Missão: enfoque da abertura da Convenção Geral
Hoje tivemos a Eucaristia de abertura da Convenção Geral. Em seu sermão, a Bispa Presidente baseou-se no profeta Ezequiel para falar que Deus muda os corações. Contou a história de uma sagração episcopal de uma mulher à qual esteve presente e na qual ao final da cerimônia o pai da bispa que estava sendo sagrada colocou sobre ela a sua capa episcopal. Os personagens desta história foram o bispo Vistor Rivera e sua filha Nedi.

Para quem conheceu o bispo Rivera, sabe que durante todo o seu episcopado foi contra a ordenação de mulheres. Ele nunca comungou das mãos de sua própria filha, pois entendia que as mulheres não tinham legítimo acesso às sagradas ordens e isso durou 25 anos. Quando encontrou-se com Nedi para abraçá-la, perguntou-lhe: seu pai mudou o pensamento? Ao que ela lhe respondeu: não, ele não mudou o pensamento mas mudou o seu coração!
Continuando sua pregação, a Bispa Presidente lembrou que somente uma mudança de coração é capaz de fazer a Igreja entender a natureza de sua missão. Somente quando os corações estão transformado pelo amor aos necessitados, fracos, inseguros é que a missão de Deus se faz viva através de nós.
Ninguém deve pensar que permanecer dentro de nossas Igrejas vivendo uma liturgia bem elaborada e cheia de orações é suficiente para se transformar o mundo. A missão da Igreja é oferecer ao mundo a possibilidade de reconciliação, de mudança de corações. Seguindo o argumento do profeta, quando há mudança de coração a abundancia se faz presente.
A grande questão para nós, acrescentou a Bispa Katharine, é se estamos dispostos a esse transplante. Se estamos prontos para deixar que nosso coração bata neste ritmo: missão, missão, missão,….
Em seguida a celebração foi um momento singular para as quase 1.500 pessoas presentes nas dependências do centro de Convenções de Anaheim. Ritmos da África, soul e tradicionais canções foram ouvidos. Um começo litúrgico digno de uma Convenção Geral.
Antes, pela manhã tivemos o café conjunto dos convidados e em seguida fomos conduzidos ao plenário da Câmara de Clérigos e Leigos. Ali tivemos a oportunidade de assistir a instalação da Câmara, com uma visão da dimensão que ela tem. Não é à toa que a Convenção Geral é o maior evento dessa natureza nos Estados Unidos somente superado pelas Convenções dos partidos Democrata e Republicano. Assistimos à eleição dos chamados oficiais da Câmara e as boas vindas da Presidente Bonnie Anderson.
Após a celebração eucarística, fomos convidados a participar de uma reunião para perguntas e partilha sobre nossa experiência na reunião da Câmara. Foi possível ver o documento de trabalho da Convenção, chamado de Livro Azul, com quase 3 kg de peso com todas as matérias que estarão sendo submetidas à aprovação na Convenção.
Na hora do almoço, os convidados assistiram a um painel apresentado pela Igreja Episcopal das Filipinas sobre o seu processo de autonomia financeira. Uma apresentação muito impactante para toda a audiência através dos corajosos passos dados por aquela Província irmã no caminho da autosustentabilidade finalmente alcançada no fim de 2007. Esse bem sucedido processo se deu nos últimos cinco anos quando a Igreja resolveu usar um aporte anual da Igreja Episcopal dos Estados Unidos por três anos para constituir um fundo independente que gerou rendimentos para a suficiência financeira. O Fundo não foi utilizado para nenhuma despesa corrente da Província. A única utilização do mesmo foi a de seus rendimentos e isso levou a própria Igreja a buscar o aumento de suas próprias receitas como um compromisso de sustentabilidade. Um conjunto de metas foi estabelecido e até 2018, ou seja, uma década, a Província pretende dobrar o número de comunidades sem mexer no principal do Fundo construído com o aporte recebido entre 2005 e 2007. Um exemplo de como o processo de autonomia foi bem sucedido foi uma doação financeira feita pela Igreja das Filipinas à Igreja Episcopal dos Estados Unidos no ofertório da Eucaristia de hoje.
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Rev. Cônego Francisco de Assis da Silva
Secretário Geral da IEAB
