Arcebispo Rowan Reúne-se com os Anglicanos

O Arcebispo de Cantuária, Dr. Rowan Williams, reuniu-se com todos os anglicanos que participam da IX Assembléia, ontem, pela manhã, no auditório do prédio 9, na PUCRS.

Ele, inicialmente, fez considerações sobre o que está acontecendo na Comunhão Anglicana. Segundo ele, têm sido divulgadas muitas histórias sobre as dificuldades e as tensões em nossa Comunhão, porém, ignora-se uma realidade diferente e criativa.

Nesse sentido, citou o trabalho que tem sido desenvolvido na área de Educação Teológica, as ações para que as Metas de Desenvolvimento para o Milênio sejam cumpridas como dois bons exemplos pelos quais a Comunhão Anglicana está trabalhando.

Também citou o trabalho da Mother’s Union (União das Mães), que ele considerou o quinto instrumento de unidade da Comunhão, um dos mais poderosos trabalhos conduzidos por leigos no mundo anglicano.

Às tensões atuais vividas pela Comunhão, o Arcebispo atribuiu a dois pontos principais. Um deles são as relações de poder em nosso mundo. Segundo o Arcebispo, existe uma percepção de que a elite ocidental, controla, manipula, determina a agenda. E isso não se aplicaria somente à Igreja. As igrejas novas querem afirmar sua integridade, sua maturidade intelectual e espiritual. E daí surgem as complicações nos relacionamentos.

“É muito triste ver o Anglicanismo se tornando como que uma Igreja da elite liberal do ocidente, ou numa Igreja do anti-intelectualismo numa sociedade pós-missionária, exercido pela igrejas novas…o perigo é que um lado insiste em um fundamentalismo que é incapaz de encontrar as profundas necessidades espirituais dos seres humanos, e do outro lado, simplesmente torna-se uma versão religiosa do bem-estar da sociedade ocidental. Como nós podemos juntos redescobrir um sentido que nos coloque todos sobre o julgamento de Deus. Que nós somos chamados ao sacrifício. Esse é o desafio para qualquer membro da Comunhão”, disse o Arcebispo Rowan.

O segundo seria mais um ponto teológico. Em uma boa igreja, no trabalho dela, deveríamos ser capazes de reconhecermos no outro as suas diferenças e os seus interesses. Lembrou o que tinha dito na última Conferência de Lambeth: “Nós devemos, antes de mais nada, seguir os mesmos padrões de obediência. Que todos, diferentemente do que estávamos fazendo, deveríamos estar tentando ser obedientes a Cristo, como é dito nas Escrituras”. E se olharmos hoje, vendo os dois extremos, veremos algumas pessoas das Igrejas novas (no sul) dizendo que não reconhecem os padrões de obediência das Igrejas do Atlântico Norte, o mundo de fala inglesa. Isso nos parece que a agenda não é determinada pela obediência, mas pela sociedade. O que é lamentável.

“Nós devemos ser honestos. Nós devemos trabalhar. Nós devemos reconhecer que não existe respostas curtas. Nós devemos fazer tudo por aquilo pelo qual acreditamos que somos chamados por Deus em sua Comunhão que nós representamos, porque nós acreditamos que Deus tem algo a nos dizer e através de nós, no contexto da Igreja Mundial, que é o motivo pelo qual estamos nesta Assembléia”.

O Arcebispo Williams finalizou, dizendo: “Obrigado por estarem aqui e serem vocês mesmos. Por favor, orem por mim e por aqueles que estão tentando manter a Comunhão viva, e eu sei que posso contar com o seu trabalho e o seu testemunho para fazerem o mesmo”.

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Cláudio Oliveira

Departamento de Comunicação