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  • SNIEAB 10:33 on 01/12/2018 Permalink | Responder
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    Feminino, sexo frágil? 

    Há uma ideia disseminada no imaginário popular de que “as mulheres são o sexo frágil”. Isso seria um contraponto à afirmação de que os homens são o sexo forte. Hoje em dia é um pouco complicado afirmar seja uma coisa, seja outra, porque não há mais apenas esta divisão binária das sexualidades. Além disso, todos sabemos que no Brasil a maior parte das famílias é chefiada pelas mulheres, e muitas vezes as mulheres são as únicas adultas integrantes das famílias; porque os homens, aqueles fortes do imaginário popular, abortaram seus filhos. Sim, abortaram, porque o aborto masculino não é crime! Não é sequer condenado socialmente! Assim, mulheres que engravidam de crianças com alguma deficiência, ou em momento não planejado (pelos homens) se veem abandonadas à própria sorte, e tendo que lidar com todas as consequências e dificuldades de criarem sozinhas seus rebentos.

    Neste sentido, é difícil continuar afirmando que as mulheres são o sexo frágil! Longe disso! Mas são sim, muito mais vulneráveis do que os homens. Isto porque se denunciam abortos masculinos (praticados por seus companheiros, namorados ou maridos), ninguém as ouve, e ainda as culpam. Se denunciam violência, doméstica ou na rua, igualmente não são ouvidas e ainda são igualmente responsabilizadas, seja pela roupa que estavam vestindo, pelo horário e/ou local que estavam frequentando, seja pela “conduta provocativa”. Se reivindicam iguais direitos, de empregabilidade ou de salários, novamente não são ouvidas, porque afinal de contas certamente não terão a mesma produtividade masculina, já que engravidam ou assumem responsabilidade sobre outras pessoas – crianças sob seus cuidados ou pessoas idosas – e com maior frequência certamente deixarão a desejar no resultado do seu trabalho.

    Lutar contra todas essas injustiças, perseguições e formas de violência é a rotina das mulheres. Por isso, de frágil nós não temos nada! Mas continuamos cada vez mais vulneráveis! Perpetuar esta vulnerabilidade é mais uma violência contra as mulheres. Apoiar quem violenta as mulheres, seja por sua visão de mundo, seja por atos concretos de violência, é também agir violentamente contra as mulheres. E a violência contra qualquer ser humano é atitude não cristã! Não há como sustentar ao mesmo tempo afirmar ser seguidor de Jesus Cristo e ser violento contra as mulheres. São posturas antagônicas e incompatíveis. Apoiar quem desqualifica as mulheres é, da mesma forma, incompatível com o cristianismo.

    Que estes dias de ativismo em defesa das mulheres, e denúncia das violências contra elas seja uma oportunidade para meditarmos em nossas escolhas pessoais, se estamos também nós agindo com violência contra as mulheres (qualquer que seja o nosso gênero) e/ou apoiando aqueles que assim agem. Vejamos ainda quais oportunidades temos de ampliar as possibilidades de ação e decisão femininas, pois apenas quando houver alguma equivalência entre estas possibilidades é que poderemos vislumbrar o fim da vulnerabilidade das mulheres. Que Deus nos dê fé, coragem e força para a luta!

    Texto: Eneá de Stutz e Almeida – Diocese Anglicana de Brasília

     
  • SNIEAB 10:54 on 30/11/2018 Permalink | Responder
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    ANGLICANOS SEM FRONTEIRAS NO CORAÇÃO DA AMAZÔNIA 

    Iuri Lima[1]

    Indé se pia pura[2]

    Ao pensar em Amazônia, muitos brasileiros não imaginam que exista no coração da maior floresta tropical do mundo, na confluência do Rio Negro com o Rio Solimões, uma grande metrópole que figura como a maior e mais populosa do norte, sendo a sétima cidade mais populosa do Brasil, e contando com o sétimo maior Produto Interno Bruto nacional por conta de sua Zona Franca que concentra um grande parque industrial. Manaus é uma cidade com grande riqueza concentrada nas mãos do empresariado nacional e estrangeiro conjugado com um cenário de grande desigualdade social que não favorece os nativos da região, condenando de modo veemente a invisibilidade e a indigência sua população indígena e cabocla amazônica. A título de informação, Manaus é a capital com maior diversidade indígena urbana do Brasil, são 34 etnias, vivendo em 51 bairros da cidade, que falam 19 línguas, segundo o levantamento feito em 2015 pela Coordenação dos Povos Indígenas de Manaus e Entorno (COPIME).


