Lambeth 2008: igualdade de gênero e pacto
A Conferência iniciou seu décimo quarto dia com celebração eucarística presidida pela Província do Canadá. Era o começo de um importante tema a ser desenvolvido durante todo esse dia: Iguais aos olhos de Deus. O subtema que seria explorado apontava para o Poder como Abuso. Na sessão da manhã, os bispos e esposas partilharam juntos o mesmo espaço e refletiram a respeito de um tema nada confortável: o abuso e violência contra as mulheres. A provocação bíblica foi tão forte, baseada no estrupo de Tamar por seu meio-irmão, que as emoções se fizeram sentir. Inclusive, segundo informes, cerca de 100 bispos abandonaram a sessão por considerarem a abordagem forte demais.
Alguns testemunhos puderam se destacar como o de alguém que levantou a tese do porque se discutir tanto sobre homossexualidade, enquanto a violência contra as mulheres segue impune diante do silêncio da Igreja. Uma esposa de arcebispo, da África Centra, em depoimento à imprensa, revelou que o rapto de mulheres é instrumento e estratégia de guerra em algumas regiões conflituosas da África. É possível imaginar como essa temática mexeu com a Conferência durante todo o dia.
À tarde, o Arcebispo Rowan Williams dirigiu sua segunda palavra primacial à Conferência. Um momento aguardado com muita ansiedade por todo mundo. Diante de uma audiência concentrada em cada palavra sua e ansiosa por ler não somente as linhas mas também as entrelinhas de sua fala, o Arcebispo adotou o discurso do centro. Não um centro político, como ele mesmo tentou esclarecer, mas um centro emocional, que foge dos extremismos e que constitui a própria essência do anglicanismo. Foi um discurso forte, mas nada definitivo. Na verdade, o Arcebispo está esforçando-se em manter a unidade da Comunhão. Por essa razão, a sua fala apontou na direção do Pacto Anglicano que está em processo de discussão.
A grande questão é se o pacto – pelo menos a posição dos bispos brasileiros é clara nesse sentido – realmente é uma necessidade por seu caráter jurídico. A compreensão é de que já existem muitos instrumentos de unidade e que esses tem sido historicamente suficientes para a vida da Comunhão.
Sintoma ou não dessa fala do Arcebispo, o que ficou patente pela manifestação da audiência foi o profundo silêncio. Não houve palmas e nenhuma outra manifestação evidente. Um grande e profundo silêncio na tenda. Hoje se avaliará o impacto da fala primacial.

Após todo esse dia de alta exigência emocional e intelectual e de muitas fortes emoções, nada melhor do que uma merecida confraternização. O bispo Marc Andrus, da Diocese da Califórnia, companheira da Diocese de Curitiba, convidou a todos os brasileiros a participarem de um jantar. Segundo ele, esse gesto é o de agradecimento e reconhecimento pela acolhida que ele e sua esposa, Sheila, receberam em Curitiba, abril passado.
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Rev. Cônego Francisco de Assis da Silva
Secretário Geral da IEAB
