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  • SNIEAB 10:54 on 28/09/2004 Permalink | Responder
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    A Verdade Canônica na DAR 

    Logo que foi decretada a Supervisão Episcopal na Diocese Anglicana do Recife (DAR), começaram a surgir acusões de que a determinação da Câmara dos Bispos, em reunião extraordinária, não tinha amparo canônico – uma das justificativas apresentadas pelo Bispo Diocesano da DAR para recusar tal supervisão. Diante disso, o Dr. Senomar Teixeira, que está acompanhando juridicamente a situação vivida na DAR, divulgou a seguinte nota de esclarecimento:

    1. Por determinação do Bispo Primaz da IEAB, Dom Orlando Santos Oliveira, ouvida a Câmara dos Bispos e com o seu unânime apoio, foi designada, provisoriamente, supervisão episcopal alternativa para clérigos e clérigas, leigos e leigas e suas respectivas paróquias, que estavam vivendo há recentes semanas um clima de tensão e estremecimento das relações pastorais com o seu Bispo Diocesano.

    2. Após ser cientificado da decisão, o Bispo Diocesano, Dom Robinson Cavalcanti, expressou não reconhecer a sua validade, “por falta de amparo canônico” e sob a alegação de que “a DAR é uma Diocese autônoma” segundo os cânones da própria IEAB, entre outras afirmações.

    Pois bem,

    3. A decisão do Bispo Primaz tem sim respaldo nos cânones da IEAB, segundo o que preceitua o Capítulo IV, Cânon 1, Art. 3°, §2°, dos Cânones Gerais, in verbis: No caso de transgressão disciplinar de um bispo, o Bispo Primaz deve agir pastoralmente, podendo ouvir a Câmara dos Bispos. O artigo citado na Decisão do Revmo. Bispo Primaz comporta tal aplicação, vez que estatui que “Compete ao Bispo Primaz, vínculo de unidade, exercer a liderança espiritual e pastoral da IEAB, bem como:…. l) exercer as demais funções determinadas pela Constituição e pelos Cânones da IEAB”.

    4. As graves denúncias sobre a atuação do Bispo da DAR, com provas e testemunhas de informação, em reunião para qual o mesmo foi convocado e não compareceu, instaram a providência cautelar deliberada, de natureza provisória, em proteção do apoio pastoral, pela unidade da comunhão da IEAB, até que se possa decidir através do devido processo canônico, a instalação de Tribunal Eclesiástico ou não, a procedência ou improcedência dos fatos apresentados perante a Câmara dos Bispos e a aplicação ou não de sanções cabíveis.

    5. No tocante aos fatos, além dos que já são de conhecimento público, existem questões de igual ou maior gravidade quanto ao Bispo Diocesano da DAR que, todavia, por expressa previsão nos Cânones, devem ser protegidos pelo sigilo que o processo canônico requer, sendo conferido ao denunciado amplo direito de defesa na instância adequada. Está existindo um aproveitamento do segredo processual para desviar a atenção para a questão da homossexualidade, que não é a tônica do estremecimento das relações pastorais que estão em jogo.

    6. Por seu turno, a autonomia da DAR é de ordem administrativa, na gestão civil e eclesiástica, sempre dentro dos parâmetros da IEAB. A Diocese é estabelecida pelo Sínodo Geral da IEAB, estando submetida em ordem infra-canônica à Constituição da IEAB e aos seus Cânones Gerais.

    7. Preceitua o artigo 20, da Constituição da IEAB: “A diocese se rege pelos seus próprios Cânones, respeitado o estatuído nesta Constituição e nos Cânones Gerais da IEAB”. A DAR, por conseguinte, tem autonomia relativa, tanto que não é pólo ativo da Comunhão Anglicana. A IEAB, sim, é quem tem comunhão com Cantuária, sendo a 19ª Província da Comunhão Anglicana. Quem estiver fora da comunhão com a IEAB estará fora da Comunhão Anglicana, seja Bispo, clérigo e clériga ou leigo. No Brasil, apenas quem pertence à IEAB integra a Comunhão Anglicana.

    9. As ações do Bispo Diocesano da DAR violam flagrantemente os Cânones, a doutrina e a Disciplina da IEAB. Se antes haviam fatos a serem apurados, a sua insubordinação e insubmissão expressa pela postura de desacordo com os seus pares, quebrando a colegialidade do governo episcopal, não respeitando uma decisão de instância hierarquicamente superior, adequada e legítima, convola as acusações contra si existentes e adiciona conduta igualmente transgressora, de igual ou maior gravidade.

