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  • SNIEAB 17:12 on 23/09/2016 Permalink | Responder  

    CONVITE 

     
  • SNIEAB 9:55 on 19/09/2016 Permalink | Responder  

    Arcebispo de Gales declara base bíblica para casamento de pessoas do mesmo sexo 


    Palavra do Presidente, o Arcebispo de Gales, o Reverendíssimo Barry Morgan ao encontro do órgão dirigente na Universidade de Trinity Saint David, Lampeter, em 14 de setembro de 2016

    Tenho de confessar que nos últimos 13 anos nunca reli uma palavra presidencial que dei ao órgão dirigente. Fiz bem – alguns de vocês podem estar pensando – uma vez é mais que suficiente para alguém! Antes de escrever esta, no entanto, decidi reler a primeira que escrevi como novo arcebispo e fiquei impressionado ao descobrir que havia falado sobre a autoridade e a interpretação da Escritura, a natureza do anglicanismo, a tomada de decisões na Comunhão Anglicana e o lugar das Resoluções de Lambeth, tudo em uma única mensagem. Ela se assemelhou um pouco ao primeiro sermão de alguém recém-ordenado, no qual a pessoa inclui todas as percepções teológicas que possui.

    A razão pela qual eu a reli foi porque quis constatar se havia falado sobre o discernimento da vontade de Deus por intermédio da leitura da Sagrada Escritura, particularmente em relação à sexualidade humana. A discussão que tivemos naquele encontro do Órgão Dirigente foi uma das discussões mais pacíficas, construtivas, equilibradas e regadas a oração que tivemos nele. Não houve nenhum consenso sobre como deveríamos lidar com relacionamentos e casamento de pessoas do mesmo sexo, mas houve uma escuta respeitosa ao que cada pessoa tinha a dizer.

    Desde aquele debate, os bispos, como vocês sabem, têm apresentado orações que podem ser feitas com os que têm relações homossexuais e, como seria de se esperar, têm havido críticas por parte daqueles que dizem que excedemos nossa autoridade e ignoramos ordens bíblicas e dos que dizem que ainda não fomos longe o bastante no exercício dessa autoridade. Seja como for, a questão essencial sobre a qual quero tratar nesta tarde é a do lugar da Escritura no discernimento da vontade de Deus. E tentarei não repetir nada do que disse em 2003.

    Uma carta resume a visão sustentada por algumas pessoas. Ela começou com um “meu senhor arcebispo”. Você sabe que terá problemas quando cartas começam assim. E continuou, dizendo, “escrevi para expressar minha mais profunda decepção e desilusão com a integridade moral de seu mandato, no que tange à questão dos relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo. A igreja precisa ser conduzida sobre este assunto pela voz fidedigna da Escritura.”

    Essa declaração sugeriu que os bispos haviam ignorado a Bíblia e se deixado influenciar pela cultura liberal de nosso tempo e, portanto, não estavam levando as Sagradas Escrituras a sério. Quero responder que, longe de ignorar a Sagrada Escritura, os bispos deram o passo que deram porque levaram muito a sério o que a Bíblia tem a dizer sobre o discernimento da vontade de Deus.

    Não quero limitar o que tenho a dizer sobre o relacionamento entre pessoas do mesmo sexo. Há uma questão muito mais abrangente sobre como alguém discerne a vontade de Deus conforme revelada pela Sagrada Escritura de maneira mais abrangente. Primeiro, deixe-me declarar o óbvio. A Bíblia não é um livro e sim uma série de livros e, dentro desses livros, escritos por uma variedade de autores, há muitas perspectivas diferentes, mas também mudanças na perspectiva acerca de tópicos particulares. Os textos bíblicos não são palavras de Deus, ditadas por ele a autores humanos e sim a resposta inspirada à revelação. Tratam-se, no entanto, de uma resposta humana e não podem ser consideradas como idênticas a essa revelação, especialmente considerando-se que algumas partes da Bíblia são incompatíveis com outras.

    Deixe-me dar alguns exemplos.

    O Segundo Livro de Reis registra o massacre, sob o comando de Jeú, da Casa Real de Acabe, em Jezreel. A matança de toda a família do rei Acabe e da rainha Jezebel e de todos a eles associados é descrita como tendo sido feita por Jeú, a pedido do profeta Eliseu que, por sua vez, é descrito como tendo sido ungido por Deus para realizar esse ato. Em outras palavras, Eliseu e Deus são vistos como apoiadores de uma política de assassinato em massa. Reconheço, é claro, que essa não é a primeira história de assassinato e de massacre no Antigo Testamento, mas escrevendo bem mais tarde sobre esse incidente, o profeta Oseias (cap. 1:4) diz que Jeú se comportou de maneira cruel e deveria ser punido pelo que fez.

    Em outras palavras, houve uma mudança na perspectiva, dentro da própria Escritura, sobre o mesmo incidente. +Rowan, escrevendo sobre esse incidente diz, “Oseias teria dito “tenho certeza que meu predecessor profético Eliseu estava certo de estar fazendo a vontade de Deus e que  a tirania e a idolatria da Casa real de Acabe era um escândalo que precisava ser suprimido. Mas foi correto Jeú assassiná-los daquela maneira?” E +Rowan continua, dizendo que a observação de Oseias foi um momento marcante na redação do Antigo Testamento – um reconhecimento de que era possível crescer no entendimento da vontade de Deus e repensar o passado.

    Algo no mundo de Oseias, um profeta que escreve de modo tão comovente sobre o amor irresistível de Deus pelo Seu povo, havia aberto o seu coração para um novo entendimento de Deus como um ser que não aprovaria um assassinato em massa. Jesus leva o assunto mais adiante quando diz, “vocês ouviram o que foi dito, olho por olho, dente por dente. Mas eu lhes digo, não resistam ao malfeitor. Se alguém lhes atingir numa face, ofereçam a outra. Perdoem seus inimigos. Façam o bem aos que lhes odeiam.”

    Oseias  e Jesus, portanto, falam sobre Deus e o veem de uma maneira totalmente diferente da de outros livros no Antigo Testamento, demonstrando que o endosso de Eliseu ao massacre perpetrado por Jeú não deveria ser a última palavra sobre esse assunto. Assim, se nos perguntassem que ponto de vista achamos que refletem a vontade de Deus, o que responderíamos?

    Vamos observar outro exemplo, desta vez no livro de Deuteronômio. Em Deuteronômio 23, 2-3 nós lemos: “Quem nasceu de união ilícita não poderá entrar na assembleia do Senhor, como também os seus descendentes, até a décima geração. Nenhum amonita ou moabita ou qualquer dos seus descendentes, até a décima geração, poderá entrar na assembleia do Senhor.”

    O que Deuteronômio está dizendo é que todos os que foram  nascidos de uniões ilícitas ou incestuosas ou que foram descendentes dos moabitas ou dos amonitas deveriam ser perpetuamente banidos da adoração, uma vez que não eram considerados como aceitáveis para Deus.

    Mas há ao menos duas histórias de incesto no Antigo Testamento que ignoram essas proibições. A primeira, de Ló com suas filhas, uniões que geraram os amonitas e moabitas, e o incesto de Judá com sua nora, Tamar. As filhas de Ló e Tamar dão à luz filhos que formam parte da árvore genealógica de Davi e de Jesus. Rute, a moabita, é uma ancestral de Davi. Se ela e seus descendentes, os filhos das filhas de Ló e o filho de Tamar estão banidos da comunidade adoradora, como explicar o rei Davi?

