IEAB Sofre Boicote e lhe É Retirado o Direito de Participar do III Encontro Anglicano do Sul Global

Através de carta emitida pelo Primaz da Nigéria, Peter Akinola, ao primaz brasileiro, a IEAB foi notificada de que não é mais bem-vinda ao III Encontro Anglicano do Sul Global, que reúne as províncias anglicanas do Hemisfério Sul, e que deve se retratar por declarações feitas pelo bispo Jubal Neves, da Diocese Sul-Ocidental, que, em seu relatório episcopal apresentado no último Concílio Diocesano (disponível no site da Diocese), fez críticas ao grupo conservador, que tem acirrado seu lobby em todas as instâncias da Comunhão Anglicana, na defesa de uma Nova Comunhão Anglicana  fato que se torna evidente diariamente, como podemos constatar ao lermos os mais variados meios de comunicação na internet, como por exemplo em http://www.ekklesia.co.uk/content/news_syndication/article_050911afr.shtml).

Além disso, o presidente do comitê organizador do Encontro, Dom Akinola, afirmou que a deposição de Robinson Cavalcanti foi precipitada e que, somada às afirmações de Dom Jubal, tais fatos seriam fatores que gerariam uma crise entre as nossas relações (entre Brasil e Nigéria) e divergem dos compromissos teológicos da Comunhão Anglicana e de outras províncias do Sul Global.

Dom Orlando Oliveira, em sua resposta ao primaz nigeriano, com cópia para o Arcebispo de Cantuária e ao Secretário-Geral da Comunhão Anglicana, afirmou que A IEAB está sendo julgada e discriminada pela organização do Encontro.  …me parece que o Comitê Organizador do Encontro Sul Global não quer nos ouvir; me parece que eles querem somente ouvir uma maneira de se pensar. Me parece que os participantes e o conteúdo teológico do Encontro terá somente uma perspectiva teológica, e não é aberta pastoral e teologicamente à diversidade, que é a base da Comunhão Anglicana. A Igreja no Brasil nunca cortou relações com nenhuma província da Comunhão Anglicana, embora não concordasse com todas as posições e atitudes adotadas por parte de algumas.

Sobre o as afirmações de Dom Jubal Neves, diz: …cada bispo diocesano tem a liberdade de se expressar, sejam quais forem suas opiniões que não representam necessariamente, ao mesmo tempo, uma voz autoritária do Brasil. Antes de qualquer afirmação, lembro-lhe de que Dom Jubal Neves é um dos nossos bispos mais antigos da Câmara dos Bispos, e merece nossa consideração e respeito, quer concordemos ou não com seus pronunciamentos.

Sobre a deposição de Robinson Cavalcanti, que foi considerada precipitada pelo primaz da Nigéria, Dom Orlando alertou: …eu acredito que isso não é tarefa de nenhum bispo, clérigo ou leigo da Comunhão Anglicana fazer tal julgamento sobre a IEAB. Isso se deve pelo fato deles não conhecerem a real situação de algo que é um assunto interno da Igreja brasileira. Bispo Cavalcanti foi deposto por problemas disciplinares, éticos e morais. Ele foi o único que quebrou comunhão com a Igreja Brasileira, e ele ofendeu e desrespeitou o Primaz, a Câmara dos Bispos, o clero e o povo de toda a província.

Antes de finalizar a sua carta, o primaz brasileiro, em nome da IEAB, lamentou a decisão do comitê organizador do Encontro Anglicano do Sul Global. Nós manifestamos nossa tristeza e surpresa que um encontro oficial da Comunhão Anglicana, pela primeira vez, é planejado de maneira autoritária e discriminatória.

E complementou: A Província do Brasil não tem que se desculpar por suas ações e declarações, no sentido de que em todas as nossas manifestações temos procurado ser respeitosos com todos os nossos irmãos e irmãs em Cristo. Agora, isso não significa que nós temos que sempre concordar com o critério de seleção imposto para ser participante do Encontro do Sul Global, porque o comitê organizador, em sua maneira de agir, tem sido autoritário, incontestavelmente.

O Primaz brasileiro tem recebido manifestações de apoio por parte de muitas personalidades do mundo anglicano, que também lamentam a atitude e que consideram absurdas as criticas feitas à IEAB.

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Christina Takatsu Winnischofer

Secretária Geral da IEAB