Igrejas e Organismos discutem Incidência

Com a presença do Bispo Primaz e do Secretário Geral, convidados pela CESE – Coordenadoria Ecumênica de Serviço, realizou-se entre os dias 27 e 29 de março a Consulta sobre Incidência Pública, reunindo os líderes das Igrejas e Organismos Ecumênicos latino-americanos.

A Consulta teve por finalidade discutir o papel das Igrejas e Organismos Ecumênicos como promotoras dos direitos fundamentais dos cidadãos e cidadãs, especialmente no que diz respeito às políticas públicas.

A questão da incidência pública tem sido construída em meio a muitas indagações a respeito do papel do Estado e de suas ações econômicas, sociais e culturais que afetam a vida de todas as pessoas. A Consulta teve um aporte bíblico-teológico que foi partilhado pelo nosso Primaz e pelo atual Presidente do CONIC, Pastor Carlos Moller, os quais enfatizaram o imperativo bíblico do profetismo, e da incidência da Igreja. Segundo D. Maurício, parafraseando o Arcebispo William Temple, “a Igreja é a única sociedade do mundo que existe para as pessoas que não são membros dela”.

E acrescentou: “Caminhos e desafios abrem-se pelas transformações das relações sociais. Pessoas vinculam-se não só à comunidade geograficamente próxima, mas também a outras formas de comunidades: profissional, esportiva, educativa, civil, política e de modo mais marcante as comunidades virtuais. Estes também são lugares de Missão”.

Com a chamada redução do Estado dentro das estratégias neo-liberais, o poder econômico se tornou o regulador quase absoluto da vida dos cidadãos e cidadãs, os quais necessitam explicitar de forma mais concreta seus anseios. Para tanto, se valem das organizações não–governamentais e dos movimentos sociais para pressionar os governos na direção de políticas verdadeiramente emancipatórias.

A incidência pública das Igrejas e Organismos representa o fortalecimento da Sociedade Civil e a expansão do controle social. Representa também a possibilidade de um protagonismo político, não partidário, capaz de mobilizar a base da sociedade diante das conseqüências nefastas de políticas depredatórias do meio-ambiente e da cada vez mais excludente variável econômica.

A Consulta foi promovida por CESE e pelo CREAS – Centro Regional Ecumênico de Assessoria e Serviço e contou com a presença de representantes da América Latina. Aliás, esta foi a quarta etapa de um processo de diálogo já realizado no Peru, Colômbia e Argentina.

Ao final do evento, ficou evidente a necessidade de se articular concretamente uma rede latino-americana de Igrejas e Organismos na busca de um protagonismo realmente incidente sobre a dinâmica conjuntura de nosso continente.

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Rev. Cônego Francisco de Assis da Silva

Secretário Geral da IEAB