Aniversário da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil 1890-2013

A Igreja comemora seus 123 anos de presença no Brasil, tendo como marco histórico a Celebração do Primeiro Culto  em 1º de junho de 1890. Segue-se também nessa trilha a Semana dos Pioneiros da IEAB (02-08 de junho) na qual lembramos os nossos queridos missionários: James Watson Morris, Lucien Lee Kinsolving, William Cabell Brown, John Gaw Meem, Américo Vespúsio Cabral, Antonio Fraga e Vicente Brande. Nossa história não foi construída apenas por grandes homens, mas por grandes mulheres que testemunharam  o amor de Deus em Jesus Cristo nas cidades, nos centros urbanos e, também nos campos desse país.

Nesse sentido, honramos a todos e a todas que contribuíram para construção de nossas comunidades episcopais espalhadas pelo Brasil. Nosso patrimônio não inclui apenas os templos, os seminários e os imóveis de forma geral, tudo conquistado centavo por centavo, através das sucessivas contribuições generosas dos fiéis. Ousamos dizer que nosso verdadeiro e grande patrimônio é o Povo de Deus, com o qual toda a Igreja deve ter o cuidado pastoral e teológico, sempre lembrando no texto sobre o Bom Pastor de João 10.

Somos desafiados a levar as Boas Novas para fora e para dentro de nossas paróquias episcopais. Sim, nem só de Tradição nossa Igreja Vive! A tradição poderá ser encarada por nós através de duas formas: a primeira como tradicionalismo que é a “adesão servil e tola às explicações doutrinárias e morais pertencentes ao passado” (Alister McGrath-Uma introdução a Teologia Cristã, 2005, pg. 227). Ou como, o teólogo da Igreja Ortodoxa, padre John Meyendorff, chegou afirmar em um dos escritos que a tradição   “não deve ser entendida como conjunto de verdades que foram sendo acumuladas ao longo do tempo e que simplesmente repetem as impressões do passado: A tradição genuína é sempre uma tradição viva. Ela muda e ao mesmo tempo permanece sempre a mesma. Altera-se porque enfrenta situações diferentes e não porque sua essência seja modificada. Essa essência não equivale a um proposição abstrata; antes é o próprio Cristo vivo, que diz: Eu sou a verdade”. Passado o tempo, temos o desafio de levar as nossas gerações a Mensagem da Cruz de um jeito relevante à Sociedade e nunca deixando de manifestar o testemunho de incidência pública da Igreja.

Passado os anos, a IEAB enfrentou imensos desafios, e é verdade que muitas vezes fomos abalados diante deles, mas com a ajuda de Deus conseguimos permanecer firmes na caminhada e procurando aprender com seus os erros e seus os acertos. As recentes tribulações não nos enfraqueceram, mas de uma forma misteriosa, e por que não dizer espiritual, e dignamente nos fortaleceram e nos forjaram como Povo de Deus.

Cremos que nossa Igreja cada vez mais entende que sua missão está apenas começando. As vitórias foram muitas, pois conseguimos avançar em todas as regiões do país. Das comunidades mais antigas aos pontos missionários da IEAB, há um anseio em prosseguir firmes, inspirados (as) nos Capítulos 11 e 12 de Hebreus, para juntos “corrermos com paciência a carreira que nos está proposta, olhando para Jesus, autor e consumador da fé”. Sim é verdade, temos desafios  e muitos deles, nossos pais e mães nem sonharam enfrenta-los. Precisamos assumi-los com fé e com coragem, com inspiração e com criatividade, pois é isso o que “Deus Exige de Nós”!

Vamos ser gratos a Deus pelos 123 anos de vida e lembramos em nossas celebrações dominicais. Vamos ser gratos aos nossos pais e mães do passado. Vamos ser gratos aos irmãos e irmãs do presente que estão fazendo a Igreja Episcopal Anglicana no Brasil.

Arthur P. Cavalcante+

Secretário Geral da IEAB