É Possível Construir a Paz? 


O encontro “Jovens Construtores da Paz” aconteceu na primeira semana de Julho no Reino Unido. Oferecido pela Aliança Anglicana, nove jovens anglicanos de diferentes países se reuniram para conversar sobre paz e reconciliação.

Durante quase dez dias de atividades a agenda dos jovens esteve lotada. Desde bate-papo com o Arcebispo de Cantuária Rowan Williams, reunião no Parlamento, visita a dioceses e até mesmo conhecer pessoas de outros países do mundo em um evento paralelo com a Comunidade Cruz de Pregos (Community Cross of Nails).

No encontro os participantes puderam se conhecer e criar laços de amizade entre si. Vindos do Brasil, Zimbábue, Republica Dominicana, do Congo, Sri Lanka, Paquistão e Filipinas, um fato interessante foi  perceber que muitas vezes, o problema enfrentado na nossa comunidade é semelhante ao que ocorre em outro país. Com isso, a possibilidade de ajudarmos uns aos outros é ainda maior.

Muitas vezes é fácil falar sobre “como fazer a paz” e, depois dessa experiência, eu pude perceber que também é fácil realmente termos ações que ajudem a construir a paz! Atividades como ouvir o outro, estudar o conflito atrelado ao desenvolvimento, violência urbana, dentre outros, foram temas abordados durante o encontro e que em algum momento cada pessoa se identificou e percebeu como ajudar.

Uma mensagem do Arcebispo de Cantuária que me marcou foi quando ele disse que muitos problemas que nós vemos a cada dia não precisam ser daquele jeito. Na ocasião ele estava se referindo às favelas, mas podemos pensar nos nossos problemas como um todo ou nas dificuldades que a igreja e jovens encontram diariamente. Eles não precisam ser como são; sempre há uma outra forma!

No final do programa tivemos de nos comprometer em dar continuidade no que foi aprendido e devemos fazer isso nos prazos de um, seis e 12 meses. Essa é uma missão difícil e é  necessário a ajuda de toda a Igreja Anglicana para que os planos possam se concretizar. Vamos continuar na luta então, como jovens, como cristãos, como anglicanos, lembrando sempre que há um outro modo de enxergar as desavenças que enfrentamos a cada dia.

Yvi Leíse Rosa Calvani

Diocese Anglicana de Curitiba

Um Depoimento da Paróquia Cristo Rei na Cidade de Deus

O encontro foi surpreendente, fantástico e inesquecível.
O programa foi intenso e bem dinâmico, ao longo do tempo em que estávamos inseridos nas atividades, conhecemos pessoas e lugares diferentes – um diferencial do programa, e certamente, os turistas não conheceriam. Cada um contando sua experiência e tentando nos ensinar de alguma forma o que poderíamos por em prática ao chegarmos nas nossas casas.

Conhecemos instituições engajadas na construção da paz e que buscam reconciliação.O que me deixou aliviada de certa forma, é saber que não estou sozinha. Que existem jovens comprometidos, que trabalham para alguma mudança, mesmo que esta seja pequena e que vivenciam conflitos em suas áreas. Ainda que por razões diferentes de violência, a essência é a mesma e geralmente suas consequências também.Outro ponto foi a consideração dos nossos depoimentos e a importância de ouvir o próximo.

Dar a oportunidade do outro se expressar e descrever sua situação. Um exemplo, foi o encontro com os dois parlamentares: Iran Lewis e Douglas Alexander. Uma diferença da realidade brasileira, em que os políticos não estão sempre disponíveis e comprometidos (não são todos, é claro).

E por fim, uma lição que poderei tirar deste encontro foi o perdão. Porque, visitamos uma igreja (the Community Cross of Nails em Coventry), que foi bombardeada pelos alemães na Segunda Guerra Mundial. E mesmo com essa situação, os ingleses locais não desistiram, e contruiram uma nova igreja ao lado da antiga. Trazendo uma mensagem de perdão: Deus perdoe os inimigos, afinal somos todos pecadores. Isso me marcou.Em Belfast, conhecemos dois paramilitares: um do lado católico e outro protestante. O homem do lado protestante é envolvido com atividades que tentam combater a violência, que afasta jovens das drogas, atividades como painting, esportes, etc. E mesmo este tendo matado muitas pessoas, atualmente ele atua evitando de alguma forma a violência na comunidade dele. Mostrando o seu arrependimento e tentando consertar o seu erro.

Esses fatos me marcaram muito, principalmente para nós repensarmos nossos valores.

Ana Carolina

Diocese Anglicana do Rio de Janeiro