Sobre esperar e esperançar – conclusão da Campanha da IEAB dos 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres 

Nestes 16 dias de Ativismo pelo fim da Violência contra as Mulheres, estivemos postando textos e relatos produzidos por  mulheres líderes de diversos lugares de nossa IEAB. Foram muito interessantes e desafiadores esses textos, escritos por elas. Chamou-nos atenção também o número de visualizações e partilhas dos textos, assim nosso objetivo foi atingido e nos comprometemos ainda mais a continuar trazendo temas tão importantes como este a reflexão em nossa Igreja.

Hoje postamos o último texto, para esta Campanha, e foi escrito por nossa mais nova Presbítera da IEAB, a Revda Bianca Daébs, clériga da Diocese Anglicana de Recife. Uma mulher ativista na luta por direitos de todas as pessoas e especialmente pela população feminina. Nosso agradecimento a todas, que dispuseram seu tempo a escrever e nos trazer textos comprometidos pela causa, continuamos juntas e “e se ferirem nossa existência, seremos resistência!”.

Secretaria Geral da IEAB

Sobre esperar e esperançar

Por; Bianca Daébs[1]

Estamos vivendo em nossas comunidades o período do Advento, momento em que nos preparamos para celebrar o nascimento de Jesus, mas também, para refletir sobre o seu significado.

O nascimento de uma criança dá ao mundo uma nova chance de recomeçar, por isso, a natividade de Jesus representa a novidade de vida, possibilidade de mudança e a ação que transforma a espera alegre na ação de esperançar.

Esperançar, significa colocar em prática a esperança que o advento nos trouxe para a construção de um mundo melhor, mais justo, acolhedor e afetuoso. Desse modo, colocamos nosso amor em movimento e somos motivadas e motivados a viver em novidade de vida e não nos conformarmos com as estruturas injustas deste mundo, mas transforma-las através da coragem e do amor que nos move.

É por causa do compromisso de vivermos o advento como uma novidade de vida que igrejas da comunhão anglicana em muitos lugares do mundo se engajaram na campanha dos “16 dias de ativismo contra a violência de gênero” que tem como objetivo combater a violência contra as mulheres e meninas.

Nesse período em que o advento acolhe a esperança e as preces dessas mulheres e meninas de não serem mais violentadas por um sistema patriarcal injusto e também por seus companheiros que, de muitos modos, materializam essas violências em seus corpos e almas, podemos nos perguntar: como ensinar o nosso povo a esperançar diante de situações tão dolorosas como essas?

Certamente não existe apenas uma resposta para esta pergunta pois existem pessoas no mundo inteiro se conectando para fazer o bem, todavia, faremos aqui menção a três passos que podem contribuir para ajudar nossas comunidades a esperançar!

Nosso primeiro passo consiste no exercício de nossa espiritualidade, nossas orações e reflexões tem o objetivo de fortalecer nosso espírito, nos trazer sabedoria e discernimento, e transformar nossos medos em coragem!

O segundo passo consiste na partilha dos nossos sonhos de construir um mundo mais justo. É o tempo de dividir com nossas comunidades o desafio do acolhimento, de torná-las locais seguros para o acolhimento de mulheres, meninas e de quem mais precisar e desejar ser amada, respeitada e tratada com dignidade. Isto exige de nós coragem, sabedoria e fé!

Fortalecidas e alimentadas espiritualmente podemos dar o terceiro passo que consiste em nos engajarmos socialmente na construção de um mundo mais equânime. Para tanto, precisamos sair dos espaços privilegiados e seguros de nossas paróquias para ser uma voz Profética em nossa sociedade, ocupar os espaços públicos e colocar o tema da violência praticada contra mulheres e meninas nas pautas das políticas públicas de nossos municípios, estados e país.

Desse modo, seremos agentes da graça do evangelho que cremos, vivemos e pregamos, levando a esperança do advento que nos conduz a construção de um mundo de justiça e paz!

Que a Ruah Divina siga nos protegendo e inspirando todos os dias!



[1] Bianca Daébs é reverenda atuando como ministra auxiliar na Paróquia Anglicana do Bom Pastor, em Salvador – Bahia.