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  • SNIEAB 10:40 on 30/11/2018 Permalink | Responder
    Tags: 16 dias de ativismo pelo fim da violência contra as mulheres   

    AS IRMÃS MIRABAL E O DIA DA NÃO VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER 

    As Irmãs Mirabal, filhas de Mercedes Camilo Reyes e Enrique Mirabal, comerciante e proprietário de terras, foram covardemente assassinadas pela ditadura de Rafael Leónidas Trujillo de Molina, o Generalíssimo Presidente que governou com extrema violência a República Dominicana de 1930 a 1961.

    Patria Mercedes Mirabal, Bélgica Adela Mirabal, Minerva Argentina Miraba e Antonia María Teresa Mirabal, conhecidas como Irmãs Mirabal, ou ainda, Las Mariposas, nasceram em Ojo de Agua, na província de Salcedo, no norte do país. De uma família importante daquela região, seu pai havia sido prefeito da cidade de Ojo de Agua, no início da ditadura Trujillo.

    Minerva foi a primeira irmã a se envolver com o movimento contra Trujillo, sendo influenciada por seu tio e um amigo de colégio, cuja família tinha sido presa e executada por membros do exército de Trujillo.

    Depois de terminar o colegial, ela foi para a faculdade de direito e trabalhou com Pericles Franco Ornes, o fundador do Partido Socialista Popular e um adversário de Trujillo. Isso a levou a ser presa e torturada em várias ocasiões.

    Minerva foi presa pela primeira vez em 1949, depois que recusou os avanços sexuais de Trujillo e, junto com sua mãe, foi colocado sob prisão domiciliar na capital e torturada pelo regime. Seu pai ficou preso na Fortaleza Ozama, até que sua família usou suas conexões para libertá-los. Eles foram presos novamente dois anos depois, e este regime de terror finalmente causou a deterioração da saúde de seu pai, causando sua morte em 1953.

    Minerva foi acompanhada em sua luta contra o governo de Trujillo pelas irmãs Maria Teresa e Patria. Influenciada pelos movimentos de libertação na América Latina, elas criaram com seus maridos o Movimento 14 de Junho. Teve esse nome após o dia em que os dominicanos exilados tentaram derrubar o governo de Trujillo e foram derrotados pelo exército.

    Dentro deste movimento, as irmãs foram chamados de “Las Mariposas” (as borboletas), a partir do  nome clandestino de Minerva.

    O movimento enfrentou a repressão e a maioria de seus membros foi preso pelo regime de Trujillo, incluindo as irmãs Mirabal e seus maridos, no final da década de 1950. Isso gerou crescente sentimento antigoverno que obrigou Trujillo a libertar as mulheres da prisão de La Cuarenta em fevereiro de 1960.

    Seus maridos foram mantidos presos  e as irmãs foram levadas de volta para La Cuarenta em 18 de março e condenadas a 3 anos de prisão. No entanto, as irmãs estavam em liberdade condicional em 18 de agosto de 1960, como resultado da condenação de ações de Trujillo, pela Organização dos Estados Americanos.

    Logo depois, em 25 de novembro de 1960, as irmãs foram assassinadas na volta de uma visita a seus maridos na prisão. Vítimas de uma emboscada, foram levadas para um canavial e apunhaladas e estranguladas até a morte, junto com o motorista que conduzia o veículo em que estavam. Trujillo acreditou que havia eliminado um grande problema, mas a morte das irmãs Mirabal causou uma grande comoção no país e levou o povo dominicano a se somar na luta pelos ideais democráticos das Mariposas. O assassinato das irmãs levou a protestos em massa e contribuiu para a queda do regime de Trujill em 1961.

    Em 1995, a escritora dominicana Julia Álvarez publicou o livro No Tempo das Borboletas, baseada na vida de Las Mariposas, e que em 2001 se tornou um filme.

    A sua história é também recordada no livro A Festa do Bode, do peruano Mario Vargas Llosa.

    No Primeiro Encontro Feminista Latino-Americano e Caribenho de 1981, realizado em Bogotá, Colômbia, a data do assassinato das irmãs Patria Mercedes Mirabal (27 de fevereiro de 1924 — 25 de novembro de 1960), Minerva Argentina Mirabal (12 de março de 1926 — 25 de novembro de 1960) e Antonia María Teresa Mirabal (15 de outubro de 1936 — 25 de novembro de 1960) foi proposta pelas feministas para ser o dia Latino-Americano e Caribenho de luta contra a violência à mulher.

