Mensagem do Bispo Primaz Solidariedade com as vítimas das enchentes em MG e ES

Santa Maria, 30 de Dezembro, 2013

“… a Ti dirijo minha prece! No tempo favorável responde-me por teu grande amor, pela verdade da tua salvação!” (Sl. 69:14)

A Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB) expressa sua solidariedade, carinho e compromisso com as vítimas das enchentes, especialmente nos estados do Espírito Santo e Minas Gerais. Que o “Espírito do Senhor seja contigo” é nosso desejo e oração. É dever humano estar em solidariedade mas é exigência ética e espiritual para quem se declara cristão colocar-se em ação para ajudar as pessoas atingidas por essa catástrofe. “Tive fome e me destes de comer. Tive sede e me destes de beber. Era forasteiro e me recolhestes. Estive nu e me vestistes, doente e me visitastes, preso e vieste ver-me… cada vez que o fizestes a um desses meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes” (Mt 25:35-36.40). A Igreja é chamada a sempre ser um “edifício espiritual”, espaço de cuidado e hospitalidade, especialmente para os que não tem lugar neste momento (cf. 1Pd). Deve-se ir ao encontro das vítimas, abaixar-se, tocar, acolher, recolher e levar para um lugar seguro e oferecer recursos financeiros para que a vida se restabeleça (Lc 10: 29-37).

A IEAB, o mesmo tempo, demonstra preocupação com essa situação que se tornou corriqueira no Brasil. As enchentes e os resultados das mesmas não são simplesmente fenômenos naturais que atingem a população e o território aleatoriamente. Sabe-se que a intervenção humana, ou mais precisamente a falta da mesma em termos de prevenção e de políticas públicas ambientais e de habitação, além da corrupção na qual vivemos, é um elemento importante a considerar na ocorrência de enchentes nas cidades, provocando doenças, mobilidade forçada e fatalidades.

Levantamos nossa voz para pedir urgência no atendimento as vítimas e transparência na administração dos recursos, provindos da solidariedade humano mas também dos cofres públicos. E continuaremos em observação ativa para que situações como essas possam acontecer cada vez com menos frequência até que não aconteça jamais. Seguimos lutando e nos juntamos as vozes de anjos e santos (movimentos sociais, igrejas, pessoas de fé, governos e pessoas de boa vontade) que se fazem presentes e atuantes no cuidado e na insistência ativa para que justiça seja feita e a vida continue sempre (cf. Lc 18:1-8).

São Bento recorda no prólogo de sua Regra que “se desejamos a paz, vamos buscá-la”, ou seja, movimentar-se e sair ao encontro. Que Deus da vida e Ternura seja sempre com todos e acenda em nossas vidas o desejo insaciável de encontra-lo, especialmente nas vítimas desta tragédia que clamam por comida, água, moradia, justiça, cuidado e políticas que sejam permanentes.

++ Francisco de Assis da Silva

Primaz do Brasil e Diocesano em Santa Maria