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  • SNIEAB 21:04 on 23/04/2009 Permalink  

    IEAB se manifesta a favor dos Quilombolas 

    Brasília, 21 de abril de 2009.
    Anselmo de Cantuária.
    À Sua Excelência Ministro Relator Cezar Peluzo
    Ao Povo da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil
    A Sociedade Brasileira
    Antes, corra o juízo como às águas; e a justiça, como ribeiro perene.
    (Amos 5:24)
    “A Igreja constitui a única sociedade do mundo que existe por causa daquelas pessoas que não são membros dela”
    Arcebispo William Temple, 1942.
    É inspirados nesse desejo e advertência do profeta Amós e nas palavras do Arcebispo William Temple, que dirigimos esta carta aos membros da nossa Igreja, ao Sr Ministro Cezar Peluzo, Ministro do Supremo Tribunal Federal, Relator do Processo (ADI) Nº 3.239 e a todas as pessoas de boa vontade.
    As comunidades negras rurais e quilombolas de todo o país vivem um momento delicado e tenso devido à iminência de votação da Ação de Inconstitucionalidade (ADI) Nº 3.239 pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A ADI tem por objetivo anular o Decreto 4887/03, da Presidência da República, que estabeleceu os critérios e procedimentos para a regularização dos territórios quilombolas. É importante notar que esse decreto é coerente com a Constituição Brasileira e com as convenções Internacionais ratificadas pelo Brasil, especialmente a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT, Genebra, 27 de junho de 1989) quanto ao conceito de território e auto-definição dos povos.
    O Decreto 4887/03 foi uma importante conquista dos remanescentes de quilombo em todo o país e a sua revogação traria sérios prejuízos aos direitos quilombolas, ao impossibilitar abertura de novos processos para regularização de suas terras, paralisar aqueles em andamento e anular as conquistas já alcançadas.
    Todos estamos conscientes da grande dívida que a sociedade brasileira tem para com aqueles que foram trazidos à força da África para serem escravizados em nosso pais. Os quilombos foram uma das formas que os escravos encontraram para resistir ao sistema escravagista. Após a abolição, a permanência em seus territórios foi e continua a ser um dos fatores principais para a sua sobrevivência e reprodução como comunidades, tanto no nível material quanto cultural.
    No cumprimento da nossa responsabilidade como bispos da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, chamados à fidelidade aos valores do Evangelho e conscientes de que, como Igreja, devemos buscar a justiça e contribuir para a superação das enormes distâncias sociais, culturais e econômicas que afetam as comunidades remanescentes quilombolas, não podemos nos omitir diante da possibilidade – que queremos supor improvável – de o Supremo Tribunal Federal vir a revogar um procedimento legal que claramente tem permitido a agilização dos processos de garantia dos direitos territoriais e culturais das comunidades quilombolas e, assim, restaurado a justiça em seu favor.
    Assim, conclamamos a Igreja Episcopal Anglicana no Brasil a:
    1) Interceder para que o Deus de Amor no qual cremos continue a dar aos nossos irmãos e irmãs quilombolas a coragem necessária para continuar a sua luta por seus direitos;
    2) Mobilizar-se em defesa dos direitos quilombolas, manifestando esta posição junto aos poderes constituídos, principalmente junto ao Supremo Tribunal Federal.
    Ao Supremo Tribunal Federal, na pessoa do Ministro Cezar Peluzo, Relator da ADI No. 3.239, solicitamos que seja convocada uma audiência pública sobre o assunto para que a mais alta Corte brasileira possa ouvir os representantes das comunidades quilombolas bem como especialistas no assunto antes de julgar a Ação de Inconstitucionalidade.
    A ADI Nº 3.239, apresentada pelo DEM (ex-PFL) é mais uma das investidas da bancada ruralista, do setor do agro-negócio e da grande mídia contra os direitos quilombolas garantidos na Constituição de 1988. Há cerca de 5.000 Comunidades Quilombolas no Brasil, sendo que dessas, aproximadamente 1.300 estão com processo de regularização fundiária em curso no Instituto de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) nos termos do Decreto 4887/03.
    O Decreto 4887/03 foi uma importante conquista dos remanescentes de quilombo em todo o país. Em seu §1 do Artigo 2º o Decreto 4887/03 prescreve: “a caracterização dos remanescentes das comunidades dos quilombos será atestada mediante auto-definição da própria comunidade”. No §2 o Decreto estabelece como “terras ocupadas por remanescentes das comunidades dos quilombos as utilizadas para a garantia de sua reprodução física, social, econômica e cultural”, assumindo as definições atuais da Antropologia e Ciências Sociais quanto ao conceito de território para a demarcação das terras quilombolas: “serão levados em consideração critérios de territorialidade indicados pelos remanescentes das comunidades dos quilombos, sendo facultado à comunidade interessada apresentar as peças técnicas para a instrução procedimental”. Com isto o Decreto 4887/03 está em harmonia com as convenções Internacionais ratificadas pelo Brasil, das quais merece destaque a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT, Genebra, 27 de junho de 1989) quanto ao conceito de território e auto-definição dos povos. A derrubada do Decreto 4887/03 traria sérios prejuízos aos direitos quilombolas ao impossibilitar abertura de novos processos para regularização de suas terras, paralisar aqueles em andamento e anular as conquistas históricas.
    Confiamos na imparcialidade desse Supremo Tribunal em ponderar e discernir entre o que seja diletantismo racional e encarnação da Justiça.
    Em Cristo que Ressuscitou, nossa Esperança e fundamento da solidariedade com a causa da Justiça,
    Dom Mauricio José Araújo de Andrade, Bispo Primaz, Brasilia, DF
    Dom Almir dos Santos, Oeste
    Dom Jubal Pereira Neves, Santa Maria, RS
    Dom Orlando Santos de Oliveira, Porto Alegre, RS
    Dom Naudal Alves Gomes, Curitiba, PR
    Dom Sebastião Armando Soares Gameleira, Recife, PE
    Dom Filadelfo Oliveira Neto, Rio de Janeiro, RJ
    Dom Saulo Mauricio de Barros, Belém, PA
    Dom Renato da Cruz Raatz, Pelotas, RS
    Dom Roger Bird, São Paulo, SP
    Dom Clovis Erly Rodrigues, Emérito
    Dom Luiz Osório Pires Prado, Emérito
    Dom Glauco Soares de Lima, Emérito
    -
    O Rev. Cônego Francisco de Assis da Silva é o Secretário Geral da IEAB