    Deuteronômio então passa uma sentença de exclusão perpétua de moabitas e dos nascidos de incesto da comunidade adoradora, mas essas pessoas são ancestrais de Davi e de Jesus. A lei em Deuteronômio nos diz, mas as histórias do Antigo Testamento nos dizem algo completamente diferente.

    Davi é descendente de dois incestos, tem sangue moabita em suas veias e, no entanto, é o rei de Israel e a voz da oração de Israel a Deus. No Evangelho de Mateus, Tamar e Rute são mencionadas na linhagem do Messias, sem nenhuma alusão a que o incesto e o sangue moabita devessem excluir Jesus de participar da comunidade adoradora, muito menos de ser o Messias. Em outras palavras, a própria Escritura apoia a inclusão radical daqueles que outros textos bíblicos identificaram como sendo uma abominação.

    Quando no livro de Atos Pedro começa a se associar com os gentios e os batiza, está desobedecendo diretamente a uma proibição bíblica em Levítico de ter qualquer contato com pessoas de outras raças porque elas são impuras. O Código de Santidade de Levítico é posto de lado em favor da crença em um Deus que aceita pessoas impuras.

    Deixe-me dar outro exemplo que mencionei antes. Deuteronômio 23, 2-3 diz: “Qualquer que tenha os testículos esmagados ou tenha amputado o membro viril, não poderá entrar na assembleia do Senhor”.

    Mas em Isaías 56, 4-5 o profeta diz: “Aos eunucos que guardarem os meus sábados, que escolherem o que me agrada e se apegarem à minha aliança, a eles darei, dentro de meu templo e dos seus muros, um memorial e um nome melhor do que filhos e filhas, um nome eterno, que não será eliminado”.

    Finalmente, no livro de Atos 8, 38, há a história do apóstolo Filipe, que batiza um eunuco etíope.

    Deuteronômio diz que eunucos são uma abominação para Deus e não são bem-vindos à comunidade adoradora por causa de sua ambivalência sexual e de sua reputação de terem sexo passivo com outros homens. O profeta Isaías discorda e diz que eles serão ainda mais aceitos e abençoados por Deus que os judeus, o povo escolhido de Deus. E tudo isso se cumpre no livro de Atos, quando Filipe batiza um eunuco etíope que havia estado em Jerusalém, no Monte Sião, para adorar. O eunuco, uma figura a ser expulsa conforme Deuteronômio, agora se torna aceitável, tanto para o judaísmo quanto para a igreja cristã emergente.

    Estrangeiros eram odiados pelos judeus e os sexualmente fora dos padrões ainda mais, porque não geravam filhos. No entanto, um eunuco etíope é aceito por Filipe e valorizado como ser humano com plenos direitos, sem que sua raça ou sexualidade deponham contra ele. Isaías coloca de lado as proibições de Deuteronômio com suas leis de pureza e de santidade e o Novo Testamento dá um passo adiante e está disposto, na pessoa de Filipe, a oferecer batismo a um eunuco.

    O que tudo isso demonstra é que dentro das Escrituras há mudanças radicais de entendimento sobre o que significa discernir a vontade de Deus. Não vai funcionar citar textos de partes da Bíblia de maneira simplista sem referência a seus contextos. A Bíblia deve ser tratada como um todo e discernida, frequentemente através de histórias, quanto à direção que está tomando. Em outras palavras, a Sagrada Escritura contém não apenas ordens éticas mas histórias e histórias comunicam verdade sobre o entendimento das pessoas acerca de Deus. Afinal, Jesus passou boa parte de sua vida contando histórias para fazer as pessoas entenderem a natureza e o caráter de Deus.

    George Herbert, escrevendo sobre as Escrituras em um de seus poemas, diz:

    Ah, que eu pudesse saber como combinam todas as tuas luzes,

    E todas as configurações da glória delas!

    Ver não apenas como cada verso brilha,

    Mas todas as constelações da história.”

    Todas as constelações da história têm de ser levadas em consideração. Todos os exemplos que dei demonstram que não há nenhum entendimento consolidado sobre o que a Bíblia diz em relação a vários assuntos e que lê-la como um todo pode alterar a perspectiva total do leitor.

    Deixe-me dar outro exemplo que é ainda mais surpreendente. A Bíblia tem muito a dizer sobre escravidão. Abraão teve escravos e, de acordo com Gênesis 24, 35, Deus o abençoou dando-lhe escravos e escravas. Josué, Davi e Salomão tornaram prisioneiros de guerra em escravos sob ordem divina. O Decálogo acha natural que pessoas tenham escravos e os profetas falam sobre a necessidade de que sejam tratados com justiça. Não há nada no Antigo Testamento que indique que a escravidão fosse de algum modo imoral, ou devesse ser abolida. Nem Jesus condena a escravidão e fala sobre escravos em suas parábolas como se fossem um fenômeno totalmente natural. Paulo recomenda que os escravos obedeçam a seus senhores.

    Há, portanto, uma base bíblica avassaladora para a escravidão. Sim, senhores são exortados a tratá-los com justiça, mas enquanto instituição, ela é considerada algo bom. Aliás, durante a Guerra Civil Americana, alguns cristãos expuseram argumentos baseados em textos bíblicos para terem escravos.

    Por que então a escravidão foi abolida tendo base bíblica tão avassaladora? Por que? Porque se você ler as Escrituras em sua totalidade, ela se opõe à opressão, à dominação e ao abuso. “Eu vim”, diz o Jesus do evangelho de Lucas “para proclamar liberdade aos presos, e recuperação da vista aos cegos, para libertar os oprimidos”.

    Assim, a despeito de todas as passagens em favor da escravidão, quando você examina as Escrituras como um todo e o ministério de Jesus em particular, percebe que eles dizem respeito à liberdade de tudo que diminui e desumaniza as pessoas. Nenhum cristão hoje, espero, argumentaria que a escravidão é boa, mas por dezenove séculos a igreja a aceitou e a defendeu. Deus, através de seu Santo Espírito, nos tem guiado à verdade hoje para vermos as coisas de um modo totalmente diferente e ficamos, com justiça, horrorizados quando lemos de pessoas que foram mantidas cativas por outras.

    Tudo isso para dizer que ninguém pode argumentar que haja um modo tradicionalmente aceito de interpretar a Escritura que seja verdadeiro e ortodoxo e tudo o mais seja revisionismo moderno, culturalmente condicionado. A própria Escritura é diversa e visões teológicas de alguns livros bíblicos são reformuladas por outros autores à luz da experiência.

    Como o Jesus do evangelho de João diz, “Tenho ainda muito que lhes dizer, mas vocês não o podem suportar agora. Mas quando o Espírito da verdade vier, ele os guiará a toda a verdade. Não falará de si mesmo; falará apenas o que ouvir, e lhes anunciará o que está por vir”. João 16, 12-13

    Ou, para citar o Papa Francisco no Sínodo dos Bispos no ano passado: “a tentação é à inflexibilidade hostil, de se fechar dentro da palavra escrita (a carta) e não se permitir ser surpreendido por Deus, o Deus das surpresas, o Espírito”.

