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  • SNIEAB 11:07 on 10/12/2018 Permalink | Responder
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    Sobre esperar e esperançar – conclusão da Campanha da IEAB dos 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres 

    Nestes 16 dias de Ativismo pelo fim da Violência contra as Mulheres, estivemos postando textos e relatos produzidos por  mulheres líderes de diversos lugares de nossa IEAB. Foram muito interessantes e desafiadores esses textos, escritos por elas. Chamou-nos atenção também o número de visualizações e partilhas dos textos, assim nosso objetivo foi atingido e nos comprometemos ainda mais a continuar trazendo temas tão importantes como este a reflexão em nossa Igreja.

    Hoje postamos o último texto, para esta Campanha, e foi escrito por nossa mais nova Presbítera da IEAB, a Revda Bianca Daébs, clériga da Diocese Anglicana de Recife. Uma mulher ativista na luta por direitos de todas as pessoas e especialmente pela população feminina. Nosso agradecimento a todas, que dispuseram seu tempo a escrever e nos trazer textos comprometidos pela causa, continuamos juntas e “e se ferirem nossa existência, seremos resistência!”.

    Secretaria Geral da IEAB

    Sobre esperar e esperançar

    Por; Bianca Daébs[1]

    Estamos vivendo em nossas comunidades o período do Advento, momento em que nos preparamos para celebrar o nascimento de Jesus, mas também, para refletir sobre o seu significado.

    O nascimento de uma criança dá ao mundo uma nova chance de recomeçar, por isso, a natividade de Jesus representa a novidade de vida, possibilidade de mudança e a ação que transforma a espera alegre na ação de esperançar.

    Esperançar, significa colocar em prática a esperança que o advento nos trouxe para a construção de um mundo melhor, mais justo, acolhedor e afetuoso. Desse modo, colocamos nosso amor em movimento e somos motivadas e motivados a viver em novidade de vida e não nos conformarmos com as estruturas injustas deste mundo, mas transforma-las através da coragem e do amor que nos move.

    É por causa do compromisso de vivermos o advento como uma novidade de vida que igrejas da comunhão anglicana em muitos lugares do mundo se engajaram na campanha dos “16 dias de ativismo contra a violência de gênero” que tem como objetivo combater a violência contra as mulheres e meninas.

    Nesse período em que o advento acolhe a esperança e as preces dessas mulheres e meninas de não serem mais violentadas por um sistema patriarcal injusto e também por seus companheiros que, de muitos modos, materializam essas violências em seus corpos e almas, podemos nos perguntar: como ensinar o nosso povo a esperançar diante de situações tão dolorosas como essas?

    Certamente não existe apenas uma resposta para esta pergunta pois existem pessoas no mundo inteiro se conectando para fazer o bem, todavia, faremos aqui menção a três passos que podem contribuir para ajudar nossas comunidades a esperançar!

    Nosso primeiro passo consiste no exercício de nossa espiritualidade, nossas orações e reflexões tem o objetivo de fortalecer nosso espírito, nos trazer sabedoria e discernimento, e transformar nossos medos em coragem!

    O segundo passo consiste na partilha dos nossos sonhos de construir um mundo mais justo. É o tempo de dividir com nossas comunidades o desafio do acolhimento, de torná-las locais seguros para o acolhimento de mulheres, meninas e de quem mais precisar e desejar ser amada, respeitada e tratada com dignidade. Isto exige de nós coragem, sabedoria e fé!

    Fortalecidas e alimentadas espiritualmente podemos dar o terceiro passo que consiste em nos engajarmos socialmente na construção de um mundo mais equânime. Para tanto, precisamos sair dos espaços privilegiados e seguros de nossas paróquias para ser uma voz Profética em nossa sociedade, ocupar os espaços públicos e colocar o tema da violência praticada contra mulheres e meninas nas pautas das políticas públicas de nossos municípios, estados e país.

    Desse modo, seremos agentes da graça do evangelho que cremos, vivemos e pregamos, levando a esperança do advento que nos conduz a construção de um mundo de justiça e paz!