    Brasília, 21 de abril de 2009.

    Anselmo de Cantuária.

    À Sua Excelência Ministro Relator Cezar Peluzo

    Ao Povo da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil

    À Sociedade Brasileira

    Antes, corra o juízo como às águas; e a justiça, como ribeiro perene.

    (Amos 5:24)

    “A Igreja constitui a única sociedade do mundo que existe por causa daquelas pessoas que não são membros dela”

    Arcebispo William Temple, 1942.

    É inspirados nesse desejo e advertência do profeta Amós e nas palavras do Arcebispo William Temple, que dirigimos esta carta aos membros da nossa Igreja, ao Sr Ministro Cezar Peluzo, Ministro do Supremo Tribunal Federal, Relator do Processo (ADI) Nº 3.239 e a todas as pessoas de boa vontade.

    As comunidades negras rurais e quilombolas de todo o país vivem um momento delicado e tenso devido à iminência de votação da Ação de Inconstitucionalidade (ADI) Nº 3.239 pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A ADI tem por objetivo anular o Decreto 4887/03, da Presidência da República, que estabeleceu os critérios e procedimentos para a regularização dos territórios quilombolas. É importante notar que esse decreto é coerente com a Constituição Brasileira e com as convenções Internacionais ratificadas pelo Brasil, especialmente a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT, Genebra, 27 de junho de 1989) quanto ao conceito de território e auto-definição dos povos.

    O Decreto 4887/03 foi uma importante conquista dos remanescentes de quilombo em todo o país e a sua revogação traria sérios prejuízos aos direitos quilombolas, ao impossibilitar abertura de novos processos para regularização de suas terras, paralisar aqueles em andamento e anular as conquistas já alcançadas.

    Todos estamos conscientes da grande dívida que a sociedade brasileira tem para com aqueles que foram trazidos à força da África para serem escravizados em nosso pais. Os quilombos foram uma das formas que os escravos encontraram para resistir ao sistema escravagista. Após a abolição, a permanência em seus territórios foi e continua a ser um dos fatores principais para a sua sobrevivência e reprodução como comunidades, tanto no nível material quanto cultural.

    No cumprimento da nossa responsabilidade como bispos da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, chamados à fidelidade aos valores do Evangelho e conscientes de que, como Igreja, devemos buscar a justiça e contribuir para a superação das enormes distâncias sociais, culturais e econômicas que afetam as comunidades remanescentes quilombolas, não podemos nos omitir diante da possibilidade – que queremos supor improvável – de o Supremo Tribunal Federal vir a revogar um procedimento legal que claramente tem permitido a agilização dos processos de garantia dos direitos territoriais e culturais das comunidades quilombolas e, assim, restaurado a justiça em seu favor.