    Assim, considerar a Bíblia como um todo e levar o que ela diz muito a sério pode nos conduzir a uma visão diferente dos relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo que aquela sustentada pela igreja. Não quero aqui me deter em detalhe a textos que pretensamente lidam com este tópico – de todo modo, não há muitos deles. Tudo o que eu diria é que à medida que você os examina, eles não dizem respeito a relacionamentos monogâmicos compromissados, amorosos e estáveis com pessoas do mesmo sexo, mas a algo totalmente diferente.

    As histórias de Sodoma e Gomorra, por exemplo, associadas a homossexualidade e que deram origem à palavra pejorativa “sodomita” dizem, na verdade, respeito a um abuso de hospitalidade e àquilo que o autor chama de “uma tentativa de estrupo coletivo feita por uma turba contra dois forasteiros que são hóspedes de Ló”. De fato, Ezequiel diz que os parentes de Ló foram punidos primariamente porque recusaram-se a ajudar aos pobres e necessitados.

    Também no Novo Testamento, algumas das passagens frequentemente citadas não estão relacionadas a relacionamentos compromissados e estáveis entre pessoas do mesmo sexo, mas a pederastia e a prostituição masculina. Mas tudo isso à parte e uma vez que cada uma das passagens pretensamente sobre homossexualidade pode ser interpretada de mais de uma maneira, chegamos à questão fundamental quanto a se, tomando-se a Bíblia como um todo, poderemos chegar às mesmas conclusões sobre relacionamentos compromissados, estáveis e amorosos entre pessoas do mesmo sexo como às que chegamos acerca da escravidão.

    Portanto, não estamos abandonando a Bíblia, mas tentando interpretá-la de um modo que seja consistente com o ímpeto principal do ministério de Jesus, que saía do seu caminho para ministrar aos que eram excluídos, marginalizados e abandonados por sua sociedade porque eram considerados impuros e profanos pelos líderes religiosos de seu tempo, seja por causa de seu gênero, sua idade, moralidade ou sexualidade. Levar a Sagrada Escritura a sério significa prestar atenção ao ministério inclusivo de Jesus.

    E tudo isso sem considerarmos o que agora sabemos sobre atração por pessoas do mesmo sexo em termos psicológicos e biológicos. E certamente, se Deus é o criador, ele se revela a nós através de novos conhecimentos e percepções para que, por exemplo, não mais acreditemos que o mundo foi criado em seis dias. Como tentei demonstrar, na Bíblia há muitas perspectivas totalmente diferentes sobre o mesmo assunto. A responsável por essa mudança foi  uma expansão do entendimento sobre o assunto em questão.

    Assim, para gerações passadas, a prática homossexual era vista como uma falha moral porque as pessoas não tinham nenhum entendimento sobre sexualidade humana e sobre como os seres humanos são formados biológica, psicológica e socialmente. Para elas, tratava-se de um transtorno. Nós agora sabemos que a orientação sexual não é uma questão de escolha pessoal, mas de como as pessoas são e isso deveria fazer uma enorme diferença no modo como vemos as coisas.

    Andrew Davison, que editou o maravilhoso livro intitulado “Amazing Love (Maravilhoso Amor)” tem esta passagem nele:

    Somos mais verdadeiros quando vivemos para os outros e ganhamos vida não nos agarrando a ela, mas entregando-a. Viver para os outros salienta o mais verdadeiro sentido de sexualidade. Os cristãos têm descoberto que a maioria das pessoas floresce melhor quando esse viver para os outros encontra seu foco em um compromisso com uma outra pessoa: quando um casal faz um compromisso para toda a vida, dentro do qual o sexo faz parte, de modo apropriado”.

    Aqueles dentre nós que foram ou são casados têm constatado que esse é o caso. Por que queremos negar essa possibilidade para os que sentem atração por alguém do seu próprio gênero?

    Texto Original em inglês: http://www.anglican.ink/article/archbishop-wales-declares-scriptural-support-same-sex-marriage

    Serviço de Tradução para o português: Jorge Camargo

     
  • SNIEAB 17:10 on 14/09/2016 Permalink | Responder  

    Mensagem da Câmara Episcopal da IEAB sobre as Eleições Municipais 


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    Quando os justos se engrandecem, o povo se alegra, mas quando o injusto domina, o povo geme.

    Provérbios 29:2

    Após a conclusão de um processo de impedimento de fraca consistência contra a Presidenta da República, o país vive um tenso momento de confronto politico entre forças opostas que buscam retomar, por um lado, um caminho de um Estado voltado para o povo e, por outro, um Estado que amplia certamente privilégios para os mais favorecidos.

    Neste contexto conturbado nos encontramos às portas das eleições municipais. Lembremos que a esfera municipal se torna o espaço de disputa para garantir base política mais forte que sustente, seja de um lado, ou de outro, o projeto político para o país que daqui a dois anos será submetido à prova de novo, com as eleições para governos estadual e federal.

    Todos nós sabemos que as disputas municipais pouco têm a ver com programas realmente municipais. Em síntese, a disputa municipal reproduz os interesses e projetos construídos na esfera federal. A fragilidade econômica dos municípios é fato incontestável. Não há sustentabilidade fiscal suficiente para a maioria dos municípios gerirem seus programas e cumprirem com suas responsabilidades.

    Recomendamos alguns parâmetros para a escolha de pessoas como vereadores(as) e prefeitos(as) a ser considerados pelo povo episcopal anglicano e por todas as pessoas de boa vontade:

    •           Valorizar seu voto e entender que ele é instrumento legítimo de construir uma sociedade mais justa e solidária. Além do que é um instrumento valioso do testemunho de nossa fé.

    •           Filtrar com sabedoria a relação entre propaganda política e perfil de candidaturas baseado na coerência de vida e de ações dos candidatos na sua relação com o interesse das pessoas mais pobres. À exemplo de Jesus, nosso voto nunca não deve dado a candidaturas que promovam a exclusão das pessoas mais pobres ou de propostas que acabem com políticas de inclusão social.

    •           Avaliar se os candidatos apresentam propostas que realmente apontem para um projeto de gestão municipal diretamente ligada ao cotidiano de nossas cidades, com especial atenção aos serviços públicos de saúde, educação, transporte público e todos os que garantam a qualidade de vida à população..

    •           Pesquisar o perfil das candidaturas e identificar se têm antecedentes de envolvimento com práticas de corrupção ou má gestão dos recursos públicos, ou se tem assumido posturas discriminatórias nos campos de gênero, raça e inclusão social.

    Assim poderemos fazer escolhas mais condizentes para as Câmaras Municipais e para as Prefeituras. Devemos lembrar que as candidaturas devem também ser avaliadas pelos partidos políticos que sustentam e pelas políticas que promovem em nível municipal, estadual e nacional. Certamente não encontraremos candidatos e candidatas perfeitas, mas pessoas de boa vontade, conscientes da natureza e finalidade do serviço público. Precisamos dar atenção a candidatos e candidatas que constroem sua campanha sobre promessas generalizadas e não acompanhadas de fundamentos realistas, que não incluem nas suas propostas a participação popular através dos conselhos municipais, nem formas de orçamento participativo, ou portais de transparência e outros meios de fiscalização, controle e de exercício permanente da cidadania.

    É preciso entender que estaremos numa esquina estratégica da vida política nacional. A base política para as eleições de 2018 começa nesta eleição municipal. Quanto mais popular e proativa ela for mais possibilidade de avanço se terá. Do contrario, o desmonte do Estado será irreversível.