    Que a Ruah Divina siga nos protegendo e inspirando todos os dias!



    [1] Bianca Daébs é reverenda atuando como ministra auxiliar na Paróquia Anglicana do Bom Pastor, em Salvador – Bahia.

     
  • SNIEAB 10:23 on 09/12/2018 Permalink | Responder
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    DESCONSTRUINDO O SISTEMA DO PATRIARCADO 

    Falar dos 16 dias de ativismo pelo fim da violência contra as mulheres, é um momento doloroso. Por que doloroso? Porque é fazer memória de tantas violências cometidas contra nós mulheres: nossas mães, avós e muitas gerações antes de nós, que se quer poderiam falar, nem ao menos pensar ou saber, que isso era uma construção social de dominação de gênero.

    Mas não basta saber o que é violência de gênero, é necessário conhecer suas várias formas. É necessário perguntar pelas causas. Ivone Gebara faz estas perguntas “Por que nosso corpo de mulher se torna alvo dos desejos violentos, dos desejos de vinganças, de posse, de conquista e de exclusão?”

    Particularmente, me é difícil fazer memória, olhar para dentro de mim mesma e perceber que minha educação foi machista, como a de muitas de nós. Fui preparada para servir ao patriarcado. Fui criada para pensar e agir de maneira como a sociedade patriarcal pensa, age e elabora teorias. Venho de família com origem Italiana, segunda geração, essa origem agrava muito a discriminação e preconceito em relação à mulher. Dentro desta cultura preservada nos grupos desta etnia no Brasil, para o homem socialmente construído dentro do sistema patriarcal, toda liberdade de expressão, gestos, comportamentos, trabalho e poder do mando; para as mulheres, repressão, limitação em gestos, comportamento, modo de falar, em fim, obediência total.

    Escrevo isso para me expor? Não, claro que não! Escrevo para trazer à memória do quanto precisamos lutar para desconstruirmos em nós mesmas as atitudes machistas, patriarcalistas e sexistas que moram em nós. Muitas de nós ainda não percebemos, ou ainda não temos a consciência, não nos damos conta do quanto nossas ações e teorias estão carregadas de todos estes conceitos e preconceitos, que moram dentro de nosso ser, bem guardadinhos. Em nossas ações, reside ainda muito deste sistema. Precisamos desconstruir teorias milenares que foram introjetadas em nós de geração em geração. Minha mãe é culpada de ter educado suas filhas desta forma? Não, ela foi tão vítima tanto quanto nós somos. Minha mãe não teve nem a oportunidade de passar por essas reflexões de gêneros e construção de gênero! Por quebras de paradigmas de tantas irmãs nossas, à custa de muitos sofrimentos e até doando suas vidas, hoje podemos estar refletindo e desconstruindo conceitos e culturas de dominação.

    A ideia de que homens devem controlar a vida das mulheres está muito arraigada em nossa sociedade.

    A diferença biológica culturalizada gerou, de certa maneira, também uma diferença social e política, como também formas de dominação e formas de manutenção de uma hierarquia social e sexual masculina. Assim institucionalizada, a diferença obrigou as mulheres a assumir certos encargos e comportamentos, como fazendo parte do seu destino biológico. (Ivone Gebara, 2000, p.124)

    Se a normatização das diferenças biológicas foram se construindo e se tornando padrões de comportamento e hierarquia, gerando desigualdades e gerando violências, estas relações podem ser descontruídas, e é necessário que as desconstruamos. Como vamos fazer isso? Construindo novas relações, não na ingenuidade. Será necessário ainda muitas lutas e parcerias, não permitindo que este modelo construído continue. Precisamos ser firmes, primeiro em nossas desconstruções e ações entre nós mulheres, sermos sororais em nossas relações, formar grupos de desconstruções do patriarcado, machismos, sexismos. Não podemos permitir, que por conta da força física, “homens joguem mulheres pela janela em um momento de fúria”. Exemplo de não sermos sorelas, mulheres irmãs, foi esta eleição. O Presidente eleito deu provas de ser um homem machista, sexista… mas muitas mulheres votaram nele, tanto que foi eleito presidente do País. Precisamos trazer, em parceria, homens sensíveis que já fizeram este processo de desconstrução do patriarcado, ou estão em processo, abertos a aprender novas relações; ou homens que foram educados de outra maneira, por mães que já haviam feito a desconstrução do patriarcado e caminhar como pessoas, independente de gêneros, buscando novo modelo de sociedade de iguais.