    Assim, conclamamos a Igreja Episcopal Anglicana no Brasil a:

    1) Interceder para que o Deus de Amor no qual cremos continue a dar aos nossos irmãos e irmãs quilombolas a coragem necessária para continuar a sua luta por seus direitos;

    2) Mobilizar-se em defesa dos direitos quilombolas, manifestando esta posição junto aos poderes constituídos, principalmente junto ao Supremo Tribunal Federal.

    Ao Supremo Tribunal Federal, na pessoa do Ministro Cezar Peluzo, Relator da ADI No. 3.239, solicitamos que seja convocada uma audiência pública sobre o assunto para que a mais alta Corte brasileira possa ouvir os representantes das comunidades quilombolas bem como especialistas no assunto antes de julgar a Ação de Inconstitucionalidade.

    A ADI Nº 3.239, apresentada pelo DEM (ex-PFL) é mais uma das investidas da bancada ruralista, do setor do agro-negócio e da grande mídia contra os direitos quilombolas garantidos na Constituição de 1988. Há cerca de 5.000 Comunidades Quilombolas no Brasil, sendo que dessas, aproximadamente 1.300 estão com processo de regularização fundiária em curso no Instituto de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) nos termos do Decreto 4887/03.

    O Decreto 4887/03 foi uma importante conquista dos remanescentes de quilombo em todo o país. Em seu §1 do Artigo 2º o Decreto 4887/03 prescreve: “a caracterização dos remanescentes das comunidades dos quilombos será atestada mediante auto-definição da própria comunidade”. No §2 o Decreto estabelece como “terras ocupadas por remanescentes das comunidades dos quilombos as utilizadas para a garantia de sua reprodução física, social, econômica e cultural”, assumindo as definições atuais da Antropologia e Ciências Sociais quanto ao conceito de território para a demarcação das terras quilombolas: “serão levados em consideração critérios de territorialidade indicados pelos remanescentes das comunidades dos quilombos, sendo facultado à comunidade interessada apresentar as peças técnicas para a instrução procedimental”. Com isto o Decreto 4887/03 está em harmonia com as convenções Internacionais ratificadas pelo Brasil, das quais merece destaque a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT, Genebra, 27 de junho de 1989) quanto ao conceito de território e auto-definição dos povos. A derrubada do Decreto 4887/03 traria sérios prejuízos aos direitos quilombolas ao impossibilitar abertura de novos processos para regularização de suas terras, paralisar aqueles em andamento e anular as conquistas históricas.

    Confiamos na imparcialidade desse Supremo Tribunal em ponderar e discernir entre o que seja diletantismo racional e encarnação da Justiça.

    Em Cristo que Ressuscitou, nossa Esperança e fundamento da solidariedade com a causa da Justiça,

    Dom Mauricio José Araújo de Andrade, Bispo Primaz, Brasilia, DF

    Dom Almir dos Santos, Oeste

    Dom Jubal Pereira Neves, Santa Maria, RS

    Dom Orlando Santos de Oliveira, Porto Alegre, RS

    Dom Naudal Alves Gomes, Curitiba, PR

    Dom Sebastião Armando Soares Gameleira, Recife, PE

    Dom Filadelfo Oliveira Neto, Rio de Janeiro, RJ

    Dom Saulo Mauricio de Barros, Belém, PA

    Dom Renato da Cruz Raatz, Pelotas, RS

    Dom Roger Bird, São Paulo, SP

    Dom Clovis Erly Rodrigues, Emérito

    Dom Luiz Osório Pires Prado, Emérito

    Dom Glauco Soares de Lima, Emérito

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    Rev. Cônego Francisco de Assis da Silva

    Secretário Geral da IEAB

     
  • SNIEAB 21:49 on 21/04/2009 Permalink  

    Campanha da Quaresma: Primeiros frutos 

    Durante a semana que passou, recebemos na Secretaria Geral alguns testemunhos muito marcantes de comunidades de diversas dioceses que partilharam a experiência da Campanha da Quaresma.

