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  • SNIEAB 10:52 on 26/11/2014 Permalink | Responder
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    Mensagem de Advento 2014 do Bispo Primaz 

    Irmãos e Irmãs,

    “Digo isto porque sabemos tempo que já é hora de vos despertardes do sono; porque agora está mais perto de nós a salvação, do que quando recebemos a fé” Rom 13:11

    O Advento é tempo de preparação. A Igreja celebra cada ano esta quadra que deve significar para nós um momento de mergulho para dentro de nós mesmos e percebermos até onde estamos preparados para receber o “Bendito que vem em nome do Senhor”! A coleta do Primeiro Domingo do Advento nos exige rejeitar as obras das trevas e vestirmos das armas da luz o que parece ser uma linguagem militar, de confronto claro, onde não é possível se ficar neutro. Para alguns isso pode parecer uma linguagem exagerada! Mas, dispensando o imaginário de uma batalha literalmente renhida, o Advento é tempo de deixarmos claro que projeto de vida e de sociedade o Principe da Paz deseja para a humanidade.

    Nossa sociedade está estruturada sobre uma ideologia do consumo e da coisificação de tudo. Estamos assistindo uma excêntrica exploração da festa do Natal pelos poderosos deste mundo. Vivemos um espécie de síndrome de Herodes. Explico: o interesse de Herodes de ver o Menino não era para adora-lo, como disse aos Magos. Assim também o mercado não quer saber de Jesus. Quer saber de lucro, de consumo. O que menos importa é o Menino. Aliás, muitos meninos e meninas, como Jesus, estão jogados à própria sorte em nossa sociedade. Meninos e meninas não interessam, a menos que sejam consumidores!

    Humildade, diz o mercado, é coisa para quem não tem ambição. Mas se esquecem que o Menino Deus se humilhou, se desconstruiu a si mesmo como Deus supremo para assumir a nossa natureza. A Igreja, neste tempo, é chamada a assumir também a humildade de Jesus e acolhe-lo como uma criança, frágil, sem teto e num universo de incertezas.

    Onde estaremos nós durante este tempo de Advento? Estaremos orando e nos preparando para cantar o Gloria in Excelsis Deo, quando chegar a noite do Natal? Estaremos esvaziados de nossas preocupações consumistas no frenesi das lojas, dos shoppings, das festas (algumas delas de pura aparência), ou daquilo que o mercado configura indevidamente como espírito de Natal? Estaremos redescobrindo a solidariedade? Estaremos pedindo a Deus que nos afaste das obras de injustiça? Se estamos neste caminho, dou graças a Deus!

    O encontro com o Menino Deus é experiência transformadora. Mas para isso precisamos nos preparar com disciplina para que em nós se manifeste a graça divina, a sabedoria para distinguir entre as obras das trevas e as obras da luz. As primeiras escravizam nossos espíritos. As segundas nos fazem sentir livres, disponíveis para Deus! Que caminho queremos seguir?

    As obras das trevas são multiplicadoras de exclusões, de violência contra os mais fracos, de vaidades que não preenchem a real necessidade das pessoas humanas. As obras da luz geram respeito, justiça, libertação! Sigamos as obras da luz e assim estaremos livres para acolher o Menino Deus!

    Um abençoado tempo de Advento para tod@s nós!

    ++Francisco

    BISPO PRIMAZ DA IEAB

     
  • SNIEAB 11:06 on 28/11/2013 Permalink | Responder
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    MENSAGEM DE ADVENTO DO PRIMAZ DA IEAB 

    Santa Maria, 28 de Novembro 2013

    E isto digo, conhecendo o tempo, que já é hora de despertarmos do sono;

    porque a nossa salvação está agora mais perto de nós do que quando aceitamos a fé.

    Romanos 13:11

    Aos Irmãos e Irmãs,

    Bispos, Clero e Laicato de nossa IEAB

    Graça e Paz!

