Em busca de nossos Direitos 

Muito se fala sobre direitos e deveres nos dias atuais. Na escola aprendemos os direitos e deveres que devemos ter para uma boa convivência com outras pessoas, mas nem sempre se consegue cumprir os mesmos e daí “não dá nada” como dizem os adolescentes.

No próximo dia 10 de dezembro, a Declaração Universal dos Direitos Humanos completa 70 anos. Com certeza foi um grande avanço para a proteção à vida humana. No seu primeiro artigo diz o seguinte: “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade”.

Já a Constituição Federal de 1988, nos fala no seu artigo terceiro: “Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: I – construir uma sociedade livre, justa e solidária; II – garantir o desenvolvimento nacional; III – erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; IV – promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação” e no artigo quinto: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade”.

Por que trazer para nossa reflexão a Declaração dos Direitos Humanos e a Constituição Federal de 1988? Trazemos na intenção de enfatizar que há muito tempo temos direitos garantidos por lei que não são cumpridos. Ainda existe muita discriminação e preconceito. Ainda existe muita violação pelo direito à vida. Se observarmos os noticiários nos deparamos com muitas formas de violência contra as crianças, mulheres, LGBTIs, idosos e até mesmo homens, mas com mais frequência a violência doméstica, muitas vezes silenciada e não divulgada pela mídia.

Estamos em constante busca pelos nossos Direitos. Como dissemos acima, muitas mulheres perdem a coragem de denunciar a violência a qual estão sofrendo por medo de maiores represálias dos agressores, que em geral são seus companheiros. Falta mais apoio da sociedade para discutir e estar junto às mulheres que sofrem com a violência.

Logo pensamos em violência física, mas quantas mulheres sofrem diariamente violência verbal ou assédio moral e muitas se sujeitam a essa situação porque precisam do trabalho ou são dependentes de seus companheiros. A lei é clara quando diz que toda pessoa é igual e possui os mesmos direitos, mas quantas vezes vemos as mulheres sendo menos privilegiadas em relação aos homens tendo que submeter a coisas que não queriam ou deveriam se submeter?

Devemos acreditar que o nosso país ainda pode vencer essa violação aos direitos das mulheres e que as mesmas possam ter coragem para denunciar as opressões que vivem diariamente. Para concluir, o Pastor Henrique Vieira no programa “Amor e Sexo”, da Rede Globo, que falava sobre Felicidade emocionou as pessoas com a “Oração da Felicidade”, a qual está transcrita a seguir:

“Que todas as crenças religiosas sejam respeitadas e até mesmo a não crença religiosa

Que possamos comungar na crença da humanidade e da diversidade, do bem comum

Que seja declarada justa toda forma de amor

Que nenhuma mulher seja alvo do machismo estrutural

Que a juventude negra não seja alvo do extermínio

Que Marias Eduardas não sejam assassinadas dentro da escola

Que Marquinhos da Maré não sejam assassinados indo para a escola

Que Marielles possam chegar em segurança nas suas próprias casas

Que todo agricultor tenha uma terra para plantar

Que todo sem teto tenha uma casa para morar

Que os indígenas sejam respeitados nas suas crenças

Que as fronteiras acabem e as armas caiam no chão

Que a felicidade venha sobre nós, respeitando toda a dor e consolando toda a lágrima

Porque felicidade de verdade só é possível sob a benção da comunhão

Amém

Axé

E o que de mais universal existe

Amor”.

Que possamos pedir a Deus orientação para lutarmos contra todas as formas de violência, em especial nestes 16 dias de ativismo para que todas as mulheres sintam o amor de Deus e tenham coragem de procurar ajuda, mas que também possamos lembrar de todas as pessoas que sofrem com o preconceito e a discriminação para que sejam respeitadas do jeito que são.

Texto: Carmen Andréa Blaas Rodrigues – Diocese Anglicana de Pelotas