    A Fundación Hermanas Mirabal, fundada em 12 de novembro de 1992 com o objetivo de imortalizar Las Mariposas, cria a Casa Museo Hermanas Mirabal em 8 de dezembro de 1994. O Museo Hermanas Mirabal, mantido e gerido pela irmã sobrevivente, Dede, está localizado na cidade de Conuco, Província da República Dominicana Salcedo. Esta é a casa onde as irmãs Mirabal viveram seus últimos 10 meses, e mantém intacta a decoração e pertences das irmãs antes de seu assassinato.

    Em 17 de dezembro de 1999, a Assembleia Geral das Nações Unidas declarou que 25 de novembro é o Dia Internacional da não Violência contra a Mulher, em homenagem ao sacrifício de Las Mariposas.

    A província onde as irmãs nasceram, Ojo de Agua, foi rebatizada de Hermanas Mirabal em homenagem a essas três mulheres, que dedicaram grande parte de suas vidas, desde muito jovens, a lutar pela liberdade política de seu país.

    Texto: Mara L. Baraúna

    Foto: Museo Memorial de la Resistencia Dominicana

     
  • SNIEAB 10:14 on 28/11/2018 Permalink | Responder
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    RELATO 3 – 16 DIAS DE ATIVISMO PELO FIM DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER 

    A Campanha dos 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres é uma mobilização mundial anual que envolve cerca de 160 países, o Brasil ingressou nesta mobilização em 2003, essa é uma mobilização extremamente importante porque reúne diversos atores sociais e vários segmentos no enfrentamento à violência de gênero. Em outras partes do mundo a Campanha se inicia em 25 de novembro, Dia Internacional da Não Violência contra as Mulheres, e vai até 10 de dezembro, o Dia Internacional dos Direitos Humanos, mas no Brasil, para destacar a dupla discriminação vivida pelas mulheres negras, as atividades iniciam no dia 20 de novembro (Dia Nacional da Consciência Negra).

    A violência contra as mulheres é um fenômeno social multifacetado que atinge mulheres das mais variadas classes sociais, de diversas faixas etárias, com diversas escolaridades, em áreas urbanas e rurais, e de todas as tradições religiosas. É considerada violência de gênero aquela que é exercida de um sexo sobre o sexo oposto. Em geral, o conceito refere-se à violência contra a mulher, essa violência é fruto de um comportamento deliberado e consciente, e pode ser física, sexual, psicológica, moral, religiosa, econômica e/ou patrimonial e institucional. A violência de gênero também pode incluir as agressões físicas e psíquicas que uma mulher possa exercer sobre um homem. Mas o fato é que em todo o mundo, a esmagadora maioria das vítimas de violência de gênero são mulheres e crianças, sendo também elas as vítimas das formas mais agressivas de violência.

    A violência de gênero ocorre quando o autor desta violência acredita que o seu abuso/agressão é aceitável, justificado ou improvável de ser punido. Esta violência pode dar origem a ciclos de abuso/agressão intergeracionais, criando a imagem nas crianças e demais membros de uma família que o abuso/agressão é aceitável. Neste contexto é provável que poucas pessoas sejam capazes de se reconhecer no papel de abusadoras/agressoras ou vítimas, uma vez que a violência é considerada como algo normal, ou ainda como simples descontrole emocional.

    Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a violência é a maior causa de morte de mulheres entre 16 e 44 anos, outro dado aterrorizante é que a OMS também confirma que pelo uma em cada três mulheres já sofreu violência, e que 70% dessas mulheres sofreram violência dentro de casa, tornando a Violência Gênero uma epidemia mundial. Segundo dados da Fundação Perseu Abramo 4 mulheres são espancadas por minuto no Brasil. E, segundo dados publicados em 2015, treze mulheres são assassinadas por dia em nosso país, fazendo com que o Brasil ocupe a 5ª posição no ranking mundial de assassinatos de mulheres. Essa taxa só é maior em El Salvador, na Colômbia, na Guatemala e na Rússia e o detalhe assustador é que a maioria desses crimes foi cometida por alguém da própria família.

