Adorar É Doar-se

Assim como Maria, assustada com a mensagem do anjo, diante de tão grande responsabilidade, somos desafiados a dizer: faça-se em nós conforme a tua palavra! Intuitivamente ela sabia que a tarefa era grande demais para uma adolescente da periferia da periferia. Mas a sua fé dizia quase que sussurrando: vá em frente porque o que você vai precisar para cumprir a sua parte, Ele mesmo lhe dará.

Neste tempo de Advento e Natal, somos desafiados a responder com fé ao chamado que Deus faz para cada um de nós. É o chamado para tornar o seu reino cada vez mais visível no mundo. Mas muitos de nós, ao contrário de Maria, apresentamos tantas desculpas, revelando às vezes uma falsa humildade e um enorme medo. Mas lá no mais intimo de nosso ser, revelamos na verdade nosso mais puro egoismo.

Nesses quase cinco meses à frente da Secretaria Geral, descobri com muita alegria pessoas dispostas a adorar a Deus efetivamente, doando-se e oferecendo-se para o serviço d’Ele através de sua Igreja. São pessoas que amam a Deus e que não medem esforços para demonstrar esse amor. Doam seu tempo, doam seus sonhos, doam seus dons, doam seus recursos materiais e o fazem de forma apaixonada e alegre.

Muitas vezes costumamos dizer que o problema da Igreja é financeiro. Isso não verdade. O problema da Igreja é a falta de doação autêntica dos filhos e filhas de Deus. E isso é resultado da qualidade de nossa adoração. Se observarmos bem, a palavra adorar tem uma composição simbólica em que “doar” está implicita dentro dela e constitui seu maior simbólico: aDOrAR.

A perfeita adoração de Maria constituiu-se numa completa doação a Deus de sua vida e de seu corpo para fazer nele a morada do tão esperado Salvador. Através dela foi possível Deus doar-se perfeitamente ao mundo, realizando a promessa de redenção da humanidade.

Que nesse tempo de Advento possamos nos doar por completo a Deus, afim de que nosso coração seja a manjedoura que acolha o menino Salvador. Lembremo-nos de que o nascimento de Jesus ocorreu em circunstâncias bastante particulares porque “não havia lugares” disponíveis. As pessoas não tinham espaço para acolher aquela que estava para dar a luz. As pessoas estavam muito preocupadas com suas necessidades e problemas. Não conseguiram partilhar sequer um espaço.

Que Deus desperte em nós o sentimento de Maria e nos faça adoradores em espírito e em verdade. E que essa adoração seja completa, com a doação de nossa vida e de tudo o que temos e que somos! Se assim procedemos, os sinais do Reino de Deus serão cada vez mais evidentes!

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Rev. Cônego Francisco de Assis da Silva

Secretário Geral da IEAB