    Neste domingo vivenciaremos o começo de uma estação litúrgica muito especial para a Igreja: o Advento. Nada mais apropriado para nossa IEAB nestes tempos nos quais reunimos em Sínodo e traçamos caminhos cheios de sonhos para fortalecer a nossa identidade de uma Igreja que adora e serve.

    Se pudéssemos definir em termos de sentimento o que nos move neste instante como Província eu diria que vivemos um rico momento de escuta. Escuta da vontade de Deus para nossa Igreja. Escuta do chamado do Espírito para que experimentemos a comunhão das vontades divina e humana. Escuta de uns pelos outros, num imenso e contínuo Indaba.

    A experiência recente da espiritualidade do labirinto nos ensinou que antes de nos preocuparmos em oferecer as nossas cosmovisões, precisamos calar a alma, ouvir a voz de Deus e a voz das pessoas que caminham ao nosso lado. A simbologia do Advento aponta para uma coroa perfeitamente circular, sem começo nem fim, apontando para a eternidade de Deus e para a nossa também. O símbolo do labirinto também é circular, significando que nosso caminhar representa o ir e vir, sem nada que impeça o caminho. Nesse caminhar  somos transformados e saímos alimentados para servir ao mundo.

    Que nossa IEAB continue sabiamente caminhando na circularidade da meditação, da escuta e do fortalecimento de nosso amor. Que cada vela que for acesa em nossas liturgias de Advento aumente a nossa compreensão e visão da vontade de Deus. E quando o Menino Deus chegar e a luz plena for acesa em nossos corações, possamos dizer como o profeta Simeão: pois já os meus olhos viram a tua salvação!

    Um abençoado Advento ao povo anglicano de nosso país!

    ++ Francisco de Assis da Silva

    Primaz do Brasil e diocesano Santa Maria

     
  • SNIEAB 10:32 on 24/11/2011 Permalink | Responder
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    Carta da Camara dos Bispos para o Advento 

     

    Carta Pastoral do Advento 2011

    Queridos irmãos e irmãs, nós bispos e pastores da Igreja, queremos trazer à Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, uma mensagem de esperança neste novo tempo que se avizinha no Calendário Cristão. O Advento tem um caráter preparatório, apontando e nos preparando para  celebrar o mistério da encarnação, em Cristo Jesus. Os eventos resgatados neste período nos falam de um Deus que acompanha bem de perto a jornada da humanidade, “Deus conosco” (Mateus 1:23).

    Apresentando essa mesma perspectiva, uma narrativa do Êxodo nos conta que Deus disse: “Eu tenho visto como o meu povo está sendo maltratado no Egito; tenho ouvido o seu pedido de socorro por causa de seu feitores. Sei que estão sofrendo. Por isso desci para libertá-los do poder dos egípcios e para levá-los do Egito para uma terra grande e boa” (Êxodo 3:7-8). Esse trecho das Escrituras nos mostra um Deus sensível, comovido com o sofrimento humano, que está disposto a descer das alturas das montanhas para cuidar da sua criação.

    Essa imagem deveria guiar sempre a atuação daqueles e daquelas que se dedicam ao pastoreio do povo de Deus. Olhos atentos ao contexto no qual estamos inseridos, ouvidos sensíveis para escuta do clamor das pessoas que sofrem, dispostas a experimentar o desafio da alteridade, se colocando no lugar do outro, movidas pela compaixão, reviradas nas entranhas. Nesse diálogo com o outro a pastoral vai adquirindo sentido. Apesar dos limites humanos, como bispos da Igreja temos procurado refletir essa prática em nossas vidas, por isso tantas vezes temos nos lançado na defesa de grupos e pessoas injustiçadas e marginalizadas pela sociedade, os “pequeninos” mencionados por Jesus de Nazaré (Mateus 10:42; 25:40; Lucas 10:21). Por causa dos desafios assumidos, acolhendo demandas que nenhuma outra ousou encampar, por causa da mudança de alguns paradigmas éticos, sabemos que a nossa Igreja tem pago um alto preço.

