A Copa do Mundo e o Povo Brasileiro 

Mensagem do Primaz da IEAB

Santa Maria, 11 de junho de 2014

Amanhã começa a Copa do Mundo no Brasil. O tema tem sido explorado de diversas formas e às vezes a ideologização do debate tem causado apaixonado conflito, especialmente neste ano de eleições.
Mas, o que devemos ver de fato? Enquanto evento, a Copa é uma oportunidade de congraçamento entre os povos. A paixão pelo esporte é muito saudável para a humanidade. O esporte tem sido meio, em muitos contextos, de dignificação da vida e da celebração da paz!
O que não devemos permitir, no entanto, é a mercantilização do esporte para afirmar ainda mais as desigualdades e injustiças. O futebol, em si, não tem culpa das mazelas que seus dirigentes e interessados na exploração capitalista do esporte tem reproduzido. Amantes do esporte não podem ser anestesiados no exercício de  sua cidadania.
Infelizmente isso tem acontecido nos últimos anos. Devemos garantir que o futebol não seja explorado como mercadoria pelas grandes corporações internacionais no afã tão somente de lucros.  Empresas e organizações de mídia tem capturado a beleza do esporte e auferido grandes lucros. A FIFA – que em tese é uma organização beneficente – vai lucrar 5 Bilhões do dólares com a Copa no Brasil. Os patrocinadores vão levar outro tanto. E o Brasil?
O povo brasileiro tem demonstrado muita maturidade no enfrentamento da maneira como a Copa está sendo gerida e não podemos abdicar da premissa de que as pessoas são mais importantes que o lucro. Os bilhões gastos com obras da Copa deveriam, em nível de igualdade, ser investidos em implementação de direitos sociais e dos serviços públicos em nosso país.
Cada centavo que é investido na Copa poderia se converter em melhoria da saúde, da educação do transporte público e de tantos outros serviços básicos num país de grandes desigualdades como o nosso.
Filas deveriam existir apenas para a entrada nos estádios e não nos postos de saúde!
Mas o futebol não tem culpa disso. Quem tem culpa são aqueles que exploram o futebol empresarialmente e politicamente. Precisamos estar atentos. Que nesta Copa, saibamos ter um olho na bola e um olho na cidadania.
Celebrar a Copa como evento de congraçamento da humanidade é muito bom. Deixar-nos anestesiar em termos de cidadania é uma bola murcha!
Que Deus abençoe o nosso povo nestes dias e que possamos exercer a hospitalidade como sabemos fazer sempre!

++ Francisco

Primaz da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil