Natal: Luz, Alegria e Presentes

Vivemos o Advento/Natal. Tempo de preparação e espera. Como cristãos e cristãs com uma fé enraizada no Cristo Ressuscitado, a nossa preparação e a nossa espera no Advento se convertem numa alegria constante e profunda porque nosso Senhor, o Emanuel, se fez carne e decidiu habitar entre nós.

A espera do Santo Natal se transforma na espera de um ser querido. Toda a nossa preparação externa – árvores, luzes, sinos, música – se convertem no preâmbulo onde preparamos os nossos lares para receber alguém que transformou de maneira muito especial as nossas vidas. A nossa preparação interior – a alegria, a oração, a meditação da Escritura, o silêncio, o louvor – abrigam em nosso coração uma mistura de sentimentos onde muitas vezes voltamos a viver com o coração de uma criança.
Eis o Advento e Natal; a espera gostosa do dia em que celebramos, mais uma vez, a chegada do ser querido mais importante de nossa vida, a chegada do Deus-Menino vestido com roupas humanas, trazendo paz e esperança. O nosso coração se enche de alegria porque Deus, o nosso Deus, está no meio de nós. Mas esta presença nos convoca a uma mudança. É impossível anunciar o Reino de Deus e viver a alegria do encontro sem que ela tenha conseqüências para todos. Por isto, as festas deste tempo nos falam de arrependimento, partilha, serviço, justiça, misericórdia e compreensão.

Neste Natal, a nossa obrigação é a de transformarmo-nos em luz. Que a luz do presépio penetre intimamente dentro de nós, e transforme-nos, faça-nos transparentes. E que todos possam contemplá-la em nós e fiquem ofuscados, que sintam todo o encanto e resistam à tentação de cerrar os olhos.

Neste Natal, a nossa obrigação é a de transformarmo-nos em alegria, não a de sermos severos, raivosos, intransigentes e macabros guardiães da verdade. Não temos o encargo de nos transformarmo-nos em carcereiros, policiais, mas sim de testemunhas da alegria, a fazer com que todos compreendam que a mensagem de Cristo é uma mensagem de salvação, e não de condenação. Mensagem de libertação, não de opressão. Mensagem de alegria e não de tristeza.
Neste Natal, temos a obrigação de nos tornarmos em presentes. No dia de Natal, é costume dar presentes: montanhas de presentes, toneladas de papel colorido, quilômetros de barbantes dourados, cartões de Boas Festas pequenos, grandes ou musicados. Acreditamos que, desta maneira, pagamos as dívidas de gratidão que temos com as outras pessoas. Assim é muito fácil, é muito cômodo. Como cristãos, temos a obrigação, não de dar presentes, mas de nos transformarmos em presentes. Conseguir que a nossa vida seja um dom sem reservas, para todos. Porque todas as pessoas são credoras nossas. Porque cada um de nós é devedor com relação aos outros.

Temos de desmontar o nosso Natal rico, mastodôntico e engenhoso, para vivermos o Natal autêntico, para enriquecermo-nos com aquela pobreza e simplicidade da gruta de Belém.

No Natal, temos a certeza de que não estamos sozinhos. Que a luz regeneradora da Graça vença toda a treva, aumente a nossa fé e crie em nós a corajosa disposição de trabalharmos juntos, como sinal da esperança salvadora que vamos celebrar neste Santo Natal.

Que onde houver irmãos e irmãs sofredoras, direitos negados, filhos e filhas de Deus excluídos, o Senhor nos auxilie a sermos testemunhas do seu amor, da sua justiça e da sua paz. Um feliz e abençoado Natal a todos!

Imagem: Presépio esculpido por um membro de uma tribo da floresta amazônica. Fonte: http://www.museodelpresepio.com

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Revmo. Orlando Santos de Oliveira

Bispo Primaz da IEAB