    É neste chão amazonense sagrado e sofredor que faz parte do território da Diocese Anglicana da Amazônia, que até então concentrava sua presença e ação pastoral no vizinho estado do Pará, que ocorreu a primeira visita pastoral da Bispa Marinez Bassotto junto com o Deão da Catedral Santa Maria, Reverendo Cláudio Miranda, nos dias 23 e 24 de novembro, na cidade de Manaus, com o intuito de animar e reativar a presença missionária anglicana na região e dialogar com a realidade indígena, através de suas organizações sociais. Toda a visita ocorreu num clima de amor serviço que foi ao encontro dos mais vulneráveis. Na manhã do dia 23, a convite do professor Iuri Lima, docente de Ensino Religioso, como parte do projeto de diálogo inter confessional, ocorreu no auditório do Colégio Brasileiro Pedro Silvestre, uma palestra proferida pela Bispa Marinez, a um público de mais de 200 estudantes, onde se refletiu sobre o Ethos Anglicano e a Diversidade Religiosa no contexto Amazônico. Em seguida, foi visitado o primeiro centro de medicina indígena do Brasil, “Bahserikowi’i”, que é organizado por indígenas do Alto Rio Negro; na oportunidade se conheceu o regime de economia solidária que esta instituição desenvolve junto aos povos indígenas da região, de modo especial com as mulheres indígenas do Alto Rio Negro, além de se dialogar com o Kumú (especialista em medicina indígena), Sr. Ovídio Tukano.


    No período da tarde deste mesmo dia, a expressão do teólogo espanhol José Antonio Pagola que enunciava que o Deus anunciado por Jesus Cristo é o “Deus dos que não têm nada” ressoou com uma grande concretude nas visitas a periferia manauara nas residências das mulheres indígenas associadas da Associação das Mulheres Indígenas do Alto Rio Negro (AMARN). Acompanhados pelo Prof. Gilson Dias e pelas coordenadoras da AMARN, a Sra. Madalena Tukano e Joana Desano, a Bispa Marinez junto com o Reverendo Cláudio visitaram algumas famílias chefiada por mulheres indígenas, cujo principal fonte de sustento é o artesanato. Foram momentos de escuta afetiva que passavam desde os dramas pessoais até relatos de violência contra mulher. Houve inclusive uma pequena aula de tecer cestaria de palha dada a bispa por uma associada. Mas, também houveram momentos de muita emoção, como numa casa a beira de um esgoto a céu aberto habitada somente por mulheres tukano, em que a dona de casa e artesã Sra. Juscelinda Tukano, relatou os dramas e desafios de chefiar uma família que vivia unicamente pela Providência Divina e por sua luta diária no trabalho com o artesanato.  O dia finalizou com uma cena muito forte e evangélica, a pedido da Sra. Madalena, a comitiva foi visitar seu pai que se encontra muito doente por problemas cardíacos e que recentemente chegou do Alto Rio Negro, ele por muitos anos foi o kumú que cuidava da saúde espiritual de sua comunidade, e recebeu com muito carinho a oração em favor de sua saúde proferida pela Bispa Marinez, um encontro entre dois curadores de vida tal como o ministério de Jesus que tratava a vida como esse “mínimo que é o máximo dom de Deus”, como gostava de proferir Dom Oscar Romero em suas homílias.