    As regras dessa eleição possuem um diferencial: o financiamento empresarial de campanhas está proibido e, com isso, teremos uma maior igualdade entre os candidatos e candidatas. Mas de forma alguma isto deve nos levar a baixar a guarda com relação a possibilidade de meios fraudulentos porque ela pode ser sutilmente contornada pelas doações individuais dos mais ricos e até mesmo (como já comprovado) de CPF de pessoas que já morreram.

    Finalmente, apelamos para o exercício da cidadania plena como seguidores do movimento de Jesus, discernindo os valores do Reino de Deus, atentos a um projeto que afirme a dignidade humana, a justiça e a Paz para o nosso país.

    Revmo. Francisco de Assis da Silva – Bispo Primaz e Bispo da Diocese Sul Ocidental

    Revmo. Naudal Alves Gomes – Bispo da Diocese Anglicana de Curitiba

    Revmo. Filadelfo Oliveira Neto – Bispo da Diocese Anglicana do Rio de Janeiro

    Revmo. Maurício José Araújo de Andrade – Bispo da Diocese Anglicana de Brasília

    Revmo. Renato da Cruz Raatz – Bispo da Diocese Anglicana de Pelotas

    Revmo. Saulo Maurício de Barros – Bispo da Diocese Anglicana da Amazônia

    Revmo. Humberto Maiztegui Gonçalves – Bispo da Diocese Meridional

    Revmo. Flavio Augusto Borges Irala – Bispo da Diocese Anglicana de São Paulo

    Revmo. João Câncio Peixoto Filho – Bispo da Diocese Anglicana do Recife

    Revmo. Clóvis Erly Rodrigues – Emérito

    Revmo. Almir dos Santos– Emérito

    Revmo. Jubal Pereira Neves– Emérito

    Revmo. Orlando Santos de Oliveira – Emérito

    Revmo. Sebastião Armando Gameleira Soares – Emérito

    Revmo. Celso Franco de Oliveira – Emérito

     
  • SNIEAB 16:08 on 05/09/2016 Permalink | Responder
    Tags: , , , Primavera   

    Campanha Primavera para a Vida 2016 

    Quando entrar setembro

    E a boa nova andar nos campos….

    Amigas e amigos da CESE!

    É com muita alegria que fazemos contato para apresentar a Campanha Primavera para a Vida 2016.

    Desde o ano 2000 realizamos esta Campanha que já se tornou uma tradição. Durante todos esses anos, os temas abordados expressaram o nosso compromisso de estimular e contribuir com as igrejas em suas reflexões e posicionamentos em favor da afirmação e defesa da Justiça, Paz e Integridade da Criação. Lá se vão 16 anos! E para refrescar a memória, apresentamos os temas já trabalhados:

    ·       2000 Vamos Juntos Semear Justiça

    ·       2001 Semear Solidariedade e Paz

    ·       2002 Pão e Paz

    ·       2003 Juventude e Paz

    ·       2004 Cidade de Paz

    ·      2005  Mulheres e homens construindo cidades de paz

    ·      2006 Direitos e Justiça para a Paz

    ·       2007 Direitos e Justiça: uma Ação para Crianças.

    ·       2008 Direitos e Justiça

    ·       2009 Cuidar da nossa Casa Comum a Terra

    ·       2010 Justiça ambiental

    ·       2011 Justiça ambiental na perspectiva de direitos

    ·       2012 Direitos humanos, desenvolvimento e Justiça

    ·       2013 Direitos humanos, desenvolvimento e Justiça

    ·       2014 O bem que você faz muita gente compartilha

    ·       2015 Eu respeito a diversidade religiosa. E você?

    No lançamento da Campanha do ano passado, realizamos uma Roda de Conversa sobre o tema na própria CESE. Em conjunto com o CEBI lançamos uma publicação abordando a temática. De lá para cá o tema perpassou o Programa de Pequenos Projetos e foram apoiados 14 projetos com esta temática.. E o nosso compromisso com o tema continua, pois as intolerâncias persistem.

    Para este ano, o tema escolhido é: Direito à vida da juventude. Por que decidimos trabalhar com este tema? Porque, apesar do Brasil possuir uma lei que reconhece a juventude como protagonista de direitos, o Estatuto da Juventude, a existência dessa legislação não assegurou políticas públicas que contribuíssem para uma transformação significativa da situação vivida pela juventude brasileira, sobretudo, no que diz respeito ao acesso à educação de qualidade, à segurança, ao trabalho, ao lazer e à participação nos processos sociais e políticos. O dado mais gritante e desafiador para toda a sociedade é o elevado índice de violência contra jovens negros, vítimas de extermínio nas periferias urbanas.

    Neste momento de tantas dúvidas e questionamentos, uma certeza nos acompanha: é impossível construir um projeto de nação sem o protagonismo das juventudes! Com este compromisso em mente, convidamos a REJU – Rede Ecumênica da Juventude para participar desta Campanha trazendo a reflexão, a voz, as lutas, os enfrentamentos, os sonhos e conquistas das juventudes. Já temos, agora, um rico material que está disponível para a reflexão das igrejas.

    Vocês estão recebendo, junto com esta carta, o material com as reflexões feitas pela juventude de diversas matrizes religiosas e também de diversos lugares do país. Informamos que o CEBI- Centro de Estudos Bíblicos, parceiro nesta Campanha, tem este material à venda em forma de livro (no valor de R$ 12,70). É um material excelente para grupos de jovens que pode ser solicitado através da página do CEBI (http://www.cebi.org.br). O material também tem um modelo de liturgia que pode ser usada na sua igreja ou no seu grupo, além de depoimentos escritos e gravados com jovens que tiveram projetos apoiados pela CESE, que podem ser usados como subsídios para a discussão do tema.

    Além de pautar um tema, a Campanha da Primavera também tem por objetivo mobilizar recursos para o Fundo de Pequenos Projetos da CESE. Toda a arrecadação  deste ano destina-se a apoiar projetos com a juventude. Somente teremos êxito se tivermos o apoio firme e decidido das Igrejas-membros e dos grupos apoiados pelos projetos. Contamos com você para que inclua a Campanha na programação de sua igreja ou grupo local durante o período da primavera, de 21 de setembro até dezembro.

    Além de discutir o tema, faça também uma ação em prol de um projeto: realize uma celebração e envie a coleta para a CESE. Contamos com o seu apoio! Também nos colocamos à disposição para dialogar, compartilhar experiências e esclarecer dúvidas. Nosso endereço para contato é cesecomunica@cese.org.br

    Sejamos semeadores e semeadoras de sementes de justiça, paz e solidariedade, a fim de que possamos colher uma sociedade mais justa e fraterna, onde todos e todas tenham acesso aos seus direitos fundamentais. Vamos acolher em nossos corações e compartilhar em nossos espaços de celebração essa Campanha da CESE, e façamos eco a todas as pessoas que já abraçaram a Primavera para a Vida.

    A todas as pessoas que contribuíram para a elaboração deste material a nossa gratidão e carinho.

    Durante seus 43 anos de existência, a CESE, inspirada no Evangelho de Jesus Cristo, tem apoiado projetos para a defesa de direitos em todo o Brasil. Já são mais de 11 mil projetos apoiados.  Somos gratos/as a Deus pelas muitas bênçãos e alegrias que Ele nos tem proporcionado, permitindo que, graças às muitas parcerias que temos, continuemos apoiando projetos que transformam vidas e que estão comprometidos com a defesa de direitos.