    Na condição de pastores precisamos estar atentos ao consenso de fé dos fiéis, sensus fidelium, pois a Igreja não é apenas uma instituição social, mas uma comunhão de discípulos e discípulas de Jesus Cristo. Dentro dessa comunhão existe uma pluralidade de opiniões, valores, comportamentos, que precisam ser considerados e respeitados com o propósito de “que todos sejam um” (João 17:21). Temos consciência de que existe uma série de assuntos em debate na comunhão anglicana que precisam ser considerados com muita seriedade, todavia precisamos evitar o voluntarismo dos vanguardismos e procurar caminhar juntos, a narrativa dos discípulos na estrada de Emaús é a certeza do Cristo que “segue ao lado” (Lucas 24:13-31). Precisamos seguir em frente na nossa jornada com paciência e suportando-nos uns ao outros em amor, como ensina o apóstolo Paulo (Efésios 4:2).

    Quando discípulos de João Batista procuraram Jesus para saber se ele era realmente o Messias, o prometido de Deus, não teve como resposta outra coisa senão os elementos reveladores da vida: Ide, e contai a João o que tendes visto e ouvido: os cegos veem, os coxos andam, os leprosos são purificados, e os surdos ouvem; os mortos são ressuscitados, e aos pobres é anunciado o evangelho” (Lucas 7:22). Da mesma forma, ficamos felizes ao constatar que muitas das nossas comunidades enfrentam sem alarde a prática de acolhimento das diferenças, transformando-se assim em novos espaços de relações onde se realizam as propostas do reino de Deus.

    Que o Espírito Santo continue a produzir no nosso meio “o amor, a alegria, a paz, a paciência, a delicadeza, a bondade, a fidelidade” (Gálatas 5:22-23), nos conduzindo a toda verdade, nos levando a práticas concretas que manifestem o reino divino e nos preparando adequadamente para receber em nossos corações o menino Deus que não se prendeu a sua divindade, mas esvaziou a si mesmo, assumindo a condição humana (Filipenses 2:7).

    São Paulo, 24 de novembro de 2011

    Dia Nacional de Ação de Graças

     

    Dom Mauricio Andrade, Primaz, Brasília

    Dom Orlando Santos de Oliveira, Porto Alegre

    Dom Naudal Alves Gomes, Curitiba

    Dom Sebastião Armando, Recife

    Dom Filadelfo Oliveira, Rio de Janeiro

    Dom Saulo de Barros, Belém

    Dom Renato Raatz, Pelotas

    Dom Roger Bird, São Paulo

    Dom Francisco de Assis da Silva, Santa Maria

    Dom Clóvis Erly Rodrigues, Emérito

    Dom Glauco Soares de Lima, Emérito

    Dom Celso Franco, Emérito

    Dom Almir dos Santos, Emérito

    Dom Jubal Pereira Neves, Emérito

     
  • SNIEAB 1:14 on 22/12/2006 Permalink | Responder
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    Adorar É Doar-se 

    Assim como Maria, assustada com a mensagem do anjo, diante de tão grande responsabilidade, somos desafiados a dizer: faça-se em nós conforme a tua palavra! Intuitivamente ela sabia que a tarefa era grande demais para uma adolescente da periferia da periferia. Mas a sua fé dizia quase que sussurrando: vá em frente porque o que você vai precisar para cumprir a sua parte, Ele mesmo lhe dará.

    Neste tempo de Advento e Natal, somos desafiados a responder com fé ao chamado que Deus faz para cada um de nós. É o chamado para tornar o seu reino cada vez mais visível no mundo. Mas muitos de nós, ao contrário de Maria, apresentamos tantas desculpas, revelando às vezes uma falsa humildade e um enorme medo. Mas lá no mais intimo de nosso ser, revelamos na verdade nosso mais puro egoismo.

    Nesses quase cinco meses à frente da Secretaria Geral, descobri com muita alegria pessoas dispostas a adorar a Deus efetivamente, doando-se e oferecendo-se para o serviço d’Ele através de sua Igreja. São pessoas que amam a Deus e que não medem esforços para demonstrar esse amor. Doam seu tempo, doam seus sonhos, doam seus dons, doam seus recursos materiais e o fazem de forma apaixonada e alegre.