     

    campanha na catedral

     

    Em termos financeiros é bom afirmar que a Campanha ainda não está completada porque muitas comunidades ainda não enviaram as coletas. Uma última atualização aponta na direção de que a campanha já alcançou a quantia de dois mil reais – um pouco superior às duas Campanhas de Missão realizadas nos dois anos anteriores. Evidente que não nos arriscamos a um prognóstico do alcance que a Campanha da Quaresma terá, pois muitas comunidades ainda não enviaram a coleta.
    Mas o mais importante em tudo isso é o reconhecimento de que a Campanha foi muito bem recebida nas comunidades que realizaram os estudos. Cumpre aqui agradecer o excelente trabalho feito em conjunto pelos GTs de Missão e Educação Cristã. Os estudos conseguiram captar a atenção e motivaram as comunidades que os aplicaram a refletir sobre o sentido da doação.
    Destacaria aqui dois testemunhos que considerei de suma importância. O primeiro veio de Belo Horizonte através da Revda. Meriglei. Segundo ela, a campanha foi um sucesso entre as crianças da escolinha dominical. Uma participação maciça e dedicada. A própria pároca expressou seu impacto pessoal com a alegria das crianças em colocarem com tanta felicidade as moedas que traziam de suas casas no cofrinho providenciado para a escola dominical. A ansiedade para a hora da coleta era visível em todas as crianças. Faziam aquilo com um senso de responsbailidade e com uma seriedade tremenda. Tenho certeza que muitos adultos de nossa Igreja ficariam impactados com tamanho senso de compromisso. Fico a imaginar como isso terá um impacto no senso de compromisso dessas crianças com Deus e sua Igreja.
    O outro testemunho vem do rev. Hugo, lá de Ariquemes, cujas comunidades enviaram um texto escrito que reproduzimos abaixo:

    " Vimos  neste momento agradecer os esforços da Secretaria Geral, em especial o Reverendo
    Francisco pela ajuda que nos deu em aprofundar o tema, durante o tempo de quaresma, as comunidades que estudaram semanalmente em grupo em família os textos bíblicos e meditações, ajudaram a que esta campanha seja o êxito, as comunidades que se comprometeram neste processo provincial, responderam de uma maneira que nos assombrou, como por exemplo a comunidade da Santíssima Trindade  que a partir da sua pobreza e após a ver passado por um momento traumático do assalto da mesma , ela respondeu juntando R$ 120,00 reais em moeda.   A
    missão organizada  Phileon com um ano de vida juntou R$ 160,00 reais. Durante este tempo, escutei várias vezes o Rev. Francisco dizer “ a Igreja tem a cara de nosso compromisso”. Esperemos que as próximas campanhas nos sintamos mais comprometidos com as mesmas, e dessa maneira nos sintamos  um corpo maior, que é a Igreja Nacional e que não olhemos só para a nossa comunidade e sim para a missão da Igreja como um todo".

    Para quem assistiu aos recentes episódos que atingiram a paróquia da SS Trindade em Ariquemes poderia imaginar que a capacidade de contribuir estivesse voltada para a prioridade local, de refazer as coisas e certamente essa atitude seria compreensível. Mas a experiência revelou o contrário. A Campanha realmente motivou as pessoas a pensarem para além de suas próprias comunidades e enxergassem a dimensão missionária de toda Igreja.

    Seguiremos acompanhando o resultado da Campanha e informaremos a Igreja sobre os valores arrecadados bem como outros testemunhos dessa experiência que passa a fazer parte do calendário de nossa Provincia: a Quaresma como ocasião para reflexão e doação!

    Se porventura alguma comunidade ainda não transferiu os recursos arrecadados para a conta

    Banco Bradesco
    Ag. 3319-7
    C/C 27.742-8

    pedimos a gentileza de contatar a Secretaria Geral e informar a transferência.