    A última parte da visita pastoral ocorreu na manhã do dia seguinte na sede administrativa da Associação de Mulheres Indígenas do Alto Rio Negro, por sinal esta entidade tem mais de 32 anos de caminhada e foi a primeira do pais a lutar pelos direitos das mulheres indígenas. Foi um momento aberto que contou com a presença das associadas e da comunidade, regado pela língua tukana e pela língua portuguesa, seja nas brincadeiras e cantos entoados pelos curumins (crianças) ou nos momentos de terna escuta respeitosa, que transparecia a missiva evocada na carta pastoral do último Concilio Diocesano em Belém ocorrido em agosto que aconselhava “…acolher a diversidade expressa nos muitos jeitos e muitas faces deste Cristo no qual cremos…”. Num primeiro momento, houve o depoimento de uma das fundadoras da AMARN, Sra. Deolinda Desano, que partilhou um pouco dos anos de luta e defesa das mulheres indígenas sublinhando que a associação é um porto seguro para muitas delas se encontrarem e fortalecerem sua cultura. Sendo seguida pelas falas da coordenação da entidade que pontuou os trabalhos na área da economia solidária através da confecção de artesanato e na educação de crianças indígenas na língua tukana. Somado a isso, por parte dos visitantes, o Reverendo Cláudio Miranda, expos o histórico de tentativas de implantação de uma comunidade anglicana e que isto se liga a uma opção preferencial pelos mais pobres, de modo especial pelos povos originários da Amazônia, enfatizando que “Deus é insistente, e Ele espera uma resposta…”, uma resposta afetiva e efetiva de apoio a resistência dos povos desta região. Por fim, a Bispa Marinez Bassotto, finalizou este momento de diálogo, dando uma acentuação especial na importância de fazer da Igreja ser um lugar em que se viva relações horizontais, recordando as visitas as casas em que as lideranças são das mulheres e sua valiosa contribuição na preservação de sua família e de sua cultura. A Bispa Marinez arrematou que “agora é o Kairós, é o tempo propício de recomeço da Igreja Anglicana aqui… Uma proclamação de inclusão e de respeito…”, se colocando desse modo para somar a outras iniciativas tanto da associação quanto de pessoas que seja de outras igrejas num testemunho cristão de respeito e partilha nessa região.


    Por fim, ocorreu um gesto simbólico muito forte e significativo, entoado por um hino cristológico em tukano, são CONSAGRADOS PELO POVO E PARA O POVO! A Bispa Marinez Bassotto e Reverendo Claudio recebem das mãos do povo indígena o sinal da autoridade do serviço: a estola. Uma “nova unção” Diaconal, Presbiteral e Episcopal. A tamanha ternura desse gesto somente enfatiza a vocação missionária e a disposição de colocar no coração da oração de toda a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, esta humilde presença anglicana que ressoa como mensagem que Deus nos ama sem fronteiras e nos envia a sermos testemunhas de que um outro mundo é possível bem no coração da Amazônia.




    [1] Cristão Leigo Anglicano e Docente da SEDUC-AM.

    [2] Ditado na Lingua Nheengatú da Etnia Desano do Alto Rio Negro cuja tradução significa “Você vem e já estar dentro de meu coração”. Estas palavras foram proferidas como boas vindas a Bispa Marinez Bassotto e ao Reverendo Cláudio Miranda por alunos de escola pública de Manaus.

     
  • SNIEAB 10:40 on 30/11/2018 Permalink | Responder
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    AS IRMÃS MIRABAL E O DIA DA NÃO VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER 

    As Irmãs Mirabal, filhas de Mercedes Camilo Reyes e Enrique Mirabal, comerciante e proprietário de terras, foram covardemente assassinadas pela ditadura de Rafael Leónidas Trujillo de Molina, o Generalíssimo Presidente que governou com extrema violência a República Dominicana de 1930 a 1961.

    Patria Mercedes Mirabal, Bélgica Adela Mirabal, Minerva Argentina Miraba e Antonia María Teresa Mirabal, conhecidas como Irmãs Mirabal, ou ainda, Las Mariposas, nasceram em Ojo de Agua, na província de Salcedo, no norte do país. De uma família importante daquela região, seu pai havia sido prefeito da cidade de Ojo de Agua, no início da ditadura Trujillo.

    Minerva foi a primeira irmã a se envolver com o movimento contra Trujillo, sendo influenciada por seu tio e um amigo de colégio, cuja família tinha sido presa e executada por membros do exército de Trujillo.

    Depois de terminar o colegial, ela foi para a faculdade de direito e trabalhou com Pericles Franco Ornes, o fundador do Partido Socialista Popular e um adversário de Trujillo. Isso a levou a ser presa e torturada em várias ocasiões.

    Minerva foi presa pela primeira vez em 1949, depois que recusou os avanços sexuais de Trujillo e, junto com sua mãe, foi colocado sob prisão domiciliar na capital e torturada pelo regime. Seu pai ficou preso na Fortaleza Ozama, até que sua família usou suas conexões para libertá-los. Eles foram presos novamente dois anos depois, e este regime de terror finalmente causou a deterioração da saúde de seu pai, causando sua morte em 1953.

    Minerva foi acompanhada em sua luta contra o governo de Trujillo pelas irmãs Maria Teresa e Patria. Influenciada pelos movimentos de libertação na América Latina, elas criaram com seus maridos o Movimento 14 de Junho. Teve esse nome após o dia em que os dominicanos exilados tentaram derrubar o governo de Trujillo e foram derrotados pelo exército.

