Fórum Social Mundial deixa Belém com saudades
O Fórum Social Mundial chega ao fim como uma das mais expressivas edições. Cerca de cem mil inscitos, uma variedade de temas discutidos e uma convicção: a de que se vive uma oportunidade ímpar na História para se fazer ajustes na economia mundial de forma a garantir a redução das desigualdades.

Durante os últimos dias, a capital do Pará converteu-se num centro intelectual, religioso e político do mundo. Intelectuais, lideranças religiosas, indígenas, jovens e militantes de diversas causas partilharam mesas de discussão em torno de alternativas para o mundo de hoje.
A Coalizão Ecumênica teve presença expressiva durante o Fórum realizando atividades patrocinadas por diversos atores do cenário ecumênico e intereligioso mundial. Sob patrocínio dos parceiros da Coalizão, foram realizadas mais de quarenta atividades.
Na tenda ecumênica, localizada ao lado da capela da UFPA, realizaram-se na sexta-feira e no sábado discussões sobre câmbios climáticos e seus impactos na vida dos continentes. Seguindo o mesmo fundo temático, no sábado, discutiu-se as consequências das mudanças climáticas na produção de alimentos. Tanto na primeira como na segunda mesa, foi possível consensuar que o modelo de monocultura para garantir suprimento energético do mundo tem sérias consequências climáticas e afetam diretamente a produção de alimentos. Pesquisas recentes revelam que o aumento de áreas destinadas à produção de combustível vegetal reduziram drásticamente as áreas destinadas ao plantio de alimentos para subsistência, aumentando a fome na África e na Ásia. O caso brasileiro tem um agravante além da redução da produção de alimentos: a devastação do meio ambiente, seja pelo uso de agrotóxicos, seja pelo desmatamento nas áreas do cerrado e Amazônia.

Os milhares de participantes que passaram pela Tenda Ecumênica (foto) tiveram durante o Fórum a oportunidade de reviver a memória política dos anos de chumbo da Ditadura Militar. Uma exposição fotográfica intitulada Direto à Memória e à Verdade, Ditadura no Brasil, 1964-1985 chamou a atenção de quem caminhava pela orla do Guamá.
Mais uma vez fica evidente a contribuição da Coalizão Ecumênica para o conjunto do Fórum e a certeza de um belo trabalho de articulação local desempenhado pelo Grupo Interreligioso. Como anglicanos não podemos deixar de destacar a magnífica acolhida dos irmãos e irmãs da Diocese da Amazônia que se puseram de corpo e alma desde a chegada até a partida dos parceiros ecumênicos.
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Rev. Cônego Francisco de Assis da Silva
Secretário Geral da IEAB
