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  • SNIEAB 17:46 on 15/10/2015 Permalink | Responder  

    ENCONTRO NACIONAL DA UMEAB 

    DECLARAÇÃO

    Nós da União das Mulheres Episcopais Anglicanas do Brasil, juntamente com as mulheres representantes do Uruguai, Moçambique, Angola e Portugal, reunidas nos dias 9 a 12 de outubro de 2015, no Encontro Nacional da UMEAB, no Centro de Formação Sagrada Família, São Paulo, SP, animadas pela temática “Vem soltar sua voz” e inspiradas por reflexões sobre o contexto social, político, cultural, econômico e religioso das mulheres no Brasil, das questões de gênero, sexismo e violências contra as mulheres, motivadas pelos dados coletados a partir das fichas de inscrição e desafiadas pelas rodas de conversa e partilhas de experiências e testemunhos das próprias mulheres pontamos as seguintes temáticas como fundamentais para a construção de uma igreja de fato inclusiva e que contemple maiores avanços nas questões de igualdade gênero:

    1. Uma maior conscientização das mulheres a respeito do seu protagonismo em espaços decisórios na estrutura da Igreja de forma que seja cumprida a meta proposta pelo Conselho Consultivo Anglicano de junho de 2005, que recomenda a participação feminina de 50% em todos os níveis decisórios (cargos e comissões paroquiais, diocesanos e provinciais);
    2. Envolvimento das mulheres como agente de transformação da sociedade atuando junto a instituições e projetos que buscam garantia de direitos e políticas públicas para pessoas em situação de vulnerabilidades, priorizando as historicamente excluídas;
    3. Desconstrução da visão a respeito dos papéis social e culturalmente atribuídos a homens e mulheres, especialmente em nossas comunidades locais.

    Desse modo, a fim de que tais questões sejam aprofundadas e colaborem para a construção da igreja que sonhamos, propomos as seguintes ações:

    • Que haja mobilização, em todas as instâncias, no sentido de informar e conscientizar as pessoas acerca do direito e capacidade das mulheres à eleição em todos os níveis decisórios: cargos e comissões paroquiais, diocesanos e provinciais;
    • Que a Diretoria Nacional da UMEAB motive as Diretorias Diocesanas a trabalhar em conjunto com o SADD a temática, gênero, sexualidades e direitos e que os espaços físicos de nossas comunidades sejam disponibilizados à serviço de grupos sociais e/ou ecumênicos que buscam a garantia de direitos as pessoas que vivem em situação de vulnerabilidade;
    • Que seja realizado em conjunto com CEA um programa de estudos bíblicos e oficinas que resgatem os papéis e liderança das mulheres nas comunidades locais tendo como base as reflexões da Teologia Feminista.

    Reafirmamos nossos compromissos com os ideais do Reino de justiça e paz, com todos os movimentos que buscam a construção de uma vida digna para todas as pessoas e nosso amor e dedicação a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil.

    São Paulo, 12 de outubro de 2015.

    Mulheres participantes do encontro.

     
  • SNIEAB 15:39 on 15/10/2015 Permalink | Responder  

    CARTA ABERTA EM DEFESA DOS POVOS INDÍGENAS 

    “A morte pela terra, é a morte pela vida” (Damiana, liderança do Tekoha Apika´i).

    Nós, mulheres reunidas no Encontro Nacional da União de Mulheres Episcopais Anglicanas do Brasil/UMEAB, de 9 a 12 de outubro de 2015, no bairro do Ipiranga em São Paulo, iluminadas pela profecia de Isaías “Não haverá mais crianças que vivam poucos dias nem pessoas idosas que não alcancem muitos anos” (65.20) e pelo desejo de Deus de vida plena e abundante para todas as criaturas e sua criação, juntamos nossas vozes e forças, sentimos, nos preocupamos e nos indignamos profeticamente com os povos indígenas, em especial com os guarani kaiowá da região do Mato Grosso do Sul.

    Denunciamos porque, segundo dados do Conselho Indigenista Missionário/CIMI, nos últimos 12 anos, ao menos 585 indígenas cometeram suicídio e 390 foram assassinados, a violência instalada e sustentada pelo agronegócio de norte ao sul do país, em especial no Mato Grosso do Sul, demonstra que se trata de uma política de genocídio regada pelo sangue indígena.

    Alertamos e nos indignamos com a falta de ação do poder público em todos os âmbitos (municipal, estadual e federal) em coibir a ganância desses grupos poderosos que violam os direitos dos povos tradicionais atacando de forma violenta a cultura dos indígenas, suas terras, sua dignidade e suas vidas.

    Nós mulheres “queremos ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (Amós 5.24), por isso, reafirmamos nosso apoio à campanha lançada pela Missão ecumênica por ocasião do ato realizado na Assembleia Legislativa do Estado do Mato Grosso do Sul sob o slogan: “a carne e a soja do MS tem sangue de crianças indígenas”! E recomendamos que sejam implementadas urgentemente:

    • a CPI do Genocídio;
    • a demarcação das terras indígenas;
    • a garantia de direitos: terra, território, identidade, cultura e língua;

    Acreditamos ser inaceitável a omissão da igreja diante dessa situação, e proclamamos profeticamente em defesa da Vida, da Justiça, da Paz e da Integridade da criação.

    São Paulo, 12 de outubro de 2015.

    Participantes do Encontro Nacional da

    União de Mulheres Episcopais Anglicanas do Brasil

     
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