    Meu primeiro contato com esse tema veio através do Serviço Anglicano de Diaconia e Desenvolvimento (SADD) que no ano de 2013 lançou a cartilha de Prevenção e Enfrentamento à Violência Doméstica contra as Mulheres e que corajosamente conduziu a IEAB numa caminhada de discussão, mas mais do que isso, nos fez abrir os olhos, os ouvidos, e ampliar nossa percepção desta cruel realidade que viola os direitos humanos das mulheres, através de encontros de formação, sensibilização e capacitação em todas as áreas pastorais e dioceses de nossa Província.

    Hoje estamos mais qualificadas(os) para esse enfrentamento, mas talvez algumas pessoas entre nós ainda pensem que, porque fazemos parte de uma Igreja, estamos imunes à violência e gênero, afinal entre pessoas cristãs reina a paz e a harmonia. A verdade, no entanto, é que essa realidade idealizada não existe e não estamos imunes. A violência contra as mulheres não é mito, não é exagero, não é “mimimi”. Ela está mais perto do que supomos, pode se infiltrar em nossas estruturas, e certamente pessoas que conhecemos e com as quais convivemos podem estar sofrendo violência neste exato instante, e por isso mesmo ela precisa ser apontada, denunciada, e responsabilizada. É nossa tarefa como Igreja assumir um papel de protagonismo nas ações de enfrentamento à violência de gênero, buscar que políticas públicas de erradicação da violência sejam implementadas, denunciar o patriarcalismo e o machismo na sociedade e na própria Igreja, e abrir espaços seguros de diálogo e acolhida para as mulheres e crianças vítimas deste pecado hediondo, não basta falar é necessário agir, e o engajamento da IEAB nos 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres é parte importante de nossa ação como anglicanas e anglicanos, na vivência de nossos votos batismais que nos conclamam a “transformar as estruturas injustas da sociedade, desafiando toda a sorte de violência, respeitando a dignidade de toda a pessoa humana”. (LOC pág. 555).

    Texto: Bispa Marinez Rosa dos Santos Bassotto – Diocese Anglicana da Amazônia

     
  • SNIEAB 14:55 on 27/11/2018 Permalink | Responder
    Tags: 16 dias de ativismo pelo fim da violência contra as mulheres   

    RELATO 2 – 16 DIAS DE ATIVISMO PELO FIM DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER 

    O interesse inicial pela temática da violência contra mulheres e meninas emergiu a partir de uma prática clínica com adolescentes e famílias na década de 1990, literalmente no século passado. Precisamente em 1999, a convite de uma colega, fui trabalhar numa organização não governamental, em Olinda-PE, que tinha um recorte específico de atendimento sociopedagógico e psicológico a mulheres e meninas em situação de violências.

    Quando nos confrontamos com as particularidades da clínica para pessoas em situação de violência de gênero, compreendemos que a universidade não havia incluído em seu currículo as especificidades dessas intervenções. Tal situação nos fez buscar aprimoramento, através de especializações, para fazermos frente a demanda exigida por esses atendimentos. Concomitantemente, recorremos a supervisão dos casos para fortalecer o desempenho do papel profissional.

    Os primeiros casos eram de meninas, adolescentes e jovens, que traziam em suas falas as violências sofridas no contexto doméstico e familiar. Em seguida, apareceram alguns casos envolvendo meninos, que geralmente não são tão evidentes quanto as meninas, devido ao próprio contexto cultural. Os meninos atendidos também demonstraram em seus relatos os traços das violências física, psicológica e sexual que marcavam seu cotidiano. As violências que até então conhecíamos apenas por meio de filmes, livros e jornais, agora estavam diante de nossos olhos e ouvidos, tinham cor, endereço, nome e corpo.

    Recordamos um caso, muito particular, de uma adolescente, em torno de dezenove anos que trazia o sofrimento marcado no corpo e em sua fala sobre abuso sexual dela e de sua filha de dois anos de idade. Durante o processo psicoterapêutico foi revelado que o pai havia abusado psicológica e sexualmente da filha e da neta. O silêncio estava sendo rompido graças a essa jovem que buscou apoio na organização não governamental e encontrou um espaço de acolhimento.


