Uma Palavra do Primaz do Brasil sobre as Mudanças a Respeito do Matrimônio na Igreja Episcopal dos Estados Unidos 

* English Verson:

A message from Primate of Brazil related to decisions taken by TEC on Marriage understanding

À luz das decisões de caráter canônico e litúrgica tomadas pela Convenção Geral sobre o casamento de pessoas do mesmo sexo, desejo expressar as seguintes reflexões:

1. Respeitamos profundamente a decisão autônoma de TEC porque esta é uma característica constitutiva da nossa Comunhão Anglicana.

2. A decisão foi tomada depois de anos de conversações teológicas, o que reflete o grau de maturidade da Igreja Episcopal.

3. Esta decisão foi tomada em espírito de oração e refletiu a esmagadora maioria da Igreja tanto de seus representantes leigos (as) e clérigos (as).

4. A decisão guardou um importante princípio pastoral quando ofereceu para aqueles que não se sentem confortáveis ​​com as decisões, oferecendo a liberdade de consciência.

A Igreja do Brasil sente-se fortalecida pelo fato de que aqui também estamos vivendo um amplo processo de reflexão sobre a busca de consenso sobre esta questão. Em nosso país, desde 2011,  o Supremo Tribunal Federal já reconhece a legalidade do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo.

Nossa província está discutindo este assunto – no contexto da metodologia de Indaba – em todas as instâncias da Igreja. Nossa nova edição do Livro de Oração Comum já contempla uma mudança de linguagem, estabelecendo a neutralidade de gênero que é um passo significativo de inclusão de todas as pessoas. Esta mudança não nos obriga a celebrar o matrimônio entre pessoas do mesmo sexo, mas estamos abertos para o futuro e às novas exigências pastorais do nosso tempo.

Vemos com alegria a mudança dos processos nas Igrejas de Canadá e Escócia. Vemos com alegria os avanços na discussão do tema nas Igrejas da Inglaterra, País de Gales, Aotearoa, Nova Zelândia e Polinésia. Devemos respeitar esse processo que também ocorre em dioceses e partes de outras províncias anglicanas.

Peço a Deus para que esses processos sejam feitos em escuta honesta de todas as pessoas envolvidas. Como Província da nossa Comunhão, estamos comprometidos com a unidade e não concordamos com qualquer iniciativa que isolem as Províncias que estão adotando novas perspectivas pastorais e teológicas.

Minha esperança é que em nossa próxima reunião de Primazes possamos ter uma conversa sincera e honesta também sobre esse assunto. Nós não devemos ter uma agenda única em questão, mas precisamos estar abertos para dialogar sobre nossas diferenças teológicas.

Minha compreensão sobre as palavras do Arcebispo de Cantuária sobre a alteração dos cânones expressa uma preocupação, mas não uma objeção à aprovação das resoluções de uma igreja autônoma.

Recebo com gratidão a preocupação do Arcebispo e confio que podemos continuar a caminhar juntos.

Reafirmo a minha solidariedade sobre os caminhos da Igreja Episcopal em procurar ser um local seguro para todas as pessoas!

Deus abençoe a nossa Comunhão Anglicana e continuemos em diálogo!

++ Francisco

Primaz do Brasil