    O Bispo da DAR está quebrando os compromissos disciplinares assumidos espontaneamente em sua ordenação e em sua sagração episcopal. Está quebrando o seu juramento de sagração. Senão vejamos.

    10. O art. 26 da Constituição da IEAB estampa que: “Para ser ordenado diácono, presbítero, ou ser sagrado Bispo, os candidatos devem primeiramente cumprir os requisitos canônicos e assinar a seguinte declaração: ” Creio que as Santas escrituras do Antigo e do Novo Testamento são a Palavra de Deus e contém todas as coisas necessárias à salvação; prometo solenemente conformar-me à doutrina, ao culto e à disciplina da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil.” (GRIFO NOSSO)

    O comportamento de insubordinação e insubmissão para com a IEAB é conduta típica, para o direito canônico, de quebra dos votos de ordenação e de sagração episcopal.

    11. Portanto, uma diocese no Brasil só pode ser Diocese Anglicana se estiver filiada e em Comunhão com a IEAB, que é a 19ª Província da Comunhão Anglicana. Bispos, clérigos e clérigas, leigos e leigas somente integram a Comunhão Anglicana quando em estrita obediência com a Doutrina e a Disciplina da IEAB. Aqueles que apóiam ou corroboram com a insubordinação do Bispo Diocesano da DAR devem ter ciência do destino que o caminho tomado os leva, a renúncia da Comunhão. Não existe nenhuma possibilidade de ligação provincial com Cantuária no Brasil fora da IEAB.

    12. O Capítulo IV, Cânon 1, Art. 1°, §1° dos Cânones Gerais, elenca as situações consideradas transgressões disciplinares dos ministros ordenados, dentre as quais: b) comportamento indigno, desonroso ou imoral; d) pregação ou ensino contrários à Doutrina da IEAB; f) o não cumprimento dos votos de ordenação; i) a violação deliberada e habitual da Constituição dos Cânones da IEAB e dos Cânones da Diocese à qual está canonicamente vinculado.

    O artigo 2º do mesmo dispositivo estabelece que: São passíveis de julgamento por essas transgressões bispos, presbíteros e diáconos.

    13. Na forma do Cânon 4, nos termos do artigo 1º, as penas vão desde a advertência verbal, passando por suspensão das funções canônicas e pela deposição do ministério ordenado, até a suspensão da comunhão.

    14. O movimento de resistência à disciplina da IEAB é em verdade uma ação cismática disfarçada, levando os que a ela integram a serem desligados da Comunhão Anglicana como conseqüência inevitável. A conveniência dolosa dos lideres, entretanto, deve preservar os liderados que por desconhecimento da verdade canônica pensam estar agindo à sombra da ordem, mas estão à margem dos cânones.

    Nestes termos, concluímos que:

    (i) A decisão do Bispo Primaz é amparada nos Cânones da IEAB, sendo providência de natureza cautelar e provisória, de cunho pastoral, não invadindo a autonomia administrativa da DAR, tendo legitimidade porque praticada por quem de direito na forma do Capítulo IV, Cânon 1, Art. 3°, §2° dos Cânones Gerais, ouvida inclusive a Câmara dos Bispos;

    (ii) A resistência em reconhecer e dar cumprimento à decisão da IEAB, através de seu Primaz, caracteriza-se como transgressão disciplinar dos cânones, na forma estatuída nas alíneas “f” e “i” , do Capítulo IV, Cânon 1, Art. 1°, §1° dos Cânones Gerais, sendo tanto clérigos e clérigas, como o Bispo Diocesano da DAR (artigo 2º, Cânon 1, do Capítulo IV dos Cânones Gerais) passíveis de sanção desde advertência verbal ou escrita, passando por suspensão das funções canônicas e deposição do ministério, até suspensão da Comunhão Anglicana;

    (iii) A IEAB é a 19ª Província da Comunhão Anglicana e as suas decisões tem o reconhecimento e o respaldo de Cantuária e, em conseqüência, das demais províncias que integram a Comunhão Anglicana;

    (iv) Está assegurado ao Bispo Diocesano da DAR o seu direito de defesa, nas instâncias adequadas da IEAB e na forma processual disposta nos Cânones Gerais da Igreja. Sendo o foro legítimo para que decline suas razões.

    (v) A supervisão episcopal dos clérigos e clérigas, suas paróquias e da Catedral da Santíssima Trindade, pelo Bispo Diocesano da DAB, Dom Maurício Andrade, assim como, pelo Bispo Sufragâneo da DAR, Dom Filadelfo Oliveira, está em plena validade e é reconhecida em toda a IEAB, no Brasil, por Cantuária e, por conseguinte, em toda a Comunhão Anglicana. Qualquer ato atentatório a essa supervisão episcopal é violação dos Cânones, da sã doutrina da Igreja e da Disciplina da IEAB.

