Fermento Novo na Massa do Mundo
Vivemos o tempo Pascal. A Páscoa de nosso Senhor Jesus Cristo tem alcance universal. O anúncio desta Boa Nova atinge ou deveria atingir a todo o universo. Ninguém e nada deve ficar sem ser “fermentado” pelo Evangelho.

São Paulo nos lembra, na sua epístola aos Colossenses, que, celebrando a Páscoa, devemos ser fermento novo na massa do mundo. Todas as dimensões da vida humana e da existência precisam ser tocadas e transformadas pela força do Cristo ressuscitado.
É daí que surge o compromisso de todo cristão ou cristã com a construção de um mundo novo, de uma sociedade nova. Somos presença (fermento) no meio da realidade. Não podemos nos ausentar das grandes questões, das grandes causas da vida, sob pena de reduzirmos a obra da Redenção a uma “simples salvação da alma”. É a vida inteira em sua diversidade e, dentro dela, o ser humano inteiro em sua diversidade, que precisam ser salvos.
Cada um de nós e todos, juntos, somos responsáveis por salvar a humanidade e a nossa terra da destruição. Mas não precisamos sair com o “Greenpeace” impedindo a caça das baleias ou abraçando uma árvore centenária na Amazônia. Nossas atitude diárias, simples, de respeito à vida, à natureza, às pessoas, já significarão muito na construção de um mundo novo.
Será que podemos perceber os sinais da Ressurreição hoje? Como levar as pessoas a crerem na Ressurreição, se o que mais se vê é corrupção, destruição e morte? Onde está a vida nova? Se tudo isso nos inquieta, devemos ter sempre presente que a vida nova começa dentro de nós.
É pela renovação das nossas mentes que nos transformamos e passamos a ser agentes da transformação à nossa volta.
A Luz do Cristo ressuscitado se expande no mundo pelas nossas pequenas e pobres “velas”, que não são dispensáveis.
Celebrar o Cristo Ressuscitado é também ter olhos novos para ver o novo acontecendo onde a vida está brotando: a esperança que volta a um coração desanimado, a entrega ao serviço amoroso ao próximo, o crescimento de uma maior consciência da responsabilidade de todos na paz, na justiça, na luta pela integridade de toda a criação.
Tudo isso ganha importância quando é um compromisso cristão com a vida que vence a morte.
Portanto, irmãos e irmãs, celebrar a Páscoa é comprometer-se de novo, e de forma nova, com o resgate da vida em todas as suas dimensões, onde estamos cercados de tantos sinais de morte.
Uma Feliz e abençoada Festa da Ressurreição!
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Orlando Santos de Oliveira
Bispo Primaz da IEAB
