Carta Pastoral de Advento do Primaz da IEAB

O Reino está próximo.

O Advento é um tempo que o forte convite da igreja é de que nos preparemos para a Festa do Santo Natal que se aproxima. Nesse tempo as leituras nos falam de João Batista, o grande profeta que recebeu de Deus a missão de preparar os corações humanos para a chegada do Messias. Ele veio endireitar a estrada humana, para que nela passasse o nosso Salvador.

João Batista, nosso companheiro neste clima de espera e preparação que precede o Natal, diz que o Reino está próximo: Jesus é a presença do Reino, é o sinal do Pai, anunciando a paz possível e, apesar de tudo o que já aprontamos, a salvação está sendo oferecida como possibilidade real e concreta. Jesus definitivamente propõe uma meta revolucionária: um novo mundo, uma nova maneira de viver, na reconciliação, na gratuidade, na justiça ” para que venha a paz”.

Preparar o Natal é alimentar esta esperança. Proclamar a Jesus, nosso Redentor que vem, é orientar a vida para essa grande utopia, na esperança da graça que nos socorre e nos faz caminhar nos impossíveis de Deus. E João mesmo aponta o que se precisa fazer: penitência, não só no sentido de sacrifício ou busca de sofrimento, mas como conversão do coração, mudança de rumo da nossa vida para nos tornarmos parceiros e cooperadores de Deus.

No meio do grupo que ouvia a João Batista, apareceram alguns fariseus e saduceus, daqueles que se julgavam donos de Deus porque pertenciam ao povo eleito, eram “filhos de Abraão”. Eram meio parecidos com certas pessoas que hoje pensam que podem manipular a Deus cultivando esta ou aquela devoção, esquecendo e humildade e a solidariedade. João diz que não é por aí que se vai ao Reino. “Deus pode fazer das pedras filhos de Abraão” ( Mt 3.9) , diz João Batista. Deus pode incluir no “seu povo” gente que não reza pela nossa cartilha. O critério são os bons frutos produzidos, não é o rótulo que diz a que povo, grupo ou Igreja que pertencemos. Ele diz que Jesus vai saber separar o trigo da palha. Trigo são os sinceros, os que preparam o caminho da paz com a vida transformada para Deus e para os irmãos e irmãs, os que agem, a favor da justiça, os que são capazes de mudar o caminho para participar da construção do bem maior que Deus mesmo vai realizar.

Sem a graça de Deus nada podemos, é verdade! Mas Deus já demonstrou, em Jesus, de que tamanho é a oferta dessa graça. Da parte de Deus, não há dúvidas nem deficiências. Agora nos cabe acolher a graça, tornada visível no Menino do presépio, e trabalhar, com humildade, caridade, sem preconceitos, arrogância, discriminação, pela reconciliação e paz em todos os níveis.

Jesus já veio e já viveu esta reconciliação radical, perdoando até os que o mataram. No entanto, hoje o cordeiro tem certeza de que ainda não é seguro abrir a porta para hospedar o lobo e qualquer família sabe que precisa tomar conta direitinho de seus filhos porque o perigo é o que não falta. Mas a Palavra do Senhor não pode ficar sem efeito! É a para a utopia anunciada por Isaias (Is 11.1-10) que temos de caminhar. É isso que Deus quer, é isso o que o nosso coração mais profundamente deseja.

Um Feliz e Abençoado Santo Natal a todos!

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Revmo. Orlando Santos de Oliveira

Bispo Primaz da IEAB