    Na certeza de que podemos contar com seu importante apoio e solidariedade, despedimo-nos desejando muitas alegrias e bênçãos –  e uma bela primavera!


    Pe. Marcus Barbosa - Presidente/ Sônia Gomes Mota – Diretora Executiva

    O QUECampanha Primavera para a Vida, promovida pela CESE

    QUANDO: Durante toda a primavera

    VALOR: Qualquer valor é bem-vindo

    DEPOSITE: Coordenadoria Ecumênica de Serviço – CNPJ: 13.589.270/0001-21

    Banco do Brasil
    Agência: 3459-2
    Conta: 19.756-4

    Bradesco
    Agência: 0592-4
    Conta: 42.144-8

    SE PREFERIR, DOE DE FORMA RECORRENTE POR MEIO DO SEU CARTÃO DE CRÉDITO: https://www.cese.org.br/ajudeagora/




    Para dowload:

    Subsídios para a reflexão -Direito à Vida da Juventude

    Depoimentos – Juventude

    CARTAZ PPV_2016_DIREITO A VIDA DE JUVENTUDE

    Liturgia final.docx

     
  • SNIEAB 10:38 on 23/08/2016 Permalink | Responder  

    MANIFESTO DOS BISPOS DA IGREJA EPISCOPAL ANGLICANA DO BRASIL 

    Á fidelidade e a verdade encontraram-se,a justiça e a paz se beijaram. A verdade brotará da terra, e a justiça se inclinará lá dos céus ”. Sl. 85. 11, 12.

    Nós Bispos da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, manifestamos nossa indignação diante da arbitrariedade cometida na prisão do Professor Jaider Batista da Silva, acusado, sem provas, por corrupção e mantido incomunicável; a ele, membro em plena comunhão da nossa igreja, e a sua família, nosso total apoio.

    Durante a operação de investigação levada adiante pela Polícia Federal, em Governador Valadares, nosso irmão Jaider tem contribuído fornecendo documentos e comparecendo às audiências, prestando todas as informações que comprovam sua inocência e sempre cooperando para a elucidação dos fatos.

    No entanto, Jaider está sendo vítima de uma delação premiada realizada por um réu confesso que, no intuito de beneficiar-se, envolveu o seu nome, mesmo sem haver qualquer indício de sua participação nos fatos.

    Sua prisão, no último dia 10 de agosto, fere todos os princípios éticos e morais, tendo em vista sua cooperação com as investigações e a presunção de inocência de um cidadão que sempre esteve comprometido com a vida, com a justiça, com na luta pelos direitos humanos, atendendo e solidarizando-se com as pessoas excluídas e empobrecidas, e também com a causa das crianças e adolescentes, além da luta solidária junto aos povos indígenas. Assim, em sua caminhada, sempre demonstrou ética e transparência em suas ações.

    Como cristãos, somos veementemente contra todas as formas de corrupção e entendemos que o que está acontecendo com Jaider Batista não passa de uma ação insana e totalmente descabida. Preocupa-nos sobremaneira, que as ações de combate a corrupção sejam usadas para o abuso do poder policial e judicial, em especial contra pessoas que defendem os direitos humanos, a justiça, a paz e igualdade, dando a estas medidas um caráter repressivo e ideológico que não corresponde ao convívio social e político dentro de um ordenamento democrático. É inadmissível que os recursos e políticas públicas sejam utilizados para atender e beneficiar uma classe  e alguns setores políticos e seus representantes, que lucram, e sempre lucraram, com a miséria de um povo sofrido.

    Portanto, exigimos a soltura imediata de Jaider Batista, que a justiça seja feita e que os verdadeiros responsáveis sejam identificados e punidos.

    Revmo. Francisco de Assis da Silva – Bispo Primaz e Bispo da Diocese Sul Ocidental;

    Revmo. Naudal Alves Gomes – Bispo da Diocese Anglicana do Paraná;

    Revmo. Filadelfo Oliveira Neto – Bispo da Diocese Anglicana do Rio de Janeiro;

    Revmo. Maurício José Araújo de Andrade – Bispo da Diocese Anglicana de Brasília;

    Revmo. Renato da Cruz Raatz – Bispo da Diocese Anglicana de Pelotas;

    Revmo. Saulo Maurício de Barros – Bispo da Diocese da Amazônia;

    Revmo. Humberto Maiztegui Gonçalves – Bispo da Diocese Meridional

    Revmo. Revmo. Flavio Augusto Borges Irala – Bispo da Diocese Anglicana de São Paulo;

    Revmo. João Câncio Peixoto Filho – Bispo da Dicoese Anglicana do Recife;

    Revmo. Clóvis Erly Rodrigues – Emérito;

    Revmo. Almir dos Santos– Emérito

    Revmo. Juba Pereira Neves– Emérito

    Revmo. Orlando Santos de Oliveira – Emérito

    Revmo. Sebastião Armando Gameleira Soares – Emérito

    Revmo. Celso Franco de Oliveira – Emérito

     
  • SNIEAB 16:57 on 15/08/2016 Permalink | Responder  

    Nota Falecimento Elizabeth Sherrill 

    Elisabeth Sherrill

    “Eu sei que o meu Redentor vive e que ao final, se levantará sobre a terra. Depois ele me ressuscitará e eu verei a Deus. Sim, eu o verei, os meus próprios olhos contemplarão a um amigo e não a um estranho” Jó 19.23-27

    Comunicamos que hoje dona Elisabeth Sherrill realizou sua Páscoa. Ela era a dedicada companheira de nosso saudoso bispo Edmund Sherrill e o acompanhou fielmente durante seu ministério entre nós. Para a IEAB, este é um momento para elevar ações de graças a Deus por sua vida e seu humilde e sábio serviço no meio de nós.  O Bispo Primaz Dom Francisco de Assis da Silva transmitiu seu pesar pelo passamento de Dona Elizabeth e igualmente seus sentimentos  a todos os enlutados especialmente aos familiares.

    Que ela repouse no seio caloroso de nosso Deus Pai e Mãe. Que seus exemplos fiquem guardados em nossa memória e que a certeza da ressureição se transforme em consolo e fortaleza para seus familiares!

     
  • SNIEAB 16:55 on 10/08/2016 Permalink | Responder  

    Diocese Anglicana do Rio de Janeiro Prepara-se para Escolha de Novo Bispo 

    “A Ordem do Episcopado, dos bispos e bispas, continua a obra apostólica de dirigir, supervisionar e unir a Igreja”

    Ordinal da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil

    A Diocese Anglicana do Rio de Janeiro (DARJ) no dia 17 de setembro de 2016, através de seu Clero e Povo, se prepara para a escolha de seu novo Pastor no Concílio Extraordinário de Eleição. O bispo diocesano  Dom Filadelfo Oliveira solicitou a Câmara dos Bispos da IEAB  autorização para realizar a escolha de um coadjutor que o sucederá na liderança pastoral da diocese.

    Uma Comissão Organizadora Diocesana foi designada para preparar o processo eleitoral de escolha dos candidatos para o episcopado.  Para tanto, foram escolhidos por se apresentarem três clérigos residentes, a saber: Revdo. Luiz Caetano Grecco Teixeira, 66 anos (Pároco da Paróquia São Paulo Apóstolo/Santa Teresa), Revdo. Eduardo Coelho Grillo, 51 anos (Pároco da Paróquia São Lucas/Botafogo) e Revdo. Abimael Rodrigues, 57 anos (Deão da Catedral do Redentor/Tijuca). O processo procurou atender todos os pré requisitos canônicos e também de perfil de candidatura construído pelo clero e povo.