    É o que me parece, salvo melhor juízo, rogando a Deus que conceda a este servo um coração entendido para formar juízo de discernimento entre o bem e o mal.

    Fonte: Bel. Senomar Teixeira Júnior (Advogado, OAB-PE – DF – SP, especialista em Direito Processual Civil, seminarista do SAET)

    -

    Christina Takatsu Winnischofer

    Secretária Geral da IEAB

     
  • SNIEAB 10:58 on 22/09/2004 Permalink | Responder
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    Esclarecimento Provincial 

    Aos irmãos e irmãs da IEAB:

    Por solicitação do Bispo Primaz, Dom Orlando Santos de Oliveira, estamos encaminhando esse documento para seu conhecimento. O Decreto da Câmara dos Bispos (divulgado ontem no Portal da IEAB) é fruto de um longo e doloroso processo, no qual se tentou diálogo com todas as partes envolvidas.

    A seguir, colocamos alguns dos pontos que oferecem uma idéia das dificuldades enfrentadas na IEAB, durante esse processo de reflexão sobre a crise que se instaurou desde a decisão da Convenção Geral da ECUSA em 2003.

    1) Diante da acusação feita à Província brasileira de acatar a decisão da ECUSA quanto à ordenação de bispos homossexuais, em nenhum momento se sinalizou em colocar em discussão a aprovação da matéria. O fato da Província brasileira respeitar uma decisão da instância máxima da ECUSA, não significa que ela endossa a mesma. Compete ao Sínodo Geral debater e deliberar sobre tais matérias.

    2) Todas as instâncias da IEAB nunca deixaram de aceitar a Diocese do Recife e sua orientação evangélica, que também está presente nas outras dioceses.

    3) O diálogo e ótima relação da Província com a corrente evangélica é concretamente comprovado com a presença de vários missionários de sociedades missionárias evangélicas, que realizam e têm realizado seu ministério plenamente em outras partes da IEAB.

    4) Entre muitas atitudes que afrontaram e afrontam a Província brasileira, destacamos a participação de Dom Robinson, sem conhecimento ou autorização da IEAB, em um ofício de confirmação da Diocese de Ohio, sem o consentimento do Bispo daquela Diocese. Na ocasião, ele foi advertido pastoralmente pelo Primaz. Sua justificativa para a violação dos cânones da Igreja-irmã e da ética de relacionamento da Comunhão Anglicana foi que “situações extremas, exigem medidas extremas”.

    5) As dificuldades enfrentadas sempre foram com o tipo de liderança e forma de agir do Bispo Robinson, no seu uso de linguagem ofensiva e desrespeitosa, inclusive com acusações levianas e vis, para com a Província, bispos e clérigos das outras dioceses. Estão na Internet todas as cartas e documentos de Dom Robinson, em que sua postura radical e desrespeitosa em posições e termos podem ser comprovados.

    6) Sem falarmos de cartas e atitudes de baixo nível que circularam em sua diocese contra pessoas, clérigos e bispos da Província, sem que ele tome qualquer atitude, significando sua conivência com os mesmos.

    7) Sob a alegação de decisões tomadas em reuniões em que Dom Robinson não estava presente, gostaríamos de enfatizar de que ele, como todos os outros bispos da IEAB, sempre foi convocado para estar reunido na Câmara dos Bispos. Quanto à última reunião, todos os puderam estar presentes fizeram sacrifícios pelo caráter extraordinário e emergencial dessa.

    8) Nunca exercemos coerção, mas o direito de todos serem respeitados na diversidade de opiniões, o que Dom Robinson nunca respeitou na Província e em sua diocese, “todos os que discordaram dele foram punidos, colocados em disponibilidade”.

    9) A Câmara dos Bispos acolheu a solicitação do Bispo Sufragâneo, de 14 clérigos, 9 paróquias e 6 missões, todos evangélicos, para uma supervisão alternativa, diante da postura intransigente e desrespeitosa de Dom Robinson Cavalcanti em não reconhecer discordâncias das posições radicais dele, como expressado no documento “Não sairemos”, rejeitando sua postura pastoral de falta de diálogo e desrespeito à IEAB.

