ACC: Pacto Anglicano será votado 

A reunião do Conselho Consultivo Anglicano avança pelo seu quarto dia. Sob o intenso sol jamaicano – que levou nosso representante a se proteger durante o processional de entrada para a reunião de abertura (foto) – os representantes das Províncias da Comunhão discutem o futuro do Pacto Anglicano. Como dissemos, o Prof. Joanildo Burity nos envia informes que reproduzimos em nosso site. Vejamos as impressões enviadas hoje:

celebração pública

Naturalmente, o assunto do dia foi o pacto. Foi feita uma apresentação na primeira parte da manhã, pelo arcebispo Drexel Gomez, sobre o último texto (Ridley Cambridge), o qual está sendo recomendado pelo Joint Standing Committee para que o ACC o envie às Províncias, como o texto final do pacto, para que adotem-no ou rejeitem-no.

prof. joanildo

O documento tem três partes iniciais que, segundo  Drexel e vários outros depoimentos (inclusive, no  grupo de discernimento, de Ian Douglas, dos EUA), são praticamente consensuais. A discussão é a nova seção, a última, que vem em substituição ao apêndice do documento de Saint Andrew (versão anterior do Pacto). Há uma proposta de resolução submetida pelo Joint Standing Committee (espécie de conselho representativo dos Primazes) que elogia o trabalho do Covenant Design Group (CDG), assegura que o texto como está não demanda qualquer mudança nos estatutos e cânones das províncias. A última seção permite ainda que emendas e modificações sejam feitas, posteriormente, ao texto do pacto, a partir de um procedimento.

No grupo de discernimento, na segunda parte da manhã, e em conversas de corredor que tive com o primaz da Austrália e com Stuart (Secretário Geral da Escócia), hoje, percebo que nossa posição, tal como está, é absolutamente minoritária (estou falando de cerca de 3 ou 4 províncias). A Escócia, por exemplo, apesar de, como nós, ser contra a existência de um pacto, aceitou em princípio participar da discussão (ao contrário de nós), e admite assinar o pacto, se (a) o fato de não assinar implicar em perda de participação ou sua limitação nos instrumentos de comunhão; (b) isso nos ajudar, enquanto Comunhão, a sair do impasse e possível cisma previsto.

Não há plano B, pois não se desenhou nenhuma alternativa por parte de quem defendia a idéia do pacto, nem de quem era contrário. Assim, a única proposta sobre a mesa para o enfrentamento do problema é a do pacto. É admitido, por outro lado, que o CDG ouviu e respondeu a todos os questionamentos levantados na reformulação da proposta do Pacto, assegurando que nenhuma Província será governada por decisões externas a ela e que não precisa alterar seu marco regulativo para acomodar o pacto.

Pelo relato acima, conclui-se que a nova versão do Pacto, publicada no mês de abril parece ter vencido algumas resistências. Ou então, está se buscando um acordo sobre os três primeiros blocos da proposta – menos polêmicos e mais gerais em termos de compreensão teológica -e se lançar num processode acolhimento por parte das Províncias. A seção de número 4 – que trata das regras de adesão e/ou abandono do Pacto – ficaria para ser ajustada nesse processo de recebimento já que é a mais polêmica de todas.

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Rev. Cônego Francisco de Assis da Silva

Secretário Geral da IEAB