    O Bispo Primaz Dom Francisco de Assis da Silva, em consonância com Dom Filadelfo Oliveira, foi convidado a presidir o referido Concílio de Eleição. Dom Francisco afirma que “como o Concílio será o momento especial da vida diocesana para discernir  escolher a pessoa que será o futuro líder pastoral do povo de Deus na DARJ, me dispus a acompanhar o processo desde que foram definidos os nomes que se colocaram à disposição para este especial ministério da Igreja. E digo isso a partir da convicção de que um bispo não é apenas um bispo de uma diocese, mas um bispo da Igreja Una, santa, católica e apostólica” declarou o Primaz em carta dirigida ao Povo e Clero da DARJ.

    Nesse momento a IEAB convoca a todas as pessoas que coloquem em oração  o processo de eleição e os candidatos que estarão dispostos ao serviço do Reino de Deus. OREMOS:

    “Onipotente e Eterno Deus, que por teu Espírito governas e santificas todo o corpo da Igreja; recebe as súplicas e orações que por todos os seus membros te oferecemos, para que estes, na sua vocação e ministério, te sirvam com verdadeira piedade e devoção; mediante Jesus Cristo, nosso Senhor, que vive e reina contigo e com o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre. Amém.” Livro de Oração Comum

     
  • SNIEAB 21:20 on 03/08/2016 Permalink | Responder  

    Mensagem do Primaz sobre os Jogos Olímpicos 

    Rio 2016: De braços abertos e olhar crítico

    A Olimpíada Rio2016 já começou! Trata-se de um evento que tem a finalidade de congregar os povos do mundo inteiro através da sadia competição em diversas modalidades individuais e coletivas, oportunizando o encontro, o conhecimento e a partilha da diversidade do mundo.

    É a primeira vez que um evento dessa ordem é realizado no Brasil. E o mundo inteiro estará de olho em nosso país durante os jogos.

    Sabemos também que a conjuntura brasileira não vive seus melhores dias. A crise política causada pela manobra golpista de afastar a Presidenta da República tem dividido o país e manifestações tem sido frequentes.

    As consequências  da realização do projeto da Vila Olímpica com sérios desmandos e a manifestação de descontentamento por parte das comunidades populares da cidade do Rio de Janeiro, acrescido do forte aparato de segurança, criam preocupação social adicional à festa.

    Peço aos anglicanos brasileiros e apelo aos irmãos anglicanos do mundo a orarem para que prevaleçam a paz, o respeito e a esportividade nesta festa especial do esporte. Para além das tensões políticas presentes no Brasil, que saibamos respeitar os atletas, os visitantes e todas as pessoas que fazem esse espetáculo. Oração que deve ser praticada em todos os momentos litúrgicos de nossas comunidades!

    A Olimpíada deve ser momento para vivermos a festa do esporte. Precisamos de maturidade para realizar a crítica política com uma organização popular que tem como oponentes os gestores públicos e aqueles que fizeram da organização dos Jogos um meio de exploração, exclusão e acúmulo de riqueza em detrimento dos direitos das pessoas simples da cidade do Rio de Janeiro.

    Que o Cristo Redentor, símbolo da cidade do Rio de Janeiro, não seja envergonhado! E que os braços abertos representem concretamente a natureza brasileira de acolhida a tanta gente que vem viver a beleza do esporte!

    Francisco de Assis da Silva

    Primaz da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil

    Diocesano em Santa Maria

     
  • SNIEAB 17:59 on 22/07/2016 Permalink | Responder  

    “Não se esqueçam de nós”, índios Guarani-Kaiowá fazem apelo para a IEAB 

    Na última semana, membros da IEAB fizeram parte da Missão Ecumênica em favor dos direitos dos povos indígenas


    A Igreja Episcopal Anglicana do Brasil – IEAB, fez parte pelo segundo ano consecutivo da “Missão Ecumênica” em parceria com a CESE – Coordenadoria Ecumênica de Serviço, CIMI – Conselho Indigenista Missionário, CEBI – Centro de Estudos Bíblicos e CONIC – Conselho Nacional de Igrejas Cristãs no Brasil. No ano passado, a exploração de terras de forma ilegal feita por madeireiros, latifundiários e grandes fazendeiros evidenciou a nível nacional um problema há muito tempo recorrente na região do Mato Grosso do Sul/MS sobretudo no assunto da demarcação das terras indígenas de diversas tribos, entre elas os Guarani-Kaiowá e os Terena, que mais foram afetados por uma forte onda de violência, desencadeando genocídio e a expulsão de centenas de pessoas das suas moradias.

    Antecedentes

    De acordo com informações do CIMI, nos últimos doze anos, mais de 500 índios cometeram suicídio e outros 390 foram assassinados de forma brutal nas investidas de retirar as famílias das áreas de interesse para o agronegócio, que inicialmente pertenceram aos indígenas. Os órgãos ecumênicos e apoiadores da causa dos Guarani-Kaiowá salientaram na primeira vez em que a missão se reuniu, o interesse por uma CPI do Genocídio na intenção da investigação concreta desses abusos.

    No dia 14 de junho, próximo da aldeia dos Guarani-Kaiowá no município de Caarapó, o agente de saúde indígena Clodiodi Aquileu Rodrigues de Souza, de vinte e três anos, foi morto a tiros, seis outros índios foram encaminhados com ferimentos graves também por armas de fogo para um hospital em Dourados/MS. Conforme comentado pelos moradores da área da fazenda Yvu, homens em caminhonetes, tratores e motos, estavam atirando para todos os lados.

    Muitos dos indígenas ficaram juntos, mas uma grande parte se dispersou pelas regiões próximas para se proteger, o que está gerando conflito com os proprietários de terras. Clodiodi foi enterrado no mesmo local e agora é um símbolo da luta pela retomada das terras.

    Dias 14 e 15 de Julho, retorno da missão: “N’handeru mandou dizer que vai ter resistência!”

    A IEAB compareceu num ato público em frente à Assembleia Legislativa do Estado do Mato Grosso do Sul, juntamente com os órgãos ecumênicos, para expressar seu apoio com a causa indígena, pedir que não haja mais assassinatos e conflitos com o povo da retomada de terras, que a cultura e a crença deles não sejam alvos de ameaçadas pelo poderio do agronegócio. Estiveram presentes Dom Flávio Irala, Bispo Diocesano de São Paulo e Presidente do CONIC, Dom Naudal Alves Gomes, Bispo Diocesano de Curitiba e Presidente da Comissão Nacional de Incidência Pública da IEAB, as missionárias da TEC que fazem parte do GT de Missão da IEAB, Monica Vega e Heidi Schmidt,  Vagner Mendes, membro do staff da Secretaria Geral da IEAB, Rev. Hugo Sanchez, responsável pela Missão da Inclusão em Campo Grande/MS juntamente com os paroquianos Emanuel, Lúcia, Cleide e Maria Helena, houve um momento muito forte, onde as tribos se cumprimentaram e dançaram juntas, os líderes religiosos foram acolhidos e puderam manifestar palavras de apoio aos índios e repúdio aos últimos acontecimentos, dançaram em conjunto, puderam conceder a bênção de acordo com a sua fé e depois um sacerdote indígena também abençoou os líderes ecumênicos, conforme sua tradição – N’handeru carrega o arquétipo de Criador – assim como o Deus revelado que conhecemos no cristianismo, ficou claro que todos somos um.