    Dentro deste movimento, as irmãs foram chamados de “Las Mariposas” (as borboletas), a partir do  nome clandestino de Minerva.

    O movimento enfrentou a repressão e a maioria de seus membros foi preso pelo regime de Trujillo, incluindo as irmãs Mirabal e seus maridos, no final da década de 1950. Isso gerou crescente sentimento antigoverno que obrigou Trujillo a libertar as mulheres da prisão de La Cuarenta em fevereiro de 1960.

    Seus maridos foram mantidos presos  e as irmãs foram levadas de volta para La Cuarenta em 18 de março e condenadas a 3 anos de prisão. No entanto, as irmãs estavam em liberdade condicional em 18 de agosto de 1960, como resultado da condenação de ações de Trujillo, pela Organização dos Estados Americanos.

    Logo depois, em 25 de novembro de 1960, as irmãs foram assassinadas na volta de uma visita a seus maridos na prisão. Vítimas de uma emboscada, foram levadas para um canavial e apunhaladas e estranguladas até a morte, junto com o motorista que conduzia o veículo em que estavam. Trujillo acreditou que havia eliminado um grande problema, mas a morte das irmãs Mirabal causou uma grande comoção no país e levou o povo dominicano a se somar na luta pelos ideais democráticos das Mariposas. O assassinato das irmãs levou a protestos em massa e contribuiu para a queda do regime de Trujill em 1961.

    Em 1995, a escritora dominicana Julia Álvarez publicou o livro No Tempo das Borboletas, baseada na vida de Las Mariposas, e que em 2001 se tornou um filme.

    A sua história é também recordada no livro A Festa do Bode, do peruano Mario Vargas Llosa.

    No Primeiro Encontro Feminista Latino-Americano e Caribenho de 1981, realizado em Bogotá, Colômbia, a data do assassinato das irmãs Patria Mercedes Mirabal (27 de fevereiro de 1924 — 25 de novembro de 1960), Minerva Argentina Mirabal (12 de março de 1926 — 25 de novembro de 1960) e Antonia María Teresa Mirabal (15 de outubro de 1936 — 25 de novembro de 1960) foi proposta pelas feministas para ser o dia Latino-Americano e Caribenho de luta contra a violência à mulher.

    A Fundación Hermanas Mirabal, fundada em 12 de novembro de 1992 com o objetivo de imortalizar Las Mariposas, cria a Casa Museo Hermanas Mirabal em 8 de dezembro de 1994. O Museo Hermanas Mirabal, mantido e gerido pela irmã sobrevivente, Dede, está localizado na cidade de Conuco, Província da República Dominicana Salcedo. Esta é a casa onde as irmãs Mirabal viveram seus últimos 10 meses, e mantém intacta a decoração e pertences das irmãs antes de seu assassinato.

    Em 17 de dezembro de 1999, a Assembleia Geral das Nações Unidas declarou que 25 de novembro é o Dia Internacional da não Violência contra a Mulher, em homenagem ao sacrifício de Las Mariposas.

    A província onde as irmãs nasceram, Ojo de Agua, foi rebatizada de Hermanas Mirabal em homenagem a essas três mulheres, que dedicaram grande parte de suas vidas, desde muito jovens, a lutar pela liberdade política de seu país.

    Texto: Mara L. Baraúna

    Foto: Museo Memorial de la Resistencia Dominicana

     
  • SNIEAB 10:13 on 29/11/2018 Permalink | Responder
    Tags: , Thursdays in Black   

    QUINTA-FEIRA, VISTA PRETO!!! 

    Em todos os países, a violência baseada no gênero é uma realidade trágica. Essa violência é frequentemente escondida, e as vítimas são muitas vezes silenciadas, temendo o estigma e mais violência. Todos nós temos a responsabilidade de falar contra a violência, para garantir que mulheres e homens, meninos e meninas, estejam protegidos contra estupro e violência em casas, escolas, trabalho, ruas – em todos os lugares em nossas sociedades.

    Quintas-feiras em preto: resistência e resiliência

    A campanha é simples, mas profunda. Use preto às quintas-feiras. Use um distintivo para declarar que você faz parte do movimento global que resiste a atitudes e práticas que permitem o estupro e a violência. Mostre seu respeito pelas mulheres que são resilientes diante da injustiça e da violência. Incentive os outros a se juntarem a você. Muitas vezes o preto tem sido usado com conotações raciais negativas. Nesta campanha, o preto é usado como uma cor de resistência e resiliência.

