Palavra da Direção do Colégio Cruzeiro do Sul

A tradicional escola anglicana Colégio Cruzeiro do Sul, em Porto Alegre, acaba de suspender suas atividades aos 91 anos de existência, por absoluta inviabilidade econômica.

As dificuldades da escola começaram há mais de uma década, quando as escolas particulares, em geral, começaram a perder alunos para a rede pública, tanto pela melhoria desta como pelo crescente empobrecimento da classe média.

A constante diminuição do número de alunos e a necessidade de manter as mensalidades em um nível não apenas competitivo com as demais escolas do bairro, mas suportável pelos pais, provocou considerável diminuição da receita.

No entanto, as despesas continuaram muito elevadas, pois os salários dos(as) professores(as) que já há muito tempo eram dos mais altos de Porto Alegre, continuaram a aumentar a cada ano.
Também a quantidade de funcionários dos serviços administrativos e auxiliares continuou muito grande para a nova realidade da escola que já não era mais uma escola grande e rica.

Com uma receita menor do que a despesa, o Colégio começou a ser socorrido pela mantenedora, a Associação Beneficente e Educacional da Diocese Meridional – ABEDEM, com aporte de dinheiro através de empréstimos no exterior e disponibilização pela Diocese de imóvel para venda com aplicação do valor como empréstimo a longo prazo.

O esgotamento dessas verbas levou a escola à situação de insolvência, conforme constatação da assessoria do Instituto Anglicano Barão do Rio Branco, de Erechim, chamada a buscar a recuperação do Cruzeiro como havia feito em outras escolas da Igreja.

No entanto, ainda existia uma possibilidade de manutenção da escola desde que fosse possível adequar as despesas à receita e isso exigia além da diminuição do número de funcionários, a redução de salário dos professores.

Essa redução, que já deveria ter ocorrido a mais tempo, não foi aceita pelos professores que, representados pelo Centro de Professores e pelo seu sindicato, rejeitaram todas as propostas, e se declararam em greve.

Assim, em assembléia dos pais, na noite de 19 de agosto, foi informado a estes que em razão da permanência da greve e impossibilidade de acordo com os professores, só caberia à direção auxiliá-los na obtenção de vagas em outras escolas, porque o Cruzeiro do Sul se tornara inviável.

Uma movimentação de ex-alunos, de autoridades e da comunidade em geral busca encontrar alternativas para a reabertura das atividades do Cruzeiro. Todas as possibilidades estão sendo analisadas pela nova direção e pela mantenedora.

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Christina Takatsu Winnischofer

Secretária Geral da IEAB