    10) Dom Robinson de maneira inteligente está transformando o seu caso numa “guerra santa” entre evangélicos e liberais. Mas essa não é a questão, nunca os evangélicos foram oprimidos ou rechaçados. O que estamos enfrentando é uma posição política do Bispo em relação à Província, postura essa que visa obter apoio dos radicais conservadores.

    Lamentamos a situação que a nossa Igreja está vivenciando e reafirmamos a nossa intenção de manter o diálogo e de trabalharmos pela unidade da nossa Província e da Comunhão Anglicana. Nesse sentido, estamos aguardando o relatório da Comissão de Lambeth e o próximo Encontro dos Primazes, em 2005.

    Solicitamos aos irmãos e irmãs que orem pela Igreja Episcopal Anglicana do Brasil e pelo povo da Diocese Anglicana do Recife.

    -

    Christina Takatsu Winnischofer

    Secretária Geral da IEAB

     
  • SNIEAB 11:00 on 21/09/2004 Permalink | Responder
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    Decreto da Câmara dos Bispos da IEAB 

    Aos Irmãos e Irmãs da IEAB
    Ao Povo de Deus da DAR

    Graça e Paz!

    A Câmara dos Bispos, reunida extraordinariamente na cidade de Porto Alegre, sob a Presidência do Bispo Primaz, diante da solicitação de clérigos e clérigas da Diocese Anglicana do Recife, e de seu Bispo Sufragâneo, em face dos últimos acontecimentos ocorridos naquela diocese, deliberou o seguinte:

    * Considerando a solicitação dos clérigos e clérigas a seguir relacionados: Revmo. Sérgio L. Andrade (Deão da Catedral Anglicana da SS. Trindade), Rev. Gustavo Gilson S. de Oliveira, ose (Reitor do Seminário Anglicano de Estudos Teológicos), Rev. Fábio Vasconcelos (Paróquia do Mediador e Capelão do Seminário Anglicano de Estudos Teológicos), Rev. Edmar Pimentel (Catedral da SS. Trindade), Rev. Cláudio Linhares, osf, (Paróquia da Reconciliação), Revda. Lílian Linhares, osf, (Paróquia da Reconciliação), Rev. Israel Pereira C. da Silva, osf, (Paróquia Boas Novas), Rev. Bruno Luís Teles de Almeida, osf, (Paróquia do Bom Pastor e Capela Cristo o Salvador), Rev. Severino Abel da Silva, ose (Paróquia Jesus de Nazaré), Rev. Cláudio Norberto Melo da Silva, osf (Paróquia da Reconciliação), Rev. Francisco Sales de Melo Silva, osf, Rev. João C. Peixoto Filho e Rev. Josafá Batista dos Santos, os quais se sentem em clima de tensão, intranqüilidade e estremecimento das relações pastorais com seu bispo diocesano, Revmo. Dom Robinson Cavalcanti, a despeito de todo esforço na direção da unidade diocesana;
    * Considerando as manifestações recebidas das paróquias, missões e pontos missionários, as quais manifestaram por suas lideranças leigas o apoio a seus respectivos ministros ordenados na busca da unidade da Igreja e da comunhão com a IEAB;
    * Considerando as freqüentes manifestações do Bispo diocesano da DAR, Dom Robinson Cavalcanti, no sentido de intimidar clérigos e clérigas, leigos e leigas com pretensas medidas disciplinares em razão de divergências teológicas e pastorais;
    * Considerando a necessidade de reafirmar a unidade da IEAB e a preservação dos laços de afeição e de respeito à diferença;
    * Considerando o que estabelece o Capítulo 1, Cânon 3, dos Cânones Gerais da IEAB, em seu art. 1º e alíneas,

    RESOLVEU:

    1. Decretar a supervisão episcopal especial das comunidades e clérigos e clérigas da Diocese Anglicana do Recife que se sentem pastoralmente desassistidos por seu Bispo diocesano, face a divergências teológicas e pastorais.
    2. Nomear o Revmo. Bispo Dom Mauricio Andrade, bispo diocesano de Brasília para desempenhar a função de supervisor episcopal especial para o clero e as comunidades em dissenso com a orientação pastoral e teológica do bispo diocesano da DAR, respondendo pela assistência espiritual e sacramental das respectivas comunidades e seus ministros e ministras.
    3. A presente decisão, naturalmente supõe que o Bispo Sufragâneo, Dom Filadelfo Oliveira, de acordo com suas prerrogativas canônicas, continua seu ministério pastoral junto às comunidades da Diocese Anglicana do Recife.

    Porto Alegre, 16 de setembro de 2004.

    -

    Revmo. Orlando Santos Oliveira

    Bispo Primaz da IEAB

     
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