    Revda. Lucia Dal Pont – Diocese Anglicana do Paraná

     
  • SNIEAB 21:18 on 08/12/2018 Permalink | Responder
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    Em busca de nossos Direitos 

    Muito se fala sobre direitos e deveres nos dias atuais. Na escola aprendemos os direitos e deveres que devemos ter para uma boa convivência com outras pessoas, mas nem sempre se consegue cumprir os mesmos e daí “não dá nada” como dizem os adolescentes.

    No próximo dia 10 de dezembro, a Declaração Universal dos Direitos Humanos completa 70 anos. Com certeza foi um grande avanço para a proteção à vida humana. No seu primeiro artigo diz o seguinte: “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade”.

    Já a Constituição Federal de 1988, nos fala no seu artigo terceiro: “Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: I – construir uma sociedade livre, justa e solidária; II – garantir o desenvolvimento nacional; III – erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; IV – promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação” e no artigo quinto: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade”.

    Por que trazer para nossa reflexão a Declaração dos Direitos Humanos e a Constituição Federal de 1988? Trazemos na intenção de enfatizar que há muito tempo temos direitos garantidos por lei que não são cumpridos. Ainda existe muita discriminação e preconceito. Ainda existe muita violação pelo direito à vida. Se observarmos os noticiários nos deparamos com muitas formas de violência contra as crianças, mulheres, LGBTIs, idosos e até mesmo homens, mas com mais frequência a violência doméstica, muitas vezes silenciada e não divulgada pela mídia.

    Estamos em constante busca pelos nossos Direitos. Como dissemos acima, muitas mulheres perdem a coragem de denunciar a violência a qual estão sofrendo por medo de maiores represálias dos agressores, que em geral são seus companheiros. Falta mais apoio da sociedade para discutir e estar junto às mulheres que sofrem com a violência.

    Logo pensamos em violência física, mas quantas mulheres sofrem diariamente violência verbal ou assédio moral e muitas se sujeitam a essa situação porque precisam do trabalho ou são dependentes de seus companheiros. A lei é clara quando diz que toda pessoa é igual e possui os mesmos direitos, mas quantas vezes vemos as mulheres sendo menos privilegiadas em relação aos homens tendo que submeter a coisas que não queriam ou deveriam se submeter?

    Devemos acreditar que o nosso país ainda pode vencer essa violação aos direitos das mulheres e que as mesmas possam ter coragem para denunciar as opressões que vivem diariamente. Para concluir, o Pastor Henrique Vieira no programa “Amor e Sexo”, da Rede Globo, que falava sobre Felicidade emocionou as pessoas com a “Oração da Felicidade”, a qual está transcrita a seguir:

    “Que todas as crenças religiosas sejam respeitadas e até mesmo a não crença religiosa

    Que possamos comungar na crença da humanidade e da diversidade, do bem comum

    Que seja declarada justa toda forma de amor

    Que nenhuma mulher seja alvo do machismo estrutural

    Que a juventude negra não seja alvo do extermínio

    Que Marias Eduardas não sejam assassinadas dentro da escola

    Que Marquinhos da Maré não sejam assassinados indo para a escola

    Que Marielles possam chegar em segurança nas suas próprias casas

    Que todo agricultor tenha uma terra para plantar

    Que todo sem teto tenha uma casa para morar

    Que os indígenas sejam respeitados nas suas crenças

    Que as fronteiras acabem e as armas caiam no chão

    Que a felicidade venha sobre nós, respeitando toda a dor e consolando toda a lágrima

    Porque felicidade de verdade só é possível sob a benção da comunhão

    Amém

    Axé

    E o que de mais universal existe

    Amor”.

