DIA MUNDIAL DE LUTA CONTRA A AIDS

Hoje se celebra o Dia Mundial de Luta contra a AIDS com a realização de campanhas no mundo inteiro para a conscientização das pessoas sobre esta grave epidemia que afeta milhões de pessoas em todos os continentes.
No Brasil, a AIDS mata por ano cerca de 12 mil pessoas, constituindo-se num grave problema de saúde pública que tem apresentado infelizmente crescimento nos últimos anos, atingido patamares que precisam ser enfrentado com políticas de saúde mais efetivas.
O desafio precisa ser enfrentado com mais audácia e com mais investimentos no setor público de saúde para atender as pessoas menos favorecidas economicamente e que dependem exclusivamente dele. Outro fator preocupante é uma certa banalização da questão igualmente dentro das Igrejas. Nos anos 80 e 90, o movimento ecumênico foi muito importante para ajudar na desestigmação das pessoas vivendo com AIDS e na aplicação de programas educativos e de prevenção.
Os segmentos mais conservadores, na medida em que certas práticas preventivas eram anunciadas aplicadas pelos governos, passaram a boicotar as ações de prevenção. Esta prática causou um importante retrocesso, especialmente nas camadas menos informadas da população, fazendo com que os casos de contração da doença continuassem, inclusive, aumentando a incidência da epidemia em grupos considerados de baixo risco.
Conclamamos as Igrejas a retomarem a preocupação com a educação dos fiéis acerca do tema. Conclamamos o governo a aumentar a qualidade do serviço público de saúde, garantindo assim que as pessoas possam ter prioridade e agilidade no atendimento, assim que for identificada a infecção.
Não podemos deixar que o tema da prevenção e do tratamento caminhem para a banalização e a desconsideração da gravidade de sua incidência. Este é um tema de saúde pública e todos temos que cobrar a aplicação de um programa multidisciplinar eficaz para que se possa reduzir as vergonhosas estatísticas que temos hoje no Brasil.
Governo e Sociedade, incluindo-se aí as Igrejas, precisam estar unidos para evitar que a invisibilização do problema cause ainda mais mortes por negligências e preconceitos.

++ Francisco

Bispo Primaz da IEAB