    -

    Rev. Cônego Francisco de Assis da Silva

    Secretário Geral da IEAB

     
  • SNIEAB 8:42 on 10/04/2009 Permalink  

    Mensagem de Páscoa da Câmara dos Bispos 

    Carta Pastoral da Câmara dos Bispos ao povo de Deus na IEAB
    Quadra da Páscoa do Senhor, 2009
    “Eis que dois deles viajavam nesse mesmo dia para um povoado chamado Emaús, próximo de Jerusalém; e conversavam sobre todos esses acontecimentos. Ora, enquanto conversavam e discutiam entre si, o próprio Jesus aproximou-se e pôs-se a caminhar com eles; seus olhos, porém, estavam impedidos de reconhecê-lo… E eles pararam, com o rosto sombrio…”
    Evangelho de São Lucas 24. 13-17.
    Como disse alguém, – um dia, nós também nos descobriremos no caminho de Emaús. Em verdade, muitas vezes nós temos cantado: “Pelo vale escuro segurei, Jesus… breve a noite desce, noite de Emaús…” Hino 258. De fato, o “estranho” foi reconhecido, mas sua presença logo se dissipou dos olhos dos discípulos. A jornada, a conversação e a revelação foram benditas, inesperadas, tocantes e verdadeiras.
    Esta, talvez, se pode dizer, é em muitos momentos nos últimos anos nossa experiência como eclesianos da IEAB, como cidadãos de nosso país e, não menos, na lembrança de nossa própria vida pessoal e familiar… “com o rosto sombrio.”
    Como brasileiros sofremos pela corrupção disseminada e quase sempre impune. “A miséria só existe porque tem corrupção” canta Gabriel o Pensador. Amarguramos as condições contraditórias de uma realidade social que poderia ser muito diferente, justa, saudável e promissora. Milhões de famílias brasileiras sofrem o “apartheid” de classe que bem conhecemos. Nossos jovens anseiam por oportunidades que talvez, injustamente, nunca venham a ter. A realidade política se mostra mais e mais decepcionante. Nas últimas décadas, os mesmos nomes de políticos profissionais mais que reprováveis não só são reeleitos, mas agravam a saúde de um processo democrático que poderia ser nossa força como cidadãos. Saúde e educação, o binômio inarredável para a população toda e sua dignidade, têm cedido espaço para a propaganda esperta e a impostura oficial. Andamos, como diz São Lucas, “com o rosto sombrio”.
    Na vida da IEAB, suas dioceses e paróquias, temos também sofrido a perplexidade diante de tropeços em nosso ser e agir. São, não menos, adversidades que se abatem, semelhantemente, sobre outras tradições eclesiais. A escassez de recursos não parece ser a causa primeira para explicar uma condição dramática, mas gravemente conspira para o enfrentamento dos obstáculos. De qualquer forma, “com o rosto sombrio”… nós nos sabemos no caminho de Emaús.
    Reunidos como Câmara dos Bispos, ouvimos relatos doloridos, mas, ao mesmo tempo, nos alegramos com a partilha de inúmeras situações de Boas Novas que o Pai tem proporcionado nas várias dioceses. O povo de Deus na IEAB tem amadurecido a sua fé ainda que em meio a tempos de tristeza ou novidade de vida. Os Bispos agradecem a Deus pela voz e sabedoria dos leigos ouvidas na reunião da Câmara. O caminho de Emaús se confirma assim, neste tempo da Ressurreição, como a força de vida transformada de que tanto necessitamos. A tristeza não usa máscaras e talvez por isso nos abale e reforce tanto, não por nossa própria coragem, mas pela presença bendita do Ressuscitado andando conosco.
    As adversidades e o sofrimento agem como uma escola pela qual aprendemos a ver e compreender coisas que antes não entendíamos. Através das crises realizamos um discernimento mais adulto na experiência da fé. Pelo caminho da Cruz, cativados pelo Crucificado, somos sustentados na comunhão e esperança a nós revelada como povo de Deus, na visão do Cristo no meio de nós. Contudo, a fé antiga da Igreja, herdada de nossos pais, necessita testemunhar também às situações contemporâneas de indiferença, injustiças, desesperanças, empobrecimento e anseio de muito mais vida. O tempo da Páscoa nos recorda que não ficamos órfãos. Não estamos sós. A Igreja não somos nós, mas Deus conosco! O sentido mesmo da fé na Ressurreição nos significa concretamente que as mudanças devem ou podem acontecer. É pela luz da Presença do Ressuscitado no meio de nós que nos sentimos capazes de mudar e transformar. A rejeição e a morte não têm a última palavra. O Senhor Ressuscitado é princípio de vida abundante, corajosa e restauradora. É pela luz da Páscoa do Senhor que vemos com mais clareza nossas estruturas como Igreja de Deus. Amamos a muitas delas. Reconhecemos que elas necessitam de cura e de novas formas. Amamos a Igreja ainda muito mais, mas não a confundimos com estruturas que devem ficar em seu próprio tempo. Muitas destas formas já não mais falam à nossa geração e às condições de vida de nosso povo. É aí que a adoração reaparece como o fato mais central da vida e da fé. Sem a adoração por primeiro, nem mesmo a missão se justifica.
    Devemos com urgência abrir mão de muito do nosso ruidoso interior, medroso do silêncio. Pela quietude e pelo silêncio, na escuta da sabedoria do Pai, começando na vida de piedade pessoal, envolvendo não menos a ação litúrgica e a prática pastoral, vislumbraremos, como em Emaús, o semblante do Ressuscitado a nos encorajar. A IEAB inteira, começando por seus Bispos, todo clero “e as congregações confiadas aos seus cuidados”, no tempo da Páscoa da Ressurreição é gravemente interpelada pela oportunidade de metanoia, de vida radicalmente nova e de testemunho na Missão.
    O mistério da Ressurreição de Jesus, transformador de tantas gerações antes de nós, hoje nos interpela e pacientemente revela caminhos e oportunidades novas. A Páscoa nos chama a provar do fermento santo de vida ressuscitada. Pela participação nos santos mistérios do Pão e do Vinho recebemos o dom do perdão e da emenda de vida.
    Reunidos em Porto Alegre de 30 de Março até 3 de Abril, os Bispos da IEAB, antecipando a semana da Paixão do Senhor, rezaram e intercederam por nossa restauração como povo pascal, vencendo a morte, anunciando a esperança, semeando encorajamento e suplicando pela redescoberta pessoal e eclesial daquilo que o Cristo de Emaús nos ensina e revela.
    “Não há dor que seja sem divino fim; Faze, ó Deus, que a Igreja compreenda assim, e, apesar das trevas, possa ver, Senhor, que Tu mesmo a levas, com imenso amor”. (Hino 258)
    Nota: A Câmara dos Bispos, reunida em POA de 31 de Março / 3 do corrente decidiu, por unanimidade, pospor a realização da reunião do Sínodo Geral e da Confelider em razão da comemoração, em 2010, do 120º Aniversário da IEAB (e da lembrança dos 200 anos de presença da Capelania Britânica no Brasil). Esta transferência, além de permitir melhor preparação para os eventos e sua celebração, concederá ainda mais tempo para a atual coleta e exame de dados já em andamento. É também possível que o Arcebispo de Cantuária, Sua Graça o Arcebispo Rowan Williams, possa estar conosco em ocasião tão especial, lado a lado com outros convidados e visitantes por nós esperados.
    Porto Alegre, 03 de abril de 2009
    Dom Maurício Andrade, Primaz e Brasília
    Dom Almir dos Santos, Oeste
    Dom Jubal Pereira Neves, Santa Maria-RS
    Dom Orlando Santos de Oliveira, Porto Alegre, RS
    Dom Naudal Alves Gomes, Curitiba, PR
    Dom Sebastião Armando Gameleira Soares, Recife, PE
    Dom Filadelfo  de Oliveira Neto, Rio de Janeiro, RJ
    Dom Saulo Maurício de Barros, Belém, PA
    Dom Renato da Cruz Raatz, Pelotas, RS
    Dom Roger Bird, São Paulo, SP
    Dom Clovis Erly Rodrigues, Emérito
    Dom Luiz Osório Pires Prado, Emérito
    Dom Glauco Soares de Lima, Emérito
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    O Rev. Cônego Francisco de Assis da Silva é o Secretário Geral da IEAB

    Carta Pastoral da Câmara dos Bispos ao povo de Deus na IEAB

    Quadra da Páscoa do Senhor, 2009

    “Eis que dois deles viajavam nesse mesmo dia para um povoado chamado Emaús, próximo de Jerusalém; e conversavam sobre todos esses acontecimentos. Ora, enquanto conversavam e discutiam entre si, o próprio Jesus aproximou-se e pôs-se a caminhar com eles; seus olhos, porém, estavam impedidos de reconhecê-lo… E eles pararam, com o rosto sombrio…”

    Evangelho de São Lucas 24. 13-17.

    Como disse alguém, – um dia, nós também nos descobriremos no caminho de Emaús. Em verdade, muitas vezes nós temos cantado: “Pelo vale escuro segurei, Jesus… breve a noite desce, noite de Emaús…” Hino 258. De fato, o “estranho” foi reconhecido, mas sua presença logo se dissipou dos olhos dos discípulos. A jornada, a conversação e a revelação foram benditas, inesperadas, tocantes e verdadeiras.

    Esta, talvez, se pode dizer, é em muitos momentos nos últimos anos nossa experiência como eclesianos da IEAB, como cidadãos de nosso país e, não menos, na lembrança de nossa própria vida pessoal e familiar… “com o rosto sombrio.”

    Como brasileiros sofremos pela corrupção disseminada e quase sempre impune. “A miséria só existe porque tem corrupção” canta Gabriel o Pensador. Amarguramos as condições contraditórias de uma realidade social que poderia ser muito diferente, justa, saudável e promissora. Milhões de famílias brasileiras sofrem o “apartheid” de classe que bem conhecemos. Nossos jovens anseiam por oportunidades que talvez, injustamente, nunca venham a ter. A realidade política se mostra mais e mais decepcionante. Nas últimas décadas, os mesmos nomes de políticos profissionais mais que reprováveis não só são reeleitos, mas agravam a saúde de um processo democrático que poderia ser nossa força como cidadãos. Saúde e educação, o binômio inarredável para a população toda e sua dignidade, têm cedido espaço para a propaganda esperta e a impostura oficial. Andamos, como diz São Lucas, “com o rosto sombrio”.