    Que possamos pedir a Deus orientação para lutarmos contra todas as formas de violência, em especial nestes 16 dias de ativismo para que todas as mulheres sintam o amor de Deus e tenham coragem de procurar ajuda, mas que também possamos lembrar de todas as pessoas que sofrem com o preconceito e a discriminação para que sejam respeitadas do jeito que são.

    Texto: Carmen Andréa Blaas Rodrigues – Diocese Anglicana de Pelotas

     
  • SNIEAB 9:14 on 07/12/2018 Permalink | Responder
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    11º Relato sobre os 16 dias de Ativismo pelo fim da Violência contra as Mulheres 

    Já ouvi de algumas pessoas, inclusive mulheres, que o movimento feminista não tem razão de ser nos dias de hoje, pois não vivemos mais nas mesmas condições de antigamente. Sim, é verdade que precisamos olhar para trás e aplaudir e celebrar as conquistas, mas é isso mesmo? Nós chegamos ao ponto em que mulheres não são tratadas com menos importância pelo simples fato de serem – pasmem – mulheres?

    Os dados aqui trazidos pelas autoras anteriores não apresentam novidade ou surpresa. Os índices de violência contra as mulheres estão em constante divulgação nas mídias sociais e imprensa como demonstrativos de uma sociedade global que, em parte, ainda olha para as mulheres de cima para baixo.

    Se é verdade que a violência contra a mulher, aquela infligida como crime de ódio, como forma de exteriorizar um preconceito enraizado, não está tão distante de nós, podendo acontecer dentro de nossas famílias, nas famílias vizinhas, e até mesmo nas nossas comunidades da Igreja, também é verdade que muitos não sabem e/ou não identificam a violência quando esta acontece.

    A cultura do “em briga de marido e mulher, não se mete a colher”, traz enraizado um conceito de que, dentro da relação matrimonial o homem é sujeito de direito e a mulher se submete a ele. Portanto, não cabe a nós, terceiros, intrometer-se na relação, pois está o homem em seu direito de fazer o que bem entende. É incrível, mas ainda hoje algumas pessoas acreditam nesse absurdo.

    Trazendo o foco da violência contra a mulher para o ambiente familiar, a Lei Maria da Penha, Lei n.º 11.340/2006, um importante passo dado pelo Estado Brasileiro no reconhecimento e proteção das mulheres, traz em seu artigo 1º, no caput, que (a Lei) “cria mecanismos para coibir e prevenir a violência doméstica e familiar contra a mulher(…); e dispõe sobre a criação dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher; e estabelece medidas de assistência e proteção às mulheres em situação de violência doméstica e familiar”. Em seu artigo 5º, o legislador traz as condutas configuradas como violência doméstica ou familiar, sendo elas: “qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial”.

    A Lei Maria da Penha, a criação das delegacias especializadas em atendimento às mulheres, a criação dos juizados especiais e a criação de abrigos no qual as mulheres podem permanecer com seus filhos e se afastarem da situação de violência, são instrumentos efetivos de proteção às mulheres que fazem parte de um longo percurso a ser percorrido.

    No ano de 2015, a Lei n.º 13.104 agregou ao tipo penal do homicídio, Art. 121 do Código Penal Brasileiro, a qualificadora do Feminicídio. Tal qualificadora traz a situação em que a morte de uma mulher se dá em razão da condição do sexo feminino, dito da forma mais simples possível, o assassinato de uma mulher pelo fato dela ser uma mulher. Ainda, dentro do referido artigo, em seu parágrafo 2º, considera-se que há razões de condição de sexo feminino quando o crime envolve: violência doméstica e familiar; menosprezo ou discriminação à condição de mulher.

    Estudiosas do feminismo no século XX que se debruçaram sobre o tema da violência contra a mulher, Diana E. H. Russel e Jill Radford usaram o termo Femicide, que aplicamos como Feminicídio, para caracterizar o fim do ciclo da violência contra a mulher com a morte resultante da violência causada contra ela por ser mulher. A ideia do Feminicídio é que ele não é um ato isolado, mas algo que foge ao crime passional, ou que de alguma forma possa ter sido provocado pela vítima, é a forma mais extrema de violência cometida contra a mulher em razão de seu gênero.