    Muitas vezes costumamos dizer que o problema da Igreja é financeiro. Isso não verdade. O problema da Igreja é a falta de doação autêntica dos filhos e filhas de Deus. E isso é resultado da qualidade de nossa adoração. Se observarmos bem, a palavra adorar tem uma composição simbólica em que “doar” está implicita dentro dela e constitui seu maior simbólico: aDOrAR.

    A perfeita adoração de Maria constituiu-se numa completa doação a Deus de sua vida e de seu corpo para fazer nele a morada do tão esperado Salvador. Através dela foi possível Deus doar-se perfeitamente ao mundo, realizando a promessa de redenção da humanidade.

    Que nesse tempo de Advento possamos nos doar por completo a Deus, afim de que nosso coração seja a manjedoura que acolha o menino Salvador. Lembremo-nos de que o nascimento de Jesus ocorreu em circunstâncias bastante particulares porque “não havia lugares” disponíveis. As pessoas não tinham espaço para acolher aquela que estava para dar a luz. As pessoas estavam muito preocupadas com suas necessidades e problemas. Não conseguiram partilhar sequer um espaço.

    Que Deus desperte em nós o sentimento de Maria e nos faça adoradores em espírito e em verdade. E que essa adoração seja completa, com a doação de nossa vida e de tudo o que temos e que somos! Se assim procedemos, os sinais do Reino de Deus serão cada vez mais evidentes!

    -

    Rev. Cônego Francisco de Assis da Silva

    Secretário Geral da IEAB

     
  • SNIEAB 1:16 on 19/12/2006 Permalink | Responder
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    É Tempo de Advento, É Tempo de Natal 

    “Eu já escuto os teus sinais” – Alceu Valença

    Porque em ti está a fonte da vida;
    Na tua luz é que vemos a luz.
    Continua a tua misericórdia aos que te conhecem,
    E a tua justiça aos que têm o coração puro
    – Salmo 36,9 e10.

    A palavra Advento nos coloca em clima de expectativa: vem por aí um novo tempo, cuja marca principal é a alegria. A palavra indica o aproximar-se, a chegada… Quatro semanas de preparação para o Natal. Semanas para ouvirmos a voz dos profetas: Isaías; João Batista… Dos anjos que anunciam; a mulher pobre da insignificante Nazaré, que se coloca nos caminhos de serviço dos esquecidos e desprezados: Izabel e Zacarias da época. Exemplo que se faz convite para nós hoje. É tempo de aplainar estradas para a vinda do Messias.

    É tempo de ouvir a voz do próprio Jesus, que anuncia que o Espírito de Deus o confirma no anúncio da proximidade do Reino de Deus e da necessidade de construir as condições para que o Reino aconteça.

    O Advento nos convida a celebrar realidade e esperança; o que temos e o que queremos. Pelo Advento somos convidados a mergulhar na dinâmica da salvação que vem de Deus: Jesus, o sacramento maior do Pai assume condição de gente entre os esquecidos; faz-se criança na contramão da lógica do mundo, recebe acolhida entre os pobres, simbolicamente representados pelos pastores, que, acordados pelo brilho da estrela, reconhecem que é um novo tempo de Deus, um tempo de inclusão.

    O Evangelho de Lucas situa grande parte da atividade de Jesus ao longo de um caminho que vai da Galiléia (Lc 9,51) até sua elevação ao céu em Betânia na periferia de Jerusalém (24,51-52). Será este caminho que percorreremos durante o ano C, do calendário eclesiástico. Ao refazer o caminho de Jesus através da Leitura do Evangelho de Lucas, caminharemos com Ele como o fizeram seus discípulos. Será um caminho de aprendizado. Um caminho que mostra na prática o que significa a apresentação de Jesus na Sinagoga de Nazaré e dos seguidores de Jesus na Igreja hoje:

    “O Espírito do Senhor está sobre mim,
    porque ele me consagrou com a unção,
    para anunciar a Boa Notícia aos pobres,
    enviou-me para proclamar a libertação aos presos
    e aos cegos a recuperação da vista:
    para libertar os oprimidos,
    e para proclamar um ano de graça do Senhor” – (Lc 4,18-18)

    O Advento nos coloca em sintonia com Deus como Senhor do tempo: “Aquele que é, que era e que vem”(Ap 1, 4-8), revelando uma presença contínua. O caráter missionário do Advento manifesta-se na Igreja pelo anúncio do Reino, e a sua acolhida pelo coração de toda a humanidade até a manifestação gloriosa de Cristo.

    O Advento é também espiritualidade que ressalta a alegria pela vida que se renova; pela fé cristã que não está alicerçada sobre incertezas: A esperança da Igreja é a esperança de Israel já realizada em Cristo, mas que só se consumará definitivamente na volta do Senhor. Por isso o brado da Igreja característico nesse tempo é: Vem Senhor Jesus!

    O tempo do Advento é tempo de esperança porque Cristo é a nossa esperança (1Tm 1,1); esperança na renovação de todas as coisas, na libertação das nossas misérias, pecados, fraquezas, na vida eterna, esperança que nos forma na paciência diante das dificuldades e tribulações da vida, diante das perseguições.

    O Advento também é tempo de conversão. A preparação dos caminhos para viver um novo tempo requer que se tenha atitudes corajosas para mudar, conforme é sugerido: “E João percorria toda a região do rio Jordão, pregando um batismo de conversão para o perdão dos pecados, preparem o caminho do Senhor, endireitem suas estradas. Todo vale será aterrado, toda montanha e colina serão aplainadas; as estradas curvas ficarão retas, e os caminhos esburacados serão nivelados. E todo homem verá a salvação de Deus” – (Lc 3,3-6).

    Recordo as palavras do poeta: “de tudo ficam três coisas. A certeza de que estamos começando; a certeza de que é preciso continuar, e a certeza de que podemos ser interrompidos antes de terminar. Façamos da interrupção um caminho novo; da queda um passo de dança; do medo uma espada, do sonho uma ponte e da procura um encontro” – Fernando Pessoa.

    Estamos vivendo momentos de (re)começos. Recomeço de uma nova legislatura, seja Estadual ou Nacional; novos Governos Estaduais, mesmo que alguns tenham sido reeleitos, e novo mandato presidencial. De fato, os sinais que escutamos não são muito diferente do tempo anterior, mas precisamos continuar e reafirmar a busca da garantia da cidadania.

    Nesse tempo de inclusão, de solidariedade, de luz, o sonho se concretiza na alegria do Povo Krao-Kanela, que, desde 1926, vivia um verdadeiro êxodo marcado pelo sofrimento e injustiça. Após muita luta e esforço de várias pessoas que partilharam sua energia e empenho, vimos, no último dia 08 de dezembro, publicado no Diário Oficial da União, a devolução das terras aos Krao-Kanela, que celebram nesse ano o Advento da inclusão.

    Que o tempo do Natal seja um momento de (re)aproximação de Deus em nosso caminhar com o Cristo, menino que traz Esperança, coragem e amor. Assim desejo que a Esperança nos inspire para além do otimismo; a Coragem nos sustente apesar do medo e o Amor nos una com nossas diferenças. E cantemos juntos um cântico novo (Salmo 96,1-2).

    Que a receita predominante nessa nossa festa seja a de: tomar um grupo de irmãos ligados pela mesma fé, unidos numa única esperança. Juntar Cristo a eles. Deixar fermentar até nascerem o homem e a mulher novos. Servir evagelicalmente a quem tem fome e sede de justiça.

    Deus, que é para nós como Pai e Mãe, por sua misericórdia nos faça membros do seu Reino; Filho, vindo a nós em poder, revele entre nós a promessa de sua glória; Deus o Espírito, faça-nos firmes na fé, alegres na esperança e constantes no amor.