    O que é a Campanha  quinta-feira  de preto?

    As Quintas de Preto surgiram da Década das Igrejas de Solidariedade com as Mulheres (1988-1998) do Conselho Mundial de Igrejas, em que as histórias de estupro como arma de guerra, injustiça de gênero, abuso, violência e muitas tragédias que cresceram onde violência se tornou ainda mais visível. Mas o que também se tornou visível foi a resiliência, e os esforços pessoais das mulheres para resistir a tais violações.

    A campanha foi inspirada por:

    • As Mães dos Desaparecidos em Buenos Aires, Argentina, que às quintas-feiras protestaram na Plaza de Mayo, contra o desaparecimento de seus filhos durante a violenta ditadura.

    • As mulheres de preto em Israel e na Palestina, que até agora protestam contra a guerra e a violência.

    • Mulheres em Ruanda e Bósnia que protestavam contra o uso de estupro como arma de guerra durante o genocídio.

    • Movimento da Faixa Negra na África do Sul, protestando contra o apartheid e seu uso de violência contra os negros.

    Participe desse movimento de pessoas e organizações e façamos  a diferença para indivíduos, comunidades e fóruns políticos nacionais e internacionais.

    Texto: CMI

     
  • SNIEAB 11:40 on 28/11/2018 Permalink | Responder
    Tags: Carmen Regina, Latino Ministries, Latinos Episcopales, Ministerio Latino   

    Algumas palavras sobre KOINONIA TRAINING – MIAMI 6 A 10/11 

    MINISTÉRIO DA IGREJA EPISCOPAL #LATINO KOINONIA

    #Como iniciar uma nova comunidade #Reimplantando Igrejas!

    O treinamento Koinonia que aconteceu em Miami, sob a coordenação de Anthony Guillen, Ministério Hispânico, foi um espaço de aprendizagem, de partilha de experiências, crescimento na fé e principalmente de  novas perspectivas para desenvolver processos de criar novas comunidades e desafiar para a renovação daquelas que já existem, mas que necessitam de novas estratégias para construir juntos caminhos de compaixão, transformação, serviço, empoderamento e autonomia.

    Aprender a aprender foi o FOCO de todos os painéis, trazendo o sentido do que o movimento de Jesus pode fazer na vida das comunidades. Cada um dos participantes de diversos países da América Latina, integrantes da 9ª Província, Episcopal Church e Brasil tiveram a oportunidade de partilhar sua realidade, suas potencialidades e as expectativas para o avanço e crescimento da Missão de Deus.


    Participei do PAINEL sobre a Minha experiência pessoal na Missão e a realidade da IEAB nos desafios de implantação de igrejas e as práticas de SERVIÇO e INSERÇÃO PÚBLICA no contexto atual do Brasil.  Como sensibilização em minha fala para o empoderamento de lideranças, desafiei os participantes a construírem com arte, um presente para um dos participantes.  Desafio aceito, e a alegria na interação foi contagiante!


    Cada um trouxe para o momento o seu melhor na prática de CONHECER a comunidade, seu entorno, suas dificuldades, seus desejos, e principalmente a humildade de começar ou recomeçar, construindo algo para o aprendizado pessoal, a sobrevivência, a sustentabilidade, a MORDOMIA e RELAÇÕES entre as pessoas, tendo como inspiração o desafio de ser uma igreja Missionária sem ser assistencialista, com projetos de serviço, de cuidado  e compaixão, a LUZ de CRISTO.

    #Latinosepiscopales

    Texto e Fotos: Carmen Regina Duarte – DAPAR

     
  • SNIEAB 10:14 on 28/11/2018 Permalink | Responder
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    RELATO 3 – 16 DIAS DE ATIVISMO PELO FIM DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER 

    A Campanha dos 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres é uma mobilização mundial anual que envolve cerca de 160 países, o Brasil ingressou nesta mobilização em 2003, essa é uma mobilização extremamente importante porque reúne diversos atores sociais e vários segmentos no enfrentamento à violência de gênero. Em outras partes do mundo a Campanha se inicia em 25 de novembro, Dia Internacional da Não Violência contra as Mulheres, e vai até 10 de dezembro, o Dia Internacional dos Direitos Humanos, mas no Brasil, para destacar a dupla discriminação vivida pelas mulheres negras, as atividades iniciam no dia 20 de novembro (Dia Nacional da Consciência Negra).