    Encontro no Ministério Público Federal

    Depois do Ato Público em favor dos direitos dos povos indígenas, os membros da missão ecumênica compareceram no MPF de Mato Grosso do Sul, ainda no dia 14 para uma conversa com o Procurador Geral do Estado e ouvir as medidas efetivas que foram tomadas desde o último momento de conversa no ano anterior. Foi aberto um espaço para que as lideranças indígenas também fizessem colocações, infelizmente pouco foi conquistado para a melhoria da situação dos Guarani-Kaiowá, a demarcação das terras indígenas ainda é tratada com dificuldade.

    Os líderes das tribos agradeceram o auxílio prestado pelo Estado, mas que ainda não foi o suficiente para reaver as terras e ter a certeza de segurança ante os ataques de jagunços e fazendeiros. As igrejas e tradições religiosas afirmaram que vão continuar acompanhando o que estará sendo feito nos próximos meses até que os índios tenham alguma resposta em seu favor.

    Após o término da sessão, a caravana prosseguiu viagem para Dourados, onde houve já na parte da noite, um jantar cedido pela Paróquia Santo André da Igreja Católica, lá três índios guaranis pediram para as missionárias de nossa igreja: “Não se esqueçam de nós”.

    Visita a Caarapó

    Onde fica a fazenda Yvu, há mais de 270km de Campo Grande/MS e se encontra a aldeia dos Guarani-Kaiowá, a IEAB foi representada por nove membros, sendo dois bispos, um presbítero e os demais que são paroquianos da Missão da Inclusão, localizada na capital do Estado. Aconteceu um momento muito forte onde a tribo pode trocar experiências, pedir por auxílio e mostrar sua realidade para os visitantes.

    A cerimônia foi aberta pelo Cacique, com palavras de acolhimento afirmando seu agradecimento pela preocupação das igrejas e de todos os apoiadores da causa indígena, para que ajudem a acabar com o sofrimento de todos os que estão sendo afetados por causa do interesse dos poderosos. Com pausas para orações, colocações de lideranças da tribo e dos visitantes, o clima de gratidão e apoio deixou registrado que a luta dos indígenas é de todos nós, o momento terminou com um almoço comunitário e despedida no local aonde Clodiodi está sepultado, a caravana ecumênica fez preces juntas e os sacerdotes indígenas presidiram uma pequena cerimônia de memorial que comoveu todos os presentes.

    Visita ao Apka’i: o poder da ancestralidade

    A cacique Damiana continua sendo a líder de uma pequena comunidade às margens da rodovia, um trator havia passado por cima das casas e matou homens, mulheres e crianças. Inconformada ela mostrou por meio de suas feições faciais a dor de perder familiares e amigos e reclamou sobre não poder ter enterrado os corpos das vítimas.

    Como foram expulsos de onde estavam se alojaram entre o pouco que sobrou no acostamento da rodovia, entre Caarapó e Dourados. Num clima de solidariedade, as lideranças ouviram os apelos da representante daquela comunidade e fizeram um momento de partilha com abraços e receberam os cumprimentos dos demais moradores do pequeno agrupamento.

    A IEAB permanece na luta pelos Guaranis-Kaiowá

    A Igreja sabe que a luta não terminou, que muito sangue foi derramado e o povo indígena assolado pelo desejo de poderosos da região que querem lucrar com as terras, está destruindo centenas de pessoas todos os dias. Faz parte da pauta da IEAB divulgar esses acontecimentos no Brasil e fora dele, na intenção de evidenciar o sofrimento dessas pessoas que também são brasileiras e humanas e de lutar pelos devidos direitos que a eles estão sendo negados, certamente outros membros acompanharão no futuro as próximas missões, para que jamais essa luz se apague.

    Fotos: Heidi Schmidt

     
  • SNIEAB 12:04 on 14/07/2016 Permalink | Responder  

    Testemunho da IEAB sobre a Missão Ecumênica aos Povos Indígenas 

    Nossa Igreja esteve presente na primeira Missão Ecumênica junto aos povos indígenas no Mato Grosso do Sul. O Reverendo Luiz Gabas foi representando a Comissão Nacional de Incidência Pública e compartilha conosco sua experiência quando esteve lá em outubro de 2015.

    Missão Ecumênica em solidariedade ao Povo Guarani Kaiowá e ao CIMI

    Sob a coordenação do CONIC, CESE e CEBI, organizações ecumênicas e Igrejas se juntaram para a Missão Ecumênica em solidariedade ao Povo Guarani Kaiowá e ao Conselho Indigenista Missionário Brasileiro nas cidades de Campo Grande e Dourados, Mato Grosso do Sul, nos dias 7 e 8 de outubro de 2015. Éramos três os anglicanos presentes: o Bispo Flávio Borges Irala representando o CONIC Nacional, a Reverenda Magda Pereira o CLAI Brasil e eu, Luiz Carlos Gabas, a Igreja Episcopal  Anglicana do Brasil, por meio da Comissão de Incidência Pública. A violência contra os povos indígenas que habitam o Mato Grosso do Sul é secular. Tem se acentuado nos últimos tempos com o avanço do agronegócio que vê a terra como mercadoria, e não como mãe geradora de vida. Dentre esses povos indígenas, os mais sofridos são aqueles que habitam o chamado Cone Sul (municípios de Campo Grande, Dourados, Ponta Porã, Maria João, etc..).  Sofrem os Terenas, sofrem outros povos, mas muito mais o Povo Guarani Kaiowá. Sob pressão e constantes ameaças, tem de sobreviver em pequenos espaços territoriais. A densidade demográfica inviabiliza qualquer possibilidade de qualidade de vida e impossibilita a produção de alimentos suficiente para toda população. As áreas ocupadas já estão degradadas, e nelas não há espécies animais e vegetais que possam contribuir na suplementação alimentar. As fontes de água estão contaminadas pelos agrotóxicos do agronegócio e pelos dejetos das cidades.  Alem do mais, os fazendeiros bancam uma milícia armada que age impunemente nos municípios que compõem o Cone Sul. Homens fortemente armados vão às comunidades Guarani Kaiowá com a clara intenção de intimidação. Fazem disparos, agridem, humilham homens e mulheres…  O relato de duas mulheres na Assembleia Legislativa do Mato Grosso do Sul retratam essa triste e real situação de violência: “De noite, homens armados invadiram nossos barracos. Mataram meu irmão… Feriram o cacique… Me arrastaram para longe com uma arma apontada para a cabeça… Fizeram ameaças, e depois cortaram meu cabelo…”

