Esclarecimento Provincial 

Aos irmãos e irmãs da IEAB:

Por solicitação do Bispo Primaz, Dom Orlando Santos de Oliveira, estamos encaminhando esse documento para seu conhecimento. O Decreto da Câmara dos Bispos (divulgado ontem no Portal da IEAB) é fruto de um longo e doloroso processo, no qual se tentou diálogo com todas as partes envolvidas.

A seguir, colocamos alguns dos pontos que oferecem uma idéia das dificuldades enfrentadas na IEAB, durante esse processo de reflexão sobre a crise que se instaurou desde a decisão da Convenção Geral da ECUSA em 2003.

1) Diante da acusação feita à Província brasileira de acatar a decisão da ECUSA quanto à ordenação de bispos homossexuais, em nenhum momento se sinalizou em colocar em discussão a aprovação da matéria. O fato da Província brasileira respeitar uma decisão da instância máxima da ECUSA, não significa que ela endossa a mesma. Compete ao Sínodo Geral debater e deliberar sobre tais matérias.

2) Todas as instâncias da IEAB nunca deixaram de aceitar a Diocese do Recife e sua orientação evangélica, que também está presente nas outras dioceses.

3) O diálogo e ótima relação da Província com a corrente evangélica é concretamente comprovado com a presença de vários missionários de sociedades missionárias evangélicas, que realizam e têm realizado seu ministério plenamente em outras partes da IEAB.

4) Entre muitas atitudes que afrontaram e afrontam a Província brasileira, destacamos a participação de Dom Robinson, sem conhecimento ou autorização da IEAB, em um ofício de confirmação da Diocese de Ohio, sem o consentimento do Bispo daquela Diocese. Na ocasião, ele foi advertido pastoralmente pelo Primaz. Sua justificativa para a violação dos cânones da Igreja-irmã e da ética de relacionamento da Comunhão Anglicana foi que “situações extremas, exigem medidas extremas”.

5) As dificuldades enfrentadas sempre foram com o tipo de liderança e forma de agir do Bispo Robinson, no seu uso de linguagem ofensiva e desrespeitosa, inclusive com acusações levianas e vis, para com a Província, bispos e clérigos das outras dioceses. Estão na Internet todas as cartas e documentos de Dom Robinson, em que sua postura radical e desrespeitosa em posições e termos podem ser comprovados.

6) Sem falarmos de cartas e atitudes de baixo nível que circularam em sua diocese contra pessoas, clérigos e bispos da Província, sem que ele tome qualquer atitude, significando sua conivência com os mesmos.

7) Sob a alegação de decisões tomadas em reuniões em que Dom Robinson não estava presente, gostaríamos de enfatizar de que ele, como todos os outros bispos da IEAB, sempre foi convocado para estar reunido na Câmara dos Bispos. Quanto à última reunião, todos os puderam estar presentes fizeram sacrifícios pelo caráter extraordinário e emergencial dessa.

8) Nunca exercemos coerção, mas o direito de todos serem respeitados na diversidade de opiniões, o que Dom Robinson nunca respeitou na Província e em sua diocese, “todos os que discordaram dele foram punidos, colocados em disponibilidade”.

9) A Câmara dos Bispos acolheu a solicitação do Bispo Sufragâneo, de 14 clérigos, 9 paróquias e 6 missões, todos evangélicos, para uma supervisão alternativa, diante da postura intransigente e desrespeitosa de Dom Robinson Cavalcanti em não reconhecer discordâncias das posições radicais dele, como expressado no documento “Não sairemos”, rejeitando sua postura pastoral de falta de diálogo e desrespeito à IEAB.

10) Dom Robinson de maneira inteligente está transformando o seu caso numa “guerra santa” entre evangélicos e liberais. Mas essa não é a questão, nunca os evangélicos foram oprimidos ou rechaçados. O que estamos enfrentando é uma posição política do Bispo em relação à Província, postura essa que visa obter apoio dos radicais conservadores.

Lamentamos a situação que a nossa Igreja está vivenciando e reafirmamos a nossa intenção de manter o diálogo e de trabalharmos pela unidade da nossa Província e da Comunhão Anglicana. Nesse sentido, estamos aguardando o relatório da Comissão de Lambeth e o próximo Encontro dos Primazes, em 2005.

Solicitamos aos irmãos e irmãs que orem pela Igreja Episcopal Anglicana do Brasil e pelo povo da Diocese Anglicana do Recife.

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Christina Takatsu Winnischofer

Secretária Geral da IEAB