    Por ter uma característica tão particular, o Feminicídio não é a mesma coisa que o homicídio, e tão pouco fere o Princípio da Igualdade ao destacar um crime cometido contra as mulheres. É o reconhecimento por parte do Estado da existência da prática e necessidade de proteção das mulheres diante desta situação.

    O reconhecimento das conquistas já alcançadas é tão importante quanto a consciência das necessidades ainda existentes. Iniciativas como os 16 Dias de Ativismo Pelo Fim da Violência Contra as Mulheres, e outras campanhas semelhantes, devem ser estimuladas e amplamente divulgadas. A nossa participação como Igreja em tais movimentos é fundamental como parte que busca uma sociedade mais justa e segura para todas as pessoas que nela vivem.

    Texto: Paula de Mello Alves – Diocese Sul-Ocidental

     
  • SNIEAB 10:29 on 06/12/2018 Permalink | Responder
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    Mudar o foco, estratégia possível? 

    Penso ser muito importante a igreja integrar-se à campanha mundial dos 16 dias de ativismo pelo fim da violência contra mulheres. Sem dúvida, a religião é importante instituição de controle social, pois leva e reitera cotidianamente mensagens de paz, amor, cuidado – enfim de comportamentos socialmente aceitos. Porém, desafiada a escrever sobre o assunto, tive muitas dificuldades para decidir no que focar, já que o texto deveria ser curto. Quando tinha decidido sobre o que falar, eis que tive a atenção desviada por manchete da GZH, no lado direito da tela do meu computador: “Morre mulher esfaqueada dentro de ônibus em Porto Alegre”. São 9h28 min do dia 05.12.2018 e a notícia relata mais um crime que veio engrossar as tristes estatísticas sobre a violência contra a mulher no Brasil, onde as pesquisas oficiais apontam que uma a cada três brasileiras com 16 anos ou mais foi espancada, xingada, ameaçada, agarrada, perseguida, esfaqueada, empurrada ou chutada nos últimos 12 meses. Nosso País, infelizmente, está entre os cincos mais violentos do mundo neste campo de análise e o índice de Feminicídio é alarmante, com muitas mulheres sendo assassinadas a cada hora.

    A proposta da Coordenação do SADD prevê que devemos fazer ouvir nossa voz, partilhar nossas dores, frustrações, tristezas e decepções e denunciar as violências que temos sofrido na sociedade ou testemunhamos nas nossas comunidades. Tarefa muito difícil e, de certo ângulo de análise, utópica, pois a violência contra a mulher, regra geral, ocorre no seio da família. O agressor é “pessoa querida”, com quem a mulher mantém vínculo afetivo. Vigora no caso a lei do silêncio. A vergonha se sobrepõe ao grito de socorro. O medo enclausura. Silencia e mata também, aos poucos. Quando disse que a proposta de testemunho, desabafo, relato escrito é utópica, não o faço como crítica, porque sei que a utopia serve muito. Para quê?  Para que não se deixe de caminhar, como ensina o filósofo Eduardo Galeano. A propósito, a canção Utopia, de Zé Vicente, foi a canção-tema de um recente Festival de Música, o 16º Clave de Fé, na minha Paróquia, a Santíssima Trindade, em Pelotas. Nosso Festival é temático. O ano passado falamos de paz. Neste, de esperança. Ainda ouço os acordes e ouço a conclamação; Sim, vamos esperançar! Alegrai-vos, na esperança – Rm 12:12.

