Encontro dos Primazes – Resumo 2

Dia 3

No terceiro dia do encontro, os primazes da Comunhão Anglicana começaram a estudar o conceito de “primado” mais aprofundadamente. Em pequenos grupos, discutiram seu entendimento e experiência da teologia e prática de suas províncias, no nível regional e no nível da Comunhão. O objetivo da manhã foi compartilhar na plenária as diferenças e semelhanças do papel dos primazes nas diferentes províncias da Comunhão.

Aspectos do primado compartilhados entre todas as províncias vinham a ser sobretudo o ministério de reconciliação e construção de paz por parte do primaz; a ligação do local com o global e vice-versa; o fato de buscarem construir o consenso, um símbolo de unidade na província e na comunidade mais ampla; o pastorado aos outros bispos; a possibilidade de serem vozes proféticas a interpretar os sinais dos tempos em contextos locais.

“Um primaz é o primeiro entre iguais” – disse um primaz ao encontro, continuando: “um apóstolo, um servo, que está frequentemente na estrada visitando dioceses, levando e vstindo a visão da província, a missão da Igreja e os valores que mantêm a província unida”.

Muitos também consideraram o primaz como alguém que representa a voz de sua província. Um primaz explicou plenária que em seus grupos pequenos, haviam concordado que “nenhum [deles] era capaz de falar por si só, mas sempre após consulta dos bispos, sínodos e conselhos”. Ele adicionou que também se discutiu bastante sobre a voz dos primazes ser representativa de sua província ao comparecerem em outros eventos, sejam eles ecumênicos, inter-religiosos ou políticos.

Havia, contudo, algumas diferenças evidentes nas responsabilidades e alcance do papel primacial em cada província. Alguns primazes também eram bispos diocesanos, enquanto outros não tinham tais responsabilidades. A duração do serviço como primaz varia desde dois anos renováveis até tempo indefinido até a aposentadoria. Alguns primazes têm muitas tarefas administrativas; outros não. Embora em algumas províncias, o primaz possa vetar uma decisão sinódica (após consulta com conselhos ou câmaras de bispos), em outras províncias, o primaz necessita de permissão do bispo local para viajar para aquela diocese. Alguns primazes também têm responsabilidades extraprovinciais, como por exemplo na Igreja Episcopal de Cuba, que é supervisionada por um conselho metropolitano de três primazes.

Uma questão comentada, embora não em plenário, foi até onde os primazes têm um papel de salvaguarda da vida da Comunhão como um todo.

Sejam quais forem as semelhanças e diferenças entre os papéis e responsabilidades dos primazes na Comunhão, é preciso enxergar o primado como um dom – e não como um direito. O Arcebispo Winston, da Igreja Anglicana em Aotearoa, Nova Zelândia e Polinésia sintetizou esse conceito ao explicar o significado de “Tikanga”.

Ele disse que a palavra significa “o lugar onde você está”, pois seu território é terra santa oferecida a você pelos seus ancestrais, pelo seu povo, pelo meio ambiente. Ele notou que o posto de primaz era oferecido ao incumbente como responsabilidade temporal e para o futuro. “Não é algo que se tem. Pertence-se à função. É um dom, e não um direito. É um privilégio.”

Os primazes passaram a tarde discutindo sobre suas expectativas para a reunião dos primazes. O Arcebispo de Cantuária requisitou algum tempo para compartilhar com todos um breve histórico dos encontros. Ele explicou que, embora seu propósito tenha mudado ao longo dos anos, a intenção original para o primeiro evento, estabelecido em 1978 pelo então-Arcebispo Donald Coggan, era criar um espaço para conversas afáveis, oração e consultas profundas.

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Equipe do Serviço de Notícias da Comunhão Anglicana