    Todas as bênçãos para você e sua família nesse Tempo de Luz.

    Do Vosso Primaz,

    ++Maurício

    1. Rev. Lauri José Wollmann, contribuiu com subsídios bíblicos.

    2. Receita de Natal, Frei Betto, publicado na Folha de São Paulo, Dezembro de 2006.

    -

    Revmo. Maurício Andrade

    Bispo Primaz da IEAB

     
  • SNIEAB 10:18 on 14/12/2004 Permalink | Responder
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    Carta Pastoral de Advento do Primaz da IEAB 

    O Reino está próximo.

    O Advento é um tempo que o forte convite da igreja é de que nos preparemos para a Festa do Santo Natal que se aproxima. Nesse tempo as leituras nos falam de João Batista, o grande profeta que recebeu de Deus a missão de preparar os corações humanos para a chegada do Messias. Ele veio endireitar a estrada humana, para que nela passasse o nosso Salvador.

    João Batista, nosso companheiro neste clima de espera e preparação que precede o Natal, diz que o Reino está próximo: Jesus é a presença do Reino, é o sinal do Pai, anunciando a paz possível e, apesar de tudo o que já aprontamos, a salvação está sendo oferecida como possibilidade real e concreta. Jesus definitivamente propõe uma meta revolucionária: um novo mundo, uma nova maneira de viver, na reconciliação, na gratuidade, na justiça ” para que venha a paz”.

    Preparar o Natal é alimentar esta esperança. Proclamar a Jesus, nosso Redentor que vem, é orientar a vida para essa grande utopia, na esperança da graça que nos socorre e nos faz caminhar nos impossíveis de Deus. E João mesmo aponta o que se precisa fazer: penitência, não só no sentido de sacrifício ou busca de sofrimento, mas como conversão do coração, mudança de rumo da nossa vida para nos tornarmos parceiros e cooperadores de Deus.

    No meio do grupo que ouvia a João Batista, apareceram alguns fariseus e saduceus, daqueles que se julgavam donos de Deus porque pertenciam ao povo eleito, eram “filhos de Abraão”. Eram meio parecidos com certas pessoas que hoje pensam que podem manipular a Deus cultivando esta ou aquela devoção, esquecendo e humildade e a solidariedade. João diz que não é por aí que se vai ao Reino. “Deus pode fazer das pedras filhos de Abraão” ( Mt 3.9) , diz João Batista. Deus pode incluir no “seu povo” gente que não reza pela nossa cartilha. O critério são os bons frutos produzidos, não é o rótulo que diz a que povo, grupo ou Igreja que pertencemos. Ele diz que Jesus vai saber separar o trigo da palha. Trigo são os sinceros, os que preparam o caminho da paz com a vida transformada para Deus e para os irmãos e irmãs, os que agem, a favor da justiça, os que são capazes de mudar o caminho para participar da construção do bem maior que Deus mesmo vai realizar.

    Sem a graça de Deus nada podemos, é verdade! Mas Deus já demonstrou, em Jesus, de que tamanho é a oferta dessa graça. Da parte de Deus, não há dúvidas nem deficiências. Agora nos cabe acolher a graça, tornada visível no Menino do presépio, e trabalhar, com humildade, caridade, sem preconceitos, arrogância, discriminação, pela reconciliação e paz em todos os níveis.

    Jesus já veio e já viveu esta reconciliação radical, perdoando até os que o mataram. No entanto, hoje o cordeiro tem certeza de que ainda não é seguro abrir a porta para hospedar o lobo e qualquer família sabe que precisa tomar conta direitinho de seus filhos porque o perigo é o que não falta. Mas a Palavra do Senhor não pode ficar sem efeito! É a para a utopia anunciada por Isaias (Is 11.1-10) que temos de caminhar. É isso que Deus quer, é isso o que o nosso coração mais profundamente deseja.

    Um Feliz e Abençoado Santo Natal a todos!