    Termino, voltando ao início. Mudar o foco, estratégia possível? Não há mais dúvidas, pois as estatísticas comprovam, que a violência contra a mulher faz parte de nosso cotidiano. Porém, os estudos, artigos, reflexões, estratégias de combate, em geral, emanam de grupos femininos. Sou de opinião que se deva mudar o foco. Pensar nos homens, dirigir-se para os homens. Conjugar verbos na voz ativa e não passiva!  Estamos reproduzindo estratégias (válidas, por óbvio, numa fase inicial) de chamar a atenção para as vítimas. Não seria o caso de voltar-se para os grupos dos responsáveis pela violência? Mulheres, não podemos também ser vítimas de nossas próprias estratégias! Qualquer proposta que vise reduzir esse tipo de violência deve incluir homens. Faço parte de uma Associação de Mulheres de Carreira Jurídica (ABMCJ). Por meio desta, ouvi falar de uma iniciativa vinda do Tribunal de Justiça de Goiás. Foram criados,  e os resultados são animadores, “Grupos reflexivos voltados a autores de violência doméstica”. Não seria o caso de criarmos, ou indicarmos, grupos reflexivos de homens para estudar o assunto? Repito, precisamos usar a voz ativa! Quem sabe poderia, por eles próprios, ser preparada uma lista de pequenas coisas que os homens podem fazer para diminuir a violência doméstica? E nosso Clero, já pensou como tratar esse assunto no âmbito da Confissão? Qual a recomendação da Câmara Episcopal? Mudar o foco, é uma estratégia possível?

    Texto: Ceres da Silva Meireles – Diocese Anglicana de Pelotas

     
  • SNIEAB 9:25 on 05/12/2018 Permalink | Responder
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    Relato 9 – Campanha dos 16 dias de Ativismo pelo fim da Violência contra as Mulheres 

    Dia 25 de novembro iniciou a campanha mundial dos 16 dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres, no Congresso Nacional,  foi marcada com a leitura do novo relatório do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc), onde  mostra que todos os dias, 137 mulheres no mundo são mortas pelas pessoas mais próximas: os próprios companheiros e membros da família. Senadores e senadoras falaram sobre o desafio de mudar esse tipo de estatística.

    — O que vem nos dar o documento da ONU? A constatação de que a violência contra as mulheres — e destacadamente a violência doméstica contra as mulheres — não é um “mimimi”, mas sim um fenômeno mundial que desperta a atenção do Estado, em todo o mundo, para a elaboração de leis e políticas públicas capazes de dar conta de uma violência evitável, localizada e plenamente combatível — disse a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), procuradora especial da Mulher do Senado.

    O relatório Estudo Global de Homicídios: Feminicídio de Mulheres e Meninas foi divulgado no domingo (25), Dia Internacional da Não Violência contra a Mulher. De acordo com o relatório, o feminicídio, homicídio de mulheres especificamente relacionado ao gênero, continua a ser um grave problema em todo o mundo. Apesar de haver mais homens assassinados, esses homicídios são praticados por desconhecidos, diferentemente do que ocorre com as mulheres.

    “Enquanto a ampla maioria das vítimas de homicídio é de homens assassinados por estranhos, as mulheres têm muito mais probabilidade de morrer pelas mãos de conhecidos. Mulheres mortas por parceiros íntimos ou membros da família representam 58% de todas as vítimas de homicídio do sexo feminino registradas globalmente no último ano”, diz o texto.

    Números

    Esse índice, registrado em 2017, mostra um aumento expressivo com relação a 2012, quando o percentual de mulheres mortas intencionalmente por parceiros ou membros de família foi de 47% do total das mulheres vítimas de homicídio. Apesar de o maior número absoluto (20 mil casos) ter sido registrado na Ásia, o percentual relativo é maior na África, onde, segundo o relatório, as mulheres têm o maior risco de serem mortas por pessoas próximas. Lá o índice é de 3,1 casos a cada 100 mil mulheres. O continente americano ocupa a segunda pior posição no ranking, com índice de 1,6.

    O texto aponta que esses casos de homicídio de mulheres dentro da família estão, muitas vezes, ligados ao papel e status da mulher. Os feminicídios cometidos por companheiros, aponta o texto, geralmente não resultam de atos aleatórios ou espontâneos, mas sim de uma escalada de atos anteriores de violência relacionada ao gênero. Entre os motivos, o texto cita ciúme e medo de que a mulher termine a relação.