    A violência contra as mulheres é um fenômeno social multifacetado que atinge mulheres das mais variadas classes sociais, de diversas faixas etárias, com diversas escolaridades, em áreas urbanas e rurais, e de todas as tradições religiosas. É considerada violência de gênero aquela que é exercida de um sexo sobre o sexo oposto. Em geral, o conceito refere-se à violência contra a mulher, essa violência é fruto de um comportamento deliberado e consciente, e pode ser física, sexual, psicológica, moral, religiosa, econômica e/ou patrimonial e institucional. A violência de gênero também pode incluir as agressões físicas e psíquicas que uma mulher possa exercer sobre um homem. Mas o fato é que em todo o mundo, a esmagadora maioria das vítimas de violência de gênero são mulheres e crianças, sendo também elas as vítimas das formas mais agressivas de violência.

    A violência de gênero ocorre quando o autor desta violência acredita que o seu abuso/agressão é aceitável, justificado ou improvável de ser punido. Esta violência pode dar origem a ciclos de abuso/agressão intergeracionais, criando a imagem nas crianças e demais membros de uma família que o abuso/agressão é aceitável. Neste contexto é provável que poucas pessoas sejam capazes de se reconhecer no papel de abusadoras/agressoras ou vítimas, uma vez que a violência é considerada como algo normal, ou ainda como simples descontrole emocional.

    Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a violência é a maior causa de morte de mulheres entre 16 e 44 anos, outro dado aterrorizante é que a OMS também confirma que pelo uma em cada três mulheres já sofreu violência, e que 70% dessas mulheres sofreram violência dentro de casa, tornando a Violência Gênero uma epidemia mundial. Segundo dados da Fundação Perseu Abramo 4 mulheres são espancadas por minuto no Brasil. E, segundo dados publicados em 2015, treze mulheres são assassinadas por dia em nosso país, fazendo com que o Brasil ocupe a 5ª posição no ranking mundial de assassinatos de mulheres. Essa taxa só é maior em El Salvador, na Colômbia, na Guatemala e na Rússia e o detalhe assustador é que a maioria desses crimes foi cometida por alguém da própria família.

    Meu primeiro contato com esse tema veio através do Serviço Anglicano de Diaconia e Desenvolvimento (SADD) que no ano de 2013 lançou a cartilha de Prevenção e Enfrentamento à Violência Doméstica contra as Mulheres e que corajosamente conduziu a IEAB numa caminhada de discussão, mas mais do que isso, nos fez abrir os olhos, os ouvidos, e ampliar nossa percepção desta cruel realidade que viola os direitos humanos das mulheres, através de encontros de formação, sensibilização e capacitação em todas as áreas pastorais e dioceses de nossa Província.

    Hoje estamos mais qualificadas(os) para esse enfrentamento, mas talvez algumas pessoas entre nós ainda pensem que, porque fazemos parte de uma Igreja, estamos imunes à violência e gênero, afinal entre pessoas cristãs reina a paz e a harmonia. A verdade, no entanto, é que essa realidade idealizada não existe e não estamos imunes. A violência contra as mulheres não é mito, não é exagero, não é “mimimi”. Ela está mais perto do que supomos, pode se infiltrar em nossas estruturas, e certamente pessoas que conhecemos e com as quais convivemos podem estar sofrendo violência neste exato instante, e por isso mesmo ela precisa ser apontada, denunciada, e responsabilizada. É nossa tarefa como Igreja assumir um papel de protagonismo nas ações de enfrentamento à violência de gênero, buscar que políticas públicas de erradicação da violência sejam implementadas, denunciar o patriarcalismo e o machismo na sociedade e na própria Igreja, e abrir espaços seguros de diálogo e acolhida para as mulheres e crianças vítimas deste pecado hediondo, não basta falar é necessário agir, e o engajamento da IEAB nos 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres é parte importante de nossa ação como anglicanas e anglicanos, na vivência de nossos votos batismais que nos conclamam a “transformar as estruturas injustas da sociedade, desafiando toda a sorte de violência, respeitando a dignidade de toda a pessoa humana”. (LOC pág. 555).

