Nós não Temos o Monopólio de Deus

O Arcebispo Sul-Africano Desmond Tutu (Igreja Anglicana) foi o destaque da concorrida e lotada conferência de imprensa de agora há pouco. Juntamente com ele, participavam da mesa a bispa Margot Kässmann (Igreja Evagélica Alemã) e do Arcebispo Anastasios (Igreja Ortodoxa Independente da Albânia).

O Arcebispo Tutu vinha da sessão plenária sobre Unidade Cristã, na qual havia sido muito aplaudido por sua declaração intitulada Busca da Unidade. “Uma igreja unida não é uma opção adicional. Uma Igreja unida é indispensável para a Salvação do mundo de Deus”, escreveu Tutu, em sua declaração.

Na coletiva, o Arcebispo Tutu disse que o Conselho Mundial de Igrejas é crucial por ser um instrumento onde nós podemos ajudar a Deus a implementar o sonho de sermos uma família de Deus, a família humana. “O CMI tem sido um dos principais fóruns inter-religiosos”. Afirmou ainda que nós, cristãos, “não temos o monopólio de Deus. Deus pode abraçar a todos – nós é que limitamos a quem Deus pode abraçar. Deus aceita a todos, inclusive a Bush, Bin Laden”.

O Arcebispo Anastasios disse que “a unidade tem sido um profundo sonho dos humanos. E nós, em plena globalização, temos que saber que ela se torna uma necessidade, para não tornarmos esse isolamento em um segundo escândalo”. O primeiro, segundo ele, foi quando, no século passado, as igrejas estavam indiferentes à pobreza e deixaram, no início, para outras organizações/instituições fazerem o seu trabalho.
“Sem o CMI seria impossível conheceremos uns aos outros, como cristãos. Seria impossível de conhecer o outro e de trabalharmos juntos, apesar das nossas diferenças”, completou o Arcebispo Anastasios.

A Bispa Margot disse que “os desafios da pobreza e da globalização se colocam claramente na mesa de trabalho dessa Assembléia”. A pergunta que se configura é como as igrejas podem ser uma voz profética e transformadora?

Ela ainda lembrou as palavras do Arcebispo Rowan Williams, quando ele afirmou que temos que ter certeza da nossa Identidade para que não tenhamos medo do outro, em um diálogo ecumênico.

“A resposta que podemos dar, quando questionados sobre qual foi resposta a Assembléia do CMI sobre a importância do movimento ecumênico, é a de haver um consenso de ficarmos juntos, de lutarmos contra a pobreza e por todos os problemas sociais que o mundo enfrenta, apesar de nossas diferenças, e de que somos contra o uso da religião para justificar as atrocidades, as guerras e violências que são praticadas no mundo”, disse o Arcebispo Anastasios.

Complementando essa afirmação, o Arcebispo Tutu disse: “Não conheço nenhuma fé/religião que diz crer na injustiça, na pobreza. São as pessoas que são más e não as religiões”. Por isso existe a necessidade do CMI em denunciar e se posicionar contra isso.

Amanhã o Arcebispo Desmond Tutu participará da cerimônia de encerramento da Caminhada pela Paz, que sairá do Largo Glênio Peres, no centro de Porto Alegre, às 19h, e termina na Catedral Católica Metropolitana, em frente à Praça da Matriz.

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Cláudio Oliveira

Departamento de Comunicação