Nossa força, nosso grito

Falar sobre violência contra a mulher nos diferentes contextos da vida cotidiana tem sido cada vez mais importante e cada vez mais difícil nos últimos tempos. A relevância deste tema atinge a todas as pessoas, independente do gênero, mexe com estruturas, toca em feridas e desacomoda quem está acostumado ao sistema patriarcal em que vivemos.

É hora de cessar o silêncio com um grito de “Basta!” para todo e qualquer tipo de agressão, seja ela física, psicológica, simbólica etc. Entretanto, durante o processo de discussão sobre gênero na igreja, foi possível reconhecer alguns obstáculos na busca da construção de um mundo mais igualitário.

Um destes grandes obstáculos foi o não reconhecimento das violências existentes. Grande parte das pessoas não consegue ou não quer identificar os reais problemas que envolvem as questões de gênero. Aqueles que possuem seus direitos respeitados, não admitem, muitas vezes seus privilégios, não conseguem olhar com empatia para as situações do dia-a-dia, acreditando, deste modo, que todas as outras pessoas têm as mesmas oportunidades e condições.

Os estudos sobre gênero perpassam uma reflexão profunda sobre o funcionamento da sociedade, suas classes, etnias, gêneros, contextos históricos e sociais, bem como a compreensão da subjetividade de cada indivíduo.  Ainda assim, nada disso é suficiente quando não se tem o principal mandamento de Cristo respeitado: “ama teu próximo como a ti mesmo”, este é o princípio da empatia e da solidariedade, o amor.

Quando somos capazes de amar as pessoas e refletir de fato sobre suas reais condições de vida e oportunidades, livre de preconceitos e discriminações, podemos ir além em nosso trabalho, fazendo de fato o que aquela pessoa necessita, pensa-se em cada detalhe do que fazer para que estas se sintam melhor. Escrevo isto lembrando-me de um manual simples que dava dicas aos homens sobre como fazer para que as mulheres não se sentissem constrangidas ou com medo no dia-a-dia, coisas como atravessar a rua ao invés de andar alguns passos atrás dela, não interromper sua fala, entre outros pequenos gestos.

A luta contra a violência começa com estes pequenos gestos de amor ao próximo. Colocar-se  disponível a novas posturas é de suma importância para redirecionar esta triste história de uma sociedade machista e patriarcal. O homem que se coloca ao nosso lado nesta luta, estando disposto mudar pequenas posturas e ser conosco denunciador de agressões é muito bem-vindo.

Porém, o grito é nosso! Nós, mulheres fortes e inconformadas, iremos fazer a real diferença. Precisamos nos unir nesta luta e não nos desanimar com estes que não reconhecem seus privilégios. “Não me vejo na palavra Fêmea: alvo de caça, conformada vítima. Prefiro queimar o mapa, traçar de novo a estrada, ver cores nas cinzas e a vida reinventar” (Francisco, El Hombre)

Vamos seguir lutando por um mundo melhor e mais igualitário, em que as diferenças de gênero não sejam usadas como opressão das mulheres, e nenhum tipo de violência seja tolerado.

Texto: Jessica Aline Leal da Rosa – Diocese Anglicana de Pelotas