    Campo Grande – 7 de outubro

    Na Procuradoria Federal ainda de manhã a Missão Ecumênica foi recebida em Audiência Pública na Procuradoria Federal do Estado do Mato Grosso do Sul. Um jovem e atuante Procurador Federal e defensor da causa indígena, Emerson Kalif foi quem nos recebeu. Costuma fazer visitas às comunidades indígenas do Mato Grosso do Sul.  Conhece bem a realidade desses povos tão sofridos. Eu e os outros presentes, não imaginávamos ver alguém do meio jurídico ir às lágrimas ao falar do drama indígena. E nós vimos. Na Assembleia Legislativa Recentemente foi instalada na Assembleia Legislativa do Mato Grosso do Sul uma CPI contra a atuação profética do CIMI no Estado do Mato Grosso do Sul. A autora da CPI que contou com a adesão da bancada ruralista é a Deputada Mara Caseiro do PTdoB. Ocupar a Assembleia Legislativa do Estado do Mato Grosso do Sul talvez tenha sido o evento mais significativo da Missão Ecumênica. É ali na Assembleia, e a partir dela, que são tomadas as decisões que incidem sobre a vida do povo sul matogrossense. Os indígenas Guarani Kaiowá representantes das diferentes Tekoras (território= terra= espaço vital de preservação da vida, da cultura, da língua e da religiosidade) que compõem o Cone Sul matogrossense, corajosamente puderam expressar sua dor, sua luta e sua esperança de dias melhores cantando, dançando e denunciando as atrocidades que são cometidas contra eles.  Respondendo aos que propuseram e assinaram a CPI do CIMI (Mara Caseiro do PTdoB, Zé Teixeira do DEM, Paulo Corrêa do PR, Lídio Lopes do PEN, Ângelo Guerreiro do PSDB, José Carlos Barbosinha do PSB, George Takimoto do PDT, Onevan de Matos do PSDB, Márcio Fernandes do PTdoB, Eduardo Rocha do PMDB, Maurício Picarelli do PMDB, Antonieta Amorim do PMDB e Beto Pereira do PDT), os quatro deputados do PT, liderados pelo Deputado Pedro Kem ,que compõem a oposição na Assembleia Legislativa propuseram a CPI do Genocídio Indígena.  Nos últimos doze anos foram assassinatos 390 indígenas, e 585 deles cometeram suicídio.A transmissão via internet do Ato Ecumênico na Assembleia Legislativa para diferentes países permitiu a proposição de um boicote ao comércio da carne, da soja e do milho que são produzidos no Mato Grosso do Sul. Há notícias de adesões tanto nos Estados Unidos da América como em países europeus. Ruralistas, políticos e empresários do estado estão preocupados com a possibilidade do boicote, e o que ele possa trazer de prejuízos aos cofres do estado.

    Dourados – 8 de outubro – Nossos olhos viram, nossos ouvidos ouviram…

    Antes de partimos em visitas às áreas ocupadas por comunidades Guarani Kaiowá no município de Dourados, um motivador momento de espiritualidade regado a orações, cânticos e danças Guarani Kaiowá.

    A primeira das comunidades a nos receber é liderada por uma velha senhora, Dona Damiana. Cerca de vinte pessoas vivem sob barracas de lona à margem de uma rodovia muito movimentada que liga Dourados a Ponta Porã. A precariedade dos barracos revela a precariedade da vida dessa gente que vive espremida numa pequena área tradicional, recentemente re-ocupada. Três cemitérios comportam os corpos de crianças, jovens e adultos vitimados por atropelamentos, muitos deles suspeitos. Acolher bem aos visitantes e partilhar a comida são dons sempre presentes nas comunidades Guarani Kaiowá, porém, Dona Damiana pediu desculpas por não poder oferecer nada aos visitantes. Estão passando fome, e os poucos pés de mandioca não seriam suficientes para alimentar a todos.  Ela e o filho foram contundentes nas palavras: “Daqui não sairemos. Essa terra é nossa. É dos nossos ancestrais… Que venham com uma retro-escavadeira, que abram um grande buraco, que nos matem a todos e que  nos enterrem …”

    A segunda comunidade visitada, bem maior, e com uma melhor estrutura foi a APYKAI. Na porteira fomos recebidos por um grupo que nos acolheu e conduziu à entrada da Casa de Reza. Conforme o costume Guarani Kaiowá diante da CHIRU, (lembrei-me da “Arca da Aliança” que ia sempre à frente do povo de Israel) foram então entoados cânticos e danças. Em seguida, adentramos todos à Casa de Reza e em seguida foi servido o almoço oferecido pela comunidade aos visitantes. Depois, de novo em torno da CHIRU,  sob a coordenação do jovem cacique Ezequiel  mais cânticos e danças…  Alternadamente, crianças, jovens e adultos fizeram falas contando a história do seu povo… Falaram também do que experimentam diariamente: exclusão, opressão, preconceito e perseguições… Recentemente a comunidade foi vitima de uma violenta ação de milicianos que fizeram uso de armas de diferentes calibres… Embora assustadas e com medo, as crianças e os jovens diziam ser necessário a continuidade da luta. Resistir, e morrer se preciso for, para manter a TEKORA e preservar os costumes, a língua e a religiosidade. A terceira e última estada foi na TEKORA GUYRA KAMBY’I.  Conforme o costume, fomos recebidos com muitos cânticos e danças. As famílias residem em casas que no passado estavam a serviço de uma missão evangélica alemã. O cacique Joel e outras lideranças fizeram narrativas da realidade que experimentam ao longo destes anos. Externaram o quanto está difícil ser indígena… As perseguições e violências que experimentam no dia-a-dia… As ameaças que são comuns… A resistência Guarani Kaiowá… Jovens e adultos disseram:  “Se for preciso a gente morre… É preferível morrer do que deixar essa terra que é nossa… Nossos pais, nossos avós, nossos bisavós, nossos antepassados viveram e morreram aqui…Aqui, queremos também ser enterrados… Continuar com nossas tradições…”

    “NHANDERÚ mandou dizer: a hora é essa.”

    Todos nós que tivemos a oportunidade de participar da Missão Ecumênica nos sentimos ainda mais comprometidos com a causa indígena.  Foi mais que providencial que ouvíssemos os relatos indígenas e víssemos a realidade dessa gente tão sofrida. Creio que como Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, profética na sua ação, seria interessante que assumíssemos algumas demandas:- Externar no Brasil e no exterior, através de uma carta denúncia, o que vem acontecendo com os povos indígenas, particularmente com o Povo Guarani no Oeste do Paraná e no Cone Sul Matogrossense (estamos presentes nestas duas regiões) ;- Solicitar às Igrejas da Comunhão Anglicana, particularmente aquelas que estão presentes em países que compram carne, soja e milho produzidos no Mato Grosso do Sul que trabalhem em prol do boicote;- Que buscássemos ajuda internacional no sentido de termos alguma pessoa liberada para atuar mais diretamente com a questão da terra (indígenas, sem terra, quilombolas e meio ambiente).

    Algumas explicações

    Nhanderú – Deus Pai, presente em tudo e em todos. É ele que determina a vida e a caminhada do Povo Guarani. Em cada Tekora há a Casa de Reza, onde os rezadores e a comunidade se reúnem para estabelecer comunicação com Nhanderú. É ele quem mantém preservadas a cultura, a língua, a religiosidade e as tradições do Povo Guarani.

    Tekora = terra = território. Espaço vital para a preservação da vida e da perpetuação da cultura, religiosidade, língua e tradições. “Sem Tekora não há vida”, dizem os Guarani.

    Chiru = é um símbolo religioso retangular que acompanha o Povo Guarani. É ele quem protege a Tekora contra ventos fortes, tempestades, entidades ruins e o mal. Protege a Casa de Reza. Fortalece o Povo na luta. Se um Chiru é destruído pelo inimigo, outro então é construído. E aí daquele que cometer tal sacrilégio. Me veio à lembrança a “Arca da Aliança” do Antigo Israel que ia sempre junto com o povo.

    Cascavel, outubro de 2015. Rev. Luiz Carlos Gabas

     
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