Mensagem do Arcebispo de Cantuária sobre a Conferência Rio+20 

A grande questão que enfrenta a Rio +20: que tipo de mundo nós queremos deixar de legado para nossas crianças? E não é só uma questão de materialidade ambiental que nós queiramos deixar – as respostas para essa questão, de um certo modo, são muito simples: nós queremos um mundo que seja livre de poluição, um mundo onde todo mundo tenha acesso a água tratada, um mundo onde haja segurança alimentar,  um mundo onde as pessoas tenham aprendido métodos sustentáveis de agricultura e desenvolvimento.

Mas igualmente importante é uma questão de que tipo de hábitos ou que estilo de vida nós queremos deixar para nossas crianças – que tipo de habilidades nós queremos ver elas desenvolverem para viver sustentavelmente neste mundo.

Isso significa, como em muitas áreas, que nós temos que começar modestamente, começar localmente. Grandes mudanças vem porque pequenas mudanças acontecem. E no trabalho que eu faço, eu tenho o privilégio de ver muitas mudanças pequenas em processo.  Ano passado no Quênia, eu pude ver o trabalho feito pela Igreja Anglicana  de lá desenvolvendo métodos de agricultura chamado Umoja, métodos que possibilitam que as pessoas saiam da agricultura de subsistência para uma produção real sustentável para eles mesmos,  e muita capacitação em informação nutricional para que o desenvolvimento agrícola, segurança alimentar e atendimento à saúde possam andar juntos.

Há muitos outros projetos locais como esse, e eu fiquei profundamente impressionado pelo modo como as pessoas localmente no mundo tem desafiado e resistido algumas das depredações feitas pelas indústrias extrativistas, em muitas áreas uma das grandes ameaças a um futuro sustentável.

Os Governos podem, obviamente, e devem, fazer sua parte nisso tudo. Os Governos precisam oferecer incentivos fiscais para o “desenvolvimento verde”. Eles precisam promover programas que encorajem a todas/os a reduzir nossos desperdício. Eles precisam “tornar verde nossa economia, tanto em casa quanto no mundo todo. E nós, todas/os nós, não “somente as comunidades de fé, precisamos colaborar nisso e apoiar os governos nessa visão.

Mas na raiz, a questão permanece a mesma: que tipo de mundo nós queremos entregar? Imagino que você tenha o aniversário de sua/seu filha/o ou netas/os chegando. Você desejo dar um presente a elas/es. Você gostaria de dar alguma coisa que genuinamente signifique algo para elas/es, que enriqueça suas vidas, que faça parte do seu crescimento e bem-viver. E isso é o que nos desafia aqui. É um desafio que eu penso que vai repercutir em todo mundo, no mundo todo. Simplesmente isso: que presente nós queremos oferecer? O presente de um mundo que seja livre da poluição, um mundo onde o futuro seja mais seguro, um mundo onde mais pessoas tenham acesso a alimentação, água limpa e atendimento à saúde? Sim. Mas também um mundo onde nós possamos transmitir a sabedoria de como habitá-lo, como viver num meio ambiente limitado com graça, liberdade, confiança.

Todas as pessoas religiosas entendem o mundo como um presente de Deus. E todas as pessoas religiosas são portanto comprometidas a perguntar: se este é o presente que nos foi dado, como nós transformamos ele num presente para todas as pessoas, para a próxima geração? Como nós fazemos justiça pelas/os nossas/os filhos/as e netas/os? Como nós fazemos para agir com justiça por elas/es? Estamos oferecendo um presente, tanto material como espiritual, que realmente as/os fará viver bem, viver com felicidade, para que o seu futuro seja seguro e que elas/es também tenham um presente para dar para seus/as filhas/os e netas/os?

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