    Texto: Bispa Marinez Rosa dos Santos Bassotto – Diocese Anglicana da Amazônia

     
  • SNIEAB 9:55 on 28/11/2018 Permalink | Responder
    Tags: , , Encontro Regional de Primazes, ,   

    Líderes anglicanos das Américas se reúnem em Toronto para o encontro regional de Primazes 

    Os líderes de oito províncias anglicanas cujas igrejas cobrem os territórios de Cabo Horn ao Ártico estão se reunindo em Toronto (Canadá) para um encontro regional de primazes. Sete Primazes e um Bispo representante da Igreja da Província das Índias Ocidentais, onde no momento há uma vacância de primazia, estão reunidos para discutir a Conferência de Lambeth 2020 e outras questões, incluindo os instrumentos de diálogo e das mais diversas realidades regionais da Comunhão Anglicana no Continente Americano.

    O encontro reúne o Bispo Primaz Naudal Alves Gomes da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil; O arcebispo Julio Murray Thompson, da Igreja Anglicana da América Central; Primaz Bispo Francisco Moreno da Igreja Anglicana do México; Bispo Greg Venables, presidente da Igreja Anglicana da América do Sul; Bispo Michael Curry, presidente da Igreja Episcopal dos EUA; O arcebispo Tito Zavala, da Igreja Anglicana do Chile; e o anfitrião da reunião, o Arcebispo Fred Hiltz, da Igreja Anglicana do Canadá. O Bispo das Ilhas de Barlavento, Leopold Friday, representou a Igreja da Província das Índias Ocidentais.

    Também estão presentes o Arcebispo de Canterbury, Justin Welby, o Secretário Geral da Comunhão Anglicana, Dr. Josiah Idowu-Fearon, e o Chefe Executivo da Conferência de Lambeth, Phil George.

    Texto e Foto: ACNS

     
  • SNIEAB 14:55 on 27/11/2018 Permalink | Responder
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    RELATO 2 – 16 DIAS DE ATIVISMO PELO FIM DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER 

    O interesse inicial pela temática da violência contra mulheres e meninas emergiu a partir de uma prática clínica com adolescentes e famílias na década de 1990, literalmente no século passado. Precisamente em 1999, a convite de uma colega, fui trabalhar numa organização não governamental, em Olinda-PE, que tinha um recorte específico de atendimento sociopedagógico e psicológico a mulheres e meninas em situação de violências.

    Quando nos confrontamos com as particularidades da clínica para pessoas em situação de violência de gênero, compreendemos que a universidade não havia incluído em seu currículo as especificidades dessas intervenções. Tal situação nos fez buscar aprimoramento, através de especializações, para fazermos frente a demanda exigida por esses atendimentos. Concomitantemente, recorremos a supervisão dos casos para fortalecer o desempenho do papel profissional.

    Os primeiros casos eram de meninas, adolescentes e jovens, que traziam em suas falas as violências sofridas no contexto doméstico e familiar. Em seguida, apareceram alguns casos envolvendo meninos, que geralmente não são tão evidentes quanto as meninas, devido ao próprio contexto cultural. Os meninos atendidos também demonstraram em seus relatos os traços das violências física, psicológica e sexual que marcavam seu cotidiano. As violências que até então conhecíamos apenas por meio de filmes, livros e jornais, agora estavam diante de nossos olhos e ouvidos, tinham cor, endereço, nome e corpo.

    Recordamos um caso, muito particular, de uma adolescente, em torno de dezenove anos que trazia o sofrimento marcado no corpo e em sua fala sobre abuso sexual dela e de sua filha de dois anos de idade. Durante o processo psicoterapêutico foi revelado que o pai havia abusado psicológica e sexualmente da filha e da neta. O silêncio estava sendo rompido graças a essa jovem que buscou apoio na organização não governamental e encontrou um espaço de acolhimento.


    Outro caso emblemático foi uma história familiar, onde o avô, “patriarca” dessa família, cometeu violência psicológica, física e sexual contra os filhos, filhas, netas e um bisneto. Nesse caso o autor da violência era pastor de uma igreja evangélica da Região Metropolitana de Recife.

    Ampliamos a escuta e começamos a ouvir os familiares, as mães principalmente, os pais não apareceram, então, passamos a ouvir as mulheres, que externavam seus sentimentos e suas dores, em função da situação de violência doméstica e da vulnerabilidade social em que viviam.

    As falas das adolescentes e das mulheres, que expressavam o desejo de não continuar vivendo essa situação de violência, suscitaram em mim indagações que me fizeram recorrer a literatura relacionada com a violência doméstica e de gênero em busca de respostas. Frente a tais inquietações, procurei, através de minha pesquisa para o mestrado, responder ao questionamento: é possível que essas pessoas rompam com a violência na família?

