Uma porta entreaberta

Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo.

Apocalipse 3:20

Está chegando ao fim o período determinado pela ONU para que os países atendam as Oito Metas do Milênio. Com isso, a 58ª Reunião do Status da Mulher das Nações Unidas, está discutindo o levantamento do que já foi atingido até o momento e o que ainda está por ser feito. O consenso é de que não será possível atingirmos as metas. Com isso, as mulheres ecumênicas estão reunidas com o objetivo de oferecer aos embaixadores da ONU temas que deverão ser incluídos na agenda das decisões futuras.

Uma porta entreaberta no altar, na celebração de abertura, chamou a atenção das participantes do Encontro de Mulheres Ecumênicas nas Nações Unidas, que neste ano ressalta “A Fé e a questão de Gênero na igreja tendo como base a agenda da ONU”. A reflexão do dia estava centrada nas portas que ainda estão fechadas para as mulheres. E na nossa responsabilidade em procurar abrir essas portas, para que todas possam entrar com gratidão e cânticos de louvores a Deus, conforme palavras do Salmo 100, versículo 4.

A sul africana e Diretora Executiva para Mulher da ONU, Phumzile Mlambo-Ngcuka, ao dar as boas vindas ao nosso grupo, falou da importância em nos comprometermos em valorizar a mulher e colocá-la como prioridade em todos os nossos projetos, tendo em vista que o fortalecimento das mulheres reduzirá a pobreza no mundo, promoverá a paz, além de fortalecer a educação e a saúde das crianças. Grandes passos ainda precisam ser dados em direção aos direitos das mulheres. Só as mulheres poderão abrir os caminhos para outras mulheres, porque a maioria dos homens se retrai e fica em silêncio, e um bom homem em silêncio é um homem violento, pois não vai em direção a mudar a situação das mulheres afetadas pela violência e miséria.

Na realidade ainda precisa ser aprofundado o levantamento do que aconteceu nessa década em direção ao desenvolvimento, em especial quanto a questão de gênero. Ainda precisamos aprender com boas práticas que tem acontecido em igrejas e organismos sociais. A vulnerabilidade da mulher e a justiça de gênero são temas que precisam entrar na pauta das igrejas, organismos sociais e governos.

Esse é um momento histórico. Em 2015 serão adotadas novas metas e estamos avaliando o que fizemos e o que ainda tem por ser feito. O positivo dos MDGs é que o mundo esteve com um objetivo comum, o desenvolvimento de todas as nações. E a prioridade dessa reunião é estabelecer novas metas, tendo a mulher como o foco principal. Assim, as Mulheres Ecumênicas estão de acordo que as novas metas devem conter:

  1. O fim da Pobreza e da Fome – ainda tem muito o que ser feito para que esses objetivos sejam atingidos;
  2. Igualdade de Gênero – homens e mulheres precisam que ter acessos iguais a educação, ao trabalho e nas tomadas de decisões. Acesso a oportunidades, dando condições das mulheres serem autossuficientes. Ter influência nos processos decisórios;
  3. Saúde – Muito já foi feito em direção a melhores condições de saúde, mas é preciso assegurar melhores condições de saúde para mulheres e meninas, especialmente na saúde sexual e reprodutiva;
  4. O fim da Violência contra Mulheres e Meninas – esse tema ainda é um grande desafio para os países ricos e pobres. Muito ainda precisa ser feito para o fim da violência de gênero. Não permitir que as crianças sejam dadas como esposas. Essa pode ser considerada uma das maiores violências contra as meninas.

Cabe a cada uma de nós oferecer  nossos esforços para acolher e lutar em favor das mulheres em nossas nações. Como diz o hino cantado no final do culto de abertura do encontro: Aqui estou Senhor, eu ouvi o seu chamado. Estou disposta a colocar o seu povo no meu coração. (Here I am Lord).

Que a nossa querida IEAB possa se oferecer para abrir portas para as mulheres no nosso país. Que de norte a sul possamos juntas e juntos oferecer as mulheres brasileiras força e coragem para recriarem suas vidas e reconstruírem suas histórias.

Sandra Andrade

Coordenadora do SADD