Rito do Corpo: uma abordagem do Fórum Mundial de Teologia e Libertação 

Aproximadamente mil participantes inscritos no Fórum Mundial de Teologia e Libertação tiveram hoje o terceiro dia temático do evento onde se abordou o Rito do Corpo. Este foi o terceiro segmento dos três ritos que compuseram o desenvolvimento temático, começando com o Rito da Água e continuando no dia de ontem com o Rito da Terra.

A mesa de hoje contou com a participação de conferencistas de diferentes contextos e perspectivas. A teóloga coreana Chung Hyun Kyung, a teóloga norte-americana Mary Hunt e o filósofo francês Michel Dubois apresentaram desafiadoras teses ao plenário chamando a atenção para a construção das corporeidades nas diversas sociedades e suas implicações na construção de modelos relacionais entre as pessoas. Não faltaram como ingredientes dessas abordagens a questão política, a questão cultural e a questão da sexualidade.

 

mesa do fmtl

 

Todos foram unânimes em reconhecer que a corporalidade é resultado de construções culturais que muitas vezes destroem os fundamentos ontológicos do próprio ser corpo. O corpo, de acordo com um dos aportes apresentados tem sua origem no próprio Deus e por isso é extensão divina que deve ser respeitado, amado e considerado para além de quaisquer outros interesses.

A conjuntura de um mundo que está posto em divisões de classe e de sexualidades precisa ser enfrentada com uma percepção de que a destruição de corpos pela guerra, pela fome ou pela exploração é a destruição do próprio mundo.

O Fórum prossegue ainda hoje com uma mesa de debates que abordará a questão Amazônica e que contará com a presença de Marina Silva e o teólogo Leonardo Boff. 

Gente de praticamente todos os continentes estão participando do Fórum onde é possível se ver expressões tão diversas culturalmente quanto teológicamente. Neste universo de tanta diversidade há no entanto um grande consenso: a de que é possível construir-se alternativas para o mundo atual que não somente destrói os corpos de seres humanos, mas também o grande corpo do próprio Deus que é a nossa Terra.

A IEAB está representada no Fórum através do bispo Sebastião Armando, Madalena Soares e Rejane Costa. Na preparação do evento e no apoio e interação com o mesmo temos a maciça participação da Diocese Anglicana da Amazônia.

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Rev. Cônego Francisco de Assis da Silva

Secretário Geral da IEAB