    Na vida da IEAB, suas dioceses e paróquias, temos também sofrido a perplexidade diante de tropeços em nosso ser e agir. São, não menos, adversidades que se abatem, semelhantemente, sobre outras tradições eclesiais. A escassez de recursos não parece ser a causa primeira para explicar uma condição dramática, mas gravemente conspira para o enfrentamento dos obstáculos. De qualquer forma, “com o rosto sombrio”… nós nos sabemos no caminho de Emaús.

    Reunidos como Câmara dos Bispos, ouvimos relatos doloridos, mas, ao mesmo tempo, nos alegramos com a partilha de inúmeras situações de Boas Novas que o Pai tem proporcionado nas várias dioceses. O povo de Deus na IEAB tem amadurecido a sua fé ainda que em meio a tempos de tristeza ou novidade de vida. Os Bispos agradecem a Deus pela voz e sabedoria dos leigos ouvidas na reunião da Câmara. O caminho de Emaús se confirma assim, neste tempo da Ressurreição, como a força de vida transformada de que tanto necessitamos. A tristeza não usa máscaras e talvez por isso nos abale e reforce tanto, não por nossa própria coragem, mas pela presença bendita do Ressuscitado andando conosco.

    As adversidades e o sofrimento agem como uma escola pela qual aprendemos a ver e compreender coisas que antes não entendíamos. Através das crises realizamos um discernimento mais adulto na experiência da fé. Pelo caminho da Cruz, cativados pelo Crucificado, somos sustentados na comunhão e esperança a nós revelada como povo de Deus, na visão do Cristo no meio de nós. Contudo, a fé antiga da Igreja, herdada de nossos pais, necessita testemunhar também às situações contemporâneas de indiferença, injustiças, desesperanças, empobrecimento e anseio de muito mais vida. O tempo da Páscoa nos recorda que não ficamos órfãos. Não estamos sós. A Igreja não somos nós, mas Deus conosco! O sentido mesmo da fé na Ressurreição nos significa concretamente que as mudanças devem ou podem acontecer. É pela luz da Presença do Ressuscitado no meio de nós que nos sentimos capazes de mudar e transformar. A rejeição e a morte não têm a última palavra. O Senhor Ressuscitado é princípio de vida abundante, corajosa e restauradora. É pela luz da Páscoa do Senhor que vemos com mais clareza nossas estruturas como Igreja de Deus. Amamos a muitas delas. Reconhecemos que elas necessitam de cura e de novas formas. Amamos a Igreja ainda muito mais, mas não a confundimos com estruturas que devem ficar em seu próprio tempo. Muitas destas formas já não mais falam à nossa geração e às condições de vida de nosso povo. É aí que a adoração reaparece como o fato mais central da vida e da fé. Sem a adoração por primeiro, nem mesmo a missão se justifica.

    Devemos com urgência abrir mão de muito do nosso ruidoso interior, medroso do silêncio. Pela quietude e pelo silêncio, na escuta da sabedoria do Pai, começando na vida de piedade pessoal, envolvendo não menos a ação litúrgica e a prática pastoral, vislumbraremos, como em Emaús, o semblante do Ressuscitado a nos encorajar. A IEAB inteira, começando por seus Bispos, todo clero “e as congregações confiadas aos seus cuidados”, no tempo da Páscoa da Ressurreição é gravemente interpelada pela oportunidade de metanoia, de vida radicalmente nova e de testemunho na Missão.

    O mistério da Ressurreição de Jesus, transformador de tantas gerações antes de nós, hoje nos interpela e pacientemente revela caminhos e oportunidades novas. A Páscoa nos chama a provar do fermento santo de vida ressuscitada. Pela participação nos santos mistérios do Pão e do Vinho recebemos o dom do perdão e da emenda de vida.

    Reunidos em Porto Alegre de 30 de Março até 3 de Abril, os Bispos da IEAB, antecipando a semana da Paixão do Senhor, rezaram e intercederam por nossa restauração como povo pascal, vencendo a morte, anunciando a esperança, semeando encorajamento e suplicando pela redescoberta pessoal e eclesial daquilo que o Cristo de Emaús nos ensina e revela.

    “Não há dor que seja sem divino fim; Faze, ó Deus, que a Igreja compreenda assim, e, apesar das trevas, possa ver, Senhor, que Tu mesmo a levas, com imenso amor”. (Hino 258)

    Nota: A Câmara dos Bispos, reunida em POA de 31 de Março / 3 do corrente decidiu, por unanimidade, pospor a realização da reunião do Sínodo Geral e da Confelider em razão da comemoração, em 2010, do 120º Aniversário da IEAB (e da lembrança dos 200 anos de presença da Capelania Britânica no Brasil). Esta transferência, além de permitir melhor preparação para os eventos e sua celebração, concederá ainda mais tempo para a atual coleta e exame de dados já em andamento. É também possível que o Arcebispo de Cantuária, Sua Graça o Arcebispo Rowan Williams, possa estar conosco em ocasião tão especial, lado a lado com outros convidados e visitantes por nós esperados.