    -

    Revmo. Orlando Santos de Oliveira

    Bispo Primaz da IEAB

     
  • SNIEAB 1:47 on 16/12/2003 Permalink | Responder
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    Natal: Luz, Alegria e Presentes 

    Vivemos o Advento/Natal. Tempo de preparação e espera. Como cristãos e cristãs com uma fé enraizada no Cristo Ressuscitado, a nossa preparação e a nossa espera no Advento se convertem numa alegria constante e profunda porque nosso Senhor, o Emanuel, se fez carne e decidiu habitar entre nós.

    A espera do Santo Natal se transforma na espera de um ser querido. Toda a nossa preparação externa – árvores, luzes, sinos, música – se convertem no preâmbulo onde preparamos os nossos lares para receber alguém que transformou de maneira muito especial as nossas vidas. A nossa preparação interior – a alegria, a oração, a meditação da Escritura, o silêncio, o louvor – abrigam em nosso coração uma mistura de sentimentos onde muitas vezes voltamos a viver com o coração de uma criança.
    Eis o Advento e Natal; a espera gostosa do dia em que celebramos, mais uma vez, a chegada do ser querido mais importante de nossa vida, a chegada do Deus-Menino vestido com roupas humanas, trazendo paz e esperança. O nosso coração se enche de alegria porque Deus, o nosso Deus, está no meio de nós. Mas esta presença nos convoca a uma mudança. É impossível anunciar o Reino de Deus e viver a alegria do encontro sem que ela tenha conseqüências para todos. Por isto, as festas deste tempo nos falam de arrependimento, partilha, serviço, justiça, misericórdia e compreensão.

    Neste Natal, a nossa obrigação é a de transformarmo-nos em luz. Que a luz do presépio penetre intimamente dentro de nós, e transforme-nos, faça-nos transparentes. E que todos possam contemplá-la em nós e fiquem ofuscados, que sintam todo o encanto e resistam à tentação de cerrar os olhos.

    Neste Natal, a nossa obrigação é a de transformarmo-nos em alegria, não a de sermos severos, raivosos, intransigentes e macabros guardiães da verdade. Não temos o encargo de nos transformarmo-nos em carcereiros, policiais, mas sim de testemunhas da alegria, a fazer com que todos compreendam que a mensagem de Cristo é uma mensagem de salvação, e não de condenação. Mensagem de libertação, não de opressão. Mensagem de alegria e não de tristeza.
    Neste Natal, temos a obrigação de nos tornarmos em presentes. No dia de Natal, é costume dar presentes: montanhas de presentes, toneladas de papel colorido, quilômetros de barbantes dourados, cartões de Boas Festas pequenos, grandes ou musicados. Acreditamos que, desta maneira, pagamos as dívidas de gratidão que temos com as outras pessoas. Assim é muito fácil, é muito cômodo. Como cristãos, temos a obrigação, não de dar presentes, mas de nos transformarmos em presentes. Conseguir que a nossa vida seja um dom sem reservas, para todos. Porque todas as pessoas são credoras nossas. Porque cada um de nós é devedor com relação aos outros.

    Temos de desmontar o nosso Natal rico, mastodôntico e engenhoso, para vivermos o Natal autêntico, para enriquecermo-nos com aquela pobreza e simplicidade da gruta de Belém.

    No Natal, temos a certeza de que não estamos sozinhos. Que a luz regeneradora da Graça vença toda a treva, aumente a nossa fé e crie em nós a corajosa disposição de trabalharmos juntos, como sinal da esperança salvadora que vamos celebrar neste Santo Natal.

    Que onde houver irmãos e irmãs sofredoras, direitos negados, filhos e filhas de Deus excluídos, o Senhor nos auxilie a sermos testemunhas do seu amor, da sua justiça e da sua paz. Um feliz e abençoado Natal a todos!

    Imagem: Presépio esculpido por um membro de uma tribo da floresta amazônica. Fonte: http://www.museodelpresepio.com

    -

    Revmo. Orlando Santos de Oliveira

    Bispo Primaz da IEAB

     
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