    Apesar dos números negativos, o relatório da Unodc traz relatos de iniciativas adotadas em várias partes do mundo e uma lista de países que implementaram uma legislação específica para definir e criminalizar o feminicídio. O Brasil está na lista, com a Lei Maria da Penha (Lei 11.340, de 2006) e a Lei do Feminicídio (Lei 13.104, de 2015).

    Mobilização

    Em todo o mundo, a campanha 16 dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres  iniciada no dia 25 de novembro e vai até 10 de dezembro, quando se comemora o Dia Internacional dos Direitos Humanos. No Brasil, de acordo com a Procuradoria Especial da Mulher do Senado, a campanha ocorre desde 2003 e é chamada 16+5 Dias de Ativismo, pois incorporou o Dia da Consciência Negra.

    Para Regina Sousa, o debate não pode incluir somente as mulheres. É preciso conscientizar os homens e incluí-los na mobilização para mudar uma concepção construída ao longo de séculos. A discussão nas escolas, com orientações às crianças, também é essencial na visão da senadora.

    Fonte: Agência Senado

     
  • SNIEAB 9:14 on 05/12/2018 Permalink | Responder
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    DAB: Vídeo sobre a Campanha dos 16 dias de Ativismo pelo fim da Violência contra as Mulheres 

    O Bispo Mauricio Andrade  – DAB, aderiu a Campanha dos 16 dias de Ativismo pelo fim da Violência contra as Mulheres!!!

    Organização: Diocese Anglicana de Brasília



     
  • SNIEAB 11:18 on 04/12/2018 Permalink | Responder
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    Nossa força, nosso grito 

    Falar sobre violência contra a mulher nos diferentes contextos da vida cotidiana tem sido cada vez mais importante e cada vez mais difícil nos últimos tempos. A relevância deste tema atinge a todas as pessoas, independente do gênero, mexe com estruturas, toca em feridas e desacomoda quem está acostumado ao sistema patriarcal em que vivemos.

    É hora de cessar o silêncio com um grito de “Basta!” para todo e qualquer tipo de agressão, seja ela física, psicológica, simbólica etc. Entretanto, durante o processo de discussão sobre gênero na igreja, foi possível reconhecer alguns obstáculos na busca da construção de um mundo mais igualitário.

    Um destes grandes obstáculos foi o não reconhecimento das violências existentes. Grande parte das pessoas não consegue ou não quer identificar os reais problemas que envolvem as questões de gênero. Aqueles que possuem seus direitos respeitados, não admitem, muitas vezes seus privilégios, não conseguem olhar com empatia para as situações do dia-a-dia, acreditando, deste modo, que todas as outras pessoas têm as mesmas oportunidades e condições.

    Os estudos sobre gênero perpassam uma reflexão profunda sobre o funcionamento da sociedade, suas classes, etnias, gêneros, contextos históricos e sociais, bem como a compreensão da subjetividade de cada indivíduo.  Ainda assim, nada disso é suficiente quando não se tem o principal mandamento de Cristo respeitado: “ama teu próximo como a ti mesmo”, este é o princípio da empatia e da solidariedade, o amor.

    Quando somos capazes de amar as pessoas e refletir de fato sobre suas reais condições de vida e oportunidades, livre de preconceitos e discriminações, podemos ir além em nosso trabalho, fazendo de fato o que aquela pessoa necessita, pensa-se em cada detalhe do que fazer para que estas se sintam melhor. Escrevo isto lembrando-me de um manual simples que dava dicas aos homens sobre como fazer para que as mulheres não se sentissem constrangidas ou com medo no dia-a-dia, coisas como atravessar a rua ao invés de andar alguns passos atrás dela, não interromper sua fala, entre outros pequenos gestos.

    A luta contra a violência começa com estes pequenos gestos de amor ao próximo. Colocar-se  disponível a novas posturas é de suma importância para redirecionar esta triste história de uma sociedade machista e patriarcal. O homem que se coloca ao nosso lado nesta luta, estando disposto mudar pequenas posturas e ser conosco denunciador de agressões é muito bem-vindo.