    Porto Alegre, 03 de abril de 2009

    Dom Maurício Andrade, Primaz e Brasília

    Dom Almir dos Santos, Oeste

    Dom Jubal Pereira Neves, Santa Maria-RS

    Dom Orlando Santos de Oliveira, Porto Alegre, RS

    Dom Naudal Alves Gomes, Curitiba, PR

    Dom Sebastião Armando Gameleira Soares, Recife, PE

    Dom Filadelfo  de Oliveira Neto, Rio de Janeiro, RJ

    Dom Saulo Maurício de Barros, Belém, PA

    Dom Renato da Cruz Raatz, Pelotas, RS

    Dom Roger Bird, São Paulo, SP

    Dom Clovis Erly Rodrigues, Emérito

    Dom Luiz Osório Pires Prado, Emérito

    Dom Glauco Soares de Lima, Emérito

    -

    Rev. Cônego Francisco de Assis da Silva

    Secretário Geral da IEAB

     
  • SNIEAB 10:30 on 04/04/2009 Permalink  

    Câmara dos Bispos esteve reunida em Porto Alegre 

    A Câmara dos Bispos da IEAB esteve reunida desde a terça-feira à noite com uma extensa agenda de trabalho que envolveu retiro espiritual, partilha de ministério, relatório da liderança Provincial e importantes decisões para o futuro da Igreja. A reunião foi em Porto Alegre, na Vila Betânea, entre os dias 31 de março até o dia 03 de abril, com a presença de todos os bispos diocesanos e de três bispos eméritos.

     

    Câmara reunida

    O retiro foi considerado como uma singular ocasião por parte de todos os bispos, especialmente porque chamou a atenção para o caminho que todos nós cristão trilhamos com nossos desafios e com descobertas que vamos fazendo no caminhar da paixão e morte de Jesus. Assumir essa paixão e morte integralmente, seja pela adoração seja pela entrega mesma da própria vida como pastores do rebanho de Deus é um imperativo dessa quadra de pré-semana Santa.
    Na partilha dos ministérios foi possível ouvir as angústias, os desafios mas também os sonhos de cada bispo em seu viver cotidiano, na relação com seu povo e clero. Foi ocasião para rezar uns pelos outros e reforçar ainda mais a colegialidade do ministério episcopal.

     

    Primaz apresenta relatório

     

    Como parte da agenda de negócios, os bispos ouviram o relatório de atividades do Bispo Primaz, destacando as muitas realizações de caráter pastoral e de representação que com muita dedicação e zelo que, mesmo em meio as demandas de sua própria diocese, foram relatadas. Ficou evidente o quanto pode ser feito tanto para a vida interna da Igreja como para as relações com a Comunhão Anglicana e para com o mundo ecumênico. Nos comentários feitos ao relatório, alguns dos bispos expressaram ações de graça pela partilha e pela dedicação e seriedade com que nossa Igreja foi pastoralmente liderada até agora.
    O Secretário Geral também apresentou o seu relatório e junto com o representante do GT Finanças, descreveu o resultado do esforço administrativo em reduzir o déficit e racionalizar o uso dos recursos da Igreja. Apresentou também o desafiante cenário de redução de receitas e a necessidade de uma reconfiguração dos eventos provinciais. O relatório foi muito bem acolhido pelos bispos que destacaram a seriedade e dedicação do Secretário Geral e da equipe do escritório provincial, bem como dos grupos de trabalho na gestão da Provincia.
    Como resultado dos relatórios e do quadro de desafios financeiros que ora enfrenta a Provincia, os bispos tomaram importantes decisões no tocante ao calendário de eventos provinciais, inclusive o adiamento do Sínodo para o mês de junho de 2010. Para a garantia da realização do próximo Sínodo, estabeleceu-se um novo patamar de contribuição das dioceses com vistas a garantir que o mesmo possa ser integralmente financiado.
    Uma Carta Pastoral de Páscoa da Câmara também será tornada pública nos próximos dias, conclamando a Igreja a assumir integralmente a vida e compromisso com o Ressuscitado diante de uma conjuntura desafiante em todos os aspectos, sejam pastorais, sejam eclesiais, sejam financeiros.

    -

    Rev. Cônego Francisco de Assis da Silva

    Secretário Geral da IEAB

     
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