    Outro caso emblemático foi uma história familiar, onde o avô, “patriarca” dessa família, cometeu violência psicológica, física e sexual contra os filhos, filhas, netas e um bisneto. Nesse caso o autor da violência era pastor de uma igreja evangélica da Região Metropolitana de Recife.

    Ampliamos a escuta e começamos a ouvir os familiares, as mães principalmente, os pais não apareceram, então, passamos a ouvir as mulheres, que externavam seus sentimentos e suas dores, em função da situação de violência doméstica e da vulnerabilidade social em que viviam.

    As falas das adolescentes e das mulheres, que expressavam o desejo de não continuar vivendo essa situação de violência, suscitaram em mim indagações que me fizeram recorrer a literatura relacionada com a violência doméstica e de gênero em busca de respostas. Frente a tais inquietações, procurei, através de minha pesquisa para o mestrado, responder ao questionamento: é possível que essas pessoas rompam com a violência na família?

    As mulheres e as meninas sinalizaram em suas experiências que o processo de ruptura das violências inicia a partir da quebra do pacto do silêncio, do refazer dos vínculos de afetos. Consideraram ainda a experiência religiosa e o convívio com os irmãos e irmãs, membros de suas comunidades de fé, um elemento facilitador para o processo de ruptura.

    Diante do atual cenário político e social, que se configura como um tempo de resistência, outras perguntas têm surgido no “fazer dessa clínica”, na qual as pessoas são convidadas a protagonizarem suas dores, sofrimentos e exclusões, reescrevendo suas histórias.  Através da fala de Ruben Alves, temos aprendido com essas mulheres, meninas e meninos que “quando a gente abre os olhos, abrem-se as janelas do corpo, e o mundo aparece refletido dentro da gente”.

    Texto: Ilcélia Soares – Diocese Anglicana do Recife

     
  • SNIEAB 9:02 on 26/11/2018 Permalink | Responder
    Tags: 16 dias de ativismo pelo fim da violência contra as mulheres, Revda. Dilce. SADD   

    16 DIAS DE ATIVISMO PELO FIM DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER 

    Ao final deste dia 25 de novembro reservado para lembrar situações tão tristes de violência contra a mulher e escolhido para ser o início de 16 dias de luta pelo fim desta violência, desafiada pela Secretária Geral, convido outras mulheres, uma a cada dia, escrever algo sobre  esta triste situação. Não precisa ser um grande texto, nem um tratado teológico, filosófico ou sociológico. Não temos a pretensão de restringir as publicações somente as doutoras e mestras da Igreja, mas qualquer mulher que queira contribuir com um testemunho, um desabafo, um relato, uma reflexão. Estas  produções serão  diariamente divulgadas no SNIEAB e podem ser partilhados em nossas redes sociais. É uma pequena iniciativa que no próximo ano, preparada com mais tempo, talvez possa se transformar em ações concretas. Mas o essencial e impreterível é que sejam falas de mulheres.


    Aceitei o desafio, mas tive muita dificuldade em começar a escrever, não porque não tenha o que dizer, mas pelo temor de me exceder nas palavras. Penso que a maturidade e os absurdos dos tempos que vivemos tem me tornado cada vez mais crítica diante da violência contra mulheres. Estes 16 dias de ativismo ainda conhecido por tão poucas pessoas vem tentar nos tirar da apatia em que fomos colocadas ao longo dos anos. Mulheres da minha geração, com uma outra formação e influência cultural, própria da sociedade machista e patriarcal na qual fomos geradas e criadas temos alguma dificuldade  para perceber o quanto fomos levadas a aceitar certas situações como normais, muitas vezes sem sequer perceber a violência sofrida. Fomos nos acostumando a sermos vistas como menores e mais fracas, incapazes de certos lugares e postos, dependentes, frágeis, e o mais triste que esses conceitos são repetidos por mulheres em relação às mulheres numa falta de reconhecimento mútuo, onde não se percebe que quando diminuímos uma mulher também nos diminuímos um pouco.  A sutileza da violência torna-a aceitável e nos aliena da realidade da sua voracidade e destruição.

    Vamos fazer ouvir nossa voz, vamos partilhar nossas dores, frustrações, tristezas e decepções e denunciar as violências que temos sofrido na sociedade ou testemunhamos nas nossas comunidades.

    Texto: Revda. Dilce Paiva de Oliveira – Coordenadora do SADD


     
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