    Porém, o grito é nosso! Nós, mulheres fortes e inconformadas, iremos fazer a real diferença. Precisamos nos unir nesta luta e não nos desanimar com estes que não reconhecem seus privilégios. “Não me vejo na palavra Fêmea: alvo de caça, conformada vítima. Prefiro queimar o mapa, traçar de novo a estrada, ver cores nas cinzas e a vida reinventar” (Francisco, El Hombre)

    Vamos seguir lutando por um mundo melhor e mais igualitário, em que as diferenças de gênero não sejam usadas como opressão das mulheres, e nenhum tipo de violência seja tolerado.

    Texto: Jessica Aline Leal da Rosa – Diocese Anglicana de Pelotas
     
  • SNIEAB 11:32 on 03/12/2018 Permalink | Responder
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    GT Juventude lança consulta nacional aos jovens da IEAB!!! 


    O Grupo de Trabalho da Juventude lança consulta nacional aos jovens da IEAB. A consulta tem como objetivo ouvir os jovens de todas as comunidades, de todas as dioceses e do Distrito missionário.
    A consulta será disponibilizada via link de formulário do Google, com questões referentes a: quais ações, temas e atividades devem ser priorizadas no trabalho com a juventude nacional nos próximos quatro anos. Por isso, contamos com a participação de todas e todos.
    Todos os jovens anglicanos poderão participar desta consulta, solicitamos ampla participação e Divulgação!  A consulta estará disponível até o dia 31 de dezembro!


    ACESSE O FORMULÁRIO DE PESQUISA por meio deste link:

     
  • SNIEAB 9:39 on 03/12/2018 Permalink | Responder
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    Confira mais um relato dos 16 dias de Ativismo pelo fim da Violência contra as Mulheres 

    Nestes 16 dias de ativismo reafirmamos nossa luta ao combate a violência contra mulheres e meninas. Iniciando no dia 25 de novembro e finalizando dia 10 de dezembro, Dia Internacional de Direitos Humanos, período este que temos ainda mais o dever de nos reafirmarmos como feministas e sempre relembrar o significado desta palavra que define o que é, pra quem é e por que, é tão importante para garantirmos nossos direitos adquiridos que nos mantem no foco para conquista de mais direitos. Estamos em um momento crítico onde estão deturpando ainda mais o significado dos movimentos feministas e o que é ainda mais preocupante a desqualificação dos direitos humanos onde se ouve muitas frases que dão a entender que DIREITOS HUMANOS é garantia de direitos para públicos específicos e não para todo ser humano, e que as pessoas estão se deixando levar por falsas informações, sem averiguar a veracidade das mesmas, se enchem de “razão e  direito” de julgar o outro.

    Que possamos sempre meditar e fazer as pessoas refletirem da passagem da Parábola “Eu estava com fome, e me deste de comer; eu estava com sede, e me destes de beber; eu era forasteiro e me recebeste em casa; estava nu, e me vestistes; doente e cuidastes de mim; na prisão e fostes visitar-me” (Mateus25, 35- 36).

    E neste tempo de advento procurar observar os ensinamento de Jesus, que nos diz que todas as pessoas tem direito a dignidade humana e que ele não faz distinção de ninguém, e continuemos a manter viva a memória e luta de cada pessoa que lutou para termos  muitos direitos conquistados, o principal deles Jesus. Que cada mulher/menina tenha seus direitos garantidos em tempos que a dor do outro é classificado como “mi mi mi”.

    Que Jesus nos Inspire, fortaleça, nos guie e nos dê sabedoria para fazermos nossa parte como semeadores do verdadeiro evangelho que acolhe, cuida e não exclui ninguém por nenhum motivo. Que possamos ver no rosto do nosso próximo que clama justiça e dignidade o rosto de Jesus, e que o evangelho possa ser levado para fora dos templos, e saíamos da nossa zona de conforto e ir servir a quem tem fome de justiça.

    Texto: Revda. Elineide Ferreira Oliveira – Distrito Missionário Anglicano (Ariquemes/RO)

     
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