    As mulheres e as meninas sinalizaram em suas experiências que o processo de ruptura das violências inicia a partir da quebra do pacto do silêncio, do refazer dos vínculos de afetos. Consideraram ainda a experiência religiosa e o convívio com os irmãos e irmãs, membros de suas comunidades de fé, um elemento facilitador para o processo de ruptura.

    Diante do atual cenário político e social, que se configura como um tempo de resistência, outras perguntas têm surgido no “fazer dessa clínica”, na qual as pessoas são convidadas a protagonizarem suas dores, sofrimentos e exclusões, reescrevendo suas histórias.  Através da fala de Ruben Alves, temos aprendido com essas mulheres, meninas e meninos que “quando a gente abre os olhos, abrem-se as janelas do corpo, e o mundo aparece refletido dentro da gente”.

    Texto: Ilcélia Soares – Diocese Anglicana do Recife

     
  • SNIEAB 9:02 on 26/11/2018 Permalink | Responder
    Tags: , Revda. Dilce. SADD   

    16 DIAS DE ATIVISMO PELO FIM DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER 

    Ao final deste dia 25 de novembro reservado para lembrar situações tão tristes de violência contra a mulher e escolhido para ser o início de 16 dias de luta pelo fim desta violência, desafiada pela Secretária Geral, convido outras mulheres, uma a cada dia, escrever algo sobre  esta triste situação. Não precisa ser um grande texto, nem um tratado teológico, filosófico ou sociológico. Não temos a pretensão de restringir as publicações somente as doutoras e mestras da Igreja, mas qualquer mulher que queira contribuir com um testemunho, um desabafo, um relato, uma reflexão. Estas  produções serão  diariamente divulgadas no SNIEAB e podem ser partilhados em nossas redes sociais. É uma pequena iniciativa que no próximo ano, preparada com mais tempo, talvez possa se transformar em ações concretas. Mas o essencial e impreterível é que sejam falas de mulheres.


    Aceitei o desafio, mas tive muita dificuldade em começar a escrever, não porque não tenha o que dizer, mas pelo temor de me exceder nas palavras. Penso que a maturidade e os absurdos dos tempos que vivemos tem me tornado cada vez mais crítica diante da violência contra mulheres. Estes 16 dias de ativismo ainda conhecido por tão poucas pessoas vem tentar nos tirar da apatia em que fomos colocadas ao longo dos anos. Mulheres da minha geração, com uma outra formação e influência cultural, própria da sociedade machista e patriarcal na qual fomos geradas e criadas temos alguma dificuldade  para perceber o quanto fomos levadas a aceitar certas situações como normais, muitas vezes sem sequer perceber a violência sofrida. Fomos nos acostumando a sermos vistas como menores e mais fracas, incapazes de certos lugares e postos, dependentes, frágeis, e o mais triste que esses conceitos são repetidos por mulheres em relação às mulheres numa falta de reconhecimento mútuo, onde não se percebe que quando diminuímos uma mulher também nos diminuímos um pouco.  A sutileza da violência torna-a aceitável e nos aliena da realidade da sua voracidade e destruição.

    Vamos fazer ouvir nossa voz, vamos partilhar nossas dores, frustrações, tristezas e decepções e denunciar as violências que temos sofrido na sociedade ou testemunhamos nas nossas comunidades.

    Texto: Revda. Dilce Paiva de Oliveira – Coordenadora do SADD


     
  • SNIEAB 9:39 on 22/11/2018 Permalink | Responder
    Tags: , , língua portuguesa,   

    Dia da Rede Lusófona da Comunhão Anglicana – Festa de Cristo Rei (25/11/2018) 

    Em novembro do ano passado foi realizado na Cidade do Porto, em Portugal, o III Encontro da Rede Lusófona da Comunhão Anglicana, que possui representações de Angola, Brasil, Moçambique e Portugal, países de mesma língua e que também possuem membresia anglicana e episcopal. Neste último encontro, foi definido que dia 25 de Novembro de 2018 – Festa de Cristo Rei, será celebrado o Dia da Rede Lusófona, primeira oportunidade para que as dioceses desses países possam celebrar em conjunto.


    Para isso, a Igreja Lusitana dispõe de um recurso litúrgico para que as comunidades possam orar em rede, nesse mesmo propósito.

    Link para download >>> Orações para o Dia da Rede Lusófona da Comunhão Anglicana

    Quer saber mais sobre a Rede Lusófona da Comunhão Anglicana? Acesse o site e a página oficial do Facebook !

    Foto: RLCA

    Texto: SNIEAB

     
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