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  • SNIEAB 10:20 on 14/12/2004 Permalink | Responder
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    Carta do Primaz da IEAB ao Arcebispo de Cantuária e aos Primazes 

    Porto Alegre, 14 de dezembro de 2004.

    À Sua Graça Reverendíssima, Dr. Rowan Williams,
    e aos Primazes da Comunhão Anglicana

    Reverendíssimos Irmãos:

    Saudações na Paz do Senhor Jesus!

    Escrevo-lhe, em nome da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, para esclarecer alguns pontos da situação vivida em nossa Província, no que se refere à situação na Diocese Anglicana do Recife. Recebemos com surpresa cópia de carta do Revmo. Bispo Dom Robinson Cavalcanti, da Diocese Anglicana do Recife, dirigida à Vossa Graça e demais Bispos Primazes, solicitando ser recebido juntamente com sua diocese em uma outra jurisdição eclesiástica que não a Província da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil.

    Em primeiro lugar, cabe-nos esclarecer que a Província Anglicana do Brasil não mudou seus cânones e nem seus ritos litúrgicos; não aprovou a ordenação de homossexuais e nem a realização de bênção matrimonial de pessoas do mesmo sexo. A Carta Pastoral ao Sínodo da Igreja sobre o tema, reafirmou sua concordância com as decisões de Lambeth no seu todo e não parcialmente, como alguns a tem interpretado. A Província do Brasil tem sido acusada levianamente por Dom Robinson de ser intolerante e agir com arbitrariedade contra os evangelicais, mesmo antes de Mineápolis. Tal denúncia por parte de Dom Robinson não procede. Ao contrário, as atitudes de intolerância, preconceito e opressão têm ocorrido por parte de Dom Robinson, na Diocese Anglicana do Recife, já há muito tempo; o que provocou a solicitação de cerca de um terço do clero e juntas paroquiais, e comunidades de sua diocese, inclusive a Catedral e o Seminário Teológico, de uma supervisão provincial.

    Suas posições, linguagem e ações agressivas, e desrespeito à Província, aos colegas clérigos e Bispos, estão claramente registradas em seus vários pronunciamentos, cartas, mensagens, documentos, decretos que estão veiculados no site da Diocese Anglicana do Recife, no qual, aliás, se retirou o nome e o símbolo da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, e identifica a diocese como Uma Diocese da Comunhão Anglicana, configurando o seu rompimento unilateral com a Província Anglicana do Brasil.

    A escalada de tensões incluiu a participação do Bispo Robinson, com bispos aposentados, sem qualquer comunicação ou autorização do Primaz do Brasil, em um ofício de Confirmação na Diocese de Ohio, da ECUSA. O que expôs a Província do Brasil perante o Bispo Diocesano de Ohio, que não autorizou e mesmo desconhecia tal ato.

    As informações divulgadas, também por Dom Robinson, de que o que está ocorrendo no Brasil é uma guerra santa dos liberais contra os evangélicos, não têm qualquer fundamento. Nossa Província é plural e abriga em seu meio uma diversidade de comunidades e correntes teológicas. Existem evangélicos em toda a Província do Brasil que, junto com seus párocos e povo, estão em perfeita comunhão com o seu bispo. O próprio Dom Robinson foi por anos Presidente da Junta Nacional de Educação Teológica, atualmente é membro do Conselho Executivo do Sínodo, representantes clericais e leigos da Diocese do Recife estão na maioria das Comissões e organismos nacionais. Nunca houve opressão e, sim, numerosas divergências ou diferenças de visão, o que é natural em nossa comunhão. Note-se que a Câmara dos Bispos hoje tem perfeita comunhão, com exceção do Bispo Robinson, que tem se colocado deliberadamente fora de nossa comunhão, não participando de quaisquer reuniões, há meses, e declarando sua intenção de não tomar parte em qualquer celebração eucarística ou de outros ofícios com a presença de outros bispos da Igreja.

    Essa atual crise de Dom Robinson e seus apoiadores com a Igreja do Brasil não se prende a questões teológicas ou doutrinais, mas sim à questões de cunho ético, disciplinar e canônico. Trata-se de uma posição sistemática e política do Bispo Robinson, de oposição e agressão à província na pessoa de seus Bispos, do Clero e Povo. Após inúmeras tentativas, infrutíferas, da Câmara dos Bispos, na busca de entendimento, o diálogo tornou-se impossível com alguém que imagina possuir a verdade de Deus e ter sido por Ele ungido para salvar a Igreja da imoralidade, traição ao Evangelho e abandono das Escrituras Sagradas.

