Juventude e Ecumenismo como caminho de renovação e maturidade 

Um aspecto que tem chamado a atenção dos convidados internacionais à Convenção Geral: o expressivo número de jovens envolvidos nas diversas atividades auxiliares e de apoio e a presença de delegados das dioceses para o que eles chamam de Convenção Geral Jovem. No dia de ontem, quatro primazes tiveram uma experiência singular com a juventude na Convenção. Os Primazes do Brasil, Austrália, Canadá e Escócia  foram convidados a falar sobre como a juventude trabalha em suas respectivas Províncias e como se organizam. Foi muito importante perceber as semelhanças na forma com que a juventude está envolvida com questões ecumênicas e com questões dos objetivos do milênio. No entanto existem diferenças na forma como a Juventude é organizada na instancia provincial. Numas existe um a estrutura mais nacional e em outras uma estrutura mais local. Em todas, no entanto há um enorme comprometimento com o estímulo à organização e à participação dos jovens inclusive na vida legislativa da Igreja.

Na Convenção Geral se está aprovando que as dioceses escolham representantes jovens para serem integrantes da sua delegação oficial.

Um outro aspecto visível é a presença ecumênica e a construção de laços de comunhão com outras confissões cristãs como luteranos, morávios e metodistas.

As celebrações eucarísticas de ontem e de hoje contaram com a participação de delegações ecumênicas que tem caminhado lado a lado da Igreja Episcopal em questões de ordem pastoral e social, especialmente em torno de um testemunho comum de Justiça e transformação. Assim como já existe um acordo de inter-comunhão com a Igreja Luterana, esta Convenção Geral está deliberando uma resolução de plena comunhão com a Igreja Morávia. Além de representantes de outras famílias cristãs temos delegações de outras religiões que tem acompanhado com vivo interesse os acontecimentos da Convenção.

Em termos de decisões, continuam muitas discussões sobre orçamento, moratória e liturgia. Existem outros temas – afinal é a instância deliberativa mais importante da Igreja – mas esses três assuntos estão chamando a atenção pelas implicações que terão no futuro da Igreja. Depois de definidas as prioridades – ver matéria anteriormente postada aqui – agora a grande matemática é definir quanto e para quem. Como a Igreja Episcopal tem uma enorme estrutura de Centros e Programas dá para imaginar a complexidade de se chegar a um consenso sobre o orçamento definitivo. O grande desafio é combinar prioridades com redução de receitas, que segundo alguns chegará a US$ 15 milhões para os próximos 3 anos.

Sobre a moratória, já tínhamos falado sobre as discussões sobre a resolução B033 e como tem havido grandes debates no plenário da Câmara de Clérigos e Leigos sobre ela. Se a Câmara derrubar a resolução que inibe a sagração de pessoas homoafetivas ao episcopado, ela vai para a Câmara dos Bispos e somente depois de esta se manifestar é que se torna decisão provincial.

Outro grande debate é sobre inovação litúrgica. A Igreja dos Estados Unidos tem discutido uma grande reforma litúrgica para adaptar a vida da Igreja aos novos tempos e isso implica em adotar novos ritos pastorais, ritos ocasionais e tratar questões com a da linguagem inclusiva. Além, é claro, dos ritos alternativos em torno da questão de bênçãos para uniões de pessoas de mesmo sexo. Esse último tópico, no entanto, está ligado à resolução B033 que em sendo revogada abre um grande espaço para esses ritos.

Paralelo a toda essa agenda, temos recebido como Primaz, Presidente da Câmara de Clérigos e Leigos e Secretário Geral convites para reuniões com diversos departamentos da Igreja como UTO, Church Periodical Club, Episcopal Relief Development, Church Pension e diversos sodalícios da Igreja Episcopal para conhecermos mais a fundo o trabalho de cada um e tratar das questões relativas às relações com a IEAB.

-

Rev. Cônego Francisco de Assis da Silva

Secretário Geral da IEAB.