição anglicana. A primeira, Revma. Nerva Cot Aguilera, serviu como sufragânea de Cuba e foi chamada à eternidade em 2010. Diversos outros clérigos e clérigas das três ordens, bem como leigos e leigas, serviram em uma diversidade de papéis litúrgicos.

    Marinez é casada com Paulo e tem duas filhas: Luísa e Laura. Antes de haver sido eleita bispa, serviu paróquias na grande Porto Alegre, incluindo aí sua longa experiência como Deã da Catedral da Santíssima Trindade. Também participou de diversas comissões nacionais, como a Comissão Nacional de Liturgia e a Comissão Nacional de Diaconia. Também tem servido como Custódia do Livro de Oração Comum. Agora, ela é chamada a ser pastora e mãe em Deus de uma diocese no outro lado do país. É uma grande mudança para ela e sua família. Todas as orações são bem vindas.

    “Um telhado de vidro de 33 anos foi esfacelado”, mencionou a Revda. Carmen Etel Alves Gomes, primeira mulher ordenada no Brasil, em 1985. Em 1984, a IEAB havia realizado mudanças canônicas permitindo a ordenação de mulheres às três ordens desde então. Entretanto, apesar de haverem sido ordenadas tantas mulheres ao diaconato e presbiterado (sacerdócio), nenhuma ainda havia sido eleita e sagrada bispa. A sagração da bispa Marinez demonstra que, também para a IEAB, de fato “não há homem ou mulher, pois somos um em Cristo Jesus”.

    Rev. Luiz Coelho

     
  • SNIEAB 15:26 on 26/04/2017 Permalink | Responder
    Tags: daa, Dom Saulo, ,   

    Processo de Eleição Episcopal – DAA 

    Belém-PA, 20 de abril de 2017.
    Aos irmãos da IEAB:
    Bispos, Reverendas e Reverendos, Ministras Leigas e Leigos
    Ao povo em Comunhão,
    A Paz e o Bem de nosso Deus!

    Como é do conhecimento da IEAB, nosso Bispo Saulo Maurício de Barros solicitou resignação e foi concedida pela Câmara Episcopal e iniciamos o processo de Eleição para Bispa ou Bispo da Diocese Anglicana da Amazônia. Assim, durante o 11o Concílio Diocesano fora criado o Grupo de Trabalho, constituído pelo Conselho Diocesano e mais seis pessoas presentes no Concílio. Essa equipe reuniu-se recentemente para a elaboração do documento, em anexo, que norteará o processo.

    Com a ajuda de Deus, Luz que ilumina a caminhada pastoral da nossa Diocese, contamos com a participação de vocês com orações e, ao mesmo tempo, com a divulgação desse documento a toda Província, de modo oferecer a oportunidade aos chamados ao ministério episcopal de apresentarem seus currículos, ou mesmo às comunidades de fazerem sugestões de possíveis candidatos. Também estamos abertos a sua colaboração através de sugestões, ideias e proposições, pois somos a Diocese caçula da Província brasileira, sendo esse processo uma etapa desafiadora para a nossa caminhada.

    Enfim, nesse Tempo Pascal que se inicia, serão cinquenta dias em que a Igreja fará memória atualizante do Cristo Ressuscitado em meio às incertezas do mundo: a vida persiste e a morte é vencida pela fé, pela esperança e pelo amor. Como o “discípulo amado” (cf João 20:8): ver e crer é uma tarefa constante em nossa vida de discipulado; é Testemunhar com alegria o que nos é ensinado por nossa Tradição. A Igreja caminha porque crê e crendo anuncia a verdade do Evangelho de Jesus Cristo.

    Ver e Crer, como “discípulas e discípulos amados de nosso Senhor Jesus Cristo”, nos torna aptos e corajosos para anunciar com amor, em terras amazônidas, a mensagem libertadora do Reino de Deus.

    Feliz e abençoado Tempo Pascal!
    Abraço fraterno,

    Revdo. Claudio Corrêa de Miranda – Presidente do Conselho Diocesano

    Revdo. Sérgio Augusto Santos da Silva – Secretário do Conselho Diocesano
     
  • SNIEAB 11:39 on 27/07/2006 Permalink | Responder
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    Sínodo Aprova Criação de Diocese na Amazônia 

    Após a Oração Matutina, foi realizada a primeira sessão do 30º Sínodo-Geral, sediado em Curitiba. Dois momentos foram marcantes nessa primeira sessão.

    O primeiro foi a leitura da Carta da Delegação da Diocese Anglicana do Rio de Janeiro ao Sínodo, feita pelo Rev. Eduardo Grillo, na qual se faz um apelo a toda Igreja, para que ela possa refletir e discutir a sua vida, e não apenas aprovar novas leis (as quais não devem preceder a vida). É preciso, “primeiro, meditar coletivamente sobre sua vida e momento atual”, e enfrentar, depois, “como família, como povo de Deus, os seus graves problemas”. A carta poderá ser considerada pelas duas câmaras, que se reunirão em separado.

    O segundo, e grande, momento foi a aprovação da Criação da Diocese na Região Amazônica, cujo nome será decidido mais adiante (devido a exigências canônicas). Os irmãos e irmãs daquela região expuseram à sessão plenária o projeto, o qual foi debatido e foi aprovado por unanimidade.

    Neste exato momento, os delegados retornaram para o início da II Sessão, na qual, as Câmaras estão trabalhando em separado.

    -

    Christina Takatsu Winnischofer

    Secretária Geral da IEAB

     
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