    Diante de denúncia apresentada, assinada, por dois bispos, dois clérigos e dois leigos, seguindo os trâmites legais, instaurou-se processo disciplinar contra Dom Robinson. Sempre esteve assegurado ao Bispo Diocesano do Recife o seu direito de defesa, nas instâncias adequadas da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil e na forma processual disposta nos Cânones Gerais da Igreja. A Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, como Província integrante da Comunhão Anglicana, tem legitimidade para agir, sendo aqui o foro legítimo para que Dom Robinson decline suas razões.

    Por isso, achamos, no mínimo, estranha a solicitação de Dom Robinson, pedindo Supervisão de outro Primaz sobre a sua Diocese. Essa solicitação foi feita de maneira irregular, uma vez que o Concílio da Diocese Anglicana do Recife, do qual ela procede, fôra suspenso, diante da recusa de Dom Robinson em acatar o Decreto de Supervisão Episcopal Especial, de 16 de setembro de 2004, consubstanciada em documento de sua autoria no qual declara publicamente a ineficácia da decisão provincial. O Decreto de Suspensão do Concílio declara como ato de insubordinação e indisciplina de natureza gravíssima a não observância desta determinação e reputa nulos e sem nenhum efeito, qualquer decisão ou resolução tomada neste concílio. Todos os que participaram de tal ato de insubordinação são passíveis de sofrer as sanções cabíveis e previstas em lei.

    Reafirmamos à Vossa Graça que não existe nenhum caráter de perseguição ou retaliação contra Dom Robinson. O que existe são medidas disciplinares contra atos de quebra de votos de ordenação sacerdotal, de colegialidade e comunhão episcopal praticadas pelo mesmo. Os Bispos e a liderança provincial continuam no firme propósito de comunhão e reconciliação em nossa Província. Reafirmamos o nosso desejo de manter o diálogo e reconstruir a unidade. Mas não iremos transigir nas questões éticas, políticas e disciplinares da Igreja. Esse é um problema interno da Igreja do Brasil, e, nós, dentro da legalidade, e sempre com cuidado pastoral, encontraremos os meios adequados para resolver a presente crise.

    Solicitamos à Vossa Graça Reverendíssima e aos primazes que continuem a orar pela Paz e Unidade em nossa Igreja do Brasil.

    Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, e são chamados segundo o seu propósito – (Rm 8.28).

    Fraternalmente em Cristo, o Príncipe da Paz,

    -

    Revmo. Orlando Santos de Oliveira

    Bispo Primaz da IEAB

     
  • SNIEAB 10:18 on 14/12/2004 Permalink | Responder
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    Carta Pastoral de Advento do Primaz da IEAB 

    O Reino está próximo.

    O Advento é um tempo que o forte convite da igreja é de que nos preparemos para a Festa do Santo Natal que se aproxima. Nesse tempo as leituras nos falam de João Batista, o grande profeta que recebeu de Deus a missão de preparar os corações humanos para a chegada do Messias. Ele veio endireitar a estrada humana, para que nela passasse o nosso Salvador.

    João Batista, nosso companheiro neste clima de espera e preparação que precede o Natal, diz que o Reino está próximo: Jesus é a presença do Reino, é o sinal do Pai, anunciando a paz possível e, apesar de tudo o que já aprontamos, a salvação está sendo oferecida como possibilidade real e concreta. Jesus definitivamente propõe uma meta revolucionária: um novo mundo, uma nova maneira de viver, na reconciliação, na gratuidade, na justiça ” para que venha a paz”.

    Preparar o Natal é alimentar esta esperança. Proclamar a Jesus, nosso Redentor que vem, é orientar a vida para essa grande utopia, na esperança da graça que nos socorre e nos faz caminhar nos impossíveis de Deus. E João mesmo aponta o que se precisa fazer: penitência, não só no sentido de sacrifício ou busca de sofrimento, mas como conversão do coração, mudança de rumo da nossa vida para nos tornarmos parceiros e cooperadores de Deus.

    No meio do grupo que ouvia a João Batista, apareceram alguns fariseus e saduceus, daqueles que se julgavam donos de Deus porque pertenciam ao povo eleito, eram “filhos de Abraão”. Eram meio parecidos com certas pessoas que hoje pensam que podem manipular a Deus cultivando esta ou aquela devoção, esquecendo e humildade e a solidariedade. João diz que não é por aí que se vai ao Reino. “Deus pode fazer das pedras filhos de Abraão” ( Mt 3.9) , diz João Batista. Deus pode incluir no “seu povo” gente que não reza pela nossa cartilha. O critério são os bons frutos produzidos, não é o rótulo que diz a que povo, grupo ou Igreja que pertencemos. Ele diz que Jesus vai saber separar o trigo da palha. Trigo são os sinceros, os que preparam o caminho da paz com a vida transformada para Deus e para os irmãos e irmãs, os que agem, a favor da justiça, os que são capazes de mudar o caminho para participar da construção do bem maior que Deus mesmo vai realizar.

    Sem a graça de Deus nada podemos, é verdade! Mas Deus já demonstrou, em Jesus, de que tamanho é a oferta dessa graça. Da parte de Deus, não há dúvidas nem deficiências. Agora nos cabe acolher a graça, tornada visível no Menino do presépio, e trabalhar, com humildade, caridade, sem preconceitos, arrogância, discriminação, pela reconciliação e paz em todos os níveis.

    Jesus já veio e já viveu esta reconciliação radical, perdoando até os que o mataram. No entanto, hoje o cordeiro tem certeza de que ainda não é seguro abrir a porta para hospedar o lobo e qualquer família sabe que precisa tomar conta direitinho de seus filhos porque o perigo é o que não falta. Mas a Palavra do Senhor não pode ficar sem efeito! É a para a utopia anunciada por Isaias (Is 11.1-10) que temos de caminhar. É isso que Deus quer, é isso o que o nosso coração mais profundamente deseja.

    Um Feliz e Abençoado Santo Natal a todos!

    -

    Revmo. Orlando Santos de Oliveira

    Bispo Primaz da IEAB

     
  • SNIEAB 10:31 on 02/12/2004 Permalink | Responder
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    Decreto Episcopal Nº 001/2004 

    Após deliberações sobre a situação da Diocese Anglicana do Recife e sobre as recentes ações do seu Bispo Diocesano, o Conselho Executivo do Sínodo, com a assessoria da Comissão de Constituição e Cânones Provincial, aprovou as medidas tomadas através do seguinte Decreto do Primaz:

    DECRETO EPISCOPAL Nº 001/2004

    O Bispo Primaz da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, Dom Orlando Santos de Oliveira, no uso das atribuições que lhe conferem a Constituição e os Cânones Gerais da Igreja

    CONSIDERANDO

    * os graves problemas vivenciados pela Diocese Anglicana do Recife relativos a questões pastorais envolvendo o Bispo Diocesano, Dom Edward Robinson de Barros Cavalcanti e parcela do seu clero e membresia leiga;
    * a necessidade de atuação pastoral, de caráter preventivo e cautelar;
    * a recusa do Bispo Diocesano, Dom Edward Robinson de Barros Cavalcanti , em acatar o Decreto de Supervisão Episcopal Especial de 16 de setembro de 2004 ,consubstanciada em documento de sua autoria no qual declara publicamente a ineficácia da decisão provincial;
    * a concordância formal do Bispo Diocesano da Diocese Anglicana do Recife quanto à proposta de reunião de conciliação, aprazada para o dia 17 de dezembro de 2004, com vistas ao melhor delineamento dos cenários possíveis para o futuro, ao nível pastoral e institucional,
    * parecer da Comissão de Constituição e Cânones da Igreja reconhecendo o poder e a competência do Bispo Primaz para a expedição do presente Decreto Episcopal.

    RESOLVE

    1. Determinar a suspensão da realização do Concílio Diocesano da Diocese Anglicana do Recife, convocado para os dias 02, 03 e 04 de dezembro de 2004, enquanto perdurarem os conflitos pastorais ensejadores da medida especial de Supervisão Episcopal.
    2. Declarar como ato de insubordinação e indisciplina de natureza gravíssima a não observância da presente determinação;
    3. Reputar nulos e sem nenhum efeito, perante a IEAB, quaisquer atos contrários ao presente decreto episcopal.

    Notifique-se. Registre-se. Divulgue-se.

    Porto Alegre, 26 de novembro de 2004.

    -

    Revmo. Orlando Santos de Oliveira

    Bispo Primaz da IEAB

     
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