16 DIAS DE ATIVISMO PELO FIM DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

Ao final deste dia 25 de novembro reservado para lembrar situações tão tristes de violência contra a mulher e escolhido para ser o início de 16 dias de luta pelo fim desta violência, desafiada pela Secretária Geral, convido outras mulheres, uma a cada dia, escrever algo sobre  esta triste situação. Não precisa ser um grande texto, nem um tratado teológico, filosófico ou sociológico. Não temos a pretensão de restringir as publicações somente as doutoras e mestras da Igreja, mas qualquer mulher que queira contribuir com um testemunho, um desabafo, um relato, uma reflexão. Estas  produções serão  diariamente divulgadas no SNIEAB e podem ser partilhados em nossas redes sociais. É uma pequena iniciativa que no próximo ano, preparada com mais tempo, talvez possa se transformar em ações concretas. Mas o essencial e impreterível é que sejam falas de mulheres.


Aceitei o desafio, mas tive muita dificuldade em começar a escrever, não porque não tenha o que dizer, mas pelo temor de me exceder nas palavras. Penso que a maturidade e os absurdos dos tempos que vivemos tem me tornado cada vez mais crítica diante da violência contra mulheres. Estes 16 dias de ativismo ainda conhecido por tão poucas pessoas vem tentar nos tirar da apatia em que fomos colocadas ao longo dos anos. Mulheres da minha geração, com uma outra formação e influência cultural, própria da sociedade machista e patriarcal na qual fomos geradas e criadas temos alguma dificuldade  para perceber o quanto fomos levadas a aceitar certas situações como normais, muitas vezes sem sequer perceber a violência sofrida. Fomos nos acostumando a sermos vistas como menores e mais fracas, incapazes de certos lugares e postos, dependentes, frágeis, e o mais triste que esses conceitos são repetidos por mulheres em relação às mulheres numa falta de reconhecimento mútuo, onde não se percebe que quando diminuímos uma mulher também nos diminuímos um pouco.  A sutileza da violência torna-a aceitável e nos aliena da realidade da sua voracidade e destruição.

Vamos fazer ouvir nossa voz, vamos partilhar nossas dores, frustrações, tristezas e decepções e denunciar as violências que temos sofrido na sociedade ou testemunhamos nas nossas comunidades.

Texto: Revda. Dilce Paiva de Oliveira – Coordenadora do SADD