Encontro dos Primazes – Resumo 4

Dia 5

O encontro de hoje partiu do trabalho de reflexão sobre o exercício do primado e objetivo do Encontro dos Primazes, para considerar o papel, objetivo e composição do Conselho dos Primazes. Além da participação no Conselho Consultivo Anglicano e do Comitê da Comunhão Anglicana, outros papéis sugeridos pelos primazes foram o de “sustentar” a vida, visão e espírito do encontro entre as reuniões dos primazes; ajudar a moldar seus encontros futuros; e agir como um grupo consultivo para o Arcebispo de Cantuária. Diversos grupos também sugeriram que o Comitê dos Primazes seja capaz de servir de ponte entre o Encontro dos Primazes e as regiões de onde vem.

A segunda sessão compreendeu três apresentações emocionantes acerca de violência de gênero. Os primazes responderam a cada relatório com um momento de reflexão silente e oração. O Arcebispo Bernard – que apresentou um relatório que seria apresentado pelo Arcebispo Henry Isingoma (Província da Igreja Anglicana do Congo) – explicou como o estupro e o abuso sexual estavam sendo utilizados como arma de conflito e terror na República Democrática do Congo e em toda a região dos Grandes Lagos. Como parte do trabalho que as igrejas estão a fazer para responder a tal violência está assistir às mulheres que foram violentadas, para que sejam atendidas em postos de saúde o mais rapidamente possível, além de reintegrá-las às suas comunidades através de educação e projetos de microfinanças.

O Arcebispo Barry Morgan (Gales) então compartilhou estatísticas assustadoras sobre a proporção da violência de gênero no Reino Unido. Ele contou que no último ano, houve um milhão de mulheres vítimas de violência doméstica, com trezentas mil violentadas sexualmente e sessenta mil estupradas a cada ano. Explicou também que uma estimativa conservadora da quantidade de mulheres enviadas pelo tráfico sexual para o Reino Unido era de cinco mil por ano. Disse ainda que a violência de gênero estava bastante estabelecida em algumas sociedades, e até mesmo em algumas tradições religiosas. O Arcebispo Barry concluiu dizendo que as igrejas no Reino Unido e Irlanda precisavam trabalhar juntas para lidar com a violência contra mulheres e meninas de um modo mais eficiente.

A Revda. Terrie Robinson, Coordenadora das Redes da Comunhão Anglicana e Assessora para Mulheres, explicou que algumas redes, incluindo a Rede Anglicana Internacional da Família, a Rede Anglicana Internacional de Mulheres a Rede Indígena Anglicana e outros grupos da Comunhão Anglicana já haviam levantado a questão de urgência do trabalho contra a violência de gênero. Alertou que os Encontros dos Primazes não haviam falado do assunto, e sugeriu que este evento propusesse um comprometimento com palavras e ações de solidariedade com aquelas pessoas que fazem trabalho de base para a eliminação de tal violência na Comunhão. Ela propôs que eles também promovessem treinamento apropriado para clérigos e leigos, e patrocinassem recursos teológicos existentes (ou encomendassem novos) com a temática de violência doméstica.

O fim do dia foi gasto pelos primazes a trabalhar em pequenos grupos para elaborar documentos acerca de uma variedade de temas de preocupação internacional.

Uma conferência de imprensa final acontecerá amanhã (domingo) à tarde, e um podcast da conferência será carregado no site da Comunhão Anglicana na parte da noite.

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Equipe do